PC (Ms-DOS)

SkiFree
F I C H A T É C NI C A
Developer Microsoft
Publisher Microsoft
Estilo Esporte > Ski
Data de Lançamento 1991
NOTA
6.8
Este jogo é pra…
( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Os saudosistas. (X) incógnita
Apesar de parecer ultrapassado até para seu tempo, SkiFree é admirável por ser, primeiramente, produto de uma só pessoa: Chris Pirih. Em segundo lugar, porque o rapaz é/era funcionário da Microsoft e sua obra foi autorizada para ser veiculada como freeware, o que não é pouca coisa vindo da empresa mais gananciosa e monpolizadora que conhecemos! Outro detalhe que merece menção é que para rodá-lo não se necessita de uma plataforma poderosa e ele é virtualmente universal, sobretudo hoje: aceito em qualquer Windows, consumindo “onerosos” 116KB do HD. Com efeito, achar um micro que não rode SkiFree é digno de um prêmio milionário!
A ação é direta e instantânea, assim que se abre o aplicativo. Nenhum menu faz a mediação e a tela-título mostrada acima consegue dar os créditos e as informações mais necessárias da forma mais breve. F2 reinicia seu jogo, onde quer que você esteja nesta interminável montanha de neve branca como… a neve. F3 pausa para dar aquela ida ao banheiro, já que é difícil frear os skis e evitar que seu personagem continue em queda livre. Há muitos outros comandos, em verdade. Anteciparemos alguns deles dentro de poucos parágrafos, mas determinados atalhos de teclado ficam por sua conta!

Ao iniciar seus movimentos, o esquiador terá três opções: seguir pela esquerda no Slalom, pela direita no Tree Slalom ou reto, pelo centro, para o Free-style. Confesso que esse último é o único que me seduz todas as vezes que jogo. Para quem não sabe, a modalidade de slalom é aquela em que os competidores precisam passar pelo lado certo de inúmeras bandeiras coloridas posicionadas em zigue-zague em uma pista descendente. Cada bandeira ignorada implica 5 segundos perdidos. Assim que se começa no slalom, o cronômetro sai do zero, no topo da tela, à direita. O tree slalom (slalom com árvores) é análogo ao slalom, mas as árvores substituem as bandeiras. As bandeiras eram objetos finos e leves que não podiam prejudicá-lo… já as árvores serão um problema e tanto! Finalmente, no free-style o objetivo é ganhar pontos com manobras, pegando impulso em rampas multi-coloridas, não se esquecendo de desviar dos obstáculos. Simples pulos com um clique do mouse ou com a barra de espaço geram pontuação, mas nada como executar backflips e frontflips com a ajuda das setas para cima e para baixo ou “8” e “2” do teclado numérico!
Tombar desconta pontos no free-style, e infelizmente esse é um acontecimento assaz comum em SF! Árvores, cachorros, pedras, montículos de neve, outros esquiadores ou snowboarders (ao contrário de dois pedais longos e estreitos, utilizam uma prancha, além disso não precisam “remar” com sticks para pegar impulso) – estes últimos bem mais rápidos e atropeladores insensíveis – e postes/guindastes de skis. Há até espaço para ligeiros flertes com esquiadores do sexo feminino, como detalharemos a seguir. Pular nas rampas do free-style pode até ser excitante a priori, mas como os resultados freqüentes são aterrissar plantando bananeira na neve ou partindo o crânio em alguma rocha, o ímpeto do neófito será logo resfriado.

O ponto alto e característica que eternizou SkiFree no imaginário coletivo dos Windows hardcore users, no entanto, marca presença depois que o trajeto dos slalom ou do free-style se encerra e que o esquiador desce ainda certa quilometragem fazendo estripulias sem se preocupar com qualquer tempo, pontuação ou meta tangíveis: a aparição do abominável homem das neves, conhecido em inglês como ‘Yeti’, que devora sem dó, em não mais do que 3 segundos, o esquiador e até seu equipamento, sem mastigar ou deixar traços! É uma espécie de demarcador de limite da fase, entre os 1400 e 1500m, se não me engano, na vertical inferior, mas havendo também a aparição de réplicas da abominação para certa distância percorrida pelo jogador para os lados ou para cima (sim, é possível efetuar a subida, desde o início do jogo, só que esse processo leva um tempo desgraçado!).
Entretanto, eis algo (um destino fatídico) que não é inexorável: há fóruns, comunidades no Orkut e muitas páginas ensinando como se livrar do monstro, ou mesmo de 3 deles simultaneamente (dependendo da direção que o esquiador segue, isso pode acontecer). E tecnicamente o ambiente programado nunca termina (então não faz sentido falar em “fim da fase ou do mapa”), havendo um looping das estruturas e a possibilidade de esquiar indefinidamente. O que podemos revelar é que a tecla F (de “Fast”) deixa o protagonista um tanto mais rápido (o que não significa invulnerável aos objetos!). De qualquer maneira, mesmo que os planos de fuga sejam frustrados pela perícia do animal das neves, ou pela sua própria imperícia, basta um clique para regressar à minimalista tela inicial e reiniciar o processo…
A saga épica no monte congelado não é regada a trilha sonora, nem fonema algum. Nada de vento cortante, o atrito dos skis com o terreno fofo, cães ladrando ou gritos desesperados de atletas tentando evitar o pior…
No que concerne aos comandos, são dadas três formas de manipular o esquiador anônimo. Via mouse, setas ou teclado numérico, para aqueles que desfrutarem de um. A diferença das teclas de seta para as numeradas à direita é que nas últimas há também as diagonais (e exige-se mais destreza, por conseguinte). Com o rato é quase impossível dizer o que vai haver na seqüência, tamanha a sensibilidade e necessidade de ser ter uma “mão leve” para se dar bem. E com o teclado a jogabilidade pode melhorar, mas nem por isso se mostra sólida. Muitas vezes o personagem não reconhece a mudança de direção proposta, ou reage com lag.

Eu considero os gráficos inteligentes e divertidos. As imagens estão na matéria para que discordem de mim ou assinem embaixo. O intuito era fazer um jogo ultra-leve que rodasse sem impedimentos em quaisquer circunstâncias, e o ar de Paint Brush do título foi absolutamente proposital. Ao contrário de muitas atividades de programação, tenho certeza que esse trabalho foi prazeroso para Chris Pirih. A visão panorâmica possibilita distinguir muitos metros em torno do esquiador, sem necessariamente deixar as estruturas irreconhecíveis, por ficarem pequenas. Pedras são simples arcos pintados de cinza ou bege. Amontoados de neve que possam atrapalhar o jogador são representados por traços cinzas convexos. As animações dos seres vivos que interagem com o personagem adicionam comicidade e descontraem: cães urinam quando são tocados, os doentios esquiadores de pele azul ficam completamente desconjuntados, aturdidos pela sua passagem, as fêmeas emitem coraçõezinhos num balão quando interpeladas, árvores sem folhas queimam e o abominável homem das neves é um show à parte, embora pareça duas almôndegas amarradas por dois fios dentais ou barbantes!
Ao contrário de Paciência ou FreeCell, esse é um dos games que se ainda viessem no Windows iriam despertar nossa atenção. Eu realmente gostaria que houvesse alguma maneira de transformar este .exe tão simples no papel de parede do meu desktop – seria uma bela distração!
Agradecimentos a Tim Hage do techolive.com; e discoinferno84, Shady e Ginsu3000 do gamefaqs.com.
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – criado em 2012, atualizado em 2012.
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