Genesis / Wii

Splatterhouse 2
Splatterhouse Part 2 (Japão)
F I C H A T É C N I C A
Developer Now Production
Publisher Namco, Sega (Virtual Console, EUR)
Estilo Ação > Beat ‘em up > Gore
DATAS DE LANÇAMENTO:
GEN
JP – 04/08/92
EUA, EUR – ??/92
Virtual Console Wii
JP – 01/07/08
EUA – 04/08/08
EUR, OCE – 08/08/08
Incluído nas compilações:
Namco Museum Collection 2 (Evercade)
Namco Museum Mini Player (console dedicado)
SEGA Genesis Mini 2 (console dedicado)
Splatterhouse (PS3/X360)
NOTA
6.9
Este jogo é pra…
( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Dementes que curtem maratonas de Sexta-Feira 13 & afins. (X) incógnita
Splatterhouse 1 era um show de horrores fantástico, cheio de membros decepados, sangue escorrendo pelas paredes e criaturas abomináveis atrás de seus intestinos. Todas essas características eram tão polêmicas no fim dos 80 que os Arcades do jogo tiveram de ser todos retirados dos estabelecimentos. O banho de sangue ainda ganhou uma versão para PC Engine, não sem seu pequeno escândalo e processos. No fim, houve só uma pequena censura: uma referência satânica, crucifixo invertido, apareceu revirada de volta para cima (haha, pais, olha o que vocês obrigam a indústria a fazer!). Nos dias de hoje sentimos falta desse cinismo inocente. Há muita bala, amputação e sangue, mas nada disso costuma desafiar mais as autoridades, nem causar qualquer efeito nas crianças. Aos críticos desse tipo de exibição gráfica e catarse eletrônica, Splatterhouse talvez merece o título de “iniciador da banalização”. A Namco não queria tanto burburinho (talvez não quisesse é arcar com tantas indenizações) e pegou leve na seqüência, Splatterhouse 2.


Criaturas assim merecem mesmo ser chacinadas… Mas eu queria que fossem gestantes e velhinhos para deixar as coisas mais “imorais”!
No original, o herói principal, que não é o mesmo do Massacre da Serra Elétrica, Rick, possuía a Máscara do Inferno que o transformava num ser super-poderoso (agora ficou mais parecido com Spawn ou Shadowman!). Ele teve de usar seu artefato maldito para salvar a amada das garras de demônios que haviam-na raptado. Após cumprir seu objetivo, Rick volta a ter uma vida normal. Até que, 3 meses depois, Jennifer – o nome da donzela – é novamente “abduzida” lá pra baixo. Limpo por apenas 90 dias, o protagonista decide reingressar no vício e se divertir de novo no açougue, que é no que a Terra ou as profundezas se transformam quando a personalidade que nasce do uso da máscara está por perto. Quem sabe, ainda, um objetivo secundário nesta trama seja bancar o psicoterapeuta dos encapetados que ousaram seqüestrar sua garota de novo: que obsessão é essa por raparigas indefesas?
Infelizmente, a saga não empolga nesta edição como já havia feito anteriormente. A máscara, tão parecida com a de Jason Voorhees antes, está limitada a um paupérrimo semblante de caveira nesta versão comedida. Rick parece ter passado todo o “trimestre de recesso” puxando ferro na academia, só que sem a menor orientação de um especialista: seus ossos ficaram deformados com o esforço em demasia, e ele se move como um cadeirudo incompetente! Rick não é sombra do que fôra outrora: seus gestos estão engessados, a jogabilidade é terrivelmente lenta, seus saltos se tornaram patéticos! Cair em buracos, aterrissar em espinhos e agachar esperando fugir de um projétil mas mesmo assim morrer porque ele acertou seu cabelo são atividades corriqueiras!


O bombadinho pactuado com alguma besta dos infernos (que caça outras bestas dos infernos!) também tem seus métodos de ataque, é lógico. Seus punhos colossais são bons esmagadores de cabeças de zumbi, e ele também sabe usar a perna. Dá até para avacalhar com uma voadora ou um soco no meio do pulo, ou o killer move que provoca o dobro de dano em relação a qualquer outro golpe: o chute deslizante. Ou melhor: não dá. Os controles enferrujados o prevenirão de utilizar esta última técnica! Você pode sentar sua bunda na cadeira uma tarde inteira e o mais provável é que, ao final, consiga executá-lo uma vez só. Não vale o incômodo e as hemorróidas, então abuse dos chutes e socos comuns para evitar o fator estresse.
Os inimigos são péssimos protótipos de “Horror B” movies. Os elementos da primeira fase são carniças, trecos vermelhos indistintos que ousaram chamar de zumbis. Uma porrada e a cabeça deles explode espalhando sangue pela tela toda, numa rara demonstração das violências de outrora em Splatterhouse. Das primeiras vezes será excitante, mas se torna repetitivo antes mesmo de acabar o estágio nº 1. As novas figuras não melhoram as impressões: Mimis Gritantes, pequenas aberrações que saltam como loucas, serão um senhor problema. Esses bichos não só o incitam a desligar o som da sua TV como se deslocam de um lado para o outro tão freneticamente que mais parecem crianças hiperativas. Rick não pode fazer muita coisa, dotado de sua “agilidade budista”. Certos inimigos nem poderão ser aniquilados, o mais sábio sendo seguir adiante evitando-os; ou então só poderão ser mortos por uma arma em especial, o que é embaraçoso, já que quando mais precisamos de um item ele nunca está nas cercanias!

Os chefes são uma gota de colírio num mar de fezes e lodo. São assustadores e de grandes dimensões. O primeiro é um gordão pantagruélico que solta resíduo ácido o tempo todo. Depois de quatro socões, sua barriga abre e do seu estômago é liberado mais ácido, que encharca o chão. Os bosses costumam agüentar cerca de 6 hits. O forte deles decididamente não é a resistência. O segredo é perceber com rapidez qual ponto de seus corpos é o mais vulnerável. A grande face do final da segunda fase (foto acima) deve ser golpeada nas órbitas saltitantes. Mais alguns pulos calculados sobre seus projéteis e ele vai pro saco. A dificuldade não seria elevada se os controles patéticos não interviessem mais uma vez: sendo o personagem tão lerdo, é claro que a tarefa fica milhas mais árdua! Uma criatura detestável é um polvo de água doce (?!), que o persegue durante um dos níveis regulares, como inimigo comum, e depois reaparece indesejavelmente como último inimigo de outra fase. É necessário acertar um espinho em seus olhos, nos escassos segundos em que ele os abrir, ao mesmo tempo em que evita os próprios espinhos do adversário. Mas o repelente final boss é uma figura ainda mais “singular”: um amontoado de partes de corpos que criou vida própria e autônoma. Muitas cabeças e tripas perseguirão Rick – em velocidades que infelizmente superam a do robusto herói que só quer beijar de novo a namorada. Gororoba (provavelmente fezes) vai melar a sola do seu sapato também, então cuidado redobrado! O polimórfico e insistente último chefe procurará, finalmente, atordoá-lo na forma de morcego, futucando todos os cantos da tela com suas asas dementes. Acerte-o mais um punhado de vezes e o desapontador final será revelado. Mé!…

Não há mais as bestas desmembradas trancadas em jaulas nos backgrounds charmosos do primeiro jogo. Apenas cenários estáticos e sem-graça. Parece que a única redenção no visual é contemplar o punho de Rick esfacelando as cabeças dos zumbis no primeiro meio minuto de jogo…
Agradecimentos a Unleashed Vortex
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – criado em 2013, atualizado em 2023.
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