battle hunter (ps)

review 0ldbutg8ld #1107

obs: nós não seguimos o acordo ortográfico lusitano de 2009!

Por Rafael “Cila” Aguiar

PlayStation

Battle Hunter

Battle Sugoroku: Hunter (Japão)

The Hunter (Europa)

F I C H A    T É C N I C A
Developer(s)
Success
Publisher(s)
Success (JP), Midas Interactive (EUR), Agetec (EUA), Hamster (JP, relanç.), Sony (EUA, relanç.)
Estilo(s)
Ação (minigames)
Anime-based aesthetics
Board game
Card game
Estratégia > Turnos
Role Playing Game > Turnos
DATA(S) E REGIÃO(ÕES) DE LANÇAMENTO
22/12/99 (JP), 12/04/01 (EUR), 01/06/01 (EUA), 28/07/10 (JP, PSOne Classics), 10/03/15 (EUA, PSOne Classics)

Também incluso na(s) compilação(ões):

SuperLite 3-in-1: Board Game Shuu (PS)

Quem jogar este também poderá gostar de:

(Em vermelho, os jogos que já revisamos – se não estiver linkado, ainda não foi “upado” no novo blog.)

Kartia: The Word of Fate (PS)

Mario Party (N64)

Mario Party 3 (N64)

Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories (PS)

NOTA(S)

(Cada escore é uma média dos principais portais de games na web e revistas antigas quando for o caso, e também engloba a opinião dos gamers visitantes, além da crítica especializada; não necessariamente reflete meu ponto de vista sobre o jogo.)

6.6

ESTE JOGO É PRA…
(X) passar longe(X) dar uma jogadinha de leve
(X) dar uma boa jogada(  ) jogar freneticamente
(X) chamar a rua toda pra jogar(X) uma incógnita
(X) um tipo específico de jogador. Qual? 
  • Principalmente quem tiver 1, 2 ou 3 amigos em stand-by!
  • RPGistas que não querem encarar uma saga com enredo, apenas um sistema de combate simples porém com algumas cartas na manga (ou antes diríamos cards na manga!);
  • Quem já experimentou Mario Party no Nintendo 64 e gostaria de conhecer o que chega mais perto de replicar a experiência multiplayer da rival da Sony fora do Nintendão!
  • Novamente, quem achou que o modo “RPG” de Mario Party 3 podia ter sido um pouco mais bem-trabalhado!
FAIXA DE VIDA ÚTIL ESTIMADADe 2h a 30h.

O verdadeiro rival de Mario Party que ninguém conhece!

Battle Hunter/The Hunter/Battle Sugoroku: Hunter¹ é o que se poderia chamar de budget game: produto barato (para fazer), preço barato (para o consumidor final), nada que fosse revolucionar a indústria dos games, e tendo chegado no fim do ciclo de vida do hardware; é daquelas barganhas em que “o que viesse já seria lucro”. Como hoje em dia só colecionadores compram CDs de PSOne, nosso interesse, supondo desde já que somos apenas amantes da emulação, é saber se vale a pena rodar a ISO do título. Primeiro de tudo, é importante indicar que Battle Hunter integra uma série chamada SuperLite 1500. Além de jogos ultra-simples como Crossword (PS/PS2) e Sudoku 1&2, que são exatamente o que o título indica, há até pérolas como Lode Runner (PC/PS/SAT) inclusas nessa espécie de coleção ou edição limitada de jogos simples e baratos, além de um jogo de corrida que pode ser resenhado por nós mais tarde na vida do rafazardly, Impact Racing. Como todos os gamers que atravessaram os anos 80 e conhecem fliperamas são familiarizados com Lode Runner em suas quase infinitas encarnações, é algo que não devemos deixar passar batido neste parágrafo introdutório.

¹  Não confundir com Battle Hunters, action RPG de 2019 para sistemas iOS, Switch e PC.

Outro aspecto peculiar é que este é um dos raros jogos de PlayStation que aceitam (mas não requerem, vide além) o uso de um multitap ou adaptador para controles extras, aceitando até 4 joysticks plugados ao console – embora não seja imprescindível ter o multitap, já que cada jogador humano tem seu próprio turno e nunca há minigames simultâneos (apesar de logo se pensar em Mario Party quando as palavras “multiplayer” e “jogo de tabuleiro” aparecem no horizonte, e pensar em MP é também pensar em festas em torno do conjunto videogame-TV e 4 participantes no sofá e adjacências da sala!).

Bom, além de combinar elementos de Estratégia em turno, RolePlay e Board game, há ainda aspectos de um card game, mas seria melhor o especialista em card games de PS1 tirar o cavalinho da chuva se espera encontrar algo com pelo menos a metade da complexidade de Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories (ou mesmo a famosa side quest de Final Fantasy VIII), pois aqui a essência é juntar uma galera para uma diversão (quase) acéfala, o que torna a associação ao gênero estratégia até um oxímoro (paradoxo). Alguns começam a maldizer o título por aí, e isso tem impacto no escore baixo que Battle Hunter recebeu de sites dedicados a resenhar RPGs (tecnicamente, deveriam se isentar de fazê-lo, devido a tudo o que já expliquei).

O CD propriamente dito¹ não apresenta o que se poderia chamar de uma trama coesa e unificada, mas para quem gosta de tomar como cânon o apresentado no manual de instruções ou a mensagem na parte de trás da caixa, a humanidade chegou ao pós-apocalipse tão sonhado pelas grandes potências burguesas-militares deste mundo: a devastação quase total da superfície. Mal há florestas ou vestígios de uma Mãe-Natureza habitável, apenas muitas ruínas de edificações que podemos chamar de museus da tecnologia, antigos deuses do homem que lhe conduziram à insânia e perdição. Aos sobreviventes, resta escavar essas ditas ruínas para encontrar artefatos que facilitem a vida como ela é nas novas circunstâncias, seja porque há tesouros úteis por si só, seja porque eles valem boas quantias de dinheiro. Mesmo assim, surpreendentemente, faltam miolos na cabeça desses aventureiros e exploradores de monumentos arqueológicos involuntários, ou o tom leve da artwork fala mais alto que qualquer cenário de tragédia e escassez, porque em vez de trabalharem em equipe o que eles gostam de fazer é dificultar as coisas para todos e para si mesmos, tratando de competir em jogos mortais em busca desses recursos hi-tec. Ou terceira hipótese: talvez a teoria de que a guerra seja o produto do tédio seja a lei social mais inquestionável de todas e nos impeça sequer de imaginar algo muito distinto, mesmo em obras de entretenimento e ficção! Os torneios de sobrevivência para esses novos bounty hunters, sempre em arenas que comportam 4 guerreiros, vão começar!

¹ Curiosidade: a ISO ou ROM do jogo sequer possui 90MB, o que significa que o compact disc não foi ocupado nem em sua sétima parte, justificando a categoria de budget game e a inclusão na SuperLite Series!

Em cada um dos tabuleiros ou mapas ou dungeons (não sabemos conceituar direito, devido à mescla de estilos de jogo num só, então usarei esses termos de maneira intercambiável) disponíveis para as batalhas, 4 indivíduos são posicionados para um concurso de cunho individual. Existem 8 tipos de caixas ou loot-boxes contendo tesouros os mais variados e aleatórios. O objetivo central é encontrar o melhor item do jogo, chamado target, na forma de uma chave, e correr em direção à saída. Nem sempre o detentor do item vence, mas o peso de sua possessão é considerável, além de que ao escapar do mapa com o target o felizardo decreta o fim oficial da partida e a contagem de pontos. Há itens secundários que rendem pontuações menores, bem como diferenças na gameplay ou performance de cada combatente, que pode adotar estratégias ecléticas para chegar à vitória, com ou sem um target em mãos, o que no frigir dos ovos é como que questão de sorte (quem encontrar primeiro, leva), algo que nos remete novamente aos concursos “semi-amistosos” de Mario Party para decidir o verdadeiro Super Star (?!), aquele que mais amealha estrelas e, no critério de desempate, moedas, ou simplesmente riqueza. Este jogo tão “menos infantilizado” que uma gincana com personagens Nintendo apresenta bastantes semelhanças por outro lado, uma vez que o sistema de pontuação é basicamente acúmulo de capital, o que pode destronar o “vencedor teórico” da partida (quem obtiver o item target). Como em MP, há certos serviços ou operações taxadas no tabuleiro, então é questão individual “guardar para o final” ou gastar durante a partida procurando obter outros ganhos (o mais das vezes ‘apostas’ em multiplicar seu capital).

Como (continuar a) explicar um jogo de fórmula tão simples, compreensível desde a primeira jogada, e ao mesmo tempo tão rica e versátil? As diferenças para um board game típico começam pelo fato de que este não deixa de ser um RPG ou tactical RPG de turnos que possui seu próprio sistema de combate, os personagens possuem fichas com atributos que podem ser melhorados ou até subir de nível numa espécie de “entreposto comercial” da arena. Não é um banco imobiliário em que o último colocado sofre apenas uma humilhação moral: cada combatente pode morrer a qualquer instante da partida! Há ameaças externas que sequer se limitam aos 3 concorrentes, num ambiente realmente hostil, apesar da vibe e estética bem up-tempo e cutesy (há uma espécie de charme esquizofrênico no contraste do visual e da música com a estória e as regras do jogo!). Há missões-solo (como os 1P minigames de Mario Party), detalhadas mais além. Há lances de dados e a possibilidade de fazer muita coisa no mapa, além de procurar itens, deixar armadilhas letais ou bancar simplesmente o assassino de aluguel de outros humanos ou o matador da fauna local (também falaremos disso no devido tempo). Há espaço para todo tipo de “perfil de jogador”, do mais cerebral ao mais explosivo, reacionário e instintivo, lembrando que o foco do jogo é ser um multiplayer mas que a ausência de outros seres humanos além do primeiro jogador não modifica substancialmente a premissa, de um ponto de vista meramente mecânico, pois os outros 3 personagens podem ser controlados pela CPU tranqüilamente (outro paralelo inevitável com MP da Nintendo!). A primeira ameaça externa que se torna bastante problemática são 3 monstros que aparecem episodicamente na arena. Mas ainda chegaremos lá, não se apresse!

Temos de explicar, antes, mais um elemento de jogo ausente de Mario Party e que enriquece ainda mais a fórmula de Battle Hunter: cards, principais “itens” concedidos aos jogadores, diferentes dos tesouros que ele tem de encontrar no mapa e, portanto, disponíveis desde o primeiro turno da partida. Tudo principia com um deck ou baralho coletivo de 100 cartas. 5 são atribuídas aleatoriamente a cada participante (significando que restam 80 inutilizadas no monte). Basicamente 3 ações norteiam cada novo turno de jogo, num primeiro momento: mover-se, atacar (quando há outra presença animada num painel ou casa do tabuleiro adjacente ao seu) ou repousar, que pode oferecer vantagens mas apresenta vulnerabilidades que não podem ser ignoradas, mostrando que proatividade às vezes também é passividade calculada, ou, falando para gente simples, preguiçosos também podem ser considerados trabalhadores competentes em BH!¹ Resumindo mais uma vez, você anda pelo tabuleiro lançando dados, dependendo mais uma vez da sorte – além de espelhar o sistema de Mario Party, o mais importante, para a catalogação de Battle Hunter como RPG, é que respeita os cânones dos Jogos de Interpretação de Papéis de mesa, como AD&D ou GURPS.

¹ Nada contra a cidade de Belo Horizonte, por favor!

Quem se move pode também usar um dos cards do próprio deck antes de iniciar a caminhada pelas casas. Eles/elas (os cards ou cartas) são dividido(a)s em cores, que explicam de que categoria são e como/quando podem ser utilizado(a)s e com que propósito. Cards azuis podem ser usados numa rodada normal de movimentação para ganhar mais casas no lance de dados. Quem mais se movimenta pelo tabuleiro tem, em tese, a chance de encontrar mais tesouros e desempenhar mais ações, ataques e contra-ofensivas, incluindo a mais importante das ações, que é a descoberta de em qual loot-box está o target. Cards verdes plantam armadilhas na casa atual, deixando o espaço perigoso para o próximo que nele pousar. Engraçado, em retrospecto, reparar que as casas verdes de Mario Party, adornadas com uma “?”, poderiam gerar eventos tanto benéficos como malignos a um ou mais jogadores do tabuleiro, conforme o próprio tabuleiro escolhido e a situação do jogo corrente. Aqui o próprio jogador pode criar “casas verdes”, e pode até plantar um máximo de 3 armadilhas na mesma casa ou espaço, havendo 4 tipos de armadilhas existentes por estágio. E contudo há uma ou outra trap ou armadilha pré-programada em cada cenário, não sendo portanto uma prerrogativa 100% humana (ou da CPU que controla os NPCs antagonistas).

Só quem escolhe se mover usa um card, exceto quando o card for próprio para uso durante um combate. Assim como bastava passar por Toad (em Mario Party 1&2), que era o guardião (ou “vendedor”!) de uma Power Star (a meta máxima do jogador naquele game), em BH basta passar por uma box para conseguir abri-la, não sendo necessário cair exatamente na casa vizinha a uma caixa. Mesmo que nela não se encontre o target, alguns itens dão vantagens competitivas aos rivais, equivalentes, inferiores ou mesmo superiores aos cards que todos podem utilizar. O tabuleiro tem sempre uma saída, mesmo antes de acharem o item target, e ela pode ser usada; a diferença é que quem a atravessar sem a chave será apenas transportado aleatoriamente a qualquer segmento do mapa.

Antes de discutir como transcorrem as batalhas, aspecto central de um jogo chamado, por incidência, Battle Hunter, podemos clarificar a função do repouso, bem mais breve em suas conotações: é uma forma de pular seu turno. Num jogo em que cada turno pode ser crucial, a justificativa para querer dar esse skip voluntariamente é que seu personagem, possuindo uma barra de HP, poderá curar ferimentos quando descansa um turninho.

Faltou falar sobre os 1×1 que poderão acontecer, portanto! Como são batalhas de turno, nunca 2 oponentes se movem ou praticam ações ao mesmo tempo em BH. Ou você ataca, e toma a iniciativa, ou você é atacado por outro personagem, concorda? Neste caso, há 4 opções de resposta: contra-atacar, defender (o stat defesa dobra, mas você não pode atacar no seu próprio turno, como de praxe num RPG), flee (fugir, mas depende de uma probabilidade, outro lugar-comum dos RPGs; DICA: a taxa de sucesso do comando flee é baixa!) e número 4, render-se, surrender. Antes de tudo, a punição por uma escapada mal-sucedida é brutal: o inimigo poderá atacá-lo livremente e sua defesa fica reduzida a 0 no 1º turno do combate. Desta ótica, portanto, até o surrendering pode ser considerada uma alternativa melhor, pois garante que você seguirá vivo na partida, em troca de abdicar de um de seus itens (o item regalado ao vencedor que nem precisou erguer os punhos será escolhido ao azar entre aqueles que o rendido possuir, se mais de 1, sendo 6 o limite máximo do inventário). Ou seja, basicamente só não é um negócio tão ruim admitir a derrota para alguém se você possuir um único item e ele se chamar target!

Uma vez que o atacado fez sua opção e ela não foi se render, cada duelista poderá lançar mão de cards, se quiserem e possuírem cards próprios para duelos (ou podem apenas lutar com base no sistema de RPG “puro” para melee combats de Battle Hunter, baseando-se nas estatísticas de cada guerreiro). Cartões vermelhos, diferente do futebol, mantém-no mais do que nunca em campo, ao dá-lo um boost nos stats ofensivos; amarelos, na defesa; e na hipótese do atacado decidir fugir o uso de cartões azuis pode aumentar, nem que marginalmente, sua chance de concretizar a ação. Como visto acima, movendo-se pelo tabuleiro, os blue cards aumentam o número de casas após rolar o dado; portanto, podem ser usados também neste contexto de fugir de uma luta direta.

Mas como é a troca de golpes em si? Ela só sucederá se o atacado escolher counter-attack. Cada turno vê os dois envolvidos rolarem dois dados por turno (um dado por disputante), um vermelho e um amarelo (a esse ponto ficou claro: o que rola o vermelho é o atacante; o que rola o amarelo, o que sofre o ataque; no próximo turno há a troca de atacante-atacado, etc.). O total (não só do dado bruto, mas incluindo bônus naturais de personagens mais bônus ou handicaps habilitados por cards) resulta no número que representa a força do ataque ou da defesa. O maior dos 2 totais prevalece. Se, por exemplo, o rolador do dado vermelho obteve um escore de 19 e o rolador do amarelo, 14, o jogador que rolou o dado amarelo levou 5 de dano, perdeu 5 de HP. Adivinhou quem raciocinou que na hipótese de um empate entre dados vermelho e amarelo (e seus respectivos bônus) ou principalmente à vitória do dado amarelo, o jogador que estava apenas se protegendo é que levará a melhor: não significa que o atacado reverta o dano (por exemplo, que ganhando por 3 pontos danifique o antagonista em 3 unidades de HP!), mas somente que anula o ataque (0 HP perdidos, e terá o próximo turno, como num legítimo old school RPG, para, aí sim, atacar!). A luta, uma vez iniciada, se estenderá até a definição por morte (um dos 2 chegar a zero de life) ou uma fuga ser bem-sucedida ou alguém dar o braço a torcer e desistir, o que é assaz cruel quando 2 guerreiros orgulhosos se encontram e nenhum está disposto a jogar a toalha (sorte que as partidas não são muito longas!), mas garante que quem quiser se engajar num combate deve pensar bem em todas as variáveis! Às vezes é melhor “ignorar” o oponente mesmo pisando numa casa vizinha à dele, e saber engolir o orgulho e perder um item faz parte do processo de amadurecimento em Battle Hunter! Desnecessário dizer que caso o objetivo final de ambas as partes seja a aniquilação total do outro, o jogo pode sofrer uma “quebra de ritmo” e o combate pode transcorrer por uma boa quantidade de tempo (imaginem vários turnos em que os dados empatam ou que os danos provocados sejam insignificantes!)… Neste caso, os 2 outros participantes de fora da disputa ficarão apenas assistindo pelo tempo necessário.

Agora falemos das batalhas, mas contra seres “externos” aos 4 PCs/NPCs principais ou os verdadeiros competidores presentes na arena (mínimo de 1 PC, máximo de 4 PCs; e máximo de 3 NPCs e mínimo de 0 NPCs, caso 4 amigos estejam na sala). Monstros aparecem para guerrear com os seres humanos, e eles não são tão prudentes ou balanceados em suas fichas, por isso trata-se de encontros especiais e mais raros que os primeiramente descritos.

Monstros aparecerão aleatoriamente perto do competidor x ou y, e atacarão de modo instintivo (não como um competidor que busca a sobrevivência e calcula suas chances, mas como uma besta maligna que só quer matar, talvez para comer seu café da manhã!). São 3 “raças” ou sujeitos que podem pintar. RAD (radical?) se destaca pelos bônus absurdos que possui no atributo ataque; BRO (brother?) tem um HP fora de série, etc. O que quer dizer que cada monstro se sobressai num aspecto da ficha de personagem e é quase suicida entrar em combate com eles a menos que tenha havido uma preparação bem-pensada. O QUARTO MONSTRO, que dá o tempero final aos NPCs não-competidores do game é a estrela da partida, mais ou menos como o Yeti naquele jogo antigo de MS-DOS, SkiFree: ele prenuncia o final inevitável. Seu nome é GON (talvez gone mad, isto é, criatura que perdeu as estribeiras e diante de quem é melhor sair da frente do que encarar!) e, se ainda era possível encarar os demais monstrengos por algumas rodadas e continuar vivo, foge de qualquer escala do que seria razoável numa ficha de RPG.

A boa notícia é que GON¹ só pode aparecer depois que o deck de 80 cartas (lembre-se que, das 100, 20 são distribuídas na rodada inicial) for todo utilizado pelos 4 participantes. A má notícia é que o jogo não poderá se estender por muito mais tempo – já estamos nos acréscimos ou morte súbita, e se você tem chances de ganhar ou lidera a partida (possui o item-chave), tanto maior será sua preocupação e necessidade de tomar uma atitude nesse instante crucial: o monstro focará exclusivamente no possuidor do target! (Não me perguntem o que ele faz se ninguém tiver obtido ainda a chave, pois as cartas acabarem demora um tempo, e nunca pude testar essa hipótese!) Se GON assassina o possuidor do target, o jogo está automaticamente finalizado, com game over coletivo (ninguém leva qualquer item, dinheiro nem pontos de experiência adquiridos, i.e., você não pode salvar a partida no memory card). Se graças a um verdadeiro milagre GON for eliminado do tabuleiro, nada muda: ele reaparece instantaneamente em outro lugar do mapa, ressuscitado, e reinicia sua investida digna de um ragnarok. Portanto, se ao menos você puder evitar esse aperreio na reta final (jogando com outros 3 amigos, p.ex., o que tornará o destino da partida independente da inteligência artificial), pactuando com seus amigos que vocês NÃO ESGOTARÃO A PORRA DO BARALHO… Haverá mais chances de chegar vivo à tela de pontuação e ranqueamento… Por outro lado, bancando o advogado do diabo, se seu oponente é que possui o target, por que não adicionar caos ao mapa e incendiar a partida queimando todas as cartas que puder?!? >:)

¹ O dinossauro, personagem secreto de Tekken 3? O protagonista de Hunter x Hunter? Nenhum dos dois! Pode chamá-lo de dragão negro dos olhos vermelhos, se a saudade de Yu-Gi-Oh! apertar e você não tiver outro consolo para a ausência do card do dragão branco dos olhos azuis!

Assim que alguém usando o target passa pelo portão de saída, encerra-se o jogo atual e dinheiro é distribuído não só para o ganhador da corrida como para os outros participantes conforme o desempenho: quem mais arrancou HP dos adversários em combate, quem mais colecionou itens opcionais, quem mais andou no tabuleiro, quem teve mais turnos de ataque, etc. É uma premiação de fato generosa. Claro que é quase impossível tirar a vitória do portador do target, que automaticamente recebe uma bolada, mas podemos ter uma virada de mesa dependendo desses prêmios em cash, que decidem o campeão. Outra referência, voluntária ou não, a Mario Party, que afinal é de meados de 1999: após o número programado de rodadas para as diversões de Mario & sua gangue, 3 premiações especiais ainda podem mudar o placar de estrelas do poder e empurrar a decisão do jogo de Nintendo 64, quem sabe, para o critério de desempate das moedas. Deu até vontade de jogar uma partidinha (de ambos os jogos, a dizer verdade, o de N64 e BH no PSX, que não jogo há uma semana!). Como vemos, a maior diferença é que Battle Hunter não tem um número definido de antemão de rodadas para uma partida, nem minigames para todos os partícipes ao fim de cada ronda. No fim, a perseguição de GON equilibra a partida se utilizando daquele mote ameaçador: quem quer atingir as maiores alturas deve aceitar se submeter aos maiores riscos! O jogo depende menos da sorte que Mario Party, mas competência e sorte continuam compondo a fórmula básica de ambos. No geral, eu considero que a inteligência artificial em Battle Hunter é até superior à da CPU burrona e ruim de gincana de MP (nunca consegui verificar diferença real entre disputar contra o computador nos modos easy, normal e hard)!

Só faltou falar dum aspecto da gameplay: special missions ou missões especiais, que dependem do mapa de jogo escolhido. Pode ser resgatar um civil de alguns escombros ou evitar que alguém se afogue – nesse tipo de “minijogo” individual (e ironicamente altruísta), que transforma o RPG/board game momentaneamente em puro action, seu personagem morrerá caso fracasse. Em Mario Party, tudo de pior que poderia acontecer era perder moedas! Nesse caso, de volta a BH, os 3 ou 2 remanescentes seguem disputando a partida, pois falhar na special mission é um game over meramente individual, igual ser morto em combate.

Para um jogo multiplayer, é excelente que BH não necessite de um adaptador nem de 4 joysticks, pois nunca há ações simultâneas, como deixei claro já de começo. Mais interessante: não é como se no início de cada partida os personagens fossem “tábulas rasas” (Mario Party) – seu personagem pode ter estatísticas e níveis de poder mais elevados, acumulados/preservados de outras sessões, salvas no cartão de memória. Chegar ao nível 15 quase lhe garante a hegemonia em confrontos com newbies (mas nunca contra GON)!

A disposição ponto por ponto de cada tabuleiro e seus oponentes é sempre aleatoriamente construída (há 12 personagens criados para o “enredo”, então veremos menos repetições deles do que em Mario Party 1, que continha apenas 6 characters, 4 invariavelmente participando): garantir que as casas e os caminhos sejam novos a cada nova partida garante que a experiência será um pouco diferente cada vez que se experimentar, além da fórmula já ser por si só eclética e intrigante. O único elemento fixo das dungeons ou arenas são as tais missões especiais. Há ainda incentivos para completistas, como descobrir quais são todos os 100 itens que podem ser coletados. Alguns dão boosts inesperados em certos status e outros são perfeitos para contra-atacar os monstros que pareciam invencíveis (Nunca o GON, falo só do trio de monstros mais “comuns”… NÃO MEXAM COM O GON!!). Outro objetivo extra e de longo prazo pode ser, outrossim, levar seu personagem favorito ao maior nível de poder, que é 30.¹

¹ O artigo do Wikipédia sobre Battle Hunter comete 2 erros grosseiros: informa que o nível de experiência mais alto é 15 e chama GON de uma criatura “lupina”, quando está na cara que é um dragão!

Abaixo, o tema da contagem regressiva para a aniquilação total, vulgo GON’s Theme:

Graficamente, o jogo é tido por uma fusão, por exemplo, de jogos baseados em sprites de sua própria geração (Suikoden) com Solstice de NES. Parece uma analogia nada lisonjeira, haja vista a idade do Nintendinho, mas se board gamers se preocupassem em demasia com gráficos talvez preferissem apenas jogar na vida real, fora dos videogames – e o visual nada complexo permite uma gameplay sem solavancos como loadtimes, tão assíduos nesta era dos basicões CD-ROMs…

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