
SUPER-REVIEW n. 7 DO RAFAZARDLY/0LDBUTG8LD
este artigo só deve ser lido por pessoas com mais de 18 anos de idade
este artigo possui conteúdo imagético, textual e alusivo perturbador e pode induzir ao mal-estar físico e mental e a ideações suicidas, pois analisa um jogo em que tudo isso se aplica.
obs: esse jogo possui múltiplos reviews no rafazardly. essa é a versão técnica sem spoilers!
Por Rafael “Cila” Aguiar
PC
+ PlayStation4, PlayStation5, Switch, Xbox One, Xbox Series X









Doki Doki Literature Club!
+
Doki Doki Literature Club Plus!
| F I C H A T É C N I C A |
Developer(s)
Team Salvato
Publisher(s)
Team Salvato (PC, 2017)
Serenity Forge (PC, 2021 / PS4&5, EUA, EUR, OCE / SWI, Ocidente + Coréia do Sul / XONE&XSX)
Playism (JP, exceto para Xbox)
PQube (PS4&5/SWI, EUR, Premium edition 2021/2022)
Estilo(s)
Visual Novel(?)
| D A T A S E R E G I Õ E S D E L A N Ç A M E N T O |
PC
06/10/17 (EUA, versão clássica, Steam,), 30/06/01 (EUA, versão Plus!, Steam & Epic Games Store)
Versão Plus!
PS4/PS5
30/06/21 (EUA/EUR/OCE, versão digital), 07/10/21 (JP, física+digital), 08/10/21 (EUA, Premium edition, física), 08/04/22 (EUR, Premium edition, física)
SWI
30/06/21 (EUA/EUR, versão digital), 07/10/21 (JP, física+digital / COR, digital), 08/10/21 (EUA, Premium edition, física), 12/11/21 (EUR, Premium edition, física)
XONE/XSX
30/06/21 (mundial, digital), ??/24 (previsão de lançamento da Premium edition física, apenas para XSX nos Estados Unidos)
Também inclusos nas compilações:
| N.A. |
Quem jogar este também poderá gostar de:
(Em vermelho, os jogos que já revisamos – se não estiver linkado, ainda não foi “upado” no novo blog.)
Everlasting Summer (PC/AND/iOS) (visual novel, character design similar)
Eversion (PC) (Plataforma 2D indie que também ganhou uma remasterização HD na Steam após o sucesso inicial; elementos de terror psicológico similares)
Raptor Boyfriend: A High School Romance (PC/PS4/PS5/SWI/XONE/XSX) (visual novel subversiva, remake de uma visual novel japonesa de 10 anos antes, Hatoful Boyfriend: A School of Hope and White Wings, também no VITA no caso da original)
Higurashi When They Cry (PC) (visual novel subversiva – compilado dos primeiros 4 capítulos – a franquia conta hoje com 7 capítulos e inúmeros spin-offs em hardwares como PS2, PSP e DS, seguindo ativa)
Katawa Shoujo (PC) (visual novel não-convencional, “inclusiva”, digamos – felizmente, ao contrário da VN acima, foi portada para inglês)
Pony Island (PC) (puzzle indie game subversivo)
Undertale (PC/PS4/SWI/VITA/XONE/XSX) (RPG indie experimental também tornado famoso graças à inovação da gameplay)
Yume Nikki (PC/iOS) (RPG indie experimental também tornado famoso graças à inovação da gameplay, free-to-play até hoje na Steam)
Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors (DS) (visual novel subversiva– o jogo possui várias continuações)
NOTAS DA IMPRENSA+CONSUMIDORES
(Cada escore é uma média dos principais portais de games na web e revistas antigas quando for o caso, e também engloba a opinião dos gamers visitantes, além da crítica especializada; não necessariamente reflete meu ponto de vista sobre o jogo.)
NOTAS
7.9 (PC, versão original)
7.9 (PC, Plus!)
7.7 (PS4/PS5, Plus!)
8 (SWI, Plus!)
7.9 (XONE/XSX, Plus!)
MINHA NOTA (Plus!, Steam)
10.0
Este jogo é pra…
(X) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada (X) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Ler o review! (XXX) incógnita
| FAIXA DE VIDA ÚTIL ESTIMADA | De 6h a 12h. |
Doki Doki (ドキドキ) é a transcrição onomatopeica da batida de coração (tum-tum).
Doki Doki Literature Club! (DDLC) (ou sua versão mais conhecida, Doki Doki Literatura Club Plus!, DDLC+, de 4 anos mais tarde) é um freeware (jogo indie gratuito, com alguns [D]DLCs – no pun intended? – pagos) de 2017 no gênero visual novel desenvolvido e publicado, por incrível que pareça (pois o jogo é pura J-culture reference!), pelo estúdio norte-americano Team Salvato (e, em menor grau, desenvolvido também pela Serenity Forge, outrossim a publisher de cópias físicas, as primeiras, da mídia, para os consoles de nova geração, exceto os da Microsoft, e exceto na Europa, onde a distribuição ficou por conta da famosa publisher de VNs PQube), inicialmente para Windows, Linux e macOS (PC). É até difícil de acreditar que seja um game alternativo, já que conquistou tanta proeminência mundial. Em 2021, junto com a versão Plus!, o jogo foi finalmente traduzido ao japonês (e outros idiomas como o português e o espanhol) e lançado no Oriente pela Playism.

Inicialmente DDLC se encontrava para download em itch.io, posteriormente entrou para o catálogo da Steam e da Epic Games. Você é um estudante de ensino médio constrangido a ingressar num clube de literatura (atividade extra-curricular) por sua melhor amiga desde a infância. No clube, a presidente, a vice-presidente, uma nova membra do primeiro ano e sua amiga, um quarteto de mulheres, terminará por disputar suas afeições – e o protagonista não esconde, em seus “balões de pensamento”, que odeia literatura e só está no clube por causa delas – quer tentar sua sorte com uma, seja qual for (escolha do jogador, que inclusive empresta seu nome de preferência ao protagonista anódino).
O story-telling, envolto numa camada estereotípica, foge do método narrativo consagrado, subvertendo o gênero no qual está inscrito (é e não é uma visual novel ao mesmo tempo). Outras classificações, formais ou não, dessa teórica visual novel são: cyber thriller, terror psicológico, dating sim, autoajuda (terapia sem terapeuta), experimento avant-garde, autorreferente, simulador de estação de trabalho (mais sobre isso no review com spoilers), salpicado ainda de elementos de eroge (daí a imensa estranheza em não ser um produto oriental).
Obviamente, seguindo os tropos do gênero, a partir da Plus! edition há múltiplos desfechos e conteúdo para desbloquear na forma de cutscenes, músicas, wallpapers e artworks, dentre outras mídias in-game e até pseudo-out-game. Todas as quatro garotas são conquistáveis (dependendo do que se entende por conquistável), embora uma das 4 seja, por assim dizer, uma instância “especial” da gameplay que coroa DDLC como obra-prima do gênero, e produto bizarro.
A natureza de slice-of-life, leve e até mesmo pueril e cabeça-de-vento da atmosfera estudantil e dos diálogos-clichê entre adolescentes que afetam timidez e ninfomania alternativamente vai cedendo – ou, antes, como que cede de repente – lugar a um enredo macabro, uma experiência assustadora e desconfortável atípica mesmo para horror games. A quebra da quarta parede é sua faceta mais célebre, embora muitos jogadores entrem desavisados dessa natureza em Doki Doki.
Dan Salvato, o chefe da empresa, e seu time levaram cerca de 2 anos para concluir o game. Um dos trabalhos anteriores de Salvato foi liderando o Project M (fazendo mods, principalmente de jogos da Nintendo). O jogo pode ser considerado tanto uma paródia como uma crítica da estética e da ética anime & otaku.

A versão até agora definitiva de DDLC chegou em junho de 2021 para as plataformas Switch, PlayStation4, PlayStation5, novamente PC, Xbox One e Xbox Series X (demorou 2 meses o lançamento da compatibilidade com sistemas da Apple), conteúdo extra (side stories e um twitch – toquinho – para melhorar a interface, sendo passível de ser jogado em joysticks com a mesma fluidez do original) e um update gráfico para alta-definição, além de novas faixas de áudio.
A parte mais tradicional do título segue o esquema das VNs: quadros semi-estáticos com personagens 2D em destaque na tela, bem como a caixa de texto na parte inferior, muito diálogo em que somente se “avança” com o botão de ação (ou clique do mouse) e uma ou outra “bifurcação” no caminho (manifestação da volição do player). Não há voice acting dss personagens. O jogo é em primeira pessoa, primeiro porque a face do protagonista controlável nunca é revelada (apenas seu corpo, ou silhueta, numa ou outra imagem), segundo porque ele é o eu-lírico que narra. Este sujeito-sem-nome é compelido a contragosto a participar do clube de literatura (ele preferiria o de anime) pela sua easy-going friend Sayori (ela é espontânea, vivaz, otimista e sorridente; o protagonista é quem parece ter problemas de socialização, por isso esse “empurrãozinho” de sua amiga, que quer ajudá-lo).
No “primeiro arco” da estória todas as decisões afetam precipuamente Sayori, mesmo nos diálogos com as outras meninas. As demais membras do clube são Yuri, Natsuki e Monika (como sempre, cada uma com personalidade bem distinta e uma cor de cabelo toda sua), Monika que o eu-lírico dá a entender que é seu verdadeiro objeto de consumo (a melhor, mais inteligente, mais competente, mais sociável, mais amigável e mais bonita da turma, ideal que parece distante do caráter comezinho do jogador). O protagonista parece ver Sayori apenas com olhos fraternais. Repare que “Monica”, com ou sem o k, é o único nome ocidental (a não ser que consideremos Yuri, nome também russo e que no Brasil, p.ex., às vezes com “I” no lugar de “Y”, é mais aplicado a homens)… e provavelmente, também, um trocadilho com moniker.

Porém, não importa o que o jogador faça, os primeiros dias no clube serão relativamente iguais, seguindo um roteiro preestabelecido, o que inclui um minigame diário em que o jogador deve “escrever um poema” (de forma bem atenuada) escolhendo 20 palavras num cardápio de opções, para exibi-lo no dia seguinte no clube. Cada palavra favorece uma das garotas, com exceção de Monika, que “ainda não está na disputa”. O jogo irá até as vésperas de um festival escolar cuja principal finalidade será recrutar mais alunos interessados no grêmio ou clube, o que exige várias preparações dos personagens a ser executadas em paralelo. O restante do jogo, ou deste arco, são as dinâmicas dialógicas entre os 5 personagens.
Baseado no tom do seu poema (mais fofo ou inocente; mais sombrio e violento; mais sentimental no sentido emotivo e humanista da palavra), bem como incorporando certo vocabulário a que as meninas aludem durante o dia, seu eu-lírico poderá orientar sua escolha pulsional a uma delas em específico, podendo reformular sua decisão de dia para dia, gerando repercussões minimalistas nos diálogos futuros.
Há, não obstante, Três Atos, e este é só o primeiro! A versão Plus possui, ademais, um Epílogo ou parte IV, e estórias paralelas. Digamos que o que pode ser emitido aqui em forma de spoiler é que o protagonista está inserido num loop temporal e terá de reviver seu ingresso no clube pelo menos uma vez… Subvertendo o que se espera de uma visual novel, a dado momento (exclusivamente na versão paga) você se verá controlando um desktop, que é e não é o seu – é o seu, mas dentro do jogo, se estiver jogando no PC, e não o do seu sistema operacional… bem como não é exatamente o eu-lírico mexendo no computador, pois fica claro, operando o menu, que estamos diante da área de trabalho DO jogo Doki Doki Literature Club+, você podendo até consultar os saves, mudar a imagem do papel de parede (basicamente várias instâncias, momentos e poses, chibi ou erotizadas, das garotas, solo ou reunidas), ouvir as músicas já tocadas na narrativa num simulacro de media player e, se for esperto, navegar nos diretórios de pastas e escavar dicas de gameplay. Por fim, algo mais lhe será necessário a fim de progredir na plot…

Toda vez que o jogador se desconectar do jogo, ele sai da visual novel e “entra” na estação de trabalho, ou seja, sai do jogo mas continua no jogo, está numa zona ambígua de meta-jogo, podendo novamente sair (e voltar à Steam, ao Windows, ao SO da Sony, da Nintendo, onde quer que esteja jogando…) ou explorar os meta-dados e escolher reentrar. Na verdade, assim que faz login no jogo, isto é, assim que inicia uma seção de gameplay (depois da primeiríssima vez), uma interface parecida com a do MS-DOS dá boot no game antes mesmo dos logos das desenvolvedoras e da tela-título aparecerem. Você também tem de pressionar um ícone de login, como se estivesse entrando pela 1ª vez no dia em sua máquina pessoal…
É através da interface secundária, essa que chamaria de meta-interface, que o gamer terá acesso às side quests produzidas entre 2017 e 2021. Mais e mais features vão ficando à disposição conforme se exploram todas as suas opções no “romance heterodoxo” estilo “harém” (um cara, muitas mulheres, sempre atiradas, mesmo que façam o tipo cu doce, inclusive sempre presente nesses jogos, o que os japoneses chamam de tsundere).

Para dizer a verdade, as side quests são mais como side content passivo, em que o jogador lê interações das personagens originais, antes de sua intervenção ou chegada ou advento, que muda inexoravelmente a vida de todas elas (ou seja, as 4 fundadoras do clube, sem você para pentelhar, a não ser como peeping-eye, dessa vez). Ou seja, é mais como uma prequel ao próprio jogo em si.
Ah, toda a trilha sonora é do próprio Salvato, dono da desenvolvedora. Não pense que foi uma cute-kawaii-moe girl que a compôs para seu deleite! O que há de extra na versão + é que algumas canções receberam acompanhamento de luxo, vocal (e instrumental), de artistas do próprio ramo da música, como Jillian Ashcraft e Azuria Sky.

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Agradecimentos
GAMEFAQS.COM/
GAMEGRIN.COM/
Billy Clarke
MOBYGAMES.COM/
THEGAMER.COM/
Gene Cole
WIKIPEDIA INGLESA

versão 1 do review técnico sem spoilers.
seguir adiante para versão com spoilers? S/N
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