PC, PlayStation & Saturn




Tomb Raider (1996)
Tomb Raiders (Japão)
F I C H A T É C N I C A
Developer
Core Design
Publishers
SAT
Eidos (EUA, EUR), Tec Toy (Brasil), Victor Interactive (JP)
PC
Eidos (EUA, EUR), Sold Out (EUR, relançamento), Square Enix (EUA, Steam)
PS
Eidos (EUA, EUR), Victor Interactive (JP), Sony (EUA, digital), Square Enix (EUR, digital)
Estilos
Action Adventure > 3D, Puzzle, Plataforma
Incluído nas compilações:
Millennium Mega Hits (PC)
Compilação “maluca” com TR1 + Duke Nukem 3D, Heavy Gear, Civilization II e Total Annihilation.
Tomb Raider / Tomb Raider II (PC)
Tomb Raider Collector’s Edition (PS)
Contém a trilogia inicial
Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft (SWI)
Contém a trilogia inicial nas versões PC/PlayStation.
Tomb Raider Starring Lara Croft: The Trilogy (PC)
DATAS DE LANÇAMENTO:
SAT
31/10/96 (EUA/EUR), ??/96 (BR), 24/01/97 (JP), 11/02/98 (JP, Saturn Collection)
PC
14/11/96 (EUA), 22/11/96 (EUR), ??/98 (EUA, Eidos Platinum Collection), ??/98 (EUA, Softkey), 06/04/01 (EUA, Sold Out), 28/11/12 (Steam)
PS
15/11/96 (EUA), 25/11/96 (EUR), 14/02/97 (JP), 19/03/98 (JP, PlayStation the Best), 23/09/98 (EUA, Greatest Hits; EUR, Platinum), 08/09/00 (EUR, Ricochet Collection), 13/12/01 (JP, PSOne Books), 13/08/09 (PSOne Classics), 01/09/10 (PSOne Classics)
NOTAS DA MÍDIA (SEM USO DE AGREGADOR)
8.2 (SAT)
8.0 (PS)
7.9 (PC)
MINHA NOTA (PS)
2.0
Este jogo é pra…
(XX) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Safadinhos tarados por triângulos; arqueólogos (dos games); não sei o que “perdi”, mas milhões de pessoas adoram este jogo… (XXX) incógnita
Algumas relíquias devem ser deixadas enterradas, pelo bem da humanidade…
Lara Croft, a estrela de Tomb Raider, se transformou na porta-voz da Eidos de 1996 em diante. A gata (hoje nem tão gata assim, confira abaixo!) estava na capa de quase todas as revistas especializadas do fim daquele ano, que foi um marco na história dos games 3D. Tamanha fama e tamanho auê eram, afinal, justificáveis?

Cansada de ser uma inglesinha rica, bela e educada, Lara tem um surto e decide que aventuras hiper-perigosas têm mais a ver com sua personalidade do que tomar o chá das 5 na biblioteca privada. Então, nada de sanduíche de pepino sem casca e aulas de piano – não mais! Ao trombar com uma magnata excêntrica, a musa encontra o pretexto ideal: oferece-se para achar uma relíquia perdida em ruínas na América do Sul, aluga uma moto e faz um tour digno de um Che Guevara até chegar ao local. Não só seria uma atividade lucrativa como revigorante para sua alma aristocrata que pedia por vida de verdade. Após recuperar o tesouro, já depois das primeiras fases do jogo, L. Croft descobre que passaram-na para trás: há ainda outros dois objetos em conexão com aquele para serem achados noutras partes do globo, capazes de conceder poder inimaginável ao possuidor da tríade – e dessa vez um time de capangas escusos foi mandado para buscar a cabeça da exploradora, que se tornou uma ajuda dispensável para os maus elementos após encontrar a primeira relíquia!

As sete maravilhas, senão mais, serão deslindadas à frente de seus olhos, incluindo esfinges egípcias, templos gregos, uma Roma subterrânea habitada por leões que devem se alimentar de minhocas desde a época do Coliseu em seu auge e até Atlantis, o continente perdido! Em cada localidade, um bando de animais predadores e outras criaturas inidentificáveis, só para falar dos inimigos “irracionais” no caminho de Lara. Passos em falso levarão o gamer para mais perto das presas e garras de lobos, ratos gigantes, gorilas, aves silvestres e “monstros de lava”. Para escapar, serão essenciais as habilidades do inventário, tais quais rolamentos, pulos, sidesteps e, claro, manuseio de armas possantes. Não é, em definitivo, hora de ingressar numa ONG de proteção aos direitos dos animais… Por mais em perigo de extinção que estejam, a única alternativa viável é ser igualmente feroz com essas bestas. E ainda nem citamos os chefes, entre eles um tiranossauro que tem qualidades de sobra para tratar a abençoada Lara Croft – capaz de saltos lunares aqui na Terra – como uma inofensiva e encardida boneca de pano.

Quanto às armas de fogo, um simples toque na barra de espaço (no caso da versão PC) permite que Lara saque seus dois revólveres de uma vez. Se não me falha a memória, o mesmo requer L1+R1 no seu PlayStation. A munição é ilimitada, mas não espere milagres dessas pistolinhas com pólvora infinita… Para um maior estrago, recomendam-se a magnum, a shotgun ou a uzi, coletáveis ao longo da narrativa. Em compensação, a munição desses segundos artefatos é escassa.

O jogador contemporâneo será assaltado por uma grande dúvida: o que é pior no game, o sistema de combate, o jogo de câmeras ou a física dos pulos?
Algumas críticas quanto ao level design: os níveis podiam ser um pouco mais curtos, mesmo para os parâmetros mesquinhos de 1996, devido à falta de variedade, seja nos desafios, seja na paleta de cores. Aqui vão também algumas perguntas que suscitam alguma desconfiança quanto à ilogicidade do world-building: por que há um T-Rex numa caverna no Peru?! Como ele sobreviveu esse tempo todo sem acesso a comida, já que a caverna não tem outras formas de vida e está completamente vedada do resto do mundo? Esqueça o rei dos dinossauros: como qualquer outra besta selvagem sobreviveu nos ambientes do jogo sem humanos que fossem seus domadores ou cuidadores?! Como as plantas fazem fotossíntese sem luz? Como as pessoas eram capazes de se orientar nesses labirintos sem qualquer nexo durante sua construção? E por que não há cadáveres? Lara foi a primeira a visitar cada uma dessas alcovas super-secretas? Por fim, para tampar esse caixão: talvez tenha sido conscienciosamente que os desenvolvedores deixaram mapas de fora, para dar a aura de exploração que queriam embutir à heroína que criaram. Incentivar, quiçá, que o gamer desenhasse seu próprio mapa e exercitasse a memória nos quebra-cabeças e enigmas propostos… Mas sabemos que isso é intolerável hoje em dia, sobretudo por conta do layout exagerado de cada “mundo”. E jogar sem tempo, espaçando as sessões em dias, é pedir para ter de reaprender todo o labirinto mais uma vez em andanças inúteis, pois cada nível foi feito para ser debulhado de uma só vez… Não ajuda o fato de este ser um dos jogos com mais insta-kills que já grassaram a indústria!
Matar não é a única diversão da heroína. Aliás, pelo contrário, talvez não represente metade: o foco está na resolução de puzzles e na investigação dos sítios insólitos e arrepiantes. Não à toa Lara foi chamada por muito tempo de o Indiana Jones feminino. pode nadar para ingressar em cavernas convolutas e câmaras secretas, ao contrário de muitos personagens dos games, que apresentam hidrofobia! Os mundos são imensos para um jogo de 96, como já deixei claro, maiores que os de Super Mario 64, a referência à época (embora Mario tivesse 15 mundos, além de outras zonas, enquanto Tomb Raider possui 12, fora o tutorial). É bem verdade que o número de polígonos empregado é bem menor e que os objetos não são tão bem-feitos quanto no clássico épico da Nintendo, mas não deixa de ser sensacional não haver loading times no PlayStation, exceto o inaugural, o que significa que não há pausas frustrantes na ação!
Fãs de Mortal Kombat, Resident Evil e de temáticas mais adultas e sombrias em geral preferirão esse Adventure às cores vivas e temas fofos da Big N, mesmo com suas severas limitações… Infelizmente, ainda estávamos longe de ver câmeras funcionais em jogos do estilo, portanto prepare-se para se aborrecer um pouco – é um preço inevitável a pagar! A propósito, curioso observar que a versão inaugural, de Saturn, não só sofre de mais loadings e slowdowns como é mais pobre gráfica e acusticamente que a de PSX e de PC (o que pode ser explicado pelo fato de que a Core Design teve 2 semanas para eliminar alguns glitches nestas duas conversões), mas não pára por aí: trágica e incompreensivelmente, é a mais bem-avaliada iteração de acordo com a média dos resenhistas que li! Ok, para ser honesto, apesar do tom mais neutro de boa parte da resenha, em 2023, eu recomendaria o seguinte: vá jogar um Uncharted, a evolução do legado instaurado por TR, sem remorso! Que esse jogo seja considerado um clássico (nota = ou > 8) até por reviewers desta década é um grande mistério para mim, e um mistério que eu não estou disposto a viajar ao Peru para solucionar… Mas, voltando um pouco no parágrafo, já que falei de Tomb Raider nos PCs…

3D? Tem certeza? Me parece mais um bando de sprites com pseudo-sensação de profundidade… A propósito, esse tamanho dos seios faz muito mais sentido que o da capa, que só atrapalharia uma exploradora de ruínas tão versátil…
…O QUE É A VERSÃO “TOMB RAIDER GOLD/UNFINISHED BUSINESS” EXCLUSIVA DE PC?
TRG iniciou a tradição, na franquia, absolutamente em sintonia com o mercado dos computadores, de relançar-se o jogo original com fases extras, as DLCs ou expansões desse período precoce em que sequer levavam tal nome. Aqui são 4 fases adicionais para os (poucos) aficionados, com dificuldade apimentada. Tem doido pra tudo, já que as duas fases finais do primeiro Tomb Raider já são consideradas de dificuldade legendária!
Agradecimentos a Tim Soete, Hugh Sterbakov e Ryan Mac Donald. (2012)
Agradecimentos a nintendonut 888, Unbridled9, LeoLion0818, HisDudeness, karkus, Lord-Spencer, TheRetroPlayer, Kasket_Darkfyre, Manormanmark, PsychoPenguin e Doug_ do GameFAQs;
Mobygames.com;
Defunctgames.com (Tom Lenting);
Jeuxvideo.com (Logan);
Honestgamers.com (staff). (2023)
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – 2012; 2023.
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