pílulas de reviews rafazardly #3
o que é uma pílula? vários micro-reviews tematicamente relacionados numa só página ou um review de menos de 700 palavras!
obs: nós não seguimos o acordo ortográfico lusitano de 2009!
Por Rafael de Araújo Aguiar
Game Boy Advance

The Pinball of the Dead
F I C H A T É C N I C A
Developer Sega
Publishers THQ (EUA), Sega
Estilo Pinball
Datas de Lançamento 16/06/02 (EUA), 45/07/02 (EUR), ??/03 (JP)
NOTA
7.2
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Quem preferiria estar em Las Vegas; zumbófilos. (X) incógnita
The Pinball of the Dead é a melhor idéia a surgir desde o pão-de-fôrma. Ou pelo menos desde o absurdamente divertido The Typing of the Dead, de 2001 (que você confere abaixo nestas pílulas de reviews temáticos)! Como neste último título, Pinball tem a roupagem do “clássico zumbófilo” The House of the Dead 2 e funciona como uma espécie de auto-paródia do first-person shooter da Sega que apareceu na esteira do sucesso da franquia de survival horror da Capcom, Resident Evil, modificando a visão e a jogabilidade, principalmente. A série The House… em seu formato original fez muito sucesso nos Arcades no fim da década de 90.

Eis que os desenvolvedores tiveram a excelente porém perturbad(or)a idéia de transpor a matança de mortos-vivos para o reino do jogo de pinball, um dos mais viciantes de todos os tempos, seja em mesas de verdade – em casas de apostas e jogos de azar ou bares e centros de lazer – ou no próprio formato de jogo eletrônico. TPotD traz 3 cenários grotesca e macabramente detalhados, “Wondering”, “Movement” e “Cemetery”. Tudo de um pinball normal lá está: as duas palhetas/barbatanas móveis clássicas, plataformas que impulsionam a bolinha como boas molas, rampas, buracos de minhoca e mil e uma “engraçadices”. Mas há um elemento exclusivo deste pinball temático: zumbis! Exatamente as criaturas dementes e horrendas perambulando de um lado para o outro podendo interferir na trajetória da bola, para o bem ou para o mal, rendendo pontos e barulhos divertidos! Para quem pensava que eram necessárias balas para assassinar zumbis, fazer poças de sangue se tornou ridiculamente simples e tentador!

Quanto às peculiaridades de cada mesa, Wondering é um subúrbio infestado dos sonâmbulos mambembes do outro mundo (que não abandonaram este ainda, falta avisá-los!); Movement é um laboratório assombrado; e Cemitério é o toque de ocultismo que fecha com chave de ouro a tríade. Cada ambiente é maior do que qualquer pinball do mundo real, pois possui alas secretas e muitos objetivos para cumprir. Inclusive, há batalhas com chefões, plenamente reconhecíveis para quem jogou THotD2. Os “titios dos games” lembrarão do clássico de Genesis e Turbografx Dragon’s Fury/Devil’s Crush, o único game de “horror pinball”, com exceção deste mesmo, que me vem à mente.

L e R mexem as palhetas inferiores da arena. O direcional e A e B servem para tremer a tela, seja para qual direção for, como último recurso a fim de evitar a queda da bolinha. Quanto à física, um importante aspecto neste tipo de jogo, a velocidade e a inércia da bola atendem às expectativas na maioria dos lances, mas algumas vezes a bola ficará inesperadamente aprisionada ou não parecerá quicar adequadamente. Isso pode ser explicado pelo fato dela não ser tão pesada quanto nos pinballs reais, em que costuma ser confeccionada com metal (não que se os desenvolvedores o quisessem mas fossem incapazes de fazê-lo em sprites, suponho!). Tenha em mente que esse não é um simulador, de qualquer maneira. O que mais irrita é o slowdown que pode ocorrer quando a tela está mais movimentada, quando são desencadeados diversos acontecimentos simultâneos. Um pinball perfeito teria eliminado esse problema…

O manual do jogo nomeia algumas das criaturas encontráveis (e matáveis!) durante a ação, e elas possuem nomes próprios comuns, o que adiciona à comicidade (é um jogo de “terrir”, se pensar bem!): David, Bob, Patrick… A trilha sonora que embala a bolinha e seu ping-pong frenético será apreciada sumamente pelos veteranos de House 2, pois The Pinball possui uma seleção de faixas remixadas (aceleradas). Além disso, há vozes e frases identificáveis pelos que colocaram as mãos nos produtos de tiro da Sega e mesmo cenas em full motion, o que não é tão simples de fazer num portátil. Só não sei se o jogador vai aprovar esses toques nostálgicos quando ouvir o “My God” do game over, se for a milésima vez que isso acontece: de dar nos nervos!
Agradecimentos a Greg Kasavin
versão 2 – 2012; 2023.
Arcade, Dreamcast & PC

The Typing of the Dead
F I C H A T É C N I C A
Developers Smilebit (DC), Sega (ARC, PC)
Publishers Sega, Empire Interactive (PC, EUA)
Estilos Puzzle > Digitação / Shooter > “Edutainment”
DATAS DE LANÇAMENTO
DC
30/03/00 (JP, edições com e sem teclado), 23/01/01 (EUA, sem teclado)
PC
07/12/00 (JP), 08/12/00 (EUR), 23/09/01, 22/09/05 (JP, relançamento)
ARC
01/01 (JP)
NOTA
7.8 (DC)
7.4 (PC)
3.4 (ARC)
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Nerds e gente que precisa aprender a digitar mais rápido! (X) incógnita
Você não leu errado: trata-se de um game de digitação, no melhor estilo Windows recreativo-educativo de ser (bom, tirando a violência gratuita e a estética undead)! Tanto melhor se puder contar até com um enredo! Claro que o pano de fundo é o mesmo de The House of The Dead 2, mas dessa vez seu rail shooter será com palavras e não ações, invertendo o famoso ditado! Estranhíssimo, aliás, não terem pensado em primeira mão na versão para PC, já que o game foi idealizado para utilização com o keyboard vendido separadamente para Dreamcast, de início, ainda mais num período em que a Sega e a Microsoft andavam mais parceiras do que nunca (bom, de toda forma a conversão chegou 9 meses depois, é o que importa, sem contar que é versão exclusiva, para os europeus).

Como no shooter original, o gamer não precisa se preocupar com a locomoção: ela é automática e os zumbis é que vêm até você. O conceito do jogo é: ao invés de atirar, o protagonista, portando um Dreamcast (dentro da tela, veja só na última foto!) nas costas e um teclado de peito em riste prosseguirá com sucesso se as palavras ou frases que aparecerem nos retângulos de fundo negro que acompanham cada oponente forem digitadas a tempo e com correção. Há até um pano de fundo para os acontecimentos relativamente inexplicáveis e desbaratados que temos aqui: um cientista louco quer dominar o mundo através de um exército de zumbis, capitaneado por uma espécie de imperador-zumbi. Só você, um agente especial, pode detê-lo (vai saber por quê…)! E basta – nada mais precisa ser dito; afinal, é provável que o jogador se encontre isolado do mundo devido à intensa concentração exigida para passar de fase, digitando freneticamente como se estivesse brigando com alguém no MSN (aqui a idade do review foi denunciada). Se o procedimento-padrão parece chato, espere até se sentir encurralado por 4 zumbis raivosos, cada um exigindo a digitação duma frase mais maluca que o outro! Esse é o tipo de mecânica de jogo que derruba preconceitos.

Apesar da grande linearidade da ação e do movimento automático do protagonista, conforme o desempenho do gamer (quais zumbis ele mata e quais ele deixa escapar, etc.) será possível acessar atalhos, resgatar inocentes, adquirir power-ups e destravar modos secretos. No fim de cada estágio chefes aguardam para um confronto inusitado, talvez o ponto alto do título: uma estória inteira é contada e você tem de reproduzi-la antes de ser cortado em 2 por uma serra elétrica, ou pode ser que o personagem esteja metido num Show do Milhão ou Soletrando misturado com A Hora do Pesadelo, forçado a escolher uma de 3 respostas para uma pergunta.
São 6 níveis ao todo (sempre baseados na source House of the Dead 2), jogáveis nos modos arcade, original (igual o primeiro, só que permite customizações como começar com mais vidas e continues), confrontos exclusivamente com os chefes, tutorial, drill (para se afiar antes de se arriscar) e até 2-player, para ver quem é o humano mais “maquininha” que tem (quem digita mais rápido e mais se parece com um robô ou secretária dos sonhos da indústria americana dos anos 50!).

O esquadrão de extermínio e seu potente hardware
O que tempera a ação de Typing e a deixa na medida é o senso de humor desabrido. Não haveria charme algum se as frases e palavras do game fossem completamente randômicas ou sem relação com zumbis. Algumas até que se livram da categoria (“yellow zebra”, “internet crime”), mas trata-se das exceções que confirmam a regra (além de serem fraseados absurdos e sem-noção por si mesmos, ainda que off-topic, o que facilita o riso). Outro toque bacana é que ao invés de estarem paramentados para o homicídio nu e cru, muitos dos zumbis portam maracás, marretas e objetos espalhafatosos em geral, para combinar com o equipamento “hi-tech” do próprio jogador! P.S.: Só faça o favor de evitar a versão fliperama, se é que você jamais encontrará uma dessas máquinas na sua vida!
Agradecimentos a Jeff Gerstmann e Andrew Seyoon Park
versão 2 – 2012; 2023.
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