darkstalkers 3 (vampire savior) (arc, ps & sat)

Arcade, PlayStation & Saturn

Darkstalkers 3

Vampire Savior EX Edition (PS, Japão)

Vampire Savior: The Lord of Vampire (SAT, Japão)

F I C H A      T É C N I C A

Developer Capcom

Publishers Capcom / Virgin (EUR)

Estilo Luta

Datas de Lançamento:

ARC

05/97 (JP)

PS

05/11/98 (JP); 18/11/98 (EUR); 30/11/98 (EUA); 31/05/11 (JP, CapKore); 09/02/11 (JP, PSOne Classics); 24/04/12 (EUA, PSOne Classics)

SAT

16/04/98 (JP)

Incluído nas compilações:

Darkstalkers Chronicle: The Chaos Tower (PSP)

Vampire: Darkstalkers Collection (PS2)

NOTA

8.6 (ARC) | 8.2 (PS) | 8.7 (SAT)

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (X) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Quem gostaria de saber qual a criatura da noite que levaria a melhor se vários contos de terror se fundissem; os capconianos prontos para tirar um recesso de Ryu, Chun Li & cia.; fãs da série que buscam o encerramento da trilogia clássica com chave de ouro, com mais personagens, na via doméstica, que no próprio Arcade.  (X) incógnita

Vampire Savior é só outra conversão perfeita da Capcom para o Saturn. A versão que faz uso do cartucho de 4MB de memória RAM é idêntica ao Arcade original, na verdade até levemente superior, como denuncia o grau de avaliação acima (as duas versões, com e sem o cart na embalagem, foram disponibilizadas simultaneamente no mercado, com uma leve diferença de preço). Dos gráficos (jogo de cores e tamanho dos lutadores) às animações quadro-a-quadro, passando pela sonoridade, ficou tudo impecável! Para resumir, Vampire/Darkstalkers não passa de uma variante de Street Fighter com uma grande reviravolta no roteiro: no lugar de humanos, monstros protagonizam o festival de porrada. Demitri, o vampiro, Morigan & Lilith, succubi (o plural de succubus), Jon Talbain, o werewolf, Sasquatch, o sasquatch, Donovan Baine, o humano (ou seria uma espécie de híbrido revolto, à la Alucard?) caça-darkstalkers, etc. São, ao todo, 18 characters, quebrando recordes dos antecessores, 15 diretamente do Arcade mais 3 importados de Darkstalkers 2 (a prequel), que portanto são exclusividade da home version (o que ajuda a justificar considerarmos a versão de Saturno ainda melhor), exceto pela versão deluxe dos fliperamas japoneses, Vampire Savior 2 (“Darkstalkers 4”), da qual trazemos algumas fotos na matéria.

A gameplay transcorre num só round estendido, ao invés da melhor de 3 típica dos fighters. Na verdade não é que não seja uma melhor de 3, mas a sucessão dos rounds é ininterrupta e o vencedor segue com a mesma life bar e só aguarda alguns segundos até seu inimigo voltar a ficar de pé, nos moldes de Killer Instinct. No início de um duelo cada combatente tem 2 ícones de morcego debaixo de seu life, ao lado do nome, e cada vez que a barra esvaziar um desses morcegos “vai embora”. O primeiro que ficar sem nenhum ícone e tiver sua última barra esvaziada, perde. Uma espécie de chama partindo do centro vai consumindo o life do guerreiro atingido, dando no entanto a chance de uma recuperação parcial, enquanto houver porções “brancas” (nem verdes nem vermelhas) na barra, o que indica que mais algum tempo sem voltar a sofrer pancadas e aquele pedaço de HP regenera. Significa que normalmente o indicador de vida de cada personagem se assemelha a uma bandeira da Itália (fora das proporções, é verdade)!

Lá estão as modalidades tradicionais do gênero, Arcade, Versus e Options. Os donos de Saturn terão de desculpar, mas nada de Training, que só apareceu na versão PlayStation, póstuma. Seu escolhido pode ter de enfrentar um subchefe escondido, caso você detone os três primeiros adversários com um ES (Enchanted Special, que já é um superlativo dos especiais, a consumir uma barra de super e fazer o personagem brilhar, havendo até um ES dedicado a atacar o inimigo caído!) ou EX (Extra Special, o golpe com mais hits do game, havendo no máximo 2 por character, capaz de gastar de 1 a 3 barras de super) move (sem contar que o sistema de jogo permite que os jogadores estoquem até 99 ES/EX, uma verdadeira apelação para usar e abusar no versus!). Maioria dos selecionáveis enfrenta Jedah como final boss, mas uns poucos (Morrigan, Lilith, Demitri) enfrentam as suas próprias nêmeses no lugar.

Depois de finalizar o game pela primeira vez sem usar continues, basta segurar o L e o R e apertar start com o cursor em cima de Options no menu principal, o que abrirá um cardápio de novas opções para fãs de Darkstalkers devorarem com gosto… Reassistir o final de cada qual (depois de ter destravado o dito-cujo antes, é claro), readaptar o tamanho da tela para widescreen (pensaram nisso em 1998!), opções de saída de vídeo para cabo RGB ou S-Video (melhor performance), número de super meters com que se começa (de 10 a 99!), entre outras migalhas adoráveis que se pode customizar… Tem o Auto mode de novo no jogo, mas é parcialmente inútil dessa vez, haja vista só funcionar com bloqueios, e não para auto-combos, como em Night Warriors e Revenge. Mas possivelmente a melhor opção de todas, depois do truquezinho narrado na primeira linha deste parágrafo, é a Language – poder alternar entre japonês e inglês, recurso enviado por Deus para os saturnianos, pois para estes só existe a versão japonesa do jogo (e mesmo assim, o impacto maior é sentido durante os endings, para ler as caixas de texto, já que o áudio dos personagens e os menus já vêm em inglês – ufa!).

Falemos um pouco acerca dos personagens inéditos da franquia, jamais comentados nos reviews anteriores de Darkstalkers. Os 4 debutantes se adequaram ao velho elenco como manteiga de amendoim com geléia no pão no lanchinho do fim da tarde! Primeiro, temos Q-Bee (Kill Bee, quase Kill Bill, manjou?!), uma mulher-inseto, que os programadores decidiram criar, segundo consta, depois de assistirem ao longa de Roger Corman, The Wasp Woman (“A Mulher Vespa”). Ah sim, cada tapa/picada dessa senhorita deve doer e inchar bastante… Em segundo, Lilith, a nova succubus, relacionada a Morrigan de alguma maneira (com certeza uma tacada dos desenvolvedores para o público, que adora essas ninfetas sugadoras de sonhos!). Depois vem Bulleta, uma garota campestre protegida do frio e que carrega alegremente um cesto, êmulo fiel de Little Red Riding Hood/Chapeuzinho Vermelho (primeira imagem da matéria!) – só que ela esconde por trás do meigo estereótipo uma AK-47 e um machete (facão)! Na América, a personagem doidinha, doidinha foi batizada Baby Bonnie Hood (ã?!?). Finalmente, temos Jedah, o novo último chefe. Uma divindade monstruosa, foi ressuscitada, criou várias dimensões bizarras para servirem de campo de batalha e convocou todos os velhos conhecidos darkstalkers a fim de roubar suas almas e reinar supremo – o que foi uma péssima idéia, já que agora todos reunidos poderão estraçalhar essa besta dos infernos à vontade… Pra quem curte essas doideiras e pirações (o relacionamento entre os personagens malucos desta trama!!), há dois animes de Darkstalkers. Nenhum MUITO bom, um mais inclinado à fanfarronice e às crianças e outro bem mais sombrio, mas que deixa de lado o humor refinado dos jogos (e isso é imperdoável, xará!).

Mas uma das maiores revoluções de Darkstalkers 3 foi mesmo o Dark Force mode. Sob o custo de 1 special gauge (a barrinha de super) mais dois botões do seu joystick pressionados simultaneamente, você e o oponente são tragados para uma dimensão alternativa onde se pode lançar mão de special moves e dano extra por um curto período. O dono da dimensão paralela fica em franca vantagem, a começar pelo fato de poder voar livremente pela tela! Talvez por causa da inclusão dessas “dimensões paralelas” é que o look do game esteja em geral mais estranho e amalucado do que nunca. Baby Bonnie, por exemplo, é o retrato da doçura num segundo, só para se revelar em toda sua insânia nos quadros de animação seguintes! Demitri tem um golpe que transforma tanto darkstalkers fêmeas quanto machos em menininhas de uns 5 anos de idade. Jedah, o diabo da parada, esfrega o adversário no chão, depois bate o corpo da vítima com violência, como se fosse uma estaca, na direção de uma folha de papel gigante que representa um contrato (o famoso contrato diabo-homem), a fim de comprar uma parte da sua alma (hahaha!). Um dos estágios mais inusitados ocorre no útero de um demônio, quase que um buraco negro, criatura cultivada pelo próprio Jedah para ajudá-lo em seus propósitos; mas talvez ainda mais memorável e alucinante seja o trem animado que engole os lutadores com sua boca-cabine (a luta é dentro dos vagões)!

Uma exclusividade-consolo da tímida (gráfica e auditivamente) versão PS1 é o Original Character mode, que lhe permite construir seu próprio personagem (bem, não é TÃO livre assim: você tem de usar um dos preexistentes como modelo, e então elabora um palette swap, basicamente), o que inclui moldar um pouco do psicológico e definir algumas das habilidades especiais da criatura (ah, sim, e escolher o sexo). Há um incentivo extra para encarar esse modo; através dele é que maioria dos segredos é finalmente habilitada (aqueles que eu narrei no quarto parágrafo, mas neste caso só estamos tratando dos usuários de PlayStation, lembre-se). Conforme ganha experiência com o lutador recém-inventado, aumenta-se de poder, velocidade, quantidade de special stock (as barras de super) e resistência (número de vezes que suporta levar um K.O., aumentando o número de rounds/ícones de morceguinho debaixo de sua barra de vida). Sozinho, brincar de deus em Darkstalkers 3 e sair testando seu boneco já é uma operação que agrega uma senhora sobrevida ao disco, sem falar no enorme desafio que se tem pela frente. As primeiras lutas serão especialmente sofríveis, com 1 chance em 2 de sair-se vitorioso, mas o cenário vai ficando mais alentador à medida que seu character adquire stats aqui e ali. Requer algo em torno de 500 lutas chegar a nivelar-se com a CPU, através desse modo!

Voltando a focar a análise no Sega Saturn, o oásis das adaptações 2D, com o cartucho de 4MB tem-se o equivalente a cerca de 6MB ao todo, já que o próprio console conta com 2 Mega. O Sony PSX, coitadinho, só tem 1 ou 2 Mega, a depender da situação (1MB de origem + 1MB com um expansor). O gamer experimentado no assunto já percebeu, a essa altura, que não há a menor razão para quem for detentor dos dois consoles procurar a versão Play – seria absurdo! A memória saturniana, que empata com a placa CPS2 usada pela Capcom, representa um som absolutamente réplica dos Arcades e implica em zero perdas nos quadros de animação dos lutadores, fora o emprego máximo de cores simultâneas que o hardware de Saturn permite. Apenas lembre-se: seu console 32-bit da Sega tem de ser nipônico ou se encontrar destravado para ser compatível com o CD! Depois disso, certifique-se de ter um cartucho da marca Pro Action Replay 5 in 1, e então seu SS com Vampire Savior (japonês, com opção de menus em inglês, cf. acima!) – bem como suas tardes de diversão – rodarão de forma infalível!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

GameFAQs:

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versão 2 – 2013; 2025.

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