madden nfl 98 (ps, sat & al.)

PlayStation, Saturn

+ Genesis, PC & Super NES.

Madden NFL 98

F I C H A    T É C N I C A

Developers Stormfront Studios (PC), Tiertex Design Studios (GEN, SNES), EA Tiburon (PS, SAT)

Publishers EA Sports, Black Pearl (SNES)

Estilo Esporte (?!) > Futebol americano

DATAS DE LANÇAMENTO:

PS – 31/07/97 (EUA), 09/97 (EUR), 1998 (EUA, Greatest Hits)

SAT – 26/08/97 (EUA), 09/97 (EUR)

GEN – 01/10/97 (EUA)

PC – 31/10/97 (EUA)

SNES – 11/97 (EUA)

NOTAS

6 (PS)

7 (SAT)

6 (GEN)

8 (PC)

8.1 (SNES)

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (   ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Gente curiosa com o fato de que em 1997 ainda existiam jogos sendo lançados para os 16 bits, embora tudo dependa de ir com a cara do esporte favorito da terra dos obesos ou não…  (X) incógnita

Nas últimas edições a preceder esta, a franquia Madden evoluiu em algumas áreas enquanto regrediu em outras. Os fãs do esporte que se joga com as mãos (desculpe, não consigo chamar isso de “futebol” sem engasgar…) foram agraciados, porém, com uma edição de 98 (tradicionalmente lançada no ano anterior) que rompeu com as inconstâncias e apresentou um produto mais sólido em todos os quesitos avaliáveis. O que há de melhor são o sistema de jogo e a inteligência artificial. A Electronic Arts – companha desleixada, convenhamos – nunca havia gasto tanto tempo para aprimorá-los.

Os dias de correr de olhos fechados rumo ao touchdown chegaram ao fim. Os defensores da CPU reagem de forma sem precedentes a suas investidas. No football gringo o esquema é ter uma defesa sempre bem-armada e saber contra-atacar. Se seus jogadores não tiverem atributos físicos muito inferiores aos dos rivais, muitas oportunidades aparecerão naturalmente aos taticamente disciplinados. Embora a parte ofensiva da máquina pudesse ser ainda mais bem-trabalhada, Madden 98 chegou à perfeição no quesito realismo, simulando o caráter enxadrista das partidas da liga, desvalorizando o fator músculos dentro de campo. Além de bancar o gostosão da equipe (e os pernas-de-pau também!) e o técnico, o papel de manager entre as partidas será outra atribuição do jogador: fique de olho na folha salarial, se estiver disputando a temporada regular! Os iniciantes não precisam se assustar com tantas exigências e funções, já que há vários graus de dificuldade com o objetivo de incluir qualquer tipo de jogador casual nas disputas. Desse modo, acostumar-se com as várias ferramentas se torna questão de tempo.

O fator atmosférico é outro chamariz. Pat Summerall narra jogada a jogada e Madden, ex-craque, continua arrasando nos comentários (e as falas estão presentes mesmo na versão cartucho!). Não é à toa que esta é a única franquia que conheço a mostrar um cara diferente de um atleta na capa (pelo menos, de um atleta na ativa)! Simples fraseados como “It’s gonna be close” – sobre o iminente primeiro touchdown do jogo –, “There’s a flag on the play!” ou “First down!” – vindo do árbitro Red Cashan em seu típico sotaque sulino (caipira) quando o escore máximo finalmente se concretiza – são capazes de causar arrepios nos mais fanáticos e sensíveis. A abertura musical do canal Fox é considerada charmosa pela maioria dos que acompanham a série. Há outros toques interessantes que imergem até os mais céticos na experiência. Os estádios são réplicas exatas dos reais. Nem mesmo os montes de areia reminiscentes das partidas de beisebol disputadas na véspera, no mesmo local, foram esquecidas, lembrando que isso sempre acontece no começo de temporada da NFL, que coincide com os play-offs finais do baseball nos Estados Unidos. Na versão 16 bits, a neve – clima que pode ser escolhido livremente em partidas amistosas – deixa o monitor realmente claro, o que incomoda às vezes.

Nas versões MD e SNES, o número não pode ser discernido na camisa, mas quem tem a posse de bola (ou está no controle, no caso do time estar apenas marcando) fica devidamente assinalado, logo abaixo

Como em Madden 97, MN98 utiliza modelos 2D de jogadores e estruturas 3D para os cenários (falando apenas das versões PlayStation, Saturn e PC, já que nas outras tudo são sprites). Embora GameDay 98, o principal concorrente de Madden, utilize uma interface 100% poligonal, não se pode criticar os sprites do videogame da Sony, tendo em vista que são empregados em quantidade suficiente para fornecer detalhes à beça dos competidores. A animação é convincente (menos no Super Nintendo, embora a versão da “Big N” tenha detalhes de estádio que inexistem na versão Sega). Cada atleta tem seu número atrás da camisa (ao menos nos hardwares que rodam polígonos), e a aparência de cada um é enriquecida por efeitos de shading e pseudo-luz. Se o terreno se torna lamacento devido à chuva, os jogadores começam a sujar seus uniformes. Belas jogadas como recepções de uma mão só, mergulhos estilosos na linha final, urros de dor e até as fintas típicas do jogador que quer avançar mais uma jarda ao ser bloqueado (foi o primeiro título a apresentá-las) são dramaticamente emuladas. Por falar em drama, a ambulância está de volta, após uma ligeira ausência na última edição!

Modos extras incluem a possibilidade de rejogar os últimos 10 Super Bowls (vide abaixo, se não sabe o que é) até a data, quer seja, a partir de 88. Obviamente, são utilizadas as mesmas equipes (e nunca é demais lembrar que os nomes dos jogadores estão licenciados, então é possível reviver os gloriosos dias de Joe Montana, entre outros). Montes de estatísticas minimalistas satisfarão os mais tarados, a cada duelo. O prêmio “melhor da partida” será exibido pouco antes do apito final, igual nas transmissões televisivas, além do “melhor da semana”, após cada semana ou rodada, sem falar no evento Pro Bowl, onde 2 times compostos dos melhores nomes da season se digladiam, logo após o Super Bowl (a super-espetaculosa final do campeonato, ocorrida imprescritivelmente em fevereiro, o evento de maior audiência da TV americana). o Pro Bowl é – para quem se liga mais num basquete, o melhor esporte que usa as mãos – uma espécie de “jogo das estrelas”, uma festa sem compromisso real de bom desempenho, para relaxar a tensão e o estresse!

Um jogo esportivo e competitivo como Madden NFL não poderia prescindir de confrontos para até 4 jogadores (mesmo no Genesis ou no SNES, com auxílio de adaptadores), o que prolonga em muito a vida útil do produto! Para o PlayStation e o Saturn, sobretudo para o segundo, que também não recebeu mais jogos do esporte a partir daí (e da franquia Madden só recebeu este e o 97), é uma ótima alternativa, em que pese a pluralidade de opções. Já para os 16 bits, é mais que isso: saideira e tanto, uma vez que nunca houve a continuação, Madden 99, em forma de cartucho e sprites (a versão Nintendo, em particular, foi a mais bem-avaliada pela crítica)!

CURIOSIDADE: A versão de N64 para este jogo saiu com o nome Madden Football 64. Em 1998, no entanto, receberia o mesmo título do PSOne, Madden NFL 99. O PSOne, por sua vez, só cessaria de receber jogos da série em 2004, com Madden 2005. O PlayStation2 replicaria essa história de suce$$o, recebendo até o Madden 2012!

Agradecimentos a Darren Lerhman, FRIEDSTRUCK, Gruel e Megnetto do GameFAQs.

Por Rafael de Araújo Aguiar

versão 2 – resenhado em 2013, atualizado e publicado em 2023.

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