marvel super heroes vs street fighter (arc & sat)

Arcade & Saturn

Marvel Super Heroes

vs.

Street Fighter

F I C H A    T É C N I C A

Developer Capcom

Publisher Capcom

Estilo Luta > 2D

Data de Lançamento 22/10/98 (JP – 1  das 2 versões vendáveis incluía o cartão com 4MB de RAM obrigatório para rodar o jogo)

NOTA

8.4

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (X) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? O purista das luta 2×2. (X) incógnita

ACapcom certamente fez um estrago no palco dos jogos 2D, no melhor dos sentidos, e me arrisco a dizer que seus desenvolvedores nunca foram mais brilhantes que na segunda metade dos anos 90, quando lançaram um best-seller atrás do outro para Sega Saturno, que era a máquina perfeita para jogos 2D, alcançando o poder dos próprios fliperamas (o Neo Geo também é capaz, mas sua audiência é bastante limitada e seus jogos são muito mais caros). E durante esses anos dourados a série dos games “VS” se destaca em absoluto. Nela, personagens que jamais poderiam se encontrar (em anos nos quais não sabíamos o que era “multiverso” e “filme chato pra dedéu no cinema todo santo ano”), de Street Fighter e da Marvel, se digladiavam até descobrir quem era o melhor. E o bacana é que toda vez que o aparelho é ligado a verdade pode mudar de lado, dependendo de quem está controlando! Marvel vs. Street e X-Men vs. Street, são, especificamente, os dois títulos que representam a apoteose de um estilo. Embora ambos sejam incríveis, o corrente, MSHvSF, tende a levar uma ligeira vantagem. Esse jogo também deu as caras no rival número 1 da Sega nos 32 bits, o PlayStation, mas você seria LOUCO se optasse por essa versão. Ela é falhada, manca, deficiente, com 60% das animações cortadas e tag teams exclusivamente espelhados ou pré-programados (personagens idênticos ou então, por exemplo, duplas fixas – o Homem-Aranha sempre faz dupla com o Capitão América –, para não sugar dos gráficos). Toques bacanas como aparições-cameo de Gambit e Vampira são outros atrativos deste crossover campconiano. Não só isso, mas técnicas, golpes e lutadores novos em relação ao próprio Arcade, o que significa que tem muito mais o que aprender até para quem era viciado no game atuando na rua. Apesar de não apresentar a complexidade da linha de jogos futura Marvel vs. Capcom, este é o ápice do que se pode encontrar no Saturn, e por isso deve ser valorizado. Em parte graças ao CEO da Sega of America Bernie Stollar, esse e alguns outros excelentes lançamentos do fim de vida do Saturn jamais foram convertidos ao Ocidente. Seja como for, MSHvSF, em japonês, é um dos últimos CDs de Saturno, fechando uma era. Quem sair por último, por favor apague a luz…

Como em qualquer joguinho de Luta, escolhe-se um lutador no menu e parte-se para uma melhor de três rounds num confronto mano a mano contra o computador ou então um amigo. O que sobressai no conceito é a habilidade de escolher um personagem secundário que dará mais de uma oportunidade para ensiná-lo com o quê e como lutar com os diferentes times, já que convocar golpes do parceiro de retaguarda ou mesmo combinar dois ataques especiais num só se torna possível. Essa é a gênese das tag team battles, batalhas 2×2. E reunir dois lutadores que se complementem perfeitamente leva alguma prática, sendo um de seus principais objetivos encontrar a sincronia perfeita entre dois fighters, um time foda o suficiente para chutar muitas bundas!

O consolidado sistema de usar o direcional (fazer meias-luas e aquele tipo de coisa) seguido de tapinhas em 1 ou 2 botões não mudou tanto desde as versões prévias de Street Fighter, mas a necessidade por precisão foi bem relativizada. Além disso, em SF você jamais poderia dar pulos duplos, o que muda a cara dos combates, adicionando muito espaço para combos aéreos. A Capcom se sente ainda mais em casa no Saturn porque seu controle possui seis botões, que ela sempre usa ao máximo, com três tipos de soco e três de chute (no controle do PlayStation, com 4 na frente, é necessário apertar os incômodos botões-trigger, na parte de cima). A learning curve – tempo para se acostumar com os controles – é nula se você já está acostumado com fightings da Capcom. A manipulação dum mesmo personagem (Ryu e Ken, por exemplo) não muda quase nada de um game para outro. Tem, é claro, especiais inéditos, que são a cereja do bolo. Tudo isso faz de MSHvSF um dos jogos de Luta mais acessíveis e populares de todos os tempos. Os combos infinitos não são tão fáceis de acionar como na versão X-Men VS Street, mas ainda estão lá. O sistema, do prisma de um gamer dos anos 2010 ou 2020, soará ridiculamente cru, em comparação com as Infinity Gems de Marvel Super Heroes (que é inclusive um jogo mais velho!) ou os Helpers de Marvel vs. Capcom (que praticamente transformam as lutas em dupla em lutas em trio). A coisa aqui é bem mais feijão-com-arroz, para não assustar quem não for hardcore player.

Não seria neste jogo que a Capcom abandonaria suas opções típicas, que incrementam a diversão: dificuldade variando de 1 a 8 estrelas; várias velocidades (colocar na última deixa o ritmo RIDÍCULO, no bom sentido do termo!!!); liberdade para o jogador alterar a função das teclas ao seu gosto. As modalidades disponíveis são Arcade, Practice, Survival e Versus. No Survival (sobrevivência), encara-se pelo menos o dobro de oponentes que no Arcade e a barra de energia não é recarregada de luta para luta. Finalizando esse modo mais apelão, abre-se um outro modo secreto, Mech Gouki Now! Mode, em que você luta logo de cara contra Mech Gouki (Cyber Akuma nos Estados Unidos). Por falar em Gouki, os dois chefões do jogo são Apocalypse e ele mesmo. Apocalipse, o vilão prepotente de X-Men, ocupa muito espaço na tela e isso acaba ajudando o próprio gamer, que não encontra dificuldades para acertá-lo; mas o arqui-rival de Ryu, o karateka maligno Gouki/Akuma, será uma pedra no sapato das primeiras vezes, ainda mais na dificuldade 8 estrelas! São 18 lutadores de início, mais 7 escondidos, perfazendo um total de 25. Nada no nível de replay de Marvel vs. Capcom 2, do alto de sua seleção invejável de fighters, mas já é um número para dar um gás legal, o que acha? Além disso, a presença de Norimaro certamente rouba a cena! Cada lutador tem um final próprio, mas a não ser que seja fluente em japonês você estará impedido de saber da história, desculpe!

Esse tira-teima é um clássico dos quadrinhos!

O jogo requer o cartucho especial com 4MB extras de memória RAM, e a Capcom o explorou ao máximo, pode acreditar. Todos os loadtimes, com exceção do inicial ao ligar o jogo, foram sumariamente eliminados! A jogatina nunca pausa. Os gráficos também estão mais coloridos que em XMvSF, com fundos repletos de detalhes e com animações, embora os níveis tenham sido reciclados do próprio XMvSF em vez de criados do zero. A única ressalva é que você vai precisar se acostumar com vários efeitos de luz rolando ao mesmo tempo na tela num pique frenético, pois as magias são bem caprichadas. Isso pode desorientar os olhos mal-treinados…

Nada como os nomes originais…

Acompanhados dos supergolpes estão samples de fala de cada personagem e, o que é melhor, com os mesmos dubladores das séries animadas dos anos 90, no caso dos da Marvel. Lá está a tagarelice do Spider-man e os grunhidos ininteligíveis do animalesco Wolvie! Ouvir continuamente “Optic Blast!” pronunciado por Ciclope pode encher o saco. Por outro lado, adoro finalizar com o special de Norimaro e escutar o narrador em seguida: “Hyper strong miracle treasure!” [tesouro milagroso hiper-forte]. A trilha sonora é composta de muito dance numa verve old para embalar as refregas.

Marvel Super Heroes VS Street Fighter (a versão de SATURNO!) é simplesmente atemporal. Dando um tour pelo eBay, verifiquei que em 2024 o preço do jogo para importação não está mais ou menos o dobro ou o triplo do que estaria nos anos 2000 desconsiderando a inflação: de US$60 a 90 + taxas e impostos. Pode parecer caro, mas em termos de jogos não usados de Saturn, até que não está tão mal… Só não vale a pena para usuários comuns do console que já possuam X-Men VS Street Fighter.

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

KasketDarkfyre, Katon, Majestic_Lizard, Zork86, DarthAcme, Joshua, mikeyb24, Tenshi No Shi do gamefaqs

mobygames.com

versão 2 – 2013; 2024.

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