Genesis

X-Men 2: Clone Wars
F I C H A T É C N I C A
Developer HeadGames
Publisher Sega
Estilo Ação > Beat ‘em up
Datas de Lançamento 1995 (EUA, EUR), 1997 (EUA, relançamento)
NOTA
7.6
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente (X) chamar a rua toda pra jogar ( ) um tipo específico de jogador. Qual? ______ ( ) incógnita
X-Men 2: A Guerra dos Clones (Surpreendentemente, com um mote algo análogo ao do segundo filme da trilogia para o cinema, que só foi lançado em 2003; e NÃO estamos falando de Star Wars!! – A propósito, tanto Star Wars quanto X-Men compartilham esta outra coincidência: primeiro era para serem só uma trilogia, mas Hollywood acabou mudando de idéia…) é um amável side-scrolling com seus heróis Marvel favoritos: com certeza, alguns dos mais clássicos e chamativos dos mutantes a serviço dos ideais utópico-pacifistas de Charles Xavier. Isso inclui até o arqui-nêmese desses mesmos ideais, pelo menos até certa época do enredo, de brinde: Magneto! Os vilões por excelência da trama são a forma de vida tecnorgânica alienígena e diabólica conhecida como Falange, cujos propósitos são fabricar clones dos principais mutantes (como uma fêmea com garras de Adamantium e fator de cura – soa familiar?), empregando-os como poderio militar para a conquista mundial, e posteriormente universal! Poderão Ciclope, Jean Grey, Tempestade & cia. pará-la a tempo? A Falange é um inimigo tão poderoso na Mitologia X-Men que até o Senhor Sinistro – que nos ajudou a redigir a matéria! – decidiu se unir a McCoy e Warlock, os últimos remanescentes na Escola do Professor depois de uma ofensiva do “vírus”, no roteiro original – quão épico!
Infelizmente faltou uma regulagem de dificuldade e de número de continues e vidas. Não se esqueça que pode haver quebra-pau cooperativo, chamando um amigo!
X-Men I, também para Mega Drive, permitia controlar Ciclope, Gambit, Noturno e Wolverine, tão-somente. Já Guerra dos Clones permite encarnar o Fera, Ciclope, Gambit, Noturno, Psylocke (a japinha que é uma graça!) e Wolverine, num primeiro momento; além do temível Mestre do Magnetismo, dessa vez do seu lado, como personagem secreto (não secreto na acepção mais profunda da palavra, já que basta derrotá-lo em um dos confrontos contra chefes). O que deixa as coisas BEM estranhas (sem o Doutor Estranho…) é que a ação toma conta assim que se muda o switch do videogame de OFF para ON, sem nenhum intervalo discernível!! Você não opta por “new game”, contempla o título nas fontes típicas, a tela de apresentação, uma seqüência animada ou mesmo um logo da Sega (presente na opening em todos os outros jogos do aparelho!), nem nada do tipo… Para deixar tudo pior, já estão atirando em você – no primeiro segundo! Cai-se LITERALMENTE em fogo cruzado de forma instantânea. Jamais um jogo que tenha prometido isso na parte de trás da caixa fôra tão verdadeiro e literal… Então, quem o gamer controla? Um dos 6 X-Men da formação típica citada acima, só que aleatório! Apenas depois de passar da primeira fase, enfrentando a Mão Ninja, é que a tela-título aparece! Bizarro é até pouco, mas ninguém poderá reclamar da falta de originalidade aqui! Portanto, se você é daqueles que, por velho hábito, liga o videogame antes do televisor… mude de postura para não morrer ANTES MESMO DO JOGO COMEÇAR!

Personagens enormes na tela
Tirando a complicada descrição desse procedimento de largada, que foge de qualquer coisa já vista na indústria, o resto é a repetição da fórmula consagrada pelos beat ‘em ups de pensar-pouco-e-bater-muito: seu personagem segue em frente procurando massacrar o máximo possível e ser massacrado de menos. Controles intuitivos e sem mistérios. Uma tecla para o pulo, outra para o ataque básico e uma terceira para o movimento especial, que é o poder mutante característico daquele sujeito. Ao contrário da linha seguida pelo primeiro X-Men do console, você não tem limites para usar seus poderes. Quem ia querer controlar o Ciclope só para SOCAR os outros? Eu não! O tal do golpe padrão não passa de um soco ou chute, enquanto que o special revela a verdadeira natureza de um defensor da justiça: o laser ótico do capitão da equipe, a slash impiedosa de Wolverine capaz de fatiar qualquer material, os teleportes de Noturno (embora eles não possam levá-lo através de paredes finas e portas, como nos quadrinhos…) e até o dom do magnetismo de Magneto, em que pese a escala de seus poderes ter sido muito prejudicada em prol de um “jogo justo”.

Para resumir, aos que não acompanham muito o fenômeno chamado Uncanny X-Men, sua principal arma é seu código genético. De resto, punhos nus (ou nem tanto, dependendo do escolhido para as missões!) e uma simples barra de energia estilo Mega Man para medir a proximidade da morte. Adquirindo itens para aumentar a barra, e desde que ela esteja nos 2 últimos retângulos que faltavam para preenchê-la de todo, seu lutador excederá a saúde normal e seu poder mutante se tornará ainda mais letal! Até os teleportes de Noturno poderão machucar seus oponentes, feixes óticos ocuparão metade da tela e assim por diante… Não há inimigo que não sinta aquela gotinha de suor frio caindo pela espinha diante de tanta ferocidade ofensiva! O enorme ganho que se tem com esses power-ups é suavizado pela quantidade assombrosa de asseclas do mal que a tela é capaz de comportar, sobretudo nas últimas missões. Além do mais, mostrar os poderes no auge é um evento raro e amiúde será impensável preservar a barra de life a fim de obtê-los nas fases após as duas ou três primeiras. Sem o aumento no raio de estrago dos golpes especiais, eles acabam decepcionando um pouco – se o jogador puder comparar a Espada Psiônica de Psylocke em X-Men 2 com a de X-Men: Children of the Atom (ARC, PC, PSX & SAT), entenderá claramente essa frase!…

Duelo de cachorro grande!
Os níveis oferecem desde maratonas de pulos e escaladas de parede alternando-se entre os lados até corridas, porradas e quedas livres. O progresso é linear e lógico. Alguns saltos, quando dão errado, podem atrasar o jogador em 5min na atual fase, mas o ponto mais grave em que isso foi detectado é na primeira delas, então não será uma dor de cabeça muito forte. Entretanto, torna-se uma questão de tempo até se enjoar das mesmas operações ad infinitum. O último chefão é quase impossível de ser derrotado, e vai levar ANOS de prática, porque não se parece em nada com um passeio no parque!

Quanto à beleza dos cenários, alguns são olvidáveis (como o da neve), enquanto outros nos fazem arrepiar de nostalgia (a Fábrica de Sentinelas). Quem não tinha medo dessas figuras horrendas, programadas para caçar mutantes, quando um pouco mais novos? Em geral, X-Men 2 é envolto em atmosfera sombria, como os fãs da série achariam melhor. Os uniformes são o que há de mais colorido no visual. (E não, as duas últimas frases não se contradizem entre si!) Apocalipse, outro dos chefes mais pedidos, está mui bem-representado – talvez o melhor de todos, graficamente, embora os outros vilões também estejam “classe A”. A trilha sonora tem cordas de baixo evidentes, agregando peso e lentidão (dooooom). Cada selecionável tem seus SWHOOSH de quando se atinge em cheio a parte inimiga. O SWOOSH de Logan é sem dúvida o mais capaz de incutir terror. Todavia, falta variação. São sempre os mesmos fonemas. Icônicas dessa falha são as explosões, sonoramente patéticas, parecendo mais bombinhas de festa junina. Aspecto irritante em excesso, uma vez que explosões acontecem de 20 em 20 segundos! O Genesis realmente mandava mal nessa parte do hardware…

Quanto à estória, se o leitor contumaz dos quadrinhos esperava algo tão bem-escrito quanto a Saga da Fênix, as lutas contra Hodge em Genosha e Conflyto na Lua (!) ou a minissérie A Era do Apocalipse, pode ir tirando o Arcanjo do cavalo… Pelo menos, dá-se o arcabouço necessário para saber o que você está fazendo, quem você está combatendo, que base está invadindo, etc. E qualquer coisa já seria melhor do que o roteiro infame do antecessor, cuja ação se passava inteiramente na Sala de Perigo da Mansão Xavier! Apesar de não ser um dos maiores beat ‘em ups que meus olhos já viram, é o primeiro jogo baseado no universo “X” que vale a pena em consoles caseiros, cronologicamente falando, na minha opinião. Os poucos problemas apresentados (som medíocre, últimas fases difíceis para além do aceitável e a impossibilidade de escolher seu personagem no 1º estágio a menos que você dê reset várias vezes ou tenha sorte!) não impedem o cartucho se ser uma aventura que, para ser debulhada em algumas tardes, não se sai nada mal! Ah, sim, você pode zerar em menos de um ano, eu é que sou ruim em games mesmo – sem falar que temos o YouTube para nos ajudar nas estratégias!
Agradecimentos a IamNotThePope, King Broccoli e Mister Sinister (!) do GameFAQs.
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2.0 – escrito em 2013; atualizado em 2023.
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