review 0ldbutg8ld #1131
obs: nós não seguimos o acordo ortográfico lusitano de 2009!
Por Rafael “Cila” Aguiar
PlayStation2, Xbox
+ Android, PC, PS3, PS4, PS5, PS VITA, Switch & XSX.


Metal Gear Solid 2:
Sons of Liberty
+
Metal Gear Solid 2:
Substance
| F I C H A T É C N I C A |
| Developer(s) Konami of Japan |
| Publisher(s) Konami, Mindscape (Austrália) |
| Estilo(s) Action Adventure > Stealth Meta-narrativa |
| DATA(S) E REGIÃO(ÕES) DE LANÇAMENTO |
| PS2 Sons of Liberty 12/11/01 (EUA), 29/11/01 (JP), 08/03/02 (EUR), 22/03/022 (EUR, Bundle Pack), 30/05/02 (COR), 12/09/02 (JP, Mega Hits!), 11/02 (EUA, Greatest Hits), 12/11/03 (ING, Platinum), 2003 (ALE, Platinum), 21/10/04 (JP, Konami Dendou Collection), 26/07/07 (JP, Metal Gear 20th Anniversary), 29/11/07 (JP, PlayStation2 the Best), 29/04/10 (COR, BigHit Series) Substance 19/12/02 (JP), 03/03/03 (EUA), 28/03/03 (EUR), 19/06/03 (COR), 06/11/03 (JP, PlayStation2 the Best), 21/10/04 (JP, Konami Dendou Collection), 08/09 (EUR, relançamento), 07/11/11 (AUS) X 04/11/02 (EUA), 07/03/03 (EUR) |
Também incluso na(s) compilação(ões):
| Metal Gear Solid HD Collection (PS3/VITA/360) Metal Gear Solid HD Edition (PS3) Metal Gear Solid HD Edition: 2 & 3 (360) |
Quem jogar este também poderá gostar de:
(Em vermelho, os jogos que já revisamos – se não estiver linkado, ainda não foi “upado” no novo blog.)
Metal Gear Rising: Revengeance (AND/PC/PS3/360)
Metal Gear Solid (GC/PC/PS/PS4/PS5/SWI/XSX)
Metal Gear Solid 3: Snake Eater (3DS/AND/PC/PS2/PS3/PS4/PS5/SWI/VITA/XSX)
Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (PS3)
| NOTA(S) |
(Cada escore é uma média dos principais portais de games na web e revistas antigas quando for o caso, e também engloba a opinião dos gamers visitantes, além da crítica especializada; não necessariamente reflete meu ponto de vista sobre o jogo.)
8.6 (PS2)
8.2 (X)
| ESTE JOGO É PRA… | |
| (X) passar longe | (X) dar uma jogadinha de leve |
| (X) dar uma boa jogada | (X) jogar freneticamente |
| ( ) chamar a rua toda pra jogar | (X) uma incógnita |
| (X) tipos específicos de jogador. Quais? | |
- Cinematógrafos interativos.
| FAIXA DE VIDA ÚTIL ESTIMADA | De 25h a 30h. |
CISSION MOMPLETE


Oque surpreendeu a todos quando Metal Gear Solid 2 foi lançado foi que o protagonista não era Solid Snake, o símbolo da Konami. Ícone de testosterona, Snake chegara o mais perto possível da unanimidade absoluta na aventura “sólida” original, que massificou por fim sua reputação, tendo em vista que suas aventuras no NES e no MSX não eram conhecidas de todos. Raro é o gamer que não simpatiza com o Pelé da espionagem. Ao lado dos malucos de Contra, talvez seja o personagem nascido numa franquia de games mais másculo jamais concebido. Rambo, p.ex., é um produto do cinema, embora apareça em adaptações sob a forma de games. Não havia arma, nuclear ou de fogo, esquadrão de psicopatas, leitor de mentes flutuante, torturador ou xamã capaz de parar o cara no PlayStation! E no final (pelo menos o melhor deles) ele ainda saía com a garota… Todo o material promocional de MGS2 orbitou em torno desse mesmo Snake, como era natural. Os trailers e até a capa do jogo exibem seu rosto. E ele termina quase que não sendo um personagem jogável, escanteado na produção. Não julgo quem se sentiu traído pela pegadinha do milênio…


ENREDO
É verdade que se começa controlando Snake, como de hábito. Uma hora depois, mais ou menos, ele subitamente morre e pelo resto da aventura você é um desconhecido chamado Raiden. Raiden foi feito sob medida para ser uma espécie de antítese pendular de Snake, impermeável ao carisma do ídolo de longa data, na aparência e na psique. Até nos hábitos saudáveis: Raiden não é um fumante inveterado. Até na audição e ingenuidade: “Você disse ‘nerd’?” “Não, eu disse ‘node’…”. Raiden é um loiro que contrasta com os cabelos escuros de Snake e mais parece um protagonista hermafrodita do reino dos animes, com seus fios lisos e compridos e pele sem pelugem e de traços delicados. Raiden é arrogante sobre seu próprio potencial apesar de nunca ter ido a campo, sendo uma espécie de craque em ambientes de simulação (treinamentos digitais exaustivos). Não só isso, mas em vez de flertar descompromissadamente com seu ‘save point’ (a pessoa do sexo oposto que atende na freqüência do rádio para salvar seu progresso) descobre-se que essa pessoa (não mais Mei Ling) é uma tal analista ou psicóloga de Raiden, sem experiência militar e, ao mesmo tempo, uma espécie de namorada-chiclete (olha o código de ética aí! namorar o analisando?), que gosta de discutir o relacionamento no meio das missões (com a indulgência patética do próprio Raiden, o que não ajuda na construção de sua imagem inicial de garotinho submisso…). Não havia modo de sentir-se confortável ou esconder o desapontamento quando essa troca na jogabilidade (Snake-Raiden) era efetuada…


E contudo MGS2 foi um sucesso de crítica, de vendas, e outro episódio calorosamente rememorado pelo público! Até hoje é um dos games com avaliação mais alta no Metacritic, e a Wikipédia o cita com referência bibliográfica incontestável como um dos maiores games de todos os tempos. Tudo indica que o pai de Solid Snake no mundo real, Hideo Kojima, sabia afinal o que fazia quando submeteu os gamers a esse engodo monumental! Controlar Snake seria como controlar um deus a essa altura, para quem havia experimentado e se deliciado com MGS1. Com as novas possibilidades de imersão gráfica, sonora e de controlabilidade, deviam estar salivando para repetir a experiência maximizada pelo processador do PlayStation2…


Dez horas de gameplay, ou melhor 5: uma das metades é só de cutscenes. Final Fantasy X, que provavelmente vem com a mesma quantidade de cenas não-jogáveis, se tanto, oferece pelo menos meia centena de horas de gameplay bruta!
Raiden tem a missão de penetrar uma base inimiga chamada “Big Shell”. Terroristas – liderados por alguém que se auto-denomina o próprio tido como morto Solid Snake – tomaram conta do lugar e seqüestraram ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos. Eis sua missão linear: salvar o mundo. O velho Colonel e a tal ‘analista’, Rose, são os principais interlocutores de Raiden via codec. Um tal Iroquois Pliskin, que não parece nem um pouco com Solid Snake, o genuíno, disfarçado (ironia), dará uma mão pessoalmente de minutos em minutos, no posto de coadjuvante!


Primeiro mérito da narrativa: primar pelo realismo mesmo sendo tão pouco realista, atingindo um equilíbrio que, não fosse pela existência dessa série chamada Metal Gear, seria considerado utópico e inalcançável. Os elementos militares são baseados em nosso mundo, quase fotocopiados: as armas, muitos artigos tecnológicos, as agências de governo, uma parcela das situações sócio-políticas pós-Guerra Fria, etc. Há mais de real do que em 99% dos videogames em MGS2. Mas há mais de absurdo, outrossim: mesmo com MGS1 apresentando um ciborgue ninja, aquele clássico não consegue ser páreo para sua continuação tresloucada. Sons of Liberty, o subtítulo desta empreitada, apresenta vampiros dançarinos, um homem obeso andando de patins, atirando bombas e bebendo vinho (de canudinho) tudo ao mesmo tempo, um ex-presidente americano usando vestes de Doutor Octopus (Spiderman)… e ainda deixei de fora a maioria das criaturas estranhas desta iteração. Que nem todas as estruturas se corroam ou liquefaçam, mantendo-se a fachada realista, essa é a principal proeza de tal enredo.


Fato é que ao final da jornada, explicando o sucesso do jogo, o controlador provavelmente simpatizará mais com Raiden que com o próprio Solid Snake, acontecimento quase mágico. Raiden é, afinal, um personagem melhor que Snake? Não. Snake é o cúmulo; não significa que foi superado na opinião pública. Mas a empatia com Raiden vem do fato de ele ser falhado e vulnerável, mais compatível com nosso próprio perfil. Snake já transcendeu em entidade. Ver Solid Snake ajudando o protagonista como NPC só aumenta a idolatria que, a esse ponto, já nem deve ser saudável! Não seria justo controlar o Super-Homem num jogo em que não está no script ter super-poderes, concorda?


Cocô de gaivota no deck do navio pode fazer seu personagem escorregar, cair no mar e falhar na missão! São as pequenas coisas que configuram um clássico, dizem…
Segundo mérito do enredo: as plot twists estão num outro patamar. Metal Gear em geral e Metal Gear Solid em particular e plot twists costumam ser tratados como sinônimos perfeitos. Mas seria controvertido dizer que elas se mantêm tão qualificadas como na exibição de PS1. A verdade é que, mal sabe-se como, elas se apresentam ainda mais devastadoras, em mais âmbitos do que se imaginava viável.


Para ser franco, nosso resumo da estória incluído mais acima só dá conta dos primeiros minutos de gameplay. Seria contorcionismo tentar lidar com seus desdobramentos numa simples resenha. Plot twist agora não significa apenas “double-crossed” (o amigo que engana o amigo, em realidade apenas com o intuito de também enganar o inimigo, e daí para pior!…) ou tropos comuns do universo ficcional da espionagem. Dizer que tais personagens mocinhos são de fato malignos ou vice-versa é coisa de criança, é coisa de MGS1! Plot twists agora alteram a percepção do jogador-esteta do que deve ser uma obra, do próprio mundo e de seus entornos imediatos. Com efeito, a discussão se torna tão abrangente que a própria função de um videogame poderá ser rediscutida após experimentar Metal Gear Solid 2. Perto do fim do jogo as plot twists se sucedem uma a outra em intervalos médios de 2 minutos, como se digerir as plot twists espaçadas de antes já não fosse complicado nem vertiginoso o bastante! Estamos falando de território tão avançado que chega-se ao metafísico (no sentido de essencialmente filosófico).


Metal Gear Solid (1998) apresentava alguns tópicos sérios e pesados para seu tempo. Proliferação de armas nucleares, deontologia da manipulação genética, os horrores da guerra, a vida do soldado ou mercenário, o objetivo de civilizações… Posso garantir que essas pautas não estão exatamente presentes na trilogia Crash Bandicoot, por exemplo! Mas, por mais avançadinho que MGS1 se mostre, Sons of Liberty é um aprofundamento inegável de sua fórmula. O artigo da Wikipédia declara ser o jogo “um exemplo precursor de um game pós-moderno sempre citado como um dos mais importantes no assunto dos limites a que pode chegar a expressão artística nesse tipo de mídia”. Normalmente eu franzo os sobrolhos quando me deparo com as expressões “pós-moderno” e “expressão artística” na mesma frase — lá vem algo hipster, pretensioso, charlatão… E no entanto, surpreendentemente, Metal Gear Solid 2 consegue evitar os passos em falso nesse perigoso pântano!


Sem dúvida o jogo captura o momento de transição para a era digital e trata com acerto e felicidade muitas das previsões sobre o cotidiano do homem que vive sob o império das redes sociais, o homem atual. É sobre esse indivíduo pseudo-integrado, isento de verdadeira individualidade, submetido à lógica dos memes, que Metal Gear Solid 2 se debate em seus momentos mais lúcidos e imorredouros.


Mesmo sem a troca de protagonista à primeira hora, não estaria equivocado ao afirmar que o jogo ainda atuaria contra a expectativa da massa assim que se chegasse aos 10% finais da narrativa. Muitos continuariam se sentido traídos. Outros, apenas confusos. O gênero stealth-action não é tão deliberadamente transgredido até essa reta final. É uma pena, mas esse review não adentrará o clímax da narrativa, evitando spoilers que mudariam dramaticamente a experiência dos não-iniciados… Da forma mais abstrata e vaga possível, podemos declarar que MGS2 pisa em território considerado inóspito ainda em nossa década de 2020. Definitivamente o artigo da Wikipédia que citou “expressão artística” não está muito longe da verdade, ou de um discurso que se pretende verdade, se isso for o máximo a que se pode almejar. Apesar de ser uma estória sobre Raiden, torna-se esta uma história sobre o próprio jogador.


Como um brinde adicional, trazemos aqui a cronologia correta da série, de modo a bem situar o jogador de Metal Gear Solid 2 que quiser entender o todo, embora o enredo de MGS2 seja absolutamente auto-contido. A ordem estabelece que os primeiros eventos conhecidos se desdobram em Metal Gear Solid 3 (PS2), seguidos de Metal Gear Solid: Portable Ops (PSP), Metal Gear Solid: Peacewalker (PSP), Metal Gear (NES), Metal Gear 2: Solid Snake (NES), Metal Gear Solid (PS1) e finalmente este Sons of Liberty, que é precedido de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (PS3). Metal Gear 5 ou V (PS4), apesar de realizar alguns saltos temporais, pode ser em sua maioria situado após Metal Gear Solid 3 e antes do Metal Gear original, com alguns eventos transcorrendo durante Portable Ops e Peacewalker.


GAMEPLAY
Onde MGS2 mais se diferencia do predecessor não é no esquema geral da ação, mas nos detalhes: o que você pode fazer agora que não podia antes, e como o faz. Dessa vez o jogador não está limitado àquela perspectiva ligeiramente acima dos ombros enquanto em combate. Além disso, pode-se optar por uma visão em primeira pessoa para disparar, ainda que esse modo seja estacionário (impossível continuar jogando em primeira pessoa e se deslocar ao mesmo tempo). A mira, com isso, torna-se muito mais precisa. Os corpos dos inimigos não precisam ficar no mesmo sítio em que foram derrubados, o que pode ocasionar que outros soldados da patrulha emitam um alerta, quando, e se, descobertos. Pode-se pegar o corpo (vivo ou morto, uma vez que tranqüilizantes são uma faceta comum em Metal Gear) e arrastá-lo para um canto mais escuro, ou, havendo a possibilidade, para dentro de um armário do qual fecha-se a porta, abafando, por exemplo, o som da respiração. É possível dependurar-se em extremidades e mesmo percorrer distâncias desse modo, agarrado apenas pelas mãos.

SOM
A trilha sonora é de responsabilidade do compositor hollywoodiano Harry Gregson-Williams, e atinge-se aqui um dos scores mais extraordinários do mundo dos games. Pressão, ansiedade, tristeza são emoções facilmente replicadas pelas tunes. Todos os diálogos são falados, seguindo na esteira de MGS1, e pode-se dizer que no momento do lançamento não havia trabalho de dublagem mais bem-feito na indústria. Dá a impressão de estarmos diante de conversas fluidas, e não da leitura de um script. Até mesmo a sincronia labial, matéria até hoje controversa em alguns lançamentos, foi providenciada. Todos os atores que participaram do primeiro Solid e cujo personagem retorna reassumem suas funções.

EXTRAS
Substance é a versão “deluxe”, com VR (Virtual Reality) Missions como modo suplementar de jogo, o que pode estender em muitas horas a vida útil do produto. Finalmente, outrossim, será possível realizar o fetiche de controlar Solid Snake por mais tempo. Quem jogar no Xbox ou PC terá necessariamente acesso ao conteúdo de Substance, pois neste sistema a versão original já é a “aditivada”.

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Lista de agradecimentos pela cessão de imagens e informações:
EN.WIKIPEDIA/
GAMEFAQs:
Aleksius
Groovy_Batman
jimfish
Kasket_Darkfyre
Logic_Blue
LynnJynh9315
MarmaladeBoy
mark24173
Mister_Sinister
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Spark0
UltimaterializerX
Zylothewolf
versão 1
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