Nintendo 64, Dreamcast
+ PC, PS4, SWI & XONE.





Star Wars Episode I: Racer
Star Wars: Episódio 1: Racer (Brasil, PC)
F I C H A T É C N I C A
Developer LucasArts
Publishers LucasArts, Limited Run Games (N64, SWI, cópia física), Aspyr (PS4/SWI/XONE, digital, Ocidente, e Japão e Oceania para XONE), THQ Nordic (SWI, digital, JP) Brasoft (PC, Brasil), LucasFilm (versão Steam)
Estilos Corrida > Arcade / Simulador > Futurista
DATAS DE LANÇAMENTO:
PC
18/05/99 (EUA), 2000 (Brasil), 2001 (EUA, LucasArts Archive Series), 2002 (EUA, Jewel Case), 16/11/18 (Steam)
N64
18/05/99 (EUA), 04/06/99 (EUR), 21/07/99 (JP), 11/22 (EUA, relançamento, edição limitada)
DC
04/04/00 (EUA), 04/08/00 (EUR)
PS4
23/06/20 (EUA, EUR, OCE, PSStore), ??/20 (EUA, Limited Run, bluray, Classic & Premium), 22/12/21 (JP, Ásia, PSStore)
SWI
23/06/20 (EUA, EUR, incluindo Limited, Premium & Classic Edition, da LRG), 23/12/21 (JP, somente digital)
XONE
27/10/20 (mundial, XbStore)
NOTAS DA IMPRENSA + CONSUMIDORES
8.2 (N64)
7.4 (DC)
7.6 (PC)
7.2 (PS4)
7.4 (SWI)
7.4 (XONE)
MINHA NOTA (N64)
mecânica de jogo: 8 (x6)
música: 10 (x3)
gráficos: 10
média final:
8.8
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? O starwarsmaníaco; o dono de reflexos muito apurados. ( ) incógnita
Star Wars: Episódio I: A Ameaça Fantasma, ou simplesmente o retorno (nem tão) triunfal de Guerra nas Estrelas ao cinema, depois de 16 anos, é um marco dos efeitos especiais. Um mega-sucesso de bilheteria, ao menos. Algo que sem dúvida faz os fãs mais jovens (hoje nem tanto!) lembrarem do ano de 1999 com um carinho especial. Não que sem os 3 episódios precursores (em termos de enredo), que desembocariam em Uma Nova Esperança (dos anos 70, que é formalmente, apesar do longa mais antigo, o Episódio IV), a saga da Lucasfilm deixasse de fazer sentido ou perdesse seu enorme apelo (não, todos sabemos que as lendas em torno da família Skywalker e demais personagens não arrefeceram, mas antes aumentaram com o passar dos anos). Ademais, agora esta trilogia anos 90/2000 não passa de mais uma, tendo havido mais de 10 filmes na franquia…
OBS: As imagens são da versão N64.

Pois bem: este episódio I não tem o roteiro mais poderoso ou revelador da série, só que um trecho dentro da narrativa, aparentemente secundário, muito se sobressai. É a corrida anual de pod racers, em que o garoto prodígio Anakin, em um tratado arriscado de Qui-Gon Jin com um comerciante tratante (com o perdão do trocadilho), se sagra o campeão e compra a liberdade de si e de sua mãe, pré-requisito essencial para que se tornasse um Jedi tardio, fato que desequilibraria e re-equilibraria a Força ao mesmo tempo, na guerra maior que estaria por vir…

Cair em precipícios é absolutamente normal, dê tempo ao tempo!
Os cerca de 10 minutos da telona foram 100% da inspiração para um novo mundo que se abriu aos desenvolvedores deste projeto: a mecânica de jogo seria aprofundada com esmero para dotar cada pedaço dessa (outra) saga (de pura velocidade) de autonomia e personalidade, mas nada haveria sem o pontapé inicial representado pela corrida nas dunas de Tatooine do longa-metragem de 99. Só o carisma que os nomes de planetas e corredores conhecidos trazem já faz de SWE1:R um game diferente dos concorrentes do console (mormente os de veículos futuristas, como F-Zero X e Extreme-G, em relação aos quais escalou-se muitos patamares, pelo menos no aspecto técnico).

Essa é a sua garagem – é possível contemplar o atual pod racer de todos os ângulos e zooms.
Explicando as regras dessa corrida intergalática, trata-se de um esporte, é verdade, mas que pode perfeitamente culminar na morte dos competidores, sem que isso acarrete em penalizações para os eventuais culpados que se saiam vivos ou na obrigatoriedade de ser-se ético para continuar participando! Explosões são uma conseqüência razoavelmente bem-aceita, e de qualquer forma cada um é livre para calcular os riscos da empreitada. Pelo menos, sendo um videogame, você está em total segurança.

Quebrar recordes ao mesmo tempo que participa de um concurso de beleza é uma façanha exclusiva do universo Guerra nas Estrelas!
Um pod (não confundir com aquela banda de rock cristão) é uma nave com um pequeno cockpit, suficiente para o piloto (na verdade há muitas diferenças de design e tamanhos, e a melhor nave de início, a de Anakin S., tem um cockpit muito grande), conectado a duas ou mais turbinas, geralmente pesadíssimas, por feixes eletromagnéticos (maravilhas da tecnologia!). A cabine ou cockpit do piloto está sempre centralizado(a) em relação às turbinas, que também estão mais à frente, na parte dianteira do veículo.¹ Nos campeonatos ou ligas são 12 competidores (em cada etapa, mas há mais selecionáveis, ao todo), contando com o gamer, e o espaço ocupado por uma pod pode (hm) ser quase a espessura da própria pista (mas essa espessura varia bastante, a depender do trecho), o que significa que as ultrapassagens são bem brigadas.
¹ Às vezes torna-se curioso indagar como alguns pilotos dirigem tão bem, quando está claro que as dianteiras de suas naves se encarregam de tapar por completo sua visão! Mas esse é só um detalhe sórdido que não vem ao caso nem estraga a brincadeira!

Se seu pod está se avariando muito rápido, talvez seja o momento de visitar o amargo Watto (ilustração da caixa, no topo) e aumentar o repair e o cooling, além de comprar mais droids-mecânicnos…
A sensação de velocidade é intensa. Quando se descreveu os pod racers, deixou-se intencionalmente de fora uma informação embasbacante: eles podem ultrapassar os mil kilômetros por hora! E a impressão é mesmo de estar atravessando as porções de terra ou do que quer que seja próximo da barreira do som, porque muitos detalhes passam pela tela antes mesmo que possam ser distinguidos. Não serão raros os trechos em que habilidade lapidada + sorte serão o único combo capaz de salvar o jogador. Desde detritos no meio da pista até muralhas intransponíveis, nunca se sabe qual será a nêmese da vez, a não ser que se repita muitas vezes a etapa. Mas, mesmo assim, saber o que se encontra adiante não é garantia de conseguir superar o obstáculo ou executar o comando exigido direito, até porque não há memória visual que dê conta de 10 minutos ininterruptos de ação, a duração de algumas das pistas mais elaboradas, isso se você estiver no limite da performance! Outro detalhe inusitado é que as naves não podem controlar sua posição na vertical, pois elas não “voam” livremente. Mas, antes, flutuam a poucas dezenas de centímetros do solo, exceto quando têm de pular grandes precipícios ou retornar ao nível normal da pista depois de rampas muito íngremes (o que aliás pode danificar o motor). Não à toa, o freio aqui é chamado de air brake.

Fique de olho nos atalhos das pistas, que não são poucos!
No filme, corria-se em Tatooine, planeta desértico. No game, a primeira fase é uma espécie de aperitivo do que se via no longa, porque o trajeto é bem mais curto e simplificado, mas já é um bom aquecimento para as turbinas. A diferença é que nos cinemas a sandice dos pod races terminava por aí. No game, as ligas (que possuem 4 ou 7 etapas) circundam a galáxia, pulando de planeta em planeta. Cada torneio tem seu nível de dificuldade específico e geralmente uma corrida em cada atmosfera (e elas vão se complicando tanto quanto a capacidade dos pilotos de passarem o jogador para trás). Perto da conclusão do título, será possível encarar a cópia fiel da sinuosa pista do filme, que dá um trabalho e tanto. Entretanto, dessa vez o vencedor não precisa ser Anakin para o final ser considerado feliz!

São três arquivos de jogo – não é necessário um memory card.
A alavanca de controle regula a nave. Mas não apenas para ir da esquerda à direita, como é natural que deveria, mas para desacelerar e jogar o peso para dentro ou para fora (tendo como referência o sentido em que a curva está sendo feita), ou para dar uma “pisada a mais” no acelerador (lembrando que aqui esses mecanismos “rústicos” como nossos pedais de carros não existem, porém é boa a analogia), nas retas, em que o turbo pode ser acionado. O Nintendo 64 foi o primeiro periférico a permitir tamanha precisão e complexidade em apenas um elemento de seu joystick. O analógico 360° é incrível nesse aspecto, desde que esteja bem-conservado (e, como sabemos, os controles do N64 se desgastam com extrema facilidade, o que frustra muitos gamers em SWE1:R, porque a dificuldade não é pequena).

Com tudo isso, o jogador não está isento de ter de segurar A a fim de manter a aceleração, mas, como dito, a alavanca de controle também influencia na velocidade obtida. Algumas curvas exigem que A seja solto, outras que ele apenas seja pressionado mais de leve, mas as piores precisam do derrapamento (Z + alavanca nas direções e nos instantes corretos, para não perder o controle) ou até do freio (B), que quase pára o veículo. A sorte (?) do jogador é que atributos como top speed, acceleration, turning e brake podem ser melhorados e, perto das últimas fases, o personagem escolhido poderá estar perfeito em vários desses fundamentos, o que faz com que ele volte a velocidades muito agudas poucos segundos depois desses trechos mais difíceis e lentos em que quase se zera o velocímetro. Ou é assim ou os que vêm logo atrás não vão perdoar os seus vacilos…

Espelho retrovisor (se é que uma nave dessas possui um adereço tão arcaico)
Outra função importante é desempenhada pelo R, que deve ser segurado até que a palavra repair e um ruído característico sinalizem ao gamer que está tudo ok. O pod, trambolho desajeitado que é, não poderia sair incólume ao enfrentar tantos obstáculos, e há droids especializados trabalhando em sua manutenção simultaneamente aos esforços do piloto na cabine central. Quando os motores (veja o ícone no canto esquerdo inferior) sofrem repetidos danos, sua integridade vai mudando da cor verde para amarela, laranja e finalmente vermelha (quando as turbinas estão a ponto de explodir). Obviamente, o desempenho da nave já não será o mesmo na terceira volta, a menos que o jogador esteja se demonstrando impecável. Quando ocorre a explosão, o pod volta a ter as turbinas em bom estado, mas recorrentes explosões fazem com que as turbinas fiquem mais frágeis e cheguem à deterioração com menos batidinhas (o que se torna particularmente irritante, e o jogador precisa investir em peças que deixam o quesito repair melhor). E, na verdade, enquanto o reparo está sendo feito na corrida, com R, o pod fica um pouco mais lento. É como se as corridas, apesar de tão velozes, não deixassem de ser partidas de xadrez, em inúmeros momentos. Mas o tema não está esgotado, e já, já voltaremos a ele!

O peculiar sistema de turbo é até mais difícil de explicar em palavras do que de executar. Uma vez automatizado para o gamer, se torna mais fácil do que para um caminhoneiro veterano trocar de marcha: quando o veículo estiver próximo da top speed, exclusivamente em trechos retilíneos, será necessário dar um “empurrão extra” forçando a alavanca para frente, até que o círculo que se encontra acima do velocímetro passe da cor verde para a amarela. O turbo poderá ser acionado exclusivamente enquanto o círculo estiver amarelo. O gamer precisará ser ágil, soltar o A e voltar a segurá-lo (lembrando que isso – soltar o A – desacelera o veículo e torna o estágio do círculo amarelo mais próximo de seu fim!). Se operou corretamente, o turbo já estará ligado, e não importará mais para qual direção o analógico estará apontando (não é necessário continuar forçando a alavanca, pois a velocidade não será modificada), e continuará a pleno vapor enquanto o A não for solto novamente. Um ruído característico deixará claro para o jogador que o turbo está em uso. Além disso, o círculo do velocímetro ficará azul-escuro durante essa função.

O turbo não tem uma duração fixa, e é tarefa do jogador administrar esse tempo, para que não se atrapalhe e mais se prejudique do que se favoreça com sua utilização. A questão é que muito tempo de turbo superaquece os motores, o que exigiria, posteriormente, um repair ainda mais longevo do que o normal. Com o passar das corridas e a melhora do pod, o superaquecimento poderá ser adiado por vários segundos, o que representa décimos de segundo a menos no tempo de corrida, o que por sua vez pode representar algumas posições no grid. Lembre-se: ainda será possível controlar a nave em curvas, mas só mesmo nas mais abertas será recomendável manter o turbo ligado, pois o menor esbarrão na parede em ultravelocidade significaria explosão instantânea!

Um dos tubos anti-gravitacionais – seria fácil pegar um turbo, não fosse pelos pedregulhos no meio do caminho!
No que se refere aos comandos, só faltou falar dos botões C (no joystick do 64). Algumas passagens das pistas podem ser tão estreitas que será necessário inclinar sua nave lateralmente para passar. Se isso será feito para a esquerda ou para a direita, trata-se apenas de uma convenção desimportante, porém usar os botões amarelos laterais nos momentos adequados poupará qualquer um de explosões frustrantes! Quanto aos dois botões C que sobraram, servem para operar a câmera. C-cima modifica o ângulo de visão: quanto mais próxima da nave ela for, maior será a sensação de velocidade. O estopim se dá na visão em primeira pessoa. Porém, são poucos os gamers que se dariam melhor com ela: uma percepção mais ampla da pista é condição para boas colocações, e mesmo que fique mais insípido colocar o pod racer um pouco longe da tela, será mais prudente. Já o C-baixo tem que ser segurado para acionar o retrovisor pela quantidade de tempo desejada pelo gamer.

Repare nos pingos de chuva
A utilização do Expansion Pak, acessório vendido separadamente, não é cobrada para rodar o jogo, mas o produto exibe um apuro gráfico bem maior, principalmente nas texturas mais distantes, se o cartucho com RAM extra for inserido na abertura frontal da plataforma, evitando também quedas indesejadas no framerate quando a tela lota de veículos. É tendência que, durante a exibição de algumas maravilhas dos planetas Oovo IV e Mon Gazza, os jogadores se choquem contra as paredes, tamanha a distração estética! Há um preço a pagar pela beleza. O defeito chamado pop-up é parte dele, contudo seu registro não é muito freqüente. Trata-se do salto de alguns quadros de animação. Só será algo drástico e letal dentro dos trajetos mais complicados, e ainda assim se o gamer tiver azar e ele vier durante manobras delicadas. Não seria razoável culpar essa pequena deficiência técnica pelo mau desempenho em minutos de prova!

Uma faixa amarela complementando-se à azul mostra quanto a peça pode melhorar o atributo da sua nave.
Uma coisa precisa ser dita sobre o nível de dificuldade e a maneira de finalizar o game no modo principal (tournament): pistas só podem ser superadas e, portanto, as seguintes só poderão ser experimentadas, se pelo menos o quarto lugar for alcançado. Ainda assim, esta não é uma posição que traga, em si, mais vantagens do que poder avançar à próxima fase, e acumular muitos resultados como terceiro e quarto vai ficando cada vez mais oneroso, porque o nível de desafio piora de forma acentuada nas duas últimas ligas, e só o piloto com muito dinheiro em caixa para investir na sua nave poderá acompanhar o ritmo da CPU “apelona”. Acontece que o primeiro e o segundo lugar ganham premiações mais generosas. Na verdade é até possível regular o nível de premiação, e se a desigualdade entre o primeiro e o quarto lugares será menos ou mais representativa. Inclusive pode-se optar por tornar o segundo lugar apenas “o primeiro dos últimos”, como se diz no jargão: somente o líder da corrida ganharia algum dinheiro; em compensação, seria muito mais dinheiro do que o normal ($4400). Só que essa regulagem tem que ser decidida antes da corrida, e não é possível adivinhar seu desempenho. Pode acontecer do gamer preferir desacelerar e finalizar em quinto, para não progredir e continuar tentando um tempo menor na pista, ao invés de finalizar apenas em quarto. Porque se sua nave estiver muito pior que as pods dos rivais, a única forma de retroceder seria através de um novo arquivo de jogo, recomeçando da estaca zero e efetuando escolhas mais inteligentes, porque, se o prêmio já foi distribuído, será impossível ganhar mais dinheiro melhorando sua posição na corrida já finalizada, uma vez que o progresso é imediatamente salvo no cartucho.

As (porções de) músicas são alucinantes e levam o selo Star Wars. Para aqueles que estiverem enfrentando uma última volta das mais suadas e encardidas, o agitamento proposital da faixa será um ingrediente bem-vindo.
Além disso, existe uma outra vantagem em vencer os grandes prêmios: não em todos, mas em boa parte deles, a CPU mais sagaz é invariavelmente um determinado personagem, costumeiramente o anfitrião, que tem mais experiência e manha no trajeto. Se ele for batido, passará a ser selecionável na tela de escolha de pilotos (caso já não fosse antes, importante ressaltar), o que pode representar um ganho significativo nos atributos, mesmo sem investir em peças nas lojas.¹ Outro lado chato é que, depois de investir tanto para melhorar seu piloto, pode muito bem ser que ele se torne descartável de repente. Outro motivo que leva alguns gamers a recomeçarem o jogo tentando uma melhor sorte, mais calejados… Não há um impedimento em relação a qual corredor usar em cada etapa, não necessitando o gamer manter nenhuma fidelidade em especial, mas seria bom se adequar e se especializar na dirigibilidade de alguns pilotos em específico. Repetimos que Anakin Skywalker é a melhor opção no princípio, mas sua nave se torna obsoleta a partir da segunda liga (quando Mars Guo é destravado). Lembre-se que são 25 pistas, uma estrada longa demais para somente uma cabeça e duas turbinas! Revezar e experimentar também fazem parte do coquetel do campeão!
¹ Há duas delas: a de Watto, o alienígena maligno que era o dono de Skywalker no filme; e um ferro-velho com peças usadas, menos confiáveis mas mais baratas – havendo apenas uma exceção no tocante a isso, que é uma peça sobre a qual manterei segredo, para não tirar a graça!

Será preciso muito tempo para reduzir seus tempos nas pistas (no pun intended). Não deixa de ser uma boa troca, para os aficionados…
Adicionalmente, deve-se dizer que, se se passa de uma corrida para outra com muitas explosões, a nave vai se tornando avariada, isto é, cai de desempenho na frenagem, no repair, nas curvas; então incrementá-la sempre que possível vira mais do que uma obrigação. Mesmo passar em primeiro lugar pode ser uma faca de dois gumes, desvantajoso sob muitos aspectos, em certos casos! Conquanto esse fator não deva ser exagerado: a nave não será piorada enquanto o gamer estiver reincidindo nas tentativas de passar de fase e fracassando, mas somente quando obtiver êxito. Afinal, crueldade tem limite!

Sentindo falta de alguma coisa? Quem sabe do instinto de agressividade dos antagonistas do filme? Sebulba talvez supra esse vazio existencial! Ele é o único piloto que tem a habilidade de pulverizar seus adversários com jatos de lança-chamas (2x R), além de ter stats incríveis. Mas ele não fica habilitado ao se vencer a primeira pista em Tatooine, que é café-com-leite: o corredor terá que ralar muito além da liga amadora para merecer o privilégio. Na tela mostrada, se apertar para direita ou esquerda no direcional será possível modificar as condições de premiação para a corrida.
Ainda sobre as visitas diuturnas às shops entre as corridas, algumas das peças velhas apresentam a peculiaridade de poderem “melhorar” após algumas corridas, um contrapeso à característica descrita acima do envelhecimento de componentes. Acontece que os droids que trabalham em sua nave (trabalho de equipe, como na F-1!) podem gastar um bom tempo nos reparos, o que resulta no acabamento do serviço apenas lá na frente. Não se desespere tanto assim caso esteja achando os circuitos muito difíceis mesmo após upgrades recentes na pod. O mesmo vale para qualquer tipo de dano acentuado: a piora ocasionada pelas muitas batidas em corridas finalmente vencidas não é definitiva. Há um porém: para que o pod racer esteja tinindo novamente, é imprescindível que o gamer tenha 4 droids trabalhando em sua garagem. Começa-se com um deles – salvo engano de minha parte – e é necessário comprar outros 3 até o fim do jogo. Mas não espere chegar à última liga: priorize esse tipo de compra, pois ele pode ser mais urgente e benéfico que as peças inanimadas da nave. Quanto mais gente (robô!) trabalhando como mecânico em sua nave, mais rapidez e eficiência nos consertos. Claro que o custo dos tais mecânicos não poderia deixar de ser salgado! Pouco dinheiro para muitas operações que precisam ser realizadas? Talvez…

A lava do planeta quente superaquecerá seus motores, a água ou o gelo farão de suas derrapagens um pesadelo e pedras espalhadas pela pista podem fazer com que o gamer prefira passagens mais compridas em que o risco de explosões é menor do que se cortasse caminho!
MULTIPLAYER MEIA-BOCA
Não há compatibilidade para 4 controladores simultâneos. Um-contra-um é tudo o que o cartucho oferece, para além do 1P mode. Na época do port mais importante, o de DC, além da primeira versão PC, que veio até em simultaneidade à do 64, havia possibilidade de online matches (1 vs. 1), mas boa sorte tentando encontrar servidores e jogadores atuantes hoje em dia… O PC ressuscitou a feature em seu relançamento de há poucos anos, mas como o jogo não fez sucesso o gamer interessado em partidas multijogador intercontinentais poderá se deparar com o mesmo problema!
NOSTALGIA
Minhas recordações sobre essa fita de Nintendo 64 são muito boas, em que pese eu não me considerasse o corredor mais talentoso nem fosse dotado dos olhos e das mãos com maior capacidade de reflexo que eu conhecesse. Lembro que apesar do modo para 2 jogadores ser bem pobre (permitindo no máximo 4 CPUs) e de praticamente o tempo todo eu estar jogando com outros dois amigos, nós 3 nos divertíamos muito progredindo no modo torneio para um ou no esquema do “quem-perder-sai” para corridas um contra o outro. Além disso, sei recitar de cor até hoje, anos depois de ter abandonado as jogatinas com o produto, algumas frases marcantes que os pilotos soltam no meio das corridas, quando estão se engalfinhando pelos primeiros lugares, em seus dialetos esquisitos de outras dimensões! Um humor típico de Star Wars que ajuda a aliviar o peso das outras questões da Força. Um exemplo, com o qual me despeço, é a reclamação mais freqüente de alguns aliens folgados:
“Tonga tonga pistóia!”
CONCLUSÃO
Enquanto que F-Zero X (o melhor racing futurista do Nintendo 64) e Wipeout XL (o melhor racing futurista dessa geração de consoles, no PlayStation) se fundam mais na técnica apurada do controlador, sendo obras mais “lapidadas”, Episódio 1 é mais atmosférico e interage melhor com os percursos, que verdadeiramente podem afetar seu veículo. A LucasArts jamais implementaria uma continuação digna, com outros Star Wars do gênero corrida com títulos mais esquisitos e gameplay palpavelmente inferior… Estranhamente, as próprias franquias F-Zero e Wipeout, de maior êxito comercial, se encontram defuntas no momento em que escrevo.
Uma última questão: por que a nota de RACER decai a cada novo hardware em que é lançado? Não sei, já que o pico de performance pode ser encontrado no Dreamcast (ler abaixo) ou num PC com acelerador 3D (basicamente qualquer PC atual) – talvez o produto tenha apenas obsolescido diante da feroz concorrência?…
NO DREAMCAST: MELHOR DOS MUNDOS
Vindo 1 ano depois das versões Nintendo 64, que coincidiu com o lançamento do filme, a adaptação para Sega Dreamcast veio quando a poeira já tinha baixado. Mas não podemos dizer que isso atrapalhou o hype: o longa era mesmo ruim e um de seus pontos redentores era a sub-plot dos pod racers! Embora tenha recebido resenhas profissionais medíocres, por não trazer nada de substancialmente original imagino, a versão de Dreamcast é a mais polida e pode ser considerada a definitiva ou deluxe destas anteriores. Graficamente, acusticamente e até nos controles (a responsividade da nave ao direcional analógico do controle de DC é muito mais evidente). As texturas estão mais caprichadas, a resolução é mais elevada, há maior contagem de polígonos, objetos são vistos desde mais longas distâncias e há até extensas cutscenes introdutórias de cada pista. A melhor vantagem do console da Sega é, não obstante, a OST enriquecida, com faixas inteiras do compositor John Williams, que haviam sido mutiladas para caber nos cartuchos (e só tocavam “de verdade” na última volta). Algo parecido aconteceu num game de corrida bem mais antigo quando saiu para os Arcades, Virtua Racing. Além disso, hoje uma cópia física para Dreamcast vem a ser a mais acessível, olhando os preços (e os sistemas operacionais Windows correntes podem ter problemas na hora de reconhecer um CD-ROM antigo como este).
CURIOSIDADE 1: ABANDONADO POR FALTA DE MOTOR!
O PlayStationOne receberia uma versão, mas a LucasArts percebeu que o game ou sofreria demais em gráficos e framerate ou simplesmente não poderia rodar na máquina (as duas hipóteses como que se fundem numa só constatação: os 32 bits não tinham como rodar este jogo de corrida frenético e chamá-lo pelo mesmo nome do concorrente da Nintendo)! Dessa vez o cancelamento do jogo foi uma boa notícia!
CURIOSIDADE 2: PODe UMA COISA DESSAS?!
A LucasArts queria chamar o jogo de Pod Racer, mas já existia um game com este título. Trata-se de outro futuristic racing relativamente obscuro, da Ubisoft, de 1997 (PC): POD RACER: Planet of Death. Pelo menos o subtítulo não era Death Star, pois aí a acusação de plágio poderia e deveria ser invertida! Curiosamente, em 2002 a Capcom ressuscitou a franquia com POD 2, que ficou confinada ao Dreamcast.
CURIOSIDADE 3: NARRADOR BANIDO NO BRASIL!
Alguns dos atores do filme emprestaram suas vozes para os personagens, incluindo Greg Proops (Fode, o locutor)¹ e Jake Lloyd (Anakin Skywalker). O melhor de todos, na minha opinião, todavia, é o Sebulba falando em inglês no shop!
¹ Poxa, cara, crianças lêem meu blog, não me façam escrever palavrões!
CURIOSIDADE 4: MINI-CORRIDA ALTERNATIVA
É verdade que um hardware muito mais fraco que o do PSOne recebeu o jogo, mas aí se trata de uma outra entidade completamente diferente: Star Wars Racer de Game Boy Color merecerá uma resenha dedicada, um dia…
Agradecimentos a DandyQuackShot, DrDoak2001, Foom, Goodbye_Galaxy, Mike_, Pyro Vesten, Fossil, Joe Fielder, SGammon, strat60, tambok0599, uwingpilot;
mobygames;
e Wikipedia.
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – 2011; 2023.
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