PlayStation2

International SuperStar Soccer 3
F I C H A T É C N I CA
Developer Konami
Publisher Konami
Estilo Esporte > Futebol > Arcade
Data de Lançamento 28/03/03 (EUR)
NOTA
6.3
Este jogo é pra…
( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente (X) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Quem não é tão ligado assim em futebol mas acordou com vontade de dar uma jogadinha. ( ) incógnita
Jogo da tradicional série da Konami pouco conhecido por nós, já que seu lançamento se deu exclusivamente em solo europeu. Foi no mínimo um título bizarro, já que não é comum uma mesma produtora soltar no mercado 2 games de futebol na mesma temporada, ainda mais em ano que não é de Copa do Mundo. E como a série Winning Eleven/PES é sempre bem-avaliada, seria um risco desnecessário a se correr.International 3, que resgata o antigo nome dessa mesma série (Pro Evolution Soccer, surgida no SNES como ISS), realmente não tem a mesma aura de clássico de seus antecessores, falhando em sua missão de cativar com polígonos. A idéia por trás do que acabou se tornando um desastre era digna: proporcionar uma experiência mais arcade/casual aos jogadores, visto que PES é recomendável apenas para os mais experientes, amantes do esporte que já sabem dispor um time em campo e que têm muito tempo livre para se aperfeiçoar nos controles. Rememorando rapidamente os anos 90, no Super Nintendo realmente não tinha frescura: todo mundo podia sentar e aprender a jogar em 10 minutos. Essa era a vantagem que a Konami intentava trazer de volta…

O estranho Close Up mode
Algo em que a série da Konami sempre foi pior que seu principal concorrente é nas trilhas sonoras e nas narrações e comentários, desde que eles existem. ISS3 não é exceção: nada de um mega-hit radiofônico na abertura, como em FIFA 98, nem escolhas razoáveis para narradores (Mark Lawrenson está em uma péssima jornada). O departamento sonoro tinha de ser esquecido por quem quisesse dar a esse International uma nota superior a 7. Graficamente nós também sabemos que a EA Sports acaba se dando melhor, mas já aí a diferença não permanece tão gigantesca, e esse é um fator secundário diante de todo o resto. Os avatares dos atletas continuam inferiores às da produção FIFA Soccer, porém é impossível não associar os modelos virtuais aos jogadores genuínos, do mundo real, até porque o hardware do PlayStation2 não é para nenhum desenvolvedor jogar fora.
São 90 times e a excelente notícia é que a Konami possui as licenças dos jogadores no pacote, desta vez: nada de invencionices como Allejo, Oranges e congêneres. Como se não bastasse, ainda é possível editar os nomes para torná-los incorretos e bem-humorados, conforme seu gosto e o de seus amigos!

Se alguma menina estiver nervosa, fale logo que não sobe as escadas!
A animação dos jogadores foi propositalmente “descuidada”, isto é, está alguns degraus inferior à do próprio tronco principal do PES, pois a proposta, como já dito, era tirar o foco de tudo que tornasse a gameplay muito complexificada; e digamos que jogadores de apresentação mais simples também são manuseados de forma mais simples. Acertar passes se torna mais fácil, o que tem o lado ruim de converter a experiência em algo mais limitado e enjoativo, se bem que mais acessível para pessoas de todas as idades e preferências. A média de gols aumenta bastante em relação ao gêmeo PES. Os mais hardcore odiarão esse feeling de pelada. Subir pelas pontas ou pelo meio-campo é igualmente simplório. Nenhum setor do campo fica congestionado; a marcação é de leve. A partida fica bem mais veloz. O juiz está mais zeloso do que o normal, tudo para evitar que as zagas consigam tirar a bola do adversário o tempo inteiro, impunemente. Nem pense em dar carrinhos, pois mesmo os frontais e na bola provavelmente renderão cartões!

Um implemento interessante é o Close Up mode, que muda a perspectiva para um slow motion embaçado privilegiando a visão do centro-avante assim que ele atinge pelo menos a marca do pênalti, tudo isso com um simples toque no L1 (se for possível usar o close up, haverá uma indicação na tela). Com R2 aquele que carrega a bola poderá fintar os oponentes com muito mais destreza do que a habitual. Quase podemos dizer que se trata de um plágio de sistema similar adotado pela Midway no escandalosamente subestimado jogo RedCard 20-03, da companhia. A diferença é que a qualidade da ferramenta é menor, necessitando muita prática até que ajude mais que atrapalhe, o que não era absolutamente a vontade dos produtores.

Alguns jogadores em campo têm “habilidades especiais”, sendo reboteiros espetaculares ou cobradores de bola parada acima da média. Mas a característica de escanteios e faltas como loteria nos jogos da Konami ainda não foi modificada. Não dessa vez. Mesmo em International Deluxe de Super Nintendo podíamos inserir efeito nas cobranças e esperar por gols, o que aqui depende sobremaneira da sorte.

Pelo menos o Mission Mode trará bastante variação em relação a partidas comuns. Uma lista de desafios será proposta ao jogador, desde “vencer a partida com apenas 7 em campo do seu lado” a “fazer um gol de falta” (ops, acabamos de dizer que isso não tem nada a ver com competência!). É uma espécie de Scenarios aditivado, para os old school. Sucesso nas missões rende pontos para serem gastos nos vários menus do game, adquirindo novos uniformes e coisas do gênero. Trata-se de uma maneira inteligente de manter o jogador fidelizado ao título por várias horas a mais do que seria esperado.
Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo
Agradecimentos a Kristan Reed
versão 2 – 2013; 2025.
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