sega rally championship (sat & al.)

Saturn

+ Arcade & PC.

Sega Rally Championship

Sega Rally Championship PC

(versão Windows no Japão)

Sega Rally Championship 1995

(Japão, lançamento original no Saturn)

Sega Rally Championship Plus

(primeiro e segundo relançamentos japoneses no SAT com correções mínimas de bugs e glitches, aproximando o port ainda mais do original de Arcade)

Sega Rally Championship NetLink Edition

(EUA, segundo relançamento experimental no SAT, para ser jogado em conjunto com um modem vendido separadamente para partidas online, na mesma época que o Sega Dreamcast lançou o mesmo serviço, compatível com Sega Rally Championship 2)

F I C H A   T É C N I C A

Developers Sega AM3 (ARC), Sega (SAT, PC)

Publishers Sega, Samsung (COR), Tec Toy, Expert Software (PC, EUA, relançamento)

Estilo Corrida > Arcade com influências de simulador

DATAS DE LANÇAMENTO:

ARC

02/95 (JP), ??/95 (EUA)

SAT

28/12/95 (EUA) 29/12/95 (Brasil, COR, JP), 26/01/96 (EUR), 20/09/96 (EUA, com nova embalagem; JP, relançamento como SRC Plus), 20/06/97 (JP, série Saturn Collection dos jogos mais vendidos), ??/98 (EUA, SRC NetLink Edition)(*)

PC

31/01/97 (EUA, JP), 02/04/97 (Brasil), ??/97 (EUA, relançamento pela Sega PC Collection)

(*) Jogo incluído na compilação Net Link Game Pack (CD de Saturn).

NOTAS

8.40 (SAT)

8.35 (ARC)

7.65 (PC)

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Quem gosta de correr contra si no time attack ou com um amigo no versus, mesmo que não haja muitas pistas nem carros à disposição.  (X) incógnita

O Virtua Fighter sobre rodas

ASega é especialista em jogos de corrida que não primem pela estrita simulação (Gran Turismo no PlayStation sendo o melhor exemplo desta última verve). A companhia sabe mesclar como ninguém esportes com entretenimento em escala virtual. Da reputação da empresa, ninguém duvidava. Do material à disposição para sediar o espetáculo, sim. Como um dos três grandes títulos de 1995, o segundo ano da vida do Saturno, o primeiro na América, podemos dizer que Sega Rally Championship (SRC) era um nome de peso, e graças a ele, na verdade, os últimos dias do ano foram quentes para o público seguista que não dispensava um racer.

Poucos meses antes a decepção fôra imensurável, ao constararem quão mal se desdobrava o hardware 32-bit do Sega Saturn tentando emular o mesmo Daytona USA sucesso dos Arcades. Seria culpa do time desenvolvedor, ou o novo videogame da Sega seria mesmo pouco capaz de fazer frente ao Sony PlayStation em meteórica ascensão, já devido a suas especificações técnicas discretas? Uma sementinha de dúvida brotou na cabeça dos fãs e da crítica. Enquanto isso, seguia o desenvolvimento da também esperada conversão de Sega Rally Championship das máquinas de rua para o ambiente da sala de estar. A tensão era grande, já que, para piorar, SRC rodava numa placa superior à de Daytona, a Model 2, e era visualmente muito mais impressionante. Não só era belo como divertido: no Japão e EUA chegou a ser a 2ª cabine mais vendida para lojas (e pensar que nunca uma dessas desembarcou – legalmente – no Brasil!). O que seria do sucessor do Mega Drive após um segundo fracasso de monta em tão pouco tempo? Quem viveu para ver (e jogar) sabe que SRC é, contra as expectativas, até hoje o melhor do gênero corrida no aparelho! As coisas melhoram muito no Sega Saturn, reputado por sua engenharia de programação complicada, quando é a first-party que se esmera por finalizar um trabalho, e não uma third-party qualquer!

Comparada aos máximos 25 quadros por segundo de Daytona, Sega Rally “humilha” com a taxa constante de 30fps (para a época não se podia pedir mais). Ou seja: mesmo com bons gráficos, que não decepcionaram, a velocidade não sofreu solavancos. Mesmo nos circuitos mais abertos, a construção progressiva de cenários não chega a ser um problema abusivo, nunca atrapalhando o corredor nas curvas. São quatro percursos com uns dos melhores desenhos do mercado poligonal àquela altura, individualmente completáveis em cerca de 2 minutos e meio cada. Os temas são bem diversificados: deserto, floresta, montanha e margem de um lago. A última é uma pista secreta. Como de praxe no estilo rali de pilotagem, há curvas fáceis, médias e difíceis e um co-piloto que auxilia antecipando o nível de acentuação do desvio no trajeto e emitindo dicas gerais para se alcançar o melhor desempenho (principalmente como fazer derrapagens ou drifts).

As partículas de poeira ainda pareciam milho nessa fase dos jogos 3D!

Em outros jogos de corrida usar um carro com excelentes estatísticas representa, vamos lá, uns 80% das chances de ser o primeiro colocado. O mesmo não se pode dizer do sistema de SRC, por mais arcade e descontraído que seja, em que aprender a mestrar o veículo e se familiarizar com o trajeto representam grande parte da “dieta” do campeão. E para isso não adianta só decorar a seqüência do sentido das curvas, mas saber a estratégia a usar com cada uma delas, levando-se em conta, também, que SRC foi o primeiro jogo de corrida poligonal a apresentar elevações de terreno que interferiam efetivamente na jogabilidade e na sensação de “estar com o carro sob controle”. Isso faz de Sega Rally o mais “simulador” dentre os arcade-style racing games, mas a distância para um simulador standard, chato e exigente demais, ainda é considerável.

Os modos são o Arcade propriamente dito (com Championship e Practice como sub-gêneros), Time Attack, 2-Player Battle e Car Settings. A liga é disputada com outros 15 corredores. Como um rali é dividido entre várias etapas em que os tempos são somados, formando um só tempo total, como se fosse a disputa de apenas uma grande corrida, não há soma de pontuações, como nos certames de grandes prêmios. Regularidade é tudo, e um só desempenho catastrófico poderá comprometer todo o campeonato. Lake Side, a track mais complicadinha, é disponibilizada depois do gamer conseguir o melhor tempo entre todos os carros controlados pela CPU na somatória das 3 etapas regulares. É claro que o maior defeito do título, e aquilo que tanto o envelheceu, é o número ridículo de percursos selecionáveis. O Practice é contra um só oponente e são dadas duas ou três voltas num circuito pré-definido pelo próprio jogador, ao menos.

O Time Attack se parece muito com o treino, retirando-se a CPU por inteiro: só você contra o relógio. A opção de ghost existe, o que permite uma competição contra si mesmo mais “literal”, visualizando seu próprio desempenho anterior na tela, em forma de um carro translúcido. Jogando dessa forma é possível assistir e diagnosticar “em terceira pessoa” as próprias deficiências e os trechos que mais precisam ser retrabalhados ao volante. O 2-Player não exige comentários profundos: é a essência da diversão potencialmente ilimitada (embora fosse difícil replicar a experiência do 4-player dos Arcades). O desempenho gráfico sofre uma queda natural quando a tela se divide em duas, nada que escape às limitações dos anos 90.¹ Car Settings não é para correr, como o nome indica, e sim para customizar o carango. Suspensão traseira e dianteira podem ser reguladas, bem como o tipo de pneus e freios e o ronco do motor. Infelizmente essas edições minuciosas valem tão-somente para os modos Time Attack e 2-Player, mas sem dúvida ajudam a cortar “terra e grama”, isto é, segundos inteiros, no cômputo final! Seria maravilhoso poder customizar seu carro também no campeonato…

¹ A não ser que você e um amigo disponham do cabo vendido separadamente, de 2 Saturns e 2 TVs: aí poderão disputar rachas no mesmo cômodo, cada um com ampla visão, sem queda nos quadros por segundo e na sensação de velocidade e sem o menor impacto gráfico.

No princípio há a módica quantia de 2 carrinhos, um Toyota Celica (que bom que há licenças, outro ponto positivo) e um Lancia Delta. Um Lancia Stratos será logo habilitado pelo gamer bom de roda. Para quem odeia trocar marcha num joystick, o câmbio automático está liberado, como de praxe. Embora haja mais carros para destravar, como dito, nenhum modelo é plenamente superior aos demais, oferecendo vantagens e desvantagens e conservando um certo equilíbrio entre as alternativas na garagem. Dificilmente o jogador abrirá mão da experiência e da rodagem que adquiriu com os automotores antigos para especializar-se em novos modelos se não quiser neles investir a mesma quantidade de tempo, ao menos se espera manter o mesmo nível de desempenho. Quanto mais se mantiver num mesmo veículo, pegando suas manhas, mais o jogador se aproximará da bandeira quadriculada… Sega Rally é um game de persistência, ainda que não seja um simulador, e essa faceta aumenta um pouquinho o replay value, contrabalançando o número quase miserável de pistas…

A trilha sonora consiste em rock e é mais ou menos fiel à encontrada no Arcade, mesclando composições novas com remixes das faixas originais (algo pelo qual a Sega era muito conhecida à época, empregando excelentes sonoplastas). Não sei se para preservar a realidade dos ralis (no aspecto exógeno à gameplay), ou seja, se deliberadamente ou não, mas a Sega trouxe as falas do co-piloto via sistema de rádio, um tanto abafadas, quase indecifráveis. Atmosférico, mas polêmico, se só o que o jogador busca for uma ajuda sem complicação e pseudo-realismo!

Quem for fã de ralis e preferir uma jogabilidade mais séria e verídica deve procurar o ulterior Colin McRae Rally (PS, 1998). Já quem procura apenas diversão sem freio (com perdão do trocadilho) e loucura sobre 4 rodas deverá passar boas horas com Initial D (que ainda tem um story mode, por ser baseado num mangá), este disponível tanto no SAT (Initial D: Koudou Saisoku Densetsu, 1998) quanto no PS (simplesmente “Initial D”, 1999), afora a elogiada rendição no Game Boy Advance, Initial D: Another Stage, 2002.

CURIOSIDADE 1: INTERNET À FRENTE DO TEMPO

O serviço de online gaming, que muitos nem desconfiavam que existiu também para o Sega Saturno, cujo vida útil foi 1994-1998, virou realidade e, mais bizarro ainda, só nos Estados Unidos (quando o Saturn deu seus últimos suspiros, em termos de novos jogos competindo com o PlayStation, em 1997, e só os japoneses continuavam jogando o console!). Obviamente, dado o período extremamente precoce para esse tipo de iniciativa, limitava-se, o serviço, a conexões de 56k, discadas. Exatamente por isso os consumidores nem gostam de lembrar: eles odeiam como os servidores caíam e congelavam, e como a experiência foi um fiasco do ponto de vista da gameplay e do entretenimento, embora tenha sido uma idéia bastante pioneira. O outro jogo compatível na biblioteca do Saturn – isso mesmo, eram só 2! – foi Virtual-On: Cyber Troopers. Só o que a assinatura ofertava, além de multiplayer para estes dois games da “casa”, era um browser para navegar via tela da TV (outra concepção que acabou prevendo o futuro por linhas tortas!). Curiosamente, não houve nenhuma “DLC” para SRC ou VO:CT, pois o conceito de conteúdo extra baixável depois do lançamento da primeira versão do jogo ainda não existia! O que deve ter pegado mal de verdade, fora a (inevitável) má qualidade da internet foi a propaganda enganosa da Sega: ela garantia um framerate igual ao jogo-solo offline para partidas multiplayer (levando em conta que o framerate sempre baixa com split-screen, parecia um motivo decente na cabeça de muitos para arriscar assinar o serviço e comprar a versão especial de SRC!). Sabemos, é óbvio, que o framerate de partidas online eram abismais… Que baixeza, Sega, mentir assim!

CURIOSIDADE 2: HOMÔNIMO PORTÁTIL NO SÉCULO XXI

Em algumas instâncias preferem se referir a Sega Rally Championship, o primeiro mas não único, como Sega Rally Championship (1997), justamente para evitar a ambigüidade com o cartuchinho/disquinho/app de GBA/N-Gage/celulares também chamado SRC (2002/2004/2005 – o Ocidente só conhece o de GBA). Notou algo de estranho?! Pois é, SRC (o de ARC/SAT) nem sequer é de 1997! Surgiu primeiro em 1995 nos fliperamos japoneses, embora em dezembro de 1994 já estivesse praticamente finalizado. 1997 só pode ser referência à primeira data em que se pôde jogar SRC nos computadores… Sega Rally Championship 2, só para constar, se avizinha muito mais da data, pois saiu em 1998.

CURIOSIDADE 3: TAMBÉM NÃO É PRA TANTO!

Em 2009 uma edição da revista Retro Gamer elegeu SRC o melhor racing game de todos os tempos!

Agradecimentos a Ice Pak, XtremeGundamX, TeraPatrick2008, Vyse_skies (GameFAQs), en.wikipedia/ e mobygames.com/

Por Rafael de Araújo Aguiar

versão 2 – criado em 2013, atualizado e ampliado em 2023.

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Uma resposta

  1. […] de 1998, o material encontrável é insatisfatório. Colin McRae é o Pelé dos jogos de Rally. Sega Rally é um Maradona – bom, mas muito longe do primeiro, e contestável em vários aspectos. Onde se […]

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