ys 4: the dawn of ys (tgfx cd)

Turbografx CD

+ PlayStation3, PSP & PS Vita

Ys IV: The Dawn of Ys

F I C H A    T É C N I C A

Developers Hudson, Falcom (PSN)

Publisher Hudson

Estilo Action RPG

DATAS DE LANÇAMENTO

Tgfx –22/12/93 (JP)

PSN (PS3 & PSP) – 06/07/11

PSN (PSVt) – 2012

NOTA

8.7

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (X) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (  ) um tipo específico de jogador. Qual? ______  (  ) incógnita

Depois de agüentarem o relativo fiasco de Ys 3: Wanderers(…) numa irreconhecível side-scroll view (relativo porque o game é bom, mas está muito abaixo do patamar de excelência atingido pela série desde seu nascimento), os fãs mereciam uma volta às origens com muitos pontos aperfeiçoados em Ys 4: The Dawn of Ys. Apesar do título sugestivo “O nascimento ou aurora de Ys”, os fãs interpretam este episódio como o ressurgimento em grande estilo deste mundo fabuloso, e muitos até defendem que seja o pináculo da série em nível de qualidade.

Ys 4 ocorre, temporalmente, um ano após a conclusão de Ys 1&2 (o que significa que seu enredo está situado antes de Ys 3, para constar). Adol e Dogi voltam a Esteria depois de perambularem um ano atrás de mais aventuras fora do continente flutuante de Ys. Não poderiam ser recebidos de outra forma que com uma grande festança de arromba por terem vencido o “Homem da Capa Preta” que estava esgotando o estoque de prata de Esteria. Significa que o ruivo Adol Christian estava de volta a Minea, onde tudo começara em Ys I. Mas a alegria dura pouco. Sarah, a cartomante, revela que uma neblina negra está descendo sobre a distante Serseta. À noite, escondido de todo mundo, que bebia desbragadamente, inclusive de Dogi, Adol escapole e ruma ao local que precisa de seu auxílio destemido. Na cidade litorânea de Puroma Rock, perto do destino final, é que começa essa nova aventura para o jogador…

Assim como em Ys 1&2, os ataques são efetuados unicamente com o direcional, mas a mecânica melhorou ligeiramente. Dessa vez Adol pode se deslocar em 8 direções e parece mais ágil do que nunca. Os chefes voltam a ser dificílimos quando encarados da primeira vez. Precisam ser estudados à exaustão até descobrirmos seus pontos fracos. O primeiro boss me exigiu algumas tentativas; o segundo, VÁRIAS vidas (umas 20, para se ter idéia…); o terceiro foi meio complicado, até que eu percebi, num lampejo, seu truque! E assim segue… Não tem moleza! Como nos dos primeiros Ys lançados pela Falcom, as dungeons estão niveladas por cima, tirando o máximo das capacidades do console e das mentes do time desenvolvedor. No primeiro labirinto, ilustrativamente, Adol já encarará a escuridão de posse de uma mínima fonte de luz para se orientar (fãs do episódio I sentirão nostalgia nessa parte!). Ademais, há mais vilas e sítios para interagir com os habitantes do que em todos os Ys anteriores juntos – um prato cheio para RPGistas “sociáveis”!

A mágica é mais bem-executada. Os spells viajam mais rapidamente pela tela, são mais efetivos contra os inimigos. Eles podem até ser carregados para ficarem mais poderosos (custando, obviamente, mais MPs). Alguns dos chefes só sucumbem diante de magias (nada de sair dando espadadas como um louco, o que funcionava em Ys 3).

Não sei como puderam quase que extravasar os limites do PC Engine/Turbo CD, mas com o uso do acessório Super CD isso foi possível. Os sprites dos personagens e objetos estão maiores e mais coloridos, e isso não reduz o campo de visão já que a tela de jogo está maior (finalmente mudaram o layout clássico em que as barras de HP de Adol e do inimigo ocupavam um bom quinto de tela – os marcadores continuam lá, mas um pouco menos espaçosos!). Os feitiços são um espetáculo visual. E as seqüências de anime, embora não façam face às da era 32 bits, são as melhores do console. Minha favorita é a de Adol partindo escondido de Minea logo no princípio. Os rostos e traços dos personagens, conforma a estética mangá, estão caprichados.

Animações “mais animadas”…

As vozes, como sempre, estão excepcionais (muito embora este jogo não tenha sido adaptado ao inglês, soam bem em japonês, com relevo para a performance dramática de Horomi Tsuru como Lilia). Quanto à música, nem tenho o que falar! Aliás, tenho sim: o único critério em que os produtores de Ys estão sempre ascendentes, isto é, uma trilha sonora ultrapassa a outra em qualidade, chegando ao nada fácil pódio das melhores composições num jogo eletrônico em toda a história! Embora não possamos dizer que as faixas são individualmente melhores que as de Ys III, elas são mais variadas. Ys III investia pesado em… guitarras pesadas. Rio Yonemitsu, comandando a parte sonora de Ys 4, fez questão de adicionar toques de singeleza e delicadeza, sem esquecer os temas mais corpulentos. “Field” é um rock animado com uma das melodias mais inesquecíveis que já escutei. “Burning Sword” é uma das canções calmas das mais engenhosas. “The Dawn of Ys”, o tema-título, beira a perfeição. “Karna”, tema de um dos personagens, é um pouco inferior às demais por rodar no sintetizador sonoro do PC Engine.

Por que as companhias de hoje em dia não fazem pérolas 2D como a SNK – a deusa do gênero – fazia ou a NEC/Hudson pode fazer?! É uma lástima que a indústria tenha mudado tanto, privilegiando a carapuça em detrimento do conteúdo… Viva o Neo Geo e o PC Engine, bastiões finais da vanguarda bidimensional! 2D em sprites eternamente!

Post Scriptum 2022: O 2D não só não morreu, conforme talvez previssem os apocalípticos, como se fortaleceu bastante, voltando a, senão reinar, pelo menos disputar o mercado em condições de igualdade com RPGs 3D, e mesmo nos gêneros Plataforma também tem seu público fiel; para não falar que os First Person Shooters e Open Worlds deram uma mega-enjoada, o que deixou o campo livre para mais games de verve retrô porém que primam pela inovação!

CURIOSIDADE: Dawn of Ys e Ys IV: Mask of The Sun (SNES) iniciaram seu desenvolvimento paralelo por duas equipes de programadores, tendo porém como objetivo ser intercambiáveis, isto é, chegar no mesmo lugar e ser versões de um jogo só, por mais que visassem a hardwares distintos. No entanto, a Tonkin House, softhouse responsável pela adaptação de Super Famicom, manteve-se mais fiel à premissa original da própria first-party do Turbografx, enquanto que, por ironia do destino, a Hudson foi implementando novas idéias que iam surgindo pelo caminho e tornando o episódio do console de origem cada vez mais singular. Como resultado, Dawn of Ys é uma instância da franquia completamente irrepetível até o momento (pelo menos até ganhar suas versões PSN – notar que infelizmente o game nunca veio para o Ocidente, apesar do título em inglês, oficialmente: as legendas vistas nas imagens acima são tradução de fãs)! O que menos gente ainda sabe é que a Sega tinha ganhado os direitos para desenvolver um outro Ys IV exclusivo – com outro subtítulo e tudo – para Sega CD, mas o projeto foi abortado devido ao péssimo desempenho do console!

Lista de agradecimentos:

Commodore Wheeler do RPGFan;

Keranu do gamefaqs;

mobygames.com.

Por Rafael de Araújo Aguiar

versão 2 – criado em 2013; atualizado e ampliado em 2022.

® 2002-2022 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY

Uma resposta

  1. […] no caso do Super Famicom, que acabou por ganhar uma versão exclusiva em vez de um mero remake do Ys 4 ou IV de Turbografx-16/PC Engine (Dawn of Ys). Quando dizemos Super Famicom, queremos nos referir ao Super Nintendo japonês, pois, infelizmente, […]

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