Por Rafael de Araújo Aguiar
Arcade / PlayStation / Saturn

Street Fighter:
The Movie
Street Fighter: Real Battle on Film (Japão, PS&SAT)
F I C H A T É C N I C A
Developers Capcom, Incredible Technologies
Publishers Capcom, Acclaim
Estilo Luta > 2D
DATAS DE LANÇAMENTO:
ARC
06/95 (EUA, JP)
PS/SAT
10/08/95 (JP), 11/08/95 (EUA), 09/95 (EUR e América do Sul, no caso do Saturn)
NOTA
4.7
Este jogo é pra…
(X) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar ( ) um tipo específico de jogador. Qual? ______ ( ) incógnita



Se fazer um filme de Street Fighter com atores reais já foi idéia de jerico, fazer um game baseado nesse filme, então, foi a pior idéia possível e imaginável (é como se a Nintendo decidisse basear os Mario Bros., daqui pra frente, exclusivamente no horroroso longa-metragem de 1993, jogando fora toda sua experiência e maestria em fazer jogos da própria cabeça). Pelo menos pode-se dizer que ST: The Movie podia ter vindo em épocas muito piores, já que lá pelos idos de 95 a Capcom estava com a imagem arranhadíssima graças ao fiasco do longa-metragem, além do que gamers praticantes do gênero Luta já estavam fartos de tantas edições especiais de Street Fighter 2 feitas só para arrecadar mais dindim, preferindo consumir uma certa série emergente que é o maior crapfest (orgia de merda) de violência gratuita e sangue já visto (cof, cof… Mortal… cof! Kombat…). Sendo assim, pouca gente foi incitada a comprar essa joça. A onda streetfighteriana só ressuscitaria com a nova linhagem da franquia, de grande calibre, iniciada poucos meses depois: Zero/Alpha.



Rápidas perguntas para aquecimento, caso você sequer saiba da existência de um FILME DE STREET FIGHTER: você ia se amarrar em ver um Charlie que se transforma em Blanka depois de uma experiência de laboratório malsucedida? Em ver o indiano Dhalsim como um cientista genético? Chun “Danadinha” Li como repórter (e Balrog – O Boxer e Edmond Honda – O Wrestler de Sumô como seus cameramen?). É, imaginava que NÃO… Até porque, para os fãs da saga ZERO, Charlie é Charlie e Blanka é Blanka; bem como Chun Li é agente da Interpol, Balrog é vilão, etc.; não tem que sair misturando as coisas!

Vá chupar uma cana, rapaz! Vai dar para notar, pelas imagens logo abaixo, que o Guile aparece mais do que ninguém no título – isso porque o Story Mode só pode ser jogado com ele…
Bom, jogar Street Fighter: The Movie é um pouco melhor do que assistir o filme, se serve de consolo. Pegando carona no apelo instantâneo do jogo “mares de sangue” citado acima, o pessoal da Capcom não hesitou em usar motion captures de atores a fim de compilar os modelos da empreitada. É a moda da época, não podemos blasfemar. O pessoal queria ver realismo, 3D… ainda que camuflado, em sprites. Hoje as imagens traspassam hilaridade, sem dúvida. Quem em sã consciência, na atualidade, pediria para ver um Ryu de carne e osso (mais osso do que carne) outra vez? Não vivemos mais uma histeria estética de época! A seleção de lutadores, que é o que importa, contém Ryu, Vega (Bison nos States), Guile, Chun Li, Sagat, Ken, Balrog (Vega, o espanhol mascarado), M. Bison (o boxeador Balrog no Ocidente – ufa, que salada!), Zangief, Honda e a ninfetinha tesudinha Cammy. Se você um dia se tornar milhardário e depressivo, contrate essa gata ninja para matá-lo com uma “leglock” (no melhor estilo Sonya Blade): garanto que será a melhor forma de suicídio/“eutanásia” já inventad@! (Serve tanto a Cammy ficcional quanto a artista que lhe deu vida, nesse caso, Kylie “fantástica e exuberante” Minogue!)

Gente, olha o segundo da direita para a esquerda na última fila: não é o Curupira?
A Capcom, esdrùxulamente, colocou o Akuma no jogo também (ela SEMPRE faz isso). Mas POR QUÊ? POR QUÊ?! Se o título é justamente todo diferentão por se basear na produção PARA CINEMA, e Akuma não existe no roteiro?! É o primeiro jogo da História em que Gouki/Akuma não é um personagem apenas secreto, o que não representa a melhor das estréias para o “galã”. Bisonho o bastante? Ainda não. O “lado B” Sawada, soldado parceiro de Guile no filme, também assinala sua presença; outro que correu por fora para figurar na seleção é Blade, da Shadaloo, um dos homens mais próximos do vilão do filme. Parece uma palette swap do Kabal (Ei, senhorita!).


Choque do Trovão, agora!
Pelo menos ainda tem magias e movimentos tradicionais da franquia, como fireballs e dragon punches, mas ninguém pode me convencer de que isso é Street Fighter. Não é por haver um karateka faixa preta chamado Ryu com uns moves-clichés que você tem um novo SF (para quem não nasceu há tanto tempo assim, Street II é ‘só’ o MAIOR JOGO DE LUTA DA HISTÓRIA, além de na verdade ser o primeiro, pois Street Fighter I era apenas um beat ‘em up em que se escolhia ou Ken ou Ryu). O pior de tudo é que SF:M não consegue nem emular Mortal Kombat decentemente. O nível de dificuldade não está bem regulado e a CPU estará sempre no patamar “expert”, ainda que com 1 estrela. Nada de obter vitórias fáceis se sustentando em throwing combos, amiguinho, pois 100% das vezes a máquina responderá com counter-throwing combos muito, muito injustos e cretinos!…


Vai rolar sexo – não é vaselina nas pernas da guria?
Os modelos dos personagens, que ironicamente procuravam passar a sensação de veracidade, fazem os arremedos de Mortal Kombat 1 (não o novo!), praticamente um ensaio dos jogos de motion capture, parecerem divino trabalho de arte! Isso não é dizer que os semblantes dos lutadores não lembrem os dos atores do filme, mas avaliar essa semelhança vai depender da sua visão sobre isso. Você tem ou não tem uma quedinha pelo Van Damme? Vamos, admita! Raul Julia, o vilão Bison com seu cap inconfundível – notório ainda pelo papel de chefe da Família Addams em dois longas –, infelizmente – ou felizmente – morreu pouco após as gravações de SF e não chegou a ver sua fisionomia transformada em sprites para o jogo. Acontece que muitos atores são realmente o cão chupando manga, ou então não têm nada a ver com o character design de SF2. Se você pensava que o Akuma era feio em desenho, então você não viu sua versão live action, porque ele está horrendo! Não duvide da beleza dos traços de anime da próxima vez… Os cenários são enfadonhos e parecem fora de lugar (ou os lutadores é que estão, enfim). Talvez a arena gradeada seja o melhor estágio.


Agora é só passar o “desoda” e cair matando!
Os samples de voz foram bem trabalhados em termos de captação no estúdio, mas nada mais revoltante que ouvir “Dragon” da boca de Ken quando ele solta um Dragon Punch. O grito deveria permanecer Shoryuken, porra! Até porque, se a razão é “para parecer mais americano”, podia-se fingir que é “All you can” ou “All you, Ken” que ele fala! (dá um desconto para o trocadilho)


Parece que recortaram essa torcida duma revista
Agora seria uma boa hora para jogar Garou: Mark of The Wolves no Neo Geo ou Tech Romancer no Dreamcast para se descontaminar dessa gameplay nota vermelha, não sente a vibe? Ah, e oxalá nunca façam um filme de King of Fighters live action e me venham depois com um KOF: The Movie The Game! (P.S.: Existe esse filme constrangedor, de 2009, mas o jogo, felizmente, ficou faltando…)


Foi no risca-faca que eu te conheci…
Lista de agradecimentos
KasketDarkfyre, Doctrine Dark, S. Sage, dosetsu213 do gamefaqs;
mobygames.com.
versão 2 – 2013; 2024.
® 2002-2024 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!
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