! não recomendado para menores !
PlayStation3 & Xbox 360


Red Dead Redemption
F I C H A T É C N I C A
Developer Rockstar San Diego
Publishers Rockstar Games, Take2 Interactive (PS3, EUR/OCE)
Estilo Action Adventure > Open-world > Velho Oeste Americano
DATAS DE LANÇAMENTO:
PS3
18/05/10 (EUA), 21/05/10 (COR/EUR/OCE), 07/10/10 (JP), 09/12/10 (COR, Special Edition)
360
18/05/10 (EUA/CAN), 21/05/10 (COR/EUR/OCE), 07/10/10 (JP), 21/12/10 (EUA/EUR/OCE, Games on Demand), 29/07/11 (EUR, Classics), 24/09/12 (EUA, Platinum Hits), 28/05/13 (COR, Games on Demand), 07/07/16 (Xbox Store)
NOTA
9.0 (PS3 & 360)
Com as seguintes expansões (DLCs):
Red Dead Redemption: Legends & Killers
Red Dead Redemption: Liars and Cheats
Red Dead Redemption: Undead Nightmare
Red Dead Redemption: Myths & Mavericks Bonus Pack
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada (X) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Fãs de Winds of The Wasteland, How The West Was Won, filmes de John Ford em geral e ação caipira nos velhos tempos dos side-scrollings! ( ) incógnita
Ao pegar o trem rumo ao oeste partindo da cidade setentrional de Blackwater (Água Preta), mal podia imaginar o que aguardava na fronteira do distrito de Armadillo (Tatu!). Diálogos com outros passageiros dão as primeiras pistas sobre as condições do local, e uma olhadela pela janela indica que os cenários são tão indomáveis quanto bonitos. Mas não é antes de desembarcar do trem pisando com as botas gastas do protagonista, John Marston, e de dar uma visitinha no bar de portas-duplas que o jogador poderá sentir toda a amplitude, vivacidade, excitação e sordidez do mundo que se abre à exploração! Similaridades com os capítulos mais recentes da franquia Grand Theft Auto são só uma terrível coincidência, haja vista ambos os games serem da Rockstar e merecerem notas elevadíssimas, não é mesmo?! Podemos até dizer que Red Dead é o aperfeiçoamento da mecânica de GTA4! E, melhor ainda para os saudosistas, acrescentaram-se umas pitadas de Sunset Riders na coisa toda… Cuidado para o molho não arder demais! (Obs.: chama a atenção o fato de RDR não ter figurado nos PCs, destino diferente da franquia mais bombástica GTA...)

Marston não passa de um peixe pequeno num aquário cheio de tubarões ao entrar em Armadillo pela primeira vez. Como com qualquer forasteiro na vida real, ninguém na vila ouvira falar da carne nova no pedaço, e nem desconfiam que seja o protagonista de um jogo: preferem cuidar de seus negócios particulares, a não ser que levem algum esbarrão na rua (porque aí têm de demonstrar sua valentia)! Mas o universo explorável não se limita à cidade, prolongando-se até os confins do Velho Oeste desértico. Algumas missões deixarão o gamer mais centrado e orientado no meio de tantas léguas perscrutáveis. Marston é um daqueles badboys com carisma, e não será tão complicado amealhar amigos nesse território de New Austin. Um deles é vital, e dá as caras logo de começo: o dono de um rancho, que oferece moradia ao rapaz (que, além de um lugar para ficar e restaurar a health significa checkpoint para salvar seu progresso, como no famigerado GTA), além de uma bela montaria (que se mostrará feia conforme outros cavalos bem mais caros puderem ser obtidos depois!). A storyline é mais ou menos linear, embora algumas missões não precisem ser cumpridas numa ordem específica.

Na cidade, é viável arriscar a sorte nos dados e nas cartas, ou quem sabe bancar o caçador de recompensas, sair rasgando os retratos de “Procurado” pelos postes e paredes da cidade e descolar muita grana e reputação… Já no meio do nada, oportunidades para tiroteios impunes e encontros bizarros abundarão. Alguns pedirão seu auxílio para recuperarem carroças roubadas, necessitarão de ervas para serem curados ou demandarão um resgate digno do corpo de bombeiros (que, obviamente, ainda não existe, numa terra quase sem-lei): que sejam trazidos da copa de uma árvore alta de volta ao solo! Cada encontro torna John M. um pouquinho mais célebre…

E a fama é um dos aspectos centrais de RDR, porque ela inevitavelmente acabará crescendo, além do bem e do mal (já que nem sempre anda de mãos dadas com outra coisa chamada honra). As pessoas passarão a reagir quando seu personagem cruza com elas na rua. Desde cidadãos amedrontados até sujeitos que batem palma inopinadamente à sua passagem… Você pode mesmo figurar nos cartazes de MOST WANTED, e se tornar tão temido após matar os justiceiros que vierem atrás de sua cabeça que vai ser raro alguém pouco habilidoso se arriscar a desafiá-lo… Duelos podem ser promovidos mesmo se Marston bancar o bom moço, através da jogabilidade em câmera lenta especialmente desenvolvida para esses momentos tensos, chamada “dead eye” (olho morto). Tudo para desvalorizar a velocidade: o essencial num duelo é a precisão (pelo menos esse é o foco aqui)! A cabeça é um alvo óbvio, mas ocasionalmente pode-se sentir a necessidade de deixar o oponente vivo. Com a prática, chegará a hora em que John resolverá os duelos atirando na mão do outro atirador antes que ele possa usar sua arma, provocando um desfecho pacífico e aumentando sua boa fama. A mecânica do dead eye pode ser utilizada até durante a ação regular, mas há uma limitação para seu uso. Com exceção do rifle, será de praxe travar a mira em qualquer inimigo mesmo a grandes distâncias. Depois de travar a mira em uma pessoa, é possível ajustá-la para um membro do corpo qualquer, para experimentar arm ou headshots. Mas às vezes é bom deixar a brutalidade um pouco de lado, usar a técnica de enlaçar e trazer os procurados do xerife vivos para receber as mais altas recompensas. Que tal atirar na perna de um malfeitor, amarrá-lo na traseira do seu cavalo e trancafiá-lo na cela (depois de uma viagem mal-humorada do dito-cujo sobre a sela)? Algumas existências prefeririam a morte do que acabar humilhadas assim!

Cordas também devem ser utilizadas para “pescar” cavalos selvagens, a mais inteligente maneira de locomoção. Ao montar um cavalo pela primeira vez, um minigame começa: deve-se manter o equilíbrio por alguns segundos, numa espécie de rodeio em que o quadrúpede não tem chifres nem ninguém quer ver sangue ou balançar flanelas vermelhas no ar… A princípio, o jogador escolherá cavalos pela sua cor, mas pouco a pouco vai-se percebendo a diferença que um puro-sangue pode fazer nos trotes! Claro que ainda há como se locomover via charrete. Mas de qualquer forma os controles para esse tipo de ação são incrivelmente fáceis. Acertar a velocidade desejada é mamão-com-açúcar (principalmente açúcar, que os cavalos adoram), e desde andar até dar meio galope ou galopar à toda, qualquer dosagem está garantida. É inclusive rotineiro que se esteja seguindo ou acompanhando alguém e que seja necessário andar eqüidistante do ou perfilado com o elemento, mantendo o mesmo ritmo, no que o jogador não terá problema algum.

Ao manter-se muito tempo com a mesma garupa, o cavalo recompensa sua lealdade com maior duração da barra de energia, o que vai influir na duração das sprints na velocidade máxima. Mas não se apegue demais a esses bichos, porque eles podem vez ou outra agir de modo imprevisível, deixar-lhe na mão ou mesmo sucumbir aos perigos naturais ou humanos. Um cavalo tem vida própria e não é estranho que ele se locomova um pouco quando você o desmonta e depois vai buscá-lo novamente, mas se o fizer perto de um rio caudaloso ele poderá perder a vida cretinamente – nem cavalos nem John (perito em tantas coisas, quem diria) podem nadar, pelo menos antes das DLCs e remasters… Ó, além de Sunset Riders, parece que esse jogo também passa a lembrar Pitfall, a partir de agora!

Cidade de Sobral, no Ceará, na época do Cangaço!
A fauna em RDR não é mero adorno: corvos, gaviões, águias e aves de rapina tão rápidas que aparecem apenas como vultos na tela interagirão com o jogador; tatus (não me diga!), texugos, cervos e gambás tentarão apenas fugir do contato humano; onças, coiotes, lobos e cobras serão menos amistosos e podem causar problemas sérios se o virem antes de serem vistos. Parece que os profissionais da Rockstar assistiram muito Discovery Channel antes de retratar esses animais poligonalmente… Eles podem ser alvejados, estripados (o sangue respinga na tela, inclusive!) — suas peles, carne e outras partes valiosas podem se tornar matéria-prima de utensílios (com um lojista como intermediador) ou simplesmente ir parar no seu estômago… Castores, porcos-do-mato, linces, ursos, búfalos, carneiros… A lista dos animais nesta análise não poderia ser mais do que insuficiente para descrever as belezas in-game!

Há pequenos desafios que funcionam como “incentivos colaterais” para as main missions: atirar nos pássaros e nos chapéus dos transeuntes da janela do trem em movimento, derrubar ursos-cinzentos com um tiro só ou dar conta de uma matilha de lobos usando apenas uma faca! Para mudar de ares, uma caça ao tesouro não vai nada mal, com direito a mapas malfeitos com “X” traiçoeiros… Concluir várias dessas mini-missões habilita mesmo algumas das roupas que John Marston poderá usar na aventura.

Falando no protagonista, ele é um cara cheio de cicatrizes na cara que deve estar na casa dos 30 e tem realmente aparência de pistoleiro. Tem um jeito de ocultar maioria de suas façanhas, que é encobrindo a face com uma bandana, para não afetar os atributos honra ou fama. As cicatrizes permanecerão na face enquanto o personagem resolver andar por aí com ela despida; por outro lado, a indumentária será responsável por grande parte das impressões que são reservadas aos NPCs. Há mais de uma dúzia de vestimentas que o jogador deve descobrir por conta própria! A jaqueta encardida e o poncho, assim que acessíveis, deixam seu personagem com ainda mais pinta de mau. O uniforme militar ou de gangue torna John mais aceitável para determinadas facções. Uma roupa bem rara proporciona trambiques nos jogos de azar sem que se seja descoberto ou punido, enquanto que uma muda bem especial, obtenível somente inscrevendo-se no Rockstar Social Club, dá acesso a uma modalidade especial de pôquer.

É uma possibilidade real finalizar RDR sem incursar no lado errado da lei, como se costuma dizer (com uma única exceção prevista em um ponto crítico do enredo). Mas é tão divertido ser malvisto quanto ser heróico! Assim como em Grand Theft Auto, burlar a incipiente lei alerta as tropas locais, e até despistá-las elas o perseguirão sem remorso. Mas não há a possibilidade de que uma amnésia súbita acometa todas as autoridades, mesmo que se escape com sucesso. Na verdade, tecnicamente seria impossível! A forma conhecida de cancelar seus débitos com a justiça (sem, é claro, ser trancafiado num cubículo por um bom número de meses ou anos) é indo a um operador telegráfico e entregando-lhe uma alta fiança ou uma carta de remissão (que não é simples de ser ganha!). Fica parecendo de fato que cada atitude no jogo da REDenção apresenta conseqüências duradouras e imprevisíveis…

O single player dura de 20 a 40 horas. Se o jogador quiser detoná-lo mais rapidamente, pode-se contratar “treineiros” para cada missão e adotar opções de “quick travel” (teletransporte) entre pontos-chave do gigantesco mapa de jogo. Mas é tão divertido explorar cada porção de terra que isso não seria recomendável. Como nem tudo é perfeito, há um desses treinadores tão ruim em matemática que vai abastecê-lo com 100 dólares (no game, quantia nada insignificante, o bastante para comprar uma propriedade!), ao invés de arrancar-lhe dinheiro! Em tese, é um bug que não foi eliminado do game, mas muitos preferirão assim… Outra falha encontrada é que num dos infindáveis diálogos existentes, dentro de uma missão, só as linhas de Marston podem ser lidas e ouvidas. Isso ocorre depois dum acidente com uma carroça caindo aos pedaços que capota, com seu personagem literalmente voando, projetado para fora, enquanto aparecem duas cópias do mesmo NPC, um machucado e outro inteirinho, no que parece ter sido não-deliberado pelos produtores – ou já estaríamos ingressando em terreno espírita! Algumas ocorrências bem raras registram personagens que atravessam os pontos de carona ou detritos. Por último, o volume da trilha às vezes aumenta ou gera tensão fora de contexto. São erros bobos que resolvemos elencar por idoneidade, mas que não são suficientes para estragar a experiência de um jogo eletrônico supino para seu período.

Há ainda o multiplayer bastante completo, que apresenta os sub-modos competitivo e cooperativo. Mas, não importa qual seja o escolhido, a sessão começa num dispositivo chamado Free Roam (Errância Livre), que lembra um pouco as letras de Wherever I May Roam do MetallicA. Você e outros 15 jogadores vagam irrestritamente para fazer o que der na telha no mapa completo de jogo. Pode abrir fogo contra os outros, fazer arruaças com os habitantes, integrar bandos para completar missões sigilosas ou mesmo se tornar o fora-da-lei nº 1 da sessão e ir matando um por um dos que vierem atrás de sua cabeça de ouro. O modelo montado para o Free Roam ganha pontos de experiência e é incrementado a cada novo jogo, com novas aparências, armas e mais e mais dinheiro. No começo será um pouquinho frustrante encarar veteranos, começando do level 1, no lombo de um burro e de posse somente de uma pistola básica, mas não demora tanto assim para se ver cercado de benesses e muito mais durão do que antes (creio então que o aborrecimento ficará para os demais jogadores). Além do mais, poucas balas são capazes de matar qualquer um, por melhor que seja a própria ficha.

Depois de pouco tempo no Free Roam, se não quiser continuar, o jogador pode carregar os modos competitivo ou cooperativo, como já listado. No primeiro, o personagem do Free Roam não pode ser carregado, todos estão numa arena mais restrita e mais ou menos equilibrados entre si. Há várias customizações para o tipo de disputa: free-for-all, shootout em times ou 3 versões de capture the bag, uma clara alusão a capture de flag. Um toque interessante é que, quanto melhor o competidor vai no capture, mais pesada sua bolsa (lotada de ouro!) se torna, deixando-o um alvo cada vez mais patético para os rivais!

Provavelmente você não viu até agora 10 filmes de Velho Oeste que fossem clássicos ou que realmente prestassem ou valessem a perda de seu tempo. Mas seus tormentos findaram, porque RDR apresenta o tempo correspondente a uma dezena ou mais desses longas-metragens em formato de diversão pura, e estamos falando só do single player mode! Considerado ainda experiência indispensável, nem que na forma de sua continuação RDR2 ou como aquisição da virtual store de consoles modernos.
CURIOSIDADE: RED DEAD RE…QUÊ?!
RDR é apenas a expansão de uma antiga franquia (na verdade um único título) chamada Red Dead. Teria esse old school redenção nos dias atuais? Red Dead Revolver é um Third-Person Arcade Shooter (diferente do mundo aberto de Grand Theft Auto desde o PSX, mas tridimensional a partir do PS2) de PS2 e Xbox, com release virtual também para PS4. Em vez de ser considerado um game de excelência (nota 9), como este aqui, é como que um “7.5”, feijão-com-arroz para amantes do gênero. Bom, sempre se começa de algum lugar!
Agradecimentos a Justin Calvert
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – 2012; 2023.
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