need for speed 3: hot pursuit (ps)

PlayStation

Need for Speed III:

Hot Pursuit

Over Drivin’ III: Hot Pursuit (Japão)

FICHA TÉCNICA

Developer EA Canada

Publisher Electronic Arts

Estilo Corrida > Arcade

Datas de Lançamento 04/98 (EUA-EUR); 23/09/98 (JP); 1999 (EUA-Greatest Hits)

NOTA

8.2

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? O retrô que detesta tiras.  ( ) incógnita

Need for Speed, da Electronic Arts, não está catalogado como uma série esportiva, mas isso não impediu a EA de lançar praticamente uma nova edição por ano nos estertores da década de 90. Need III: Perseguição Quente surgiu em 1998, sucedendo com êxito a mal-recebida segunda versão. A melhora foi tanta que a mancha chamada Need for Speed II foi extinta do currículo da companhia. São tantos os arcade racings espalhados por quaisquer sistemas que se torna uma função de especialistas descobrir recantos inexplorados da gameplay, fazendo assim de uma obra dentro do estilo inovadora. Não é segredo nenhum que NfS foi modelado para esbanjar com carros luxuriosos em rodovias passíveis de se atravessar como se fosse um relâmpago. O segundo grande atrativo da série é que ano após ano enfileirava alguma modalidade inédita pela qual os velhos fãs estariam dispostos a desembolsar grana novamente. Com efeito, a inclusão do modo Hot Pursuit vem a ser a responsável por retirar o terceiro capítulo do rol dos jogos esquecíveis para inseri-lo no dos memoráveis.

São apenas 9 carros em HP, alguns dos quais só seriam pilotáveis por pilotos profissionais, no mundo real. Ferrari e Lamborghini são montadoras que contribuem com 2 veículos licenciados cada uma. Mercedes, Chevrolet (com o eterno Corvette), Jaguar e Italdesign completam a farra. Fez as contas direitinho? Notou que faltou um para completar a lista? A EA resolveu criar o próprio modelo invocado desta vez, batizando-o de El Niño. Três desses nove automotores, incluindo o último citado, precisam ser destravados com vitórias nos campeonatos do CD. Em tese, cada um tem suas forças e fraquezas, mas na realidade o El Niño é o carango perfeito: o inconveniente mesmo é ralar até obtê-lo!

Existe exatamente uma pista para cada carro, isto é, novamente o número cabalístico 9. Os melhores circuitos contemplam tanto retões incríveis quanto hairpins e curvas de ângulo reto que exigirão o máximo do freio de mão e dos pneus dos corredores. Como é tradição na série Need, shortcuts abundam durante o trajeto. Atenção também para os obstáculos naturais-artificiais que preenchem boa parte dos trechos e que serão os pesadelos dos novatos (a inteligência artificial muito raramente cai nessas armadilhas, bem como os players veteranos). Se não houvesse nenhuma variação, contudo, logo as pistas começariam a cansar os jogadores. Graças a opções como trajetos espelhados, invertidos ou noturnos, pode-se dizer que os nove cursos iniciais se multiplicam por 4.

Hot Pursuit, o melhor modo de jogo, merece um parágrafo inteiro em sua homenagem. Se você sempre foi fissurado em perseguições policiais nos filmes (bom, espera-se que se tiver familiaridade com a coisa, tenha-as vivenciado só e tão-só pela tela da TV!!), nada mais atraente e chamativo, desde a tela-título. Além de escolher o carro, o nível, a dificuldade e o número de voltas, você ainda tem como colocar uma outro CPU nas mesmas condições que você, para disputar quem chega primeiro à linha, e a opção suplementar de acrescentar carros de trânsito normais durante o trajeto, para dar aquela atrapalhadinha. Mas mesmo que a CPU também seja ora ou outra visada pela polícia, que é a presença obrigatória do Hot Pursuit, seria tolice depender desse fator para se ver campeão, uma vez que o foco principal é você, o gamer. É uma pena que não possa haver um grid de largada completo dentro desse modo de perseguição, com 8 carangos, nem muito menos um amigo humano, já que o 2-player foi totalmente descartado de Need for Speed 3. Parece que a EA sacaneou os usuários pura e simplesmente, falando assim, mas tem uma explicação bem plausível para os cortes: falta de memória no hardware do PlayStation. De qualquer forma, não deixa de ser uma disputa de gato-e-rato muito da maluca, com direito a recursos extremos pelo lado da Lei, caso você esteja levando a melhor, incluindo empurradas da beira de barrancos fundos para ver se te capotam ou barreiras meticulosamente montadas em pontos-chave. Mesmo os transeuntes inocentes pagarão o pato algumas vezes, pela forma incisiva como os cops partirão para cima (tentando fechar) e para os lados (amassando sua lataria e a de quem mais estiver na pista). Seria sem-graça se fosse sempre o mesmo automóvel preto-e-branco com sirenezinha em cima tentando bancar o carrasco, mas felizmente há gradações: o modelo-padrão Countach, jipes e o infernal Diablo, que é mais envenenado (e bonito) que qualquer carro que você utilize, menos o El Niño. Levar um encostão e ser parado resulta em receber uma multa, que inteligentemente é convertida em tempo, já que estamos num jogo de velocidade. Mas perder tempo não é a única forma de perder o jogo, até porque talvez você tenha escolhido correr dos policiais sozinho, sem competir com outro carro normal. Sendo parado pelo número de voltas da corrida + 1 (ou seja: se a corrida tiver 4 voltas, ser parado 5 vezes) representa a prisão definitiva e sua eliminação sumária. Outro game over bem cruel são as armadilhas para espetar pneus com tachinhas, presentes em alguns pontos de algumas das pistas. Fique esperto!

Obviamente há opções extras, além da grande atração da vez: Practice, Single Race, Tournament e Knockout. Começando pelo último, o Knockout é uma espécie de competição de morte súbita em que se percorrem oito dos cenários em tempo recorde: são 2 voltas em cada, e toda vez o último da bateria é eliminado, até sobrarem só 2 no oitavo round. Isso quer dizer que, em tese, você pode ser o vencedor mesmo que passe longe da primeira colocação até a sétima ronda! O Practice mode não deixa de me impressionar, sendo muito mais completo que o de qualquer jogo de corrida do período, sem falar que muitos nem contam com um! Há um assistente de frenagem e um tutorial que exibe o traçado ideal para cada curva do jogo. Se bem que não é uma boa deixar para acessar esse modo só depois de já ter se tornado experiente, buscando maior aperfeiçoando, já que as instruções são meio conservadoras e não bastam para ser primeiro colocado no hard – trate de visitar o treino logo que se iniciar em NfS3. Os outros dois modos, Single Race e Tournament, dispensam maiores apresentações.

Os gráficos, a despeito de terem evoluído muito em relação às duas prequels (dê só uma olhada nos efeitos de luz durante a noite!), não estão na mesma liga de um Gran Turismo. Um detalhe sórdido é que na parte de trás da capa do CD as screenshots do game são muito mais impressionantes do que “ao vivo” – uma artimanha sacana que não foi empregada por uma publisher nem pela primeira nem pela última vez, fazer o quê!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

GameFAQs:

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versão 2 – 2013; 2026.

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