ncaa football 2003 (gc/ps2/x)

Por Rafael de Araújo Aguiar

GameCube, PlayStation2 & X-Box

NCAA Football 2003

F I C H A    T É C N I C A

Developer EA Sports

Publisher EA Sports

Estilos Esporte > Gridiron / Estratégia

Data de Lançamento 20/07/02 (EUA)

NOTA

8.7

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Está bem óbvio que, por melhor que seja o jogo, os que não apreciam a NCAA (ou pelo menos a NFL) não têm o que fazer aqui; além disso, não recomendamos a versão 2003 para quem tem outro NCAA recente da EA.  (  ) incógnita

Breves explicações para essa sigla que pode assustar os leigos (e um pouco de aula de esportes ianques): NCAA é o futebol universitário dos Estados Unidos – portanto, não espere caras técnicos usando os pés, a não ser em tiros livres ou de bonificação. Pode parecer estranho para uma cultura como a nossa, que não é conhecida pelo fomento esportivo no ensino superior (nem mesmo nas faculdades de educação física!), tanta glorificação de uma liga de jovens, o equivalente a nossas modestas divisões de base… Mas que não se compare a NCAA à Copa São Paulo de Futebol Jr.: as somas de dinheiro são drasticamente antagônicas, e a NCAA é uma ponte mais-que-natural para os rookies (calouros) ou segundanistas ingressarem na categoria principal, o que para nós seria o campeonato brasileiro. Se bem que futebol americano (gridiron), só os estadunidenses jogam, então o campeão do Super Bowl deles é tratado como um legítimo vencedor de mundial interclubes!

Nesse quadro, dos brasileiros que puderem se interessar pelo futebol americano universitário, NCAA 2003 é o que de melhor havia em sua época. Dois modos recheadíssimos, músicas de briga (???), as garotas de torcida gostosíssimas, os mascotes engraçados e engenhosidades táticas fielmente replicadas são o panorama geral. Vamos mergulhar detidamente em cada um?

O dynasty mode merece o nome grandiloqüente que carrega. Você se torna, na prática, o dirigente máximo do time de uma determinada instituição e tem poder para as decisões hierarquicamente mais impactantes na temporada e para as maiores minúcias. Na verdade, a função do gamer foi mal-colocada na primeira linha: não se é apenas o dirigente, é-se também o treinador e os próprios jogadores. Pelo menos enquanto o jogador quiser… As primeiras coisas a se fazer são escolher os titulares em meio aos atletas-estudantes que se tem à disposição e decolar rumo à pré-temporada, com amistosos para esquentar a equipe. O controlador terá autonomia para escolher se atua ou não na pele dos jogadores. Pode apenas fazer a preparação fora dos gramados, cruzar os dedos para que tudo dê certo, apertar um botão e já tomar conhecimento do resultado, pois a partida é “pulada”. Ou pode participar de cada segundo e de cada gota de suor dos jogadores. Quanto pior forem as estatísticas do time escolhido, mais recomendável é que o jogador participe no maior número de aspectos possível. Inclusive não há a necessidade de morrer abraçado a uma escolha: é viável jogar maioria dos jogos, sem entrar em campo para ajudar manualmente em todos, ou apenas alguns, se for da preferência do usuário; enfim, mesclar a prioridade da função de dirigente e de atleta…

Como se não bastasse a riqueza de disputar toda a temporada, o dynasty mode não finda por aí: dependendo da sua performance e da classificação final, sua universidade pode ser convidada para um dos prestigiados bowl games ou para disputar a liga nacional. Então, no intervalo entre a primeira e a segunda temporada é que esta modalidade mostra todas as suas nuances mais impressionantes. Alguns dos jogadores da última edição da liga forçosamente abandonarão o time porque estarão se formando ou simplesmente migrando e se transferindo para outro lugar, aproveitando que é o interlúdio de verão. O bom dirigente saberá quais são as posições mais afetadas e que precisam de reposição. Abrimos parênteses aqui: os jogadores que saírem do time por motivo de idade podem ser importados para o Madden NFL 2003, que é o título da EA Sports dedicado à NFL, a tal “1ª divisão” dos gringos. Se é que existem brasileiros loucos a ponto de possuírem as duas edições da mesma temporada, será possível continuar a carreira do atleta e vê-lo se aperfeiçoar…

Um time universitário que se preza tem olheiros ao redor de todo o país e você não pode ser exceção. Os menus do jogo oferecem informações sobre talentos de vários estados. Assim que achar seus candidatos prediletos, é hora de verificar seu perfil. Ele terá três times como escolhas preferenciais. Mesmo se seu time não estiver na lista, é praxe gastar pontos para visitar os treineiros dos estudantes em questão e gastar ainda mais pontos para efetuar ligações telefônicas, o que no mundo real se chama “sedução empresarial”, se forem minas de ouro em que realmente vale a pena investir pesado. Mas não seja burro ou confiante demais em suas estratégias de conquista: o critério geográfico é de relevo, já que muito raramente habitantes da Costa Leste aceitariam vir para um time da Costa Oeste, ou mesmo do Meio-Oeste, e vice-versa. Desnecessário dizer que quão melhor tiver sido o ranking do seu time no ano prévio, mais facilitada ficará a adesão de excelentes jogadores antes da próxima season…

Além de caçar esses jogadores esparsamente confiando no sexto sentido do dirigente, recebe-se uma lista de pretendentes, que podem ser peneirados. Enxugar o elenco e definir os titulares é o próximo passo. Imediatamente após, começa uma nova temporada e a ambição de jogar um bowl game ou obter vaga na liga se torna crescente, pelo menos se você agiu com competência durante os “meses virtuais” que se passaram diante da telinha (no geral, em poucos dias da sua própria rotina)… Um ótimo prêmio de consolação para quem não conseguir ser o campeão é o Troféu Heisman para o melhor jogador da NCAA. Há tanta informação off-game e de bastidores, de fato, que gamers casuais, não-fãs declarados de gridiron, sofrerão um bocado até pegarem o jeito. Para os que adoram a jogabilidade mas detestam atentar para esses detalhes estratégicos, há a possibilidade de automatizar a função dirigente, que fica a cargo da CPU, enquanto se joga as partidas. Por isso na ficha técnica NCAA 2003 recebeu o rótulo de 2 gêneros tão díspares: tanto esporte quanto estratégia. Não espere milagres quando se eximir da responsabilidade e deixar tudo a cargo da máquina; além disso, 100% da diversão só pode ser atingida com a integração entre as duas situações – fora e dentro do gramado.

Partindo para a segunda modalidade de jogo, o rivalry mode apresenta as maiores rivalidades e clássicos entre universidades. Aqui, só tem jogão, e você cai de cabeça para disputar 1 partida e pode adicionar vários troféus à sua galeria. É como se um jogo de futebol (football mesmo) tivesse um modo só para partidas como Palmeiras X Corinthians, Flamengo X Vasco, Boca X River, Brasil X Argentina, Real X Barcelona e Manchester City X United, e em finais importantes! Eu mesmo não sou um excepcional conhecedor dos times universitários, mas alguns exemplos são Cal X Stanford e Army X Navy (confronto entre duas forças militares americanas). Tem até um jeito de disputar um jogo só com mascotes no lugar dos jogadores, mas infelizmente poucos colleges estão representados!

Na parte ofensiva do in-game, é possível dar arrancadas, enrijecer braços e elaborar fintas com as pernas para enganar os defensores. Diferentes formações podem ser ligadas ou desligadas facilmente, seja com uso de teclas em tempo real ou pausando a ação, mediante os complexos menus. A única adição na jogabilidade e nos recursos de jogo em relação ao Madden é que existe a opção de deixar um quarterback (espécie de capitão ou líbero) correndo em paralelo à linha de frente na esperança de puxar a marcação para abrir os flancos da equipe adversária. Mas não pense que vai ser simples encaixar essas jogadas de começo, mesmo se já for experimentado no título, pois o próprio time é menos eficiente no começo e os passes têm mais chance de saírem errados.

Nos simuladores da EA Sports, corridas-solo rumo ao touchdown são conhecidas por gerarem quase sempre bons resultados, ao contrário do habitual no mundo real. Comparativamente, seria como se dar a bola para o Allejo no campo de defesa e esperar que ele drible todos os homens do oponente e entre com bola e tudo no gol fosse a solução ideal num jogo do nosso futebol da velha Konami! A formação em power-I, com muitos na frente e poucos atrás, é a ideal para quem não quer bancar o passador inveterado. Basta um revezamento entre no máximo 3 ou 4 jogadores para chegar à linha final, se a jogada for competente. A inteligência artificial não é desprezível, mas digamos que ela funciona melhor na interceptação de passes do que na hora de quebrar barreiras de jogadores avançando na velocidade e força bruta. Entre os zagueirões, os principais comandos são o tapa e o mergulho. O ideal é ajeitar nos menus uma marcação individual em cima do quarterback adversário. Em termos físicos, quanto menor é a estatura e o peso de um atleta, dessa vez, mais improvável é que ele seja exitoso na tentativa de derrubar grandalhões.

Alguns dos jogadores ainda têm aquele visual genérico meio zumbi, enquanto outros parecem mais contemplados pelo time de desenvolvimento, com mais expressões, gestos e texturas. Os uniformes, principalmente as camisas e os capacetes, estão bastante belos, apresentando modificações no transcorrer da partida como manchas de sujeira após as jogadas no solo e diferentes reflexões da luz solar, dependendo do ângulo ou da hora. As cheerleaders são a beleza corporificada nas margens do campo. Os estádios são réplicas virtuais das sedes reais dos jogos. E a torcida infelizmente fica devendo, mas é melhor um borrão nas arquibancadas do que um jogo com quedas no framerate. O Xbox é o console que se sai melhor na parte técnica. O GameCube vem em segundo lugar. Em último, o PlayStation2.

Como sempre acontece nos jogos do estilo, a narração fica mais completa a cada nova edição. Há dois comentaristas dividindo a cabine com o dono da voz principal e apenas ocasionalmente algumas observações deles parecerão descontextualizadas.

Agradecimentos a Giancarlo Varanini

versão 2 – 2012; 2024.

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