overblood (ps)

REVIEW N° 992 DO NEWGEN

PlayStation

OverBlood

F I C H A    T É C N I C A

Developer River Hill

Publishers River Hill / Electronic Arts / Hamster / Althi

Estilo Action Adventure > Survival Horror

Datas de Lançamento 02/08/96 (JP); 22/05/97 (EUA); 27/06/97 (JP-PlayStation The Best); 06/97 (EUR); 22/02/01 (JP-Major Wave 1500); 23/02/11 (JP-PSOne Classics)

NOTA

6.82

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Cult classic hunters; curtidores de uma atmosfera noir.  (X) incógnita

Vida útil estimada: 12h40

Quando você abre os olhos, está numa câmara de criogenia, desmemoriado e numa séria crise de hipotermia. Depois de encontrar um robô inteligente e “mudo mas falante” (na melhor moda R2D2) que se torna seu amigo e de se providenciar roupas quentes, começa sua busca por todo um amplo complexo científico futurista (ah, não me diga que é a Death Star!) atrás de respostas… Parece que o prédio está mesmo deserto… o que não é dizer que vai tudo bem, vai tudo normal!… Ao longo do jogo é que se descobre quem você é realmente, por que fôra congelado num criotubo e acordou de maneira acidental e quais as explicações para as esquisitices que não param de acontecer nos arredores…

Pois bem: jogar OverBlood é mais ou menos como se achar dentro de um longa-metragem clássico de ficção científica dos prolíficos anos 60 e 70, seja Planeta dos Macacos (o primeiro é o melhor de todos!) ou o já citado en passant Guerra nas Estrelas, ou ainda o mais epopéico e sombrio de todos na minha opinião, 2001: Uma Odisséia no Espaço! Na storyline do jogo, inclusive, está-se ainda mais adiante no “futuro” (levando em conta que o jogo é de 1996, e que Odisséia foi filmado décadas antes do novo milênio, mesmo que para quem lê este review seja já uma data anacrônica). O protagonista é o figurão típico de meia-idade desse período glamouroso do cinema: um barbudo de feições simples e ar humilde, fácil de se afeiçoar. Nada do metrossexualismo dos vampirinhos contemporâneos nem daquele ar bobão ou pretensioso demais dos novos ídolos da ficção. Se houvesse uma ou duas profissões que se encaixassem no perfil do nosso protagonista aqui (SPOILER: ele se chama Raz), eu diria filósofo ou escritor. Os gráficos de primeira geração do 3D dão um ar “vintage” a mais à “fita” (ao CD, mas acho que você entendeu o ponto – no sentido de “experiência maluca”). Os diálogos intentam passar uma impressão de seriedade e às vezes esbarram no kitsch, mas “isso sempre acontece” (já perdi as esperanças!). Em geral a versão norte-americana tende a rebaixar a nota do produto na avaliação objetiva, já que algumas traduções escritas e de dublagem ficaram aquém dos termos e do desempenho originais.

Dado seu pioneirismo, OverBlood podia mesmo ter sido a primeira semente de uma franquia-carro-chefe no gênero, o que não veio a acontecer. Contemporâneo de Resident Evil 1, apresenta muito mais elementos de gameplay, mesmo se não consegue evadir os paradigmáticos tank controls enquanto na terceira pessoa. Mas até Tomb Raider e Star Wars: The Phantom Menace entram na dança, graças a elementos de RPG e Plataforma na mistura. Uma pena que a Electronic Arts não investiu um pouco mais nos aspectos técnicos da peça nem criou mais níveis (a estória é muito curta, mas até onde sei RE1 também é, e bastante).

Quem vê Quick Time Events em jogos mais modernos nem suspeita que esse foi um dos primeiros a utilizá-los. A diferença? Aqui as teclas utilizáveis nem aparecem na tela, e a passividade total acarreta sudden deaths!

Quanto à propalada escassez de monstros, eu não faço média com estouradores de cérebros de zumbis compulsivos, e gosto mesmo é de uma jogabilidade mais mansa e reflexiva. Digo isso porque há apenas uma dúzia de “zumbis” (abaixo) a gameplay inteira, embora as lutinhas sejam assaz divertidas. Já que vivemos no mundo da comparação, Resident Evil tem de aparecer de novo na matéria: se pouco assíduos, os combates em OB são, pelo menos, bem mais intensos que em RE, porquanto você pode até partir pra cima do alvo e socar, se não tiver balas. E ao contrário dos fundos pré-renderizados estilo Capcom, OB utiliza backgrounds cem por cento tridimensionais (feios, mas e daí?) e permite intercambiar vistas em primeira e terceira pessoa, resolvendo inúmeros problemas com ângulos de câmera!

O botão de ‘run’ não foi bem-escolhido e é o mesmo do comando ‘push’, então o personagem acaba engatilhando na postura de empurrar objetos que estiverem nas cercanias várias vezes que se tenta colocá-lo em rápido deslocamento. Tendo em vista o posicionamento do botão de corrida, a tecla de pulo também foi mal-visada.

Os modelos de zumbis mais feios do PSOne – não os mais pavorosos e repulsivos esteticamente, mas os mais simplórios e risíveis mesmo!

Ah, e por último (RE de novo!), o inventário é ilimitado; nada de encontrar saletas com máquinas de escrever e tubos de tinta por aí a fim de salvar seu jogo… a operação pode ser instantânea e imediata, a seu bel prazer. Mas o dispositivo com que Raz salva ainda é reminiscente do charme de RE: um gravador de voz! No reboot do game, o boneco reaparece no mesmo espaço físico em que você o havia deixado, outro toque interessante. O maior problema mesmo, para os old schools já demasiado habituados à interface antigona, é a brevidade da estória. Digamos que 3h30 serão mais do que suficientes para debulhar tudo, e não existem finais alternativos nem side quests à espera. Só o cinéfilo que acha um barato o clima desértico e existencialista da rendição irá reexperimentá-la.

Que tal um pouco de FPS para desanuviar as tensões?

TRIVIA 1: Veteranos irão se lembrar de Doctor Hauzer (não confundir com Dr. House!) de 3DO. Este game é o “OverBlood Zero”, considerando a continuidade da ambientação, embora não faça a menor falta não ter jogado esta prequel para entender qualquer coisa aqui!

TRIVIA 2: O gênero de OverBlood 2, a continuação direta ainda no PSX, é completamente outro, fora do espectro dos Survival Horrors e numa aproximação duvidosa e demagógica com a mecânica do arrasa-quarteirões Final Fantasy VII! Se vai ter review? Me deixa pensar uns segundinhos aqui!… Vai sim!

Namorando em plena campanha, Raz? Um bom pedaço do jogo essa mulher vai segui-lo onde raios você for!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

MOBYGAMES.COM

GAMEFAQS.COM:

attitude130

SPaul

QUEBECGAMERS.COM:

Bryan Lajoie

versão 2 – 2014; 2026.

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