Genesis, Turbografx
+ MSX, PC, PC-88, PC98, Sharp X1.





Exile
Exile: Toki no Hazama e (Japão)
XZR II: Kanketsuhen (MSX, PC-88, PC-98)
F I C H A T É C N I C A
Developers Nippon Telenet (Tgfx), Micro Factory (GEN), Renovation (MSX, PC, PC88, PC98), Falcom (X1)
Publishers Nippon Telenet, Working Designs (Tgfx, EUA), Renovation (GEN, EUA), Riot (GEN, JP), Falcom (X1), Sun Corporation (PC)
Estilo Action RPG > Side-scrolling > “Religião comparada”!
DATAS DE LANÇAMENTO:
MSX – 12/88 (JP)
PC-88 – 12/88 (JP)
PC-98 – 12/88 (JP)
X1 – 01/89 (JP)
Tgfx – 29/03/91 (JP), ??/??/92 (EUA)
GEN – 05/12/91 (EUA), 06/12/91 (JP)
PC – 12/01/16 (mundial), 31/01/2017 (mundial)
Também incluído na:
Renovation Collection 1 (Evercade) (versão Genesis)
NOTA
7.32 (Tgfx)
6.68 (GEN)
6.5 (MSX, PC, PC88, PC98, X1)
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Quem gosta de fatos históricos reais e muita gore-gameplay. (X) incógnita
Eo review de hoje começa com E: de “execução”, “estripação” e, claro, “erotismo” – todas características encontráveis em meio às paisagens desérticas que compõem a pitoresca storyline de Exílio. Não se trata de um game tão complexo assim, afinal: um RPG/ação standard, no esquema Zelda II ou Ys III de ser (pelo menos nas dungeons). Mas ao invés de controlar qualquer ser altruísta de orelhas compridas, interpreta-se o papel de Sadler, um sírio (em outra palavra, árabe) lacônico, líder dos hashshashin (trava-língua), seita inimiga visceral dos invasores cristãos que chegaram para despojá-los de sua própria terra (sim, nas Cruzadas!). Depois de matar o próprio pai despótico em XZR (o título japonês do game antecessor de Exile), o jovem se vê numa incomum aliança com os Guerreiros Templários a fim de derrotar uma nova ameaça religiosa…


A tribo dos peladões na sábia Grécia!
Exile é polêmico e contra-indicado para jogadores de tenra idade. O anti-herói parricida do cabelo-de-fogo introduzido acima, com um puta dum nome bizarro, outrossim, nunca é visto sem um rolo de cigarro devidamente enrolado queimando entre os lábios, o que não o impede de se refestelar com “medicina alternativa” como ópio e cocaína de vez em quando (esses são os itens que servirão de healers e acrescedores de stats!). Na versão de MSX, as atividades recreativas ilegais de Sadler podiam acarretar alucinações e mesmo overdoses, contudo alguns apelos de gente moralista e sem nada para fazer resultaram em alterações e suavizações (só na maciota!) para a versão Turbo CD/PC Engine. Ironicamente o bastante, curar suas feridas com haxixe turco não será o mais chocante nesta saga amalucada! Logo na seqüência de abertura civis são mostrados impiedosamente mutilados por cavaleiros armados. Nos gráficos internos, os inimigos sangram até morrer, isso quando não explodem espalhando restos por todos os arredores. Nada em comparação com a vila destroçada que Sadler encontra em que os cristãos ainda não terminaram seu trabalho em nome de Deus e incendeiam as casas ainda de pé, queimando os habitantes hereges vivos para irem lenta e pungentemente para o inferno! Pietistas em estado bruto!
Não bastasse o lado violento, tem ainda o escandaloso (para quem não lida bem com temas ligados à sexualidade; mas se não lida bem com tolerância religiosa, dificilmente escapa desse outro defeito): em travessia por um exótico povoado grego, o testemunho de franca nudez (8-bit, então não exija muito!) em orgias rituais monumentais. Para complementar o panorama de matizes religiosos, Sadler, nessa grande paródia das ideologias ocidentais e orientais, visita templos hindus e budistas. Mas seu pouco nobre objetivo não é tirar fotos, enquanto veste camisas floridas e ouve um chato guia: é, pomposamente, aniquilar os Deuses protetores dos lugares! Em suma, Exile só não causou mais burburinho porque é um jogo de Turbografx (e no Mega Drive quase ninguém ouviu falar)…



O dublador do protagonista é Kaneto Shiozawa: uma ótima escolha, já que sua voz de aço passa a impressão de que o dono é um desalmado hipócrita, mais ou menos a personalidade do nosso querido Sadistaler! Isso caso você não opte pela mais acessível tradução da famigerada WD. Porém, a empresa norte-americana censurou demasiadamente (além dos limites!) a plot: cristãos se tornam “Klispens”, drogas viram “tônicos” e há muito menos animações, “coincidentemente” com todas as violências explícitas e imoralidades banidas… A vida numa democracia puritana não é mole, rapaziada!


Entrando no terreno do sistema de jogo, solenemente ignorado até agora, os níveis de experiência são facilmente galgados. Por conseguinte, nem os chefes são as figuras ideais para fazerem frente ao sádico Sadler. Ao evadir uma dungeon (sem mesmo completá-la, bastando regressar pela porta de entrada), os MPs e HPs do protagonista serão automaticamente regenerados. Há tantos spells que o RPGista talvez nem os utilize todos até o final da saga. Apesar de serem em side-scroll, o que satisfaz de verdade nos labirintos é que há um sem-número de portas e várias câmaras de aparência igual, ocorrências de loopings e becos sem-saída (o que me faz lembrar, não sei por quê, algumas fortalezas de Super Mario Bros. 3, que tinham contagem de tempo restrita para o jogador terminar logo!). Ao contrário de muitos títulos do gênero, a maior intensidade dos desafios ocorre na primeira metade da quest, quando Sadler está perdido num bando de cavernas apinhadas de monstros como dragões e tem pela frente um chefe de estatísticas decentes, sem muito tempo prévio para adquirir experiência e melhorar a ficha.

Lista de agradecimentos
Exhuminator e Mr_RPG do GameFAQs;
Sho do honestgamers;
mobygames.com.
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – escrito em 2013; ampliado em 2023.
® 2002-2023 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!



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