Nintendo Entertainment System

Calma, não é de ler! Infelizmente, como logo se verá…
The Uncanny X-Men
F I C H A T É C N I C A
Developer LJN Ltd.
Publisher LJN Ltd.
Estilo Ação > Top-down view
DATA DE LANÇAMENTO 12/89 (EUA)
NOTA
2.4
ESTE JOGO É PRA…
(X) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente (X) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Só para fãs muito ardorosos da franquia… ( ) incógnita
Sempre fui muito fã de X-Men. Quando, aos 10 anos de idade, estava brincando na casa de um amigo e vi como que casualmente a fita de Nintendinho com a imagem e o logotipo típico (desculpe a cacofonia!) da série na prateleira, pedi entusiasticamente para jogarmos. Ele disse que não estava a fim, naquele momento, mas que me emprestava o cartucho. Aliás, mais do que isso, ele me DEU o jogo. Como meu amigo era da minha idade, essa foi – retrocedendo no tempo e reanalisando a situação – uma atitude muito suspeita, já que nessa idade as crianças não aprenderam a lidar, ainda, com seus impulsos egoístas, e são incapazes de abdicar de seus bons brinquedos… O melhor a respeito desse título, eu já adianto, é a caixa. Parece um comic book legítimo, até saliva nossas bocas… (Eu sonhos constantemente que visito uma banca de jornal e ainda há muitas revistas, sejam gibis ou outras, como as de games, e vendem como água… Ah, os anos 90!)

Dizem que a música da tela-título é a única que presta. É verdade, Logan?
Identificar os personagens na tela, que deveriam ter as mesmas roupas dos arcos de estórias dos anos 80 dos quadrinhos da Marvel, é um dos maiores problemas: os “bonecos” são tão pouco detalhados que, não fosse pela cor berrante de seus uniformes (pelo menos para a maioria dos membros do time de mutantes), seria possível confundir pedregulhos do cenário com eles!
Particularmente, não faz tanta diferença assim eleger entre um e outro – e não só no aspecto visual. Metade pode atacar à distância (Ciclope, Tempestade e, misteriosamente, o Homem-de-Gelo, que não está numa formação dos Fabulosos X-Men desde os anos 70, quando Stan Lee [1922-2018] – o “pai” deste universo ficcional – ainda era o principal roteirista das estórias!); a outra metade não (Wolverine, Colossus e Noturno). Quanto aos socos e chutes, todos possuem golpes equivalentes, e horrorosos, por sinal, uma vez que são de alcance muito curto. Noturno tem a prerrogativa de ser um pouco mais ágil que o resto, porém, como há muitos slowdowns, isso quase não faz a menor diferença. Dizer que a capacidade de processamento do NES é baixa é uma afirmação relativa. Decerto ela é muito mais baixa quando o time desenvolvedor não sabe programar. Com muitos inimigos na tela, é certo que a velocidade da animação se reduz. Como em UXM sempre há uma elevada quantidade de adversários simultaneamente, a lentidão é recorrente. Os personagens controláveis parecem lesmas com artrite (!). Duas soluções concebíveis seria: reduzir o detalhamento dos cenários, priorizando a gameplay; ou cortando sprites dinâmicos dos personagens, o chamado flickering, que muitos shmups e side-scrollers dos 80 e 90 empregaram, até na geração 16 bits.

No esquema de jogo adotado pela LJN (famosa pelos péssimos usos de licenciamentos adquiridos) sempre há dois mocinhos: mesmo que jogue sozinho, o dono da fita estará acompanhado de um parceiro com inteligência artificial. Mas a CPU não é das mais colaborativas para um bom progresso in-game. Jogar com outro jogador de carne e osso é virtualmente a única chance de sobreviver algum tempo contra as sabotagens da máquina. Com efeito, quando a CPU controla um dos X-Men de Charles Xavier, sai andando sem padrões pela tela como se tivesse várias formigas dentro da calça e acaba sendo encurralada pelos oponentes em não mais do que 10 segundos, desperdiçando vidas (que são compartilhadas) e a paciência do mate humano! Se ao menos fosse possível DESABILITAR a máquina!! Caso o fanático (não o Juggernaut) ainda queira, mesmo bem-informado a respeito, bancar o salva-vidas samaritano (nem o Noturno, que é um padre idôneo, toparia!), é possível se revezar no controle dos dois mutantes através do select. Só que desse jeito a CPU vai arruinar a life bar de ambos os competidores – dano dobrado…

Um dia mais cinzento que o normal…
Não há muito mais história do que a parte de trás da caixa traz, e tudo o que sabemos é que Magneto está tentando dominar o mundo novamente (mas espera, nos anos 80 ele já não tinha tocado de lado e até substituído Charles enquanto o carequinha telepata viajava pelo Império Shi’ar?). Um dos poucos méritos do game é que a primeira fase não é necessariamente a mesma toda vez que o jogador resolver experimentar o título. É dado a ele o privilégio de escolher entre 5 missões, à Mega Man. Ou “missões”? Não há uma linha de texto que indique o real objetivo da equipe e o procedimento a adotar… Fato é que todas são muito parecidas, exceto pela paleta de cores, isto é, pelo terreno sobre o qual ocorre a ação, pois tudo o que se faz é massacrar uma penca de lesmas (nem para serem sentinelas!) atrás de malditas chaves para seguir adiante através de portas e mais portas. Mas, até quando falamos da variedade de fases pelas quais se pode começar, terminamos tendo de puxar a orelha dos produtores: depois de vencer os estágios inicialmente à disposição, é necessário entrar com um código secreto para lutar contra o último chefe. Mas que tipo de aborto malfeito exigiria um ato tão aleatório por parte do usuário? Castlevania II e Teenage Mutant Ninja Turtles I (ambos fracassos da Konami, embora tenham vendido bem) são obras-primas e “coerentes na engine” perto disso aqui!

Esse Magrão não jogou no Timão…
Nossa sorte é que a companhia LJN faliu pouco tempo depois. Seu talento natural e adquirido, ao contrário dos X-Men, era bem ralinho…
Agradecimentos a Braben, Emptyeye, CCC e Virulent do gamefaqs.com
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – criado em 2012, atualizado em 2022.
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