fighters destiny (n64)

Nintendo 64

Fighters Destiny

Fighting Cup (Japão)

F I C H A     T É C N I C A

Developer Opus

Publishers Ocean / Imagineer

Estilo Luta > 3D

Datas de Lançamento 31/01/98 (EUA); 01/03/98 (EUR); 11/12/98 (JP)

NOTA

6.6

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Quem nunca teve um PlayStation para experimentar poligonal fightings melhores.  (X) incógnita

ONintendo 64 não era exatamente uma opção de compra fantástica para aficionados pelo gênero Luta. Até Super Smash Brothers, porradaria patrocinada pela Nintendo que aportou no crepúsculo do console, havia pouquíssimas alternativas de qualidade em side-scrolling fighters com as quais se misturar. E isso não é dizer que as desenvolvedoras não tentaram com avidez… Desgraçadamente, todos os esforços fracassaram. Mace: The Dark Age (o melhorzinho), Dark Rift, Dual Heroes, War Gods, Bio F.R.E.A.K.S. e uma pletora de “button-mashers” de quinta era praticamente o micro-universo em que o público sedento por trocações tinha que aprender a se virar!

Fighters Destiny, comparado aos títulos acima, é: a) bem melhor; b) de mesmo nível. Mas então por que ele não é considerado como um produto que saciou a fome de alguns por pelo menos algum período? O problema é que era um game obscuro demais. Para começar, são poucos os que sabiam de sua existência, mesmo entre os especialistas do estilo. Na imprensa, os reviews eram mornos ou breves demais para despertar qualquer atenção. Os desenvolvedores também eram desconhecidos, por isso não houve nenhum hype ou expectativa para o lançamento. A negligência desse fighting que, se não é de quinta categoria e nem de primeira, pode ser considerado de segunda linha (jogável) é quase criminosa, dada a miséria do N64 em Luta. Digamos que, num céu onde só tem corvo, esse vôo não era dos menos belos e harmônicos! Nada de águias (Street Fighter, Tekken…) a contemplar no firmamento…

Ao retirar o cartucho da caixa e inseri-lo no videogame, FD começa algo entusiasmante. Uma seqüência de abertura que não deixa entrever nenhum enredo num sotaque “Engrish” (japoneses tentando falar inglês) dá o tom. Afinal de contas, quem é o protagonista? Isso não nos é informado. Tem um japa do cabelo ruivo estrangulando o adversário diante de uma imponente montanha em chamas. Quando joguei Fighters pela primeira vez eu não estava familiarizado com jogos de luta com gráficos em três dimensões (apesar da jogabilidade ser em 2D), então essa representação me impressionou. Eu me sentia pronto para encarar meu DESTINO… Vieram as opções do menu; como em muitos concorrentes do gênero, o “VS Com” despido de qualquer estória, o versus multiplayer e um Practice. As duas inovações são o Master Challenge e o Record Attack, mas podemos nos encarregar delas no momento oportuno. Agora, que tal uma visitada no “story mode”?

Tem-se 9 lutadores para escolher, todos de design tosco, para ser honesto. Se sua pedida é pelo tipo equilibradinho e balanceado que consegue ser páreo para qualquer um, talvez o melhor seja ir de Ryuji – o dublê de Ryu que nenhum jogo de luta genérico tem vergonha de incluir no staff [neste caso, era só tirar o “ji”] – ou Leon, o latino de cabelo roxo (?!) que urra “Come on!” de forma assustadora quando é selecionado! Ou então Abdul, outro personagem médio nos stats, se bem que ele é um sujeito um tanto desagradável, então deixa pra lá… Há dois gorilões típicos também, que são basicamente intercambiáveis: ou você fica com o wrestler gringo Tomahawk ou com o de nome hipercriativo Bob (se ao menos fosse o “Blob” da Irmandade dos Mutantes…), o que dá rigorosamente na mesma. Se personagens mais fraquinhos mas bem ágeis fazem mais o seu gosto, que tal a chinesa Meiling que adora brincar com fogo, ou então o misterioso Ninja (nomaço!)? Pierre e Valerie, dois personagens inclassificáveis em qualquer nicho, são os restantes. Seus estilos são algo atrativos, se bem que pode ser mais complicado dominar sua vasta coleção de special moves.

A próxima tela apresenta o primeiro rival e a arena do combate, ambos aleatórios. Uma listagem dos procedimentos possíveis a fim de ganhar pontos também é exibida. Fighters Destiny se diferencia na categoria por, para começo de conversa, não operar na conhecida escala de 2 a 3 rounds, mas sim num sistema de “sete estrelas”. Há uma profusão de métodos para despachar seus oponentes, cada um deles rendendo uma quantidade diferente de estrelas. O primeiro guerreiro com 7 estrelas vence. O nocaute, isto é, a drenagem da barra de energia do oponente ou o êxito num knockdown move (para deixá-lo inconsciente sem ter tirado toda sua energia primeiro) dão 3 estrelas. Um especial, técnica utilizável somente depois do nocaute, rende quatro. Tirar do ringue vale 1. Arremessos dão 2 estrelas. Um movimento de contra-ataque no meio dum especial do rival concedem 3 estrelas. Finalmente, depois da contagem zerar, o juiz premiará o que mais bateu com uma estrelinha. Maneiras de liquidar a CPU ou seu amigo são o que não falta, logo se vê. Um sistema de jogo intrigante e irreverente, para dizer o mínimo.

O problema está com o “lutar” em si. Fighters Destiny é bem gingadão (enrolado, cheio dos salamaleques, sabe comé que é) e não apresenta a velocidade estonteante dos fighters mais modernos. A taxa de frames por segundo nunca excede os 50. Quedas são alarmantes durante movimentos de throws e specials. Mal dá para acreditar que um game com lutadores de aparência tão espartana tenha um ritmo tão lento! O mais importante num jogo são sempre os controles e FD é reconhecidamente medíocre na área. Mas aquele que não se deixar intimidar pelas adversidades nas primeiras sessões de jogo poderá se adaptar, e até se divertir, graças às regras heterodoxas. A framerate é baixa não só para você, mas também para o antagonista, o que iguala as coisas ou até as facilita assim que padrões de ataque forem incorporados (“monk playstyle”!).

Conforme dito, o VS Com e o 2-player não trazem muito que possa ser comentado, mas os dois modos de nomes esquisitos têm mais substância. O Master Challenge leva a uma roleta da sorte em que 2 opções são sucessivamente expostas, a do Mestre e a do sinistro Joker/Coringa. Caindo no evento “Mestre”, entra-se num combate com o dito-cujo. Se você vencer, adquire um move inédito para seu personagem. Caindo no evento “Joker”, outra luta, onde todos os novos movimentos recém-adquiridos podem ser usados. O Master Challenge parece, assumidamente, algo feito pela metade, especialmente se virmos o que foi feito com ele – como ele foi esticado – em Fighters Destiny 2. Já no Record Attack, há três submodos. O Survival o põe diante de 100 batalhas de 1 estrela; sendo maluco o suficiente para aceitar e superar o desafio das lutas consecutivas com o mesmo life, destrava-se o Joker em pessoa! Fastest é uma compilação de duelos de 4 estrelas (mais ou menos a metade da duração de uma luta no modo carreira, portanto) e ao mesmo tempo um duelo contra o relógio. Rodeo é a modalidade mais divertida, de longe. Uma vaca louca chamada Ushi (simplesmente Cow, na tradução ianque!) divide o palco com você e sua missão é não ser derrubado pelas investidas furiosas dela, mas também não apelar tentando nocauteá-la… O objetivo é apenas fugir, durante 1 minuto. Se for feito, Cow é destravada como personagem! (parecido com o que pode ocorrer em https://rafazardly.com/2025/07/09/fighters-history-dynamite-karnovs-revenge-neo-sat-al/).

Fighters Destiny até que traz novidades para o campo dos jogos de luta. O título é estragado em boa parte pelos slowdowns e pela curta vida que tem (depois de destravar os personagens secretos e todos os golpes da galera, isso vai ficar mais do que evidente, já que são apenas 11 nomes e a essa altura os modos mais alternativos já terão sido jogados à exaustão). Ainda com todos os pesares, como o Nintendo 64 não podia se dar ao luxo de dispensar mesmo um jogo de pancadaria pouco acima do medíocre, é uma lástima que até os brigões mais fanáticos soubessem pouca coisa ou nada acerca de Fighters Destiny.

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

Combat Crustacean do gamefaqs.com

mobygames.com

versão 2 – 2013; 2025.

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