Arcade & Neo Geo

Super Sidekicks
Tokuten Oh: Super Sidekicks (Japão)
F I C H A T É C N I C A
Developer SNK
Publishers SNK, SNK Playmore
Estilo Futebol > Arcade
Datas de Lançamento 14/12/92 (JP-ARC), 19/02/93 (EUA/JP-NEO), 31/03/95 (EUA/JP-NEO, versão CD) 21/12/10 (EUA/EUR/JP-NEO, Neo Geo Station)
NOTA
7.2
Este jogo é pra…
( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente (X) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Adivinha… ( ) incógnita
Durante os anos 90, salões cheios de Arcades estavam no auge, com suas luzes espalhafatosas e bleeps e blops que deviam incomodar qualquer um que passasse por perto e não se interessasse pela diversão eletrônica (Isolamento acústico? Muito duvidável que houvesse…). Mas realmente não sei quem fazia mais barulho: se as máquinas ou os adolescentes tresloucados. Os fliperamas eram as boates de uma geração, e deixavam os usuários tão doidos quanto os freqüentadores de raves, sem por isso prejudicarem a saúde… A cacofonia dos sons eletrônicos (excluindo deliberadamente os entusiásticos gritos humanos) variava de explosões e berros rústicos dos bonecos que apanhavam nos jogos de luta (costumeiramente aquelas vozes “chipadas” de ventilador) a tiroteios desenfreados, roncos de motores e… cantos de torcidas artificiais e gritos de gol! Sim, especialmente na Europa as cabines de jogos de futebol superavam em audiência até as de Street Fighter e afins! Mais bizarro ainda é que um dos ícones dessa glória inventada e louvada pelo homem branco tenha sido fabricado pelo homem amarelo (Shin Nihon Kikaku, mais conhecida como SNK, japonesa, aventurando-se a fazer um futebol a gosto para os próprios bretões!).

Super Sidekicks não se diferencia da massa de jogos de futebol lançados no período. Não se sobrepõe gráfica ou sonoramente – pelo menos não tanto. O que o fazia brilhar de verdade era seu charme arcade. Arcade no sentido de jogabilidade casual e despreocupada, sem nenhuma pretensão de realismo. Um jogo para relaxar. Dois times sem muita disposição tática dispostos num campo de futebol tão reduzido em suas dimensões quanto uma simples quadra de futsal. Essa é a premissa.

São, conforme a fotografia, 12 seleções divididas em dois grupos (sem nenhum critério, aparentemente): Alemanha, Inglaterra, França, Holanda, Itália, Espanha, Brasil, Argentina, México, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul. Times como a Coréia e o México são párias, enquanto Alemanha e Brasil são excelentes escolhas (ah, bons tempos!). Há três modos, SNK Cup, VS Mode (só para 2P) e Exhibition, temperados por 4 níveis de dificuldade. O grande detalhe é que você quase nunca será penalizado por mais desleal que seja sua entrada ou investida no adversário, que ignore a bola e só mire no corpo dos caras! Isso pode ser especialmente convidativo para os pernas-de-pau que gostam de jogar futebol como se joga jogos de luta e que não depositam suas fichas (belo trocadilho para o jogo em questão…) exclusivamente na habilidade. Uma “issue” da gameplay que contraria qualquer futebol moderno da era poligonal é que você não pode escolher o jogador para quem vai passar, nem revezar manualmente o controle dos jogadores sem a posse de bola: a CPU determina tudo para você. Como o jogo só usa 2 botões e o Neo Geo e os Arcades possuem quatro, bem que o botão C ou D podia ter sido premiado com uma função análoga.

O jogo é bem colorido e tenta ser realista, senão na fórmula e na execução, pelo menos no visual e no traçado, com texturas em mosaico decentes para o ano de 1993. O Neo Geo sempre foi considerado o mais turbinado dos videogames 16 bits, capaz de proezas inalcançáveis para sistemas como Super NES e Mega Drive, graças a um processador extra de 8-bit (formando, assim, um hardware de “24 bits”). Super Sidekicks, vindo dos Arcades, não é exceção a essa superioridade, apresentando personagens maiores e mais sprites que o póstumo International SuperStar Soccer, por exemplo. Mesmo que durante as partidas os jogadores fiquem sem face e as animações não sejam fluidas, é nos closes de câmera que a beleza desponta. As comemorações de gol são incríveis para a época, com jogadores correndo em direção à torcida ou indo abraçar o técnico. As vozes digitalizadas de SSK são algumas das melhores da primeira metade da década de 90 em jogos do estilo. O grito de “Goal!” arrepia como tem de ser.

A ação é veloz e furiosa, sem recreio ou condescendência com a desatenção. Partidas com uma porrada de gols para cada lado não são nada raras. Levam-se segundos para cruzar o campo duma extremidade à outra. Cada equipe tem um jogador Ás, o capitão ou a estrela principal, com estatísticas muito melhores que as dos teammates. Se você quiser levantar a taça, terá de fazer a bola passar pelos pés deles de algum jeito. E não que sejam freqüentes, conforme pontuado (levar cartão é um verdadeiro feito aqui), mas caso aconteçam, faltas e pênaltis são batidos num sistema supersimples, em que o controlador se limita a escolher um lado (ou o centro) e torcer bastante.

A maior diferença entre a versão Arcade e Neo Geo/Neo Geo CD é que SSK pode sofrer quedas ocasionais de framerate, atrapalhando ainda mais na detecção de colisões (é muito comum dar rebotes no vácuo, pois a bola tem de ser acertada em cheio pelo jogador para ser capturada – 1cm pode ser um abismo de distância em SSK). Temos de alertar que Super Sidekicks 1 ainda tem seu espírito aceso por ser o seminal de uma série vitoriosa – um clássico retrô –, mas que todas as suas continuações receberam aprimoramentos que as tornam preferenciais na escolha de um cartucho a se jogar com base no fator pragmático da “jogabilidade”. Em 2017 o jogo seria lançado para diversos consoles caseiros, e em 2023 finalmente para PC.
Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos
Lista de agradecimentos
Kazuya_UK do neogeoforlife.com
Daavpuke, Zylo the wolf do gamefaqs.com
mobygames.com
versão 2 – 2013; 2025.
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