dragon ball z: budokai (ps2 & gc)

PlayStation2 & GameCube

Dragon Ball Z: Budokai

F I C H A     T É C N I C A

Desenvolvedoras Dimps (PS2), Pyramid (GC)

Publisher Infogrames

Gênero Luta

Datas de Lançamento:

PS2

29/11/02 (EUR), 03/12/02 (EUA), 13/02/03 (JP), 24/10/03 (EUR, Platinum; EUA, Greatest Hits), 16/09/04 (JP, PlayStation2 the Best)

GC

28/10/03 (EUA), 14/11/03 (EUR), 28/11/03 (JP), 2003 (OCE), 22/10/04 (EUR, Player’s Choice), 2004 (EUA, Player’s Choice)

NOTA

7.1

Aficionados por jogos de luta não vão achar diversão num jogo com controles deficientes, mas os fãs da série vão gostar de ver a essência de DBZ de volta às telas

Éum dos termos mais digitados em sites de busca, o mais popular dos animes (e também entre os mangás) de todos os tempos: É DRAGON BALL Z! A série que desde o fim dos anos 80 vem atraindo a atenção de gente de todas as idades, produzida por Akira Toriyama, já teve vários hits quando se fala em games, principalmente quando os épicos RPGs de Super Nintendo são lembrados. Mas esses “hits” não são sucessos, que se diga, pela qualidade do produto, mas porque tudo que é de Dragon Ball sempre vende bem. A Infogrames, renomada produtora de games, quis quebrar esse tabu com a produção de DBZ Budokai, que veio a ser o capítulo original de uma franquia mais longa. Vendo o produto final, chegamos a uma conclusão: se você é acostumado com séries de luta como The King of Fighters, Street Fighter ou Mortal Kombat, passe longe deste jogo, que se difere muito em termos de jogabilidade. O apelo do fã falará mais alto que as eventuais falhas.

Caso você tenha adormecido nos últimos anos, Dragon Ball Z conta a história de guerreiros superpoderosos, extra-oficialmente chamada de “equipe Z”, que batalham com monstros universo afora com o único objetivo do auto-aprimoramento nas artes-marciais. Muitas vezes isso coincide com salvar as raças inferiores que são oprimidas por tiranos cósmicos, ou seja, com a prática do bem, mas essa não é uma regra necessária. “Dragon Ball” se refere às esferas do dragão, esferas laranjas mágicas, sete ao todo, que, quando reunidas, podem realizar qualquer tipo de desejo. Lutas serão travadas em torno de sua conquista, e só estes objetos podem trazer de volta do Além aqueles guerreiros que tenham morrido anteriormente em combate, havendo um rígido protocolo quanto a como ressurreições devem ser feitas.

Essa é uma explicação bem resumida da série, muito mais ampla que qualquer novela da Globo, a computar 291 episódios na “fase Z”, fora outros cerca de 200 episódios que se referem à vida do protagonista, Goku, antes de se casar e ter um filho, e também depois do nascimento de sua neta. Os saiyajins, lutadores mais fantásticos desse universo, exigem uma olhada mais de perto para que sejam julgados! Porém, como o objeto da análise é o jogo propriamente dito, temos de avançar por outras vias.

Jogos de luta convencionais apresentam uma linearidade, uma escala de lutadores, que você terá de seguir, derrotando um por um até chegar ao mestre do jogo e terminá-lo de vez. Mas isso não existe em DBZB. O modo de um jogador é quase que como se você pudesse “jogar o desenho”, desencadeando acontecimentos de acordo com o resultado das lutas. Tudo começa na primeira saga (a fase Z é subdividida em 4 delas), a dos saiyajins/Vegeta (lê-se “Vedita”), depois segue à dos namekuseijins/Freeza e termina na terceira (a última e quarta só foi de fato inclusa nas continuações de Budokai), a dos andróides, que acaba nos Cell Games, os Jogos de Cell. Basicamente tudo é como no desenho, onde um guerreiro contra outro vão decidindo o destino do universo, mas seria muito sem-graça sem cenas em tempo real simulando o desenho (sim, elas estão aqui, embora os modelos 3D sejam absolutamente pobres comparados ao traço original do autor!) ou sem um relato inteligente da narrativa conforme você progride (no desenho, o narrador dá um show à parte). Fora os inúmeros minigames que ocorrem ocasionalmente para variar o estilo. Muitos destes minijogos recriam situações engraçadas do desenho, como quando Goku tenta pegar Bubbles, o macaco, no planeta do Sr. Kaio, onde a força da gravidade é 10 vezes maior que a da Terra (e, portanto, o personagem começa pesando como o chumbo!). Essa foi uma maneira que inventaram de se reviver os grandes momentos do desenho (três quartos deles, pelo menos) de um modo ágil e interativo.

Mas não é só no Story Mode (modo de um) que Budokai inova. Depois de completar este modo, vários lutadores serão destravados para o modo de 2P, o Duel Mode, basicamente a única forma de se divertir com os amigos. Além do quê, mais segredos podem ser revelados terminando-se o Tournament Mode, incluindo outros personagens e algumas arenas, além de dinheiro, que pode ser usado no Edit Mode para se comprar golpes para seus lutadores, aumentando habilidades e o “ki”. Você ainda pode treinar seus golpes especiais no Practice Mode, que apresenta os comandos na tela. O último modo é o Survival, onde você controla o hilário Mr. Satan e deve sobreviver o máximo possível na luta contra Cell para ganhar fama e respeito da população. No total são 23 lutadores e nove arenas. Dentre elas, a do Cell Game, a Sala do Tempo da Plataforma Sagrada, a Casa do Kame (do lado de fora), além dos infindáveis desertos onde as batalhas de DBZ costumam ocorrer.

Diferentemente do desenho, onde humanos não são páreos para os terríveis Saiyajins ou Nameks, o nível técnico aqui é bem balanceado. Kuririn pode derrotar Vegeta ou Yamcha pode vencer Goku supersaiyajin 2 com facilidade, dependendo apenas do jogador. Cada um tem suas próprias técnicas de batalha e, graças à simplicidade do sistema de luta, soltar Kame Hame Haspor aí, ou executar uma Genki Dama, pode ser mais fácil do que aparenta. Tudo funciona como um Virtua Fighter (game da Sega) um pouco mais básico, portanto jogadores familiarizados logo dominarão DBZB. Existe um botão para soco, outro para chute, um outro de defesa, além de um que serve como “Ki Attack”, que, segurado por certo tempo, produz bolas de energia. Para produzir ataques mais devastadores basta pressionar as teclas de soco e chute algumas vezes antes de mandar uma magia, já que o adversário estará sem possibilidades de se defender, já abatido. Existem também os chamados Grapple Attacks, ataques que lançam o adversário para o ar, e depois ele pode ser rebatido para cair estrondosamente no chão, causando muito dano.

O mais interessante, porém, nas batalhas, não foi nada do que se falou anteriormente: é o “Burst System”, que é aplicado sob certas circunstâncias em meio a uma batalha, onde socos, chutes e bloqueios são realizados realmente rápido. E você pode se dar bem nesse sistema sem muita dificuldade, pressionando apenas algumas teclas.

É fácil ver como, no PS2, os gráficos evoluíram bastante com relação aos jogos de luta para o PlayStation original, pois todos os lutadores estão muito mais ricos em detalhes: o cabelo de Goku, a expressão irada de Vegeta, o corpo bestial do monstro Cell, etc. Tudo foi feito com cuidado pela Infogrames, utilizando técnicas avançadas como texturas altamente renderizadas ou o Cell Shading (não que tenha a ver com esse célebre inimigo de Goku/Kakaroto). Se a naturalidade ainda não é completa, o estágio primata da engine 3D de Dragon Ball GT: Final Bout de Playstation foi deixado para trás em definitivo. Os movimentos naquele jogo pareciam os de um robô.

No áudio, a excelente trilha japonesa foi preterida em prol da inacreditavelmente enfadonha e infiel coletânea de músicas da versão americana do desenho. As vozes dos dubladores dos Estados Unidos também foram reconvocadas para este trabalho.

Rafael de Araújo Aguiar

versão 3 – 2004; 2011; 2025.

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