REVIEW N° 1070 DO NEWGEN
Por Rafael “Cila” Aguiar
Genesis, PC
+ Game Gear, PlayStation3, Xbox 360 & Wii.

Gunstar Heroes
| F I C H A T É C N I C A |
Developer Treasure (GEN) / Backbone (PC/PS3/X360/WII) / M2 (GG)
Publishers Sega / Tec Toy
Estilos Ação > Side-scrolling > Shooter / Plataforma > Arcade
Datas de Lançamento
GEN
09/09/93 (EUA) / 10/09/93 (JP-EUR) / 1994 (Brasil)
GG
24/03/95 (JP)
PC
2004 (JP); 26/01/11 (EUA-Steam)
PS3
11/06/09 (mundial), exceto a Coréia do Sul, que recebeu o jogo em 27/07/10.
360
10/06/09 (mundial)
WII
11/06/06 (Virtual Console)
Também lançado como parte das seguintes compilações
GEN – Classic Collection (1994-EUR), que conta ainda com Alex Kidd in The Enchanted Castle, Altered Beast e Flicky, todos de Mega Drive.
PS2 – Sega Ages 2500 Series Vol. 25: Gunstar Heroes Treasure Box (23/02/06-JP; 19/09/12-JP-relançamento),
que conta ainda com Alien Soldier (MD), considerado a “continuação espiritual” de GH (pois é um side-scrolling shooter da Treasure lançado cerca de 3 anos depois, para o mesmo aparelho), embora não tão bom; Dynamite Headdy (versão tripla – Game Gear, Genesis/Mega e Master System – plataforma 2D decente); além da pouco conhecida e festejada versão Game Gear de GH.
PC
1. SEGA Genesis Classics Pack 4 ( 26/01/11-EUA)
Catadão de 10 jogos que marcaram época no sistema, mas todos estão na coletânea abaixo, então não vale a pena ir atrás.
2. Sega Genesis (Mega Drive) Collection: Gold Edition (15/03/11-EUA; 18/03/11-EUR)
Como o nome já diz, trata-se de uma excelente apresentação ao 16 bits da Sega, uma coletânea-monstro com vários e vários títulos do Genesis/Mega (“só” 45!!!), dentre os quais destacamos: Bio-Hazard Battle, Bonanza Bros., a trilogia Ecco the Dolphin, os dois Golden Axe, Landstalker, os dois Shining Force, Shinobi III, 7 jogos da franquia Sonic, Space Harrier II e Streets of Rage I&II.
| NOTA (este escore é uma média dos principais portais de games na web e revistas antigas quando for o caso, e também engloba a opinião dos gamers visitantes, além da crítica especializada) |
8.37
| E S T E J O G O É P R A . . . | |
| ( ) passar longe | (X) dar uma jogadinha de leve |
| (X) dar uma boa jogada | ( ) jogar freneticamente |
| (X) chamar a rua toda pra jogar | (X) um tipo específico de jogador Qual? Fãs da idéia de jogar um Contra com visual mais açucarado; qualquer um que tiver 800 pontos e for exigente em seus investimentos no Virtual Console; admiradores da história da Konami e da Treasure, turma de programadores debandados da própria Konami que lançou aqui seu primeiro jogo; quem tem um Mega Drive/Genesis mas não um Super Nintendo para jogar os vários side-scrolls listados abaixo. |
| (X) uma incógnita Observações, quando necessárias: Tempo de jogo pode variar muito dependendo das preferências individuais do jogador. | Quem jogar este também poderá gostar de: Contra III*: The Alien Wars (SNES) Gradius III* (SNES) Metal Slug 3* (ARC/NEO) Gunstar Super Heroes (GBA) Sunset Riders (ARC/GEN/SNES) Mega Man 2 (NES) Alien Soldier (GEN) Sin and Punishment: Successor of The Earth (N64) Axelay (SNES) Super Castlevania IV (SNES) Radiant Silvergun (SAT) Thunder Force III (GEN) Thunder Force IV (GEN) Thunder Force V: Perfect System (PS) (*) O que afinal de contas acontece com as séries de shoot ‘em all quando chegam ao terceiro episódio?!? |
| VIDA ÚTIL ESTIMADA (esta quantidade é estritamente baseada na main page do jogo no gamefaqs.com) |
7h30
Muito já foi dito acerca de Gunstar Heroes. Considerado clássico por um séquito, superestimado, segundo outros, “clone de Contra”, para uns terceiros, e mesmo desconhecido para outros tantos, este é o polêmico Treasure’s Gunstar Heroes. Por conseguinte, falemos bem ou falemos mal, contanto que falemos dele, nós também!


O game é idêntico em todas as suas versões – tanto que nem vale a pena distinguir as poucas screenshots da matéria que não pertencem ao Genesis!
O que faz de Gunstar Heroes especial são as hordas de inimigos na tela. É provavelmente positivo que os corpos em movimento apresentem leve pixelização, pois o número e impetuosidade deles são tão intensos, e a taxa de framerate tão constante (ocorrências mínimas de slowdown só são registradas no 2-player mode), que ficou nítida a necessidade de escolher entre “beleza” ou “rendimento”. Um dos dois aspectos, em sua forma pura, teria que sofrer para fazer o outro brilhar, e fizeram a escolha mais acertada. Não que GH seja um game feio; aliás, pelo contrário. Digamos apenas que a gameplay é tão absorvente que deixa tudo o mais apagado. E, falando na gameplay, vamos nos concentrar mais neste aspecto e deixar outros comentários sobre imagem e áudio para o fim da matéria.
Já ficou claro que a ambientação aqui é meio World Painted Blood, aquele CD do Slayer (concentre-se na idéia que esse nome evoca, se não puder se concentrar na música!): tiros e projéteis sem trégua pra todo lado, movimentos fugazes – ou seja, o mundo tingido de sangue –, mas, com tudo isso, leveza de alma e humor, pois os traços e caracteres aparentes nos levam para o lado mais escrachado e descarregado de tensão das coisas, contrabalançando o efeito da “sanguinolência” e “brutalidade gratuita”.

Mesmo sendo um jogo antigo (1993), o ritmo da ação ainda é considerado frenético para os padrões atuais e tem que ser “rápido de olho” para acompanhar tudo… Aliás, a Treasure é mestra no quesito (vide recomendações na ficha técnica)!
Qual a motivação para lutar tanto? A família Gunstar, armada até no nome, sempre foi a protetora do planeta Gunstar-9. Ultimamente, ela extraiu 4 gemas de poder do corpo de Golden Silver, um andróide mal-intencionado que se alimenta do poder dessas gemas espalhadas por todo o universo. Quando tudo estava em paz, um ditador parecido com o Magneto tomou o controle do planeta e mandou seu principal subordinado (um M. Bison de uniforme rosa!) caçar as benditas gemas, a fim de utilizar os poderes de Golden Silver em proveito próprio. Não só isso, porém, cientes de que seriam atrapalhados pela família de heróis que já salvara o mundo, capturaram um dos membros do clã Gunstar e promoveram-lhe uma lavagem cerebral. Um enredo com potencial, mas infelizmente esses detalhes são fornecidos apenas pelo manual de instruções e afora a apresentação inicial a backstory não se desenvolve muito.
São 4 estágios iniciais que podem ser enfrentados em qualquer ordem, cada chefe correspondendo a uma gema de poder, e um quinto grande estágio, que pode ser considerado, na realidade, uma sucessão linear de mais umas 3 ou 4 fases, se formos considerar suas dimensões. Ou seja: personagens “roubados” de outras sagas carismáticas e esquema de jogo “furtado” de outro título consagrado, Mega Man, são a tônica, logo de cara, em GH!

O game apresenta gráficos de Super NES (elogio dos bons, por mais que se doam os leitores seguistas)
Comparado a outros épicos do gênero, GH é RELATIVAMENTE fácil. Escrevi em caixa alta porque isso não significa de modo algum que seja um jogo molezinha, como o mais desprevenido poderia intuir. Para começar, não há one-hit kills, o que já é uma brisa na cara do shooter veterano. Os adversários são como insetos em carne podre, saindo de todo canto e pentelhando o tempo todo, mas a contrapartida é um arsenal impiedoso acessível quase de imediato ao controlador. Claro que sorrisos vão brotar nas expressões mais sisudas quando eu disser que o “clichê” dos chefões que ocupam a tela inteira e que são um evento à parte foi devidamente respeitado pela Treasure. Mesmo que não se equiparem ao desafio oferecido aos hardcore gamers pelo Contra original, trata-se de batalhas homéricas em face do “jogador casual”. E engana-se quem pensa que lugar de chefão é no fim da fase. Claro, sempre tem um inimigo mais corpulento e aterrador no “ômega” de cada etapa de Gunstar, mas também tem muitos grandalhões para detonar no meio e até no início de cada seção. Ou seja, sub-bosses são lugar comum. O mais maravilhoso é que cada chefe é mesmo único, e alguns deles deixaram sua marca indelével na indústria dos games. Tem o mecha polimorfo que assume 7 formas (quase um gato que virou robô, não é mesmo?) e parodia todo tipo de tokusatsu. Um pulo descontextualizado pode arruinar suas chances contra ele. Telas de game over são fator recorrente, mas a Treasure é solidária e dotou o usuário de infinitos continues.

PARÓDIA? Um Dr. Robotinik meio Kim Jong-il
Se a jogabilidade desliza em algum ponto, eu diria que é no sistema de mira. Mas há uma certa flexibilidade que atenua o problema: sempre que começa um novo jogo, o controlador opta entre dois irmãos Gunstar. Um deles possui mira em 8 direções (incluindo as diagonais) mas não pode atirar em movimento. É o que chamamos de “perfil estratégico”. O outro, ou outra, só atira nos quatro pontos cardeais, mas tem o dom de disparar enquanto anda, corre e pula, o que chamamos de “action-oriented”. Se você vai privilegiar o jeito de jogar que o deixa na tocaia ou vai partir pro pau sem meios-termos, isso lá é com suas próprias convicções, se bem que não existe calmaria, no sentido literal, hora nenhuma em GH! No two-player mode – invariavelmente cooperativo – não há como ter mais essa liberdade de escolha, havendo a designação automática do personagem. O lado bom e divertido é poder contar com o revezamento e a complementação simultânea de duas habilidades distintas e todavia aliadas.

Não dei até aqui a devida atenção às armas, aspecto central. Vamos aproveitar para exaurir o assunto. Cada personagem começa com 4 tiros básicos (não ao mesmo tempo – você tem sempre que escolher quais os 2 que irá ter sempre consigo, 1 titular e outro reserva; mas os power-ups são achados freqüentemente nas fases, à Castlevania), raridade nesse gênero que costuma ser tão pouco indulgente. Tem a bola de energia típica; balas teleguiadas; lança-chamas e o laser que atravessa praticamente qualquer coisa. A melhor parte vem depois desse ecletismo que se apresenta já de início: esqueça as limitações congênitas de cada armamento, do tipo “lança-chamas não possuem muito raio de alcance” ou “essa arma persegue alvos distantes mas seu poder destrutivo é insignificante”. Seu projétil comum pode se converter numa poderosa granada, bastando se fundir a outra de suas armas básicas. Ou seu míssil teleguiado pode ser um laser que não termina seu rastro ou sua trajetória de destruição na tela a menos que uma bala acerte seu personagem. Como tudo isso é possível? Acabei dando duas amostras, mas para falar a verdade são 20 combinações possíveis, contando com o “uso combinado” de 2 das suas armas no nível básico ou crossovers de alguns desses elementos básicos com upgrades para as 4 funções básicas, adquiríveis ao longo do percurso. Qualquer função básica (arma “crua”) pode se “fundir” com uma “arma envenenada” (que sofreu upgrade), e todos os upgrades também se comunicam entre si. Mesmo um upgrade pode ser considerado, ao cabo, uma fusão de uma arma consigo mesma, duplicando ou triplicando seu potencial destrutivo. E o melhor é que há 2 power-ups de cada arma, ou seja, o “nível 3” de cada elemento é o mais destrutivo de todos; e você pode combinar armas de nível 3 com armas de níveis 1 ou 2, ou mesmo uma arma de nível 3 com outra de nível 3, o que chamamos de level supremo. Isso significa: MUITA VARIAÇÃO e MUITO PODER DE FOGO, ainda que seu método de ataque não tenha NADA A VER com fogo, e possa ser até sobre relâmpagos ou água. Difícil descrever o quanto seu personagem pode se tornar um homem-pólvora insano para se vingar do design amalucado e inquieto das fases, que são, em si, campos minados onde os tiroteios multidirecionais são perenes e os inimigos, inesgotáveis (não adianta ficar “parado no mesmo lugar” ad aeternum, pois há geração espontânea de baddies).

Aí entra uma das dificuldades de GH: saber dominar os controles, posto que cada arma tem as suas particularidades de utilização. Desvendar todos os segredos e a maneira mais adequada de empregar cada tipo de arma e cada combinação específica depende da experiência e raciocínio ágil. Tempo pode ser perdido investindo numa weapon combination que na verdade não combinava muito com seu modo de aproximação ideal num third-person shooter. Cada jogador tem que detectar o que pode e sabe explorar com maior perícia, qual sua inclinação natural no contexto das regras criadas pela Treasure. Quanto a “perder tempo”, alguns discordam dessa possibilidade: nunca se perde tempo aproveitando um jogo desafiante e tudo o que ele tem para oferecer. Ou, antes, era esse mesmo o objetivo desde o início!

O usuário chaotic_midget do GameFAQs nos lembra já no título de sua resenha: “Quantos jogos apresentam um lança-chamas E AINDA um sabre de luz?” Não muitos, efetivamente…
Paciência, resignação e “saber morrer repetidas vezes” são mantras já conhecidos pela trupe hardcore. Trechos específicos em que “se encalha” porque não se sabe direito o que fazer sem levar chumbo, ou o fato de estar sendo morto após alguns poucos segundos do início da sessão de jogo, são características absolutamente normais no estilo e não devem (ou deveriam) desestimular os viajantes neófitos.
O level design se sobressai a ponto de justificar jogatinas reiteradas. Um dos últimos momentos da gameplay até visualizar os créditos finais transcorre num tabuleiro de jogo caseiro, em que se deve atirar o dado para ver em que casa (sala) seu peão (personagem) vai cair, tentando progredir na aventura. Noutro momento, a gameplay dá uma mudada para tiro de nave, lembrando os tempos áureos da mamãe Konami e até outro filão bem-explorado pela própria Treasure na sua carreira vindoura. A não ser que você seja escolado em jogos como Contra e Metal Slug, prepare-se para se deparar várias vezes com a última imagem desta matéria até pegar melhor o jeito do negócio!

Os chefes, já disse, são um capítulo à parte, como os épicos desse gênero o exigem. Todos têm um design diferenciado e, o que é ainda mais fundamental, padrões de ataque sui generis que se gasta algum tempo e algumas vidas até desvendar por completo. O medidor de dano desse tipo de foe é inovador: ao invés da barra de energia padrão, um pêndulo de relógio a badalar; o tique-taque que chama a Dona Morte!
O fato de poder “dar uma remixada” nas suas sessões de jogo, alterando a ordem de enfrentamento dos 4 primeiros estágios, reminiscente da franquia platform mais famosa da Capcom, caiu muito bem em Gunstar. Há porções das fases com rolamento automático da tela (autoscroll), presença garantida em games old school que se prezem, componente um tanto nostálgico para alguém da minha idade, confesso; além de certos easter eggs, como as animações exibidas à conclusão de cada fase.

GAME GEAR
Antes de começar um arquivo de jogo, tendo-se de optar entre o Normal e o Fixed Shot e também pelo nível de dificuldade desejado (existem 3), garante-se ainda mais aleatoriedade e fator replay às disputas. Doutro modo, o jogo ficaria realmente pequeno, já que a aventura principal é, em si, muito curta. É possível finalizar a saga em 1h. O tempo pelo qual se pode aproveitar o cartucho é considerado baixo, como exposto no cabeçalho da matéria. Vai depender estritamente dos seus gostos.
Jogar com um parceiro humano é um dos fatores que estendem a vida útil do aclamado Gunstar Heroes. Não implica deixar a aventura mais fácil, mas pelo menos mais divertida. Seus medidores de health e quantidade de vidas serão divididos, isto é, os dois combinados terão a mesma vitalidade do controlador-solo quando ele se arrisca no 1P Mode. Uma das ferramentas curiosas habilitadas é o “throw your partner”, que possibilita arremessar o outro jogador em cima do inimigo para obliterá-lo. Custa life do arremessado e vai deixá-lo enraivecido, não sendo uma tática muito útil ou racional, mas essa é justamente a graça!

O board game perto do final que faz GH ter cara até de game show televisivo!
Um dos problemas apontados pelos casual gamers contra Contra (he-he) é seu elevadíssimo nível de dificuldade. Não sobrevivo muitos minutos no Contra III de SNES e sou obrigado a queimar continues como um maconheiro queima sua ponta… GH pode ser indicado sobretudo para essas pessoas, pois não chega a frustrar ao ponto de jogarmos o controle na parede depois daquela morte horrível e evitável no final da fase. Os trechos são mais convidativos e “ultrapassáveis”, afora sua capacidade de customizar o jogo até deixá-lo o mais amigável possível tendo em vista o nível de talento diferente de cada jogador.

Um plus para os usuários de PC, Play3, Xbox e Wii: tem cooperativo online!
Descrevendo as fases mais interessantes em minúcias: a segunda é uma mina em que se pode controlar um carrinho extremamente rápido que pode até se acoplar ao teto e seguir no trilho de ponta-cabeça! A terceira traz um conceito inovador: você começa na base de uma torre e deve escalá-la, por fora, a tempo de alcançar um avião inimigo, que em breve fará a decolagem. O quarto cenário permite, em sua área principal, que você lance um dado gigantesco para determinar seu futuro e cair em cômodos onde diferentes desafios e eventos podem transcorrer, desde um bonus game abarrotado de itens até um chefão escabroso.

O que você acha dos backgrounds? Gunstar Heroes é um jogo tão “coringa” que as opiniões variam de “deixam muito a desejar” a “extremamente minuciosos”.
Mesmo com as dezenas de tiros customizáveis, e considerando que cada tipo de tiro exige um comando dedicado, GH mantém na medida do possível, e no geral, a simplicidade típica da fórmula platformer shooter, com 3 botões principais, um dedicado ao pulo, outro ao tiro 1 e outro para revezar as armas primária e secundária. Quando já tiver 2 armas (começa-se o nível com apenas 1), o A faz o scroll entre os 3 ataques possíveis (o tiro 1; o tiro 2; e o tiro 3, isto é, o tiro crossover – cf. supra – dos 2 anteriores). Requer-se um pouco de treino a fim de se habituar a essas operações em meio ao caos e ao frenesi, mas pega-se o jeito depressa, até!
Os gráficos são bastante estilizados, à maneira de um filho nascido dum improvável affair entre o character design, de um lado, robusto e atemporal de um Street Fighter II, e o de As Meninas Superpoderosas, muito mais direto e descontraído. Pode-se notar a diferença de artwork entre as versões europeu-americana e a japonesa, esta muito mais próxima do mangá; não obstante, os in-game graphics são idênticos em ambas as versões.

“Soltem a minha irmã, seus cosplayers desgraçados!”
Sobre a repercussão dos modelos para os personagens selecionáveis, alguns acham que forçaram a barra demais nos traços “cute” dos dois protagonistas, ou que pararam num meio do caminho bizarro entre o cartoon e o realismo que não agrada nem a gregos nem a troianos. Citam como contraponto e referência Mega Man. Nem por ter lançado artworks “antropomorfos” para seu herói azulzinho nas capas dos jogos (e inclusive uma versão anime da série, em que o modelo do protagonista ficou bem elaborado e complexo) a Capcom sentiu a necessidade de empregar todos os sprites à mão no look do boneco quando ele está no meio das fases. Trocando em miúdos, ao invés de ambicionar grande realismo, a softhouse do Mega Man apostou no modelo mais minimalista possível, e seu carisma é enorme, em parte justamente por essa decisão.

Na versão Wii, o Wii Remote, contrariando o bom senso e as expectativas, demonstra-se uma ótima ferramenta de controle!
O grito de morte dos adversários é um poderoso stimulus para empilhar cadáveres (modo de expressão, pois os corpos abatidos realmente desaparecem da tela, sofrendo decomposição repentina!). Logo, os efeitos sonoros estão em sintonia com a carnificina.
Quanto à trilha, ela fica atrás de inúmeros outros shooters de Genesis, dentre os quais podemos citar M.U.S.H.A., Granada, Thunder Force III & IV, Air Buster, Steel Empire, Bio-Hazard Battle (não confundir com o nome oriental de Resident Evil, sem o hífen), Raiden Trad e Phelios. O que não quer dizer que estes títulos todos estejam à frente de Gunstar Heroes também no fator gameplay. Musicalmente falando, contudo, um jogo de tiro antigão precisa daquela aclimatação antológica, seja com temas velozes e empolgantes ou pelo menos sombrios e marcantes, o que não se vê em GH.

A bola-coração (coração, coração, bola, já entoava Alceu…) recupera sua energia. Os outros power-ups são todos para ferrar seus oponentes!
CONSIDERAÇÕES FINAIS – A PAIXÃO -PELA EXPLOSÃO- SEGUNDO G.H.
Gunstar Heroes (Mega Drive, 1993) é um dos melhores representantes do que muitos acabaram chamando de “run and gun” games décadas atrás, por mesclar de maneira notável os gêneros Plataforma 2D, beat ‘em up (em que um personagem, humano ou não, sai espancando meio-mundo sozinho) e Tiro (que em 90% dos casos estrelam veículos espaciais). São jogos que exigem inteligência ativa, reflexos quase sobre-humanos e instinto de sobrevivência num nível absurdo e incomum para a maioria dos gamers “café-com-leite” ou “arroz-com-feijão”. GH, mesmo participando de um nicho já saturado, soube sobressair e ser um dos acmes da diversão naquilo em que se propôs. Sua popularidade gerou, além das continuações, a possibilidade da revenda do original, cerca de 15 anos depois, em serviços online para aquisição de produtos e partidas multijogador, como é o caso da Steam, Virtual Console, PSN, entre outros.

O rip-off de M. Bison é memorável!
CURIOSIDADE 1: Gunstar Heroes aparece no livro 1001 Jogos que Você Tem que Jogar Antes de Morrer, de Tony Mott.
CURIOSIDADE 2: Se você já chegou a este ponto da resenha, deve ter notado que o game “plagia” (no bom sentido, homenageia) MUITAS REFERÊNCIAS GAMÍSTICAS, algumas, ironicamente, da própria Konami, de onde a Treasure afinal nasceu. Como exemplos, para além dos já constantes da matéria, podemos citar um Darth Vader e um Vegeta de mentirinha como divertidos chefes!
O antes…


…e o depois!
CURIOSIDADE 3: Na edição 9 da Retro Gamer, de outubro/2004, GH foi premiado em eleição popular e figurou na lista dos 50 melhores games de todos os tempos.

Lista de agradecimentos pela cessão de informações e imagens
GAMEFAQS.COM:
hard_cor_e_ddr
segasonicfan
Golden_Vortex
horror_spooky
Ofisil
mrduckyrisin
Zylothewolf
discoinferno84
Jaxijin
SScloud99
_Genesis
Oversuperfluous
MOBYGAMES.COM:
Martin Smith
Liam Dowds
Satoshi Kunsai
Erick Smith
666gonzo666
Kartanym
chirinea
Pirou Julien
HONESTGAMERS:
Jason Venter
GAMESPOT:
Greg Kasavin
GAMETRIP.NET:
Xylo
SHINFORCE.COM:
Geoffrey Duke
versão 2 – 2017; 2025.
® 2002-2025 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!
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