ys book 1 & 2 (tgfx & wii)

Turbografx-16 / Wii (Virtual Console)

Ys Book I & II

Ys I + II (Japão)

FICHA TÉCNICA

Developer: Falcom

Publishers: Falcom (Virtual Console e PC Engine Classics) / Hudson

Estilo: Action RPG

DATAS DE LANÇAMENTO:

Tgfx – 21/12/89 (JP), 1990 (EUA), 16/12/94 (JP, Taikenban edition), 17/11/10 (JP, PC Engine Classics)

Wii (Virtual Console) – 16/10/07 (JP), 25/08/08 (EUA), 05/09/08 (AUS, EUR)

(*) O jogo também está incluso no hardware Turbografx-16 Mini, ao lado de outros 51 títulos.

NOTA

8.8

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (X) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? O RPGista old school; quem ama jogos difíceis, belos, algo simples e perfeitamente musicados.  (  ) incógnita

Ainda que a tecnologia CD-ROM estivesse disponível para consoles caseiros desde o final dos anos 80 com a introdução do Turbo CD no mercado, um upgrade para o pouco célebre hardware da NEC Turbografx-16/PC Engine, não foi antes do PlayStation e do Saturn na segunda metade dos anos 90 que o formato pegou de vez. Muito dessa demora pode ser explicado pelo fato de que um bando desses primeiros jogos rodados em CD (tanto do Turbo CD quanto do seu concorrente mais próximo, o Sega CD, acoplável ao Mega Drive) era genérico, isto é, suas propostas não conseguiam transcender a mera melhoria de áudio e vídeo (e mais a primeira, pois a segunda ainda dependia muito dos poderes da máquina que rodavam o disco). Não havia jogabilidade, ou pelo menos nada que concorresse com os melhores cartuchos dos outros videogames, e em vez disso os desenvolvedores preferiam submeter o jogador a assistir incontáveis horas de seqüências de imagens embaçadas (dada a baixa resolução dos vídeos comprimidos do período) estrelando figuras bizarras do entretenimento “B” como o ator Corey Haim (um Macauley Culkin menos conhecido, ator infantil que teve o mesmo destino de toxicômano), isso quando não eram só conversões de cartuchos 16-bit com uma ou outra cena animada entre as fases ou música implementada (ou seja, meros remakes nada originais). Havia com certeza as exceções, mas em sua grande parte o CD-ROM parecia só uma moda passageira e perda de tempo e investimento, até boa parte da década de 90 adentro! Tecnologias incipientes costumam sofrer desses deslizes – vide também a sofrida transição dos Platforma 2D para o mundo das três dimensões.

Tira a bola da frente! Pare de ponderar o orbe!

Estamos diante da exceção das exceções, o – para muitos – melhor jogo do periférico da NEC. YB1&2 nasceu nos sistemas japoneses de computador, algo diferentes dos PCs que usamos hoje em dia, sem sistema operacional Windows, para começar. O sucesso foi tamanho que videogames como o Nintendo System começaram a receber suas versões, enquanto que o mercado americano também ia abraçando as peripécias de Adol Christi[a]n (o a veio da localização americana), O Ruivo. Foi então que a Hudson Soft teve a excelente idéia de fazer essa conversão para o Ocidente utilizando-se das benesses da mídia disco. Decisão arrojada para executivos de 1989! Ys estava 5 ou 6 anos à frente de seu tempo. O Super Nintendo estava longe de ser um console ruim, mas sua popularidade na América também mascarava a limitação dos cartuchos de silício e impedia que a grande massa percebesse clássicos como este. A vingança dos CDs estava apenas começando – no futuro a Nintendo iria sentir na pele!

A ilha flutuante de Ys deve ter sido concebida diante do molde do Monte São Michel, na França, ou a coincidência das paisagens é absurda e inacreditável!

Ys I + II consiste, como é perceptível, de uma compilação de dois games, Ys e Ys II; porém, o enredo de ambos forma uma unidade orgânica; seu personagem assume o controle exatamente onde tinha parado na parte ou livro 1, então dá no mesmo considerá-la uma obra só: com a vantagem que será uma saga rendendo 20h ou mais de jogo, algo raro para a época. Além disso, Ys 1 e 2 não estavam disponíveis, antes deste lançamento, para o Turbografx, tendo sido sucessos dos consoles japoneses PC-88 e PC-98, também produzidos pela NEC.

Ys, dentro da mitologia do jogo, era um continente utópico existente eras e eras atrás. Sob os olhos atentos de 6 sábios e duas deusas, Ys prosperou por séculos graças ao artefato mágico e misterioso conhecido como Pérola Negra. Então, de supetão, a terra de Ys desapareceu por completo. Ninguém sabe o que aconteceu, por que aconteceu e se um dia Ys voltará ou se poderá ser visitado em alguma outra dimensão por alguém. A estória do jogo se passa 800 anos depois do intrigante sumiço. A terra de Esteria (estéril?) está sendo invadida por hordas monstruosas. Um marinheiro se acidenta e acaba acordando em uma cidadezinha de Esteria, pouco a pouco se convencendo de que ele é o escolhido para livrar o continente do mal e até mesmo regressar o mundo à geografia que detinha quando de sua “idade dourada”… A primeira grande missão de Adol, o dito marinheiro e guerreiro predestinado, será peregrinar à procura de 6 pergaminhos sacros que conteriam em si a resolução de mistérios apenas especulados pelos sábios ou mundanos de Esteria, impotentes para atingir qualquer verdade concreta.

YB1&2 é, também, uma das primeiras traduções impecáveis de jogos japoneses. Todos os diálogos do jogo foram gravados por atores profissionais, e a audição é claríssima. Os sujeitos envolvidos com as vozes dos personagens eram figuras tarimbadas do ramo dos desenhos animados, portanto acostumadas ao ofício: Alan Oppenheimer (o Esqueleto – Skeletor – do He-Man americano; além do dragão Falcor no filme História Sem Fim), Debbie Derryberry (Tenchi Muyo, Jimmy Neutron), Michael Bell (Transformers, jogos Soul Reaver no futuro…), entre outros. Oppenheimer, o primeiro citado, é o apurado narrador da trama.

Uma grande parte do charme de Ys advém de seus labirintos tão bem-desenhados e divertidos. Nunca são exigentes além da conta ou monótonos em qualquer sentido, e muitas passagens contêm puzzles como adivinhar a ordem correta para o uso de estátuas de teletransporte, ou usar um espelho mágico para combater ilusões que levariam o herói a se perder nos corredores e jamais encontrar a saída. O único deslize de programação que consigo encontrar é que Adol se locomove só em 4 direções ao invés de 8, e dado que as batalhas exigem muita dinâmica e a busca por angulações do seu personagem em relação aos inimigos, isso afeta de algum modo a jogabilidade.

É verdade que Adol não pode usar nenhum tipo de magia (a não ser alguns projéteis emitidos de anéis) no Livro I; mas tardiamente na narrativa ele poderá disparar bolas de fogo, procedimento necessário contra um ou dois chefes.

Meu momento favorito ocorre quando Adol deve escalar uma torre do sino de uma catedral toda preenchida, por fora, de janelas de vidro manchado e tochas tremeluzentes a emitir fagulhas, jogo de luz que nos dá uma excelente impressão. Sua corrida até o topo da torre é recompensada com uma bela vista panorâmica dos campos adiante, até a linha do horizonte, onde o sol se põe.

Qualquer um que tiver escutado a trilha sonora a eleva aos céus. Dos violinos barrocos lutando contra o “Homem da Capa Preta” às guitarras elétricas insanas das ruínas do Book II, há uma coerência interna impossível em jogos do período (fim dos anos 80). Estamos diante de um álbum musical versado e completo, e acompanhado por um jogo, ainda por cima! O único ponto fraco da OST é que por alguma estranha razão os temas das cidades não utilizam o poder do CD-ROM, e são reproduzidos com ajuda do sintetizador do Turbografx, como faziam os outros videogames da época, comprimindo a qualidade da faixa. E os efeitos sonoros, embora adequados, são ofuscados pelo volume da música. Convenhamos que essas pequenas imperfeições são um preço irrelevante a se pagar por tamanho júbilo sonoro!

CURIOSIDADE 1: Ao todo, YB1&2 utiliza 742MB de memória, possui 41 faixas musicais, 24 minutos de dublagem e 20 minutos de anime.

CURIOSIDADE 2: A única forma de jogar Ys 1 e Ys 2 de forma completamente separada (sem falar das versões mais antigas que esta de Tgfx, como a de Master System), no Ocidente, é através dos ports recentes para iOS e Android (cada jogo é batizado como Ys Chronicles I/II).

CURIOSIDADE 3: DESVENDANDO O META-LABIRINTO DE “YSES”…

Como bom action-RPGista, seria salutar se desbaratar um pouco de confusões, já que Ys possui muitos lançamentos e relançamentos; assim o jogador poderá planejar quais edições antigas poderá comprar para sua plataforma de preferência:

Ys Eternal é esse mesmo jogo (Book 1&2) remasterizado, lançado para PC em 1997.

Ys I & II Complete é mais uma melhora com ampliação de momentos jogáveis, por isso se considera efetivamente um jogo inédito e não apenas um remake modernizado. Este Y12C chegou ao Japão (também para PC) em 28/06/01.

Ys I & II Chronicles é mais uma versão retrabalhada, aperfeiçoando a duologia de Ys Complete. Foi lançado no Japão (PC) em 24/12/09 para alegria do natal de muita gente que nem cristã é!

Achou que parou por aí? Hahaha, nenhum engano maior!

Nós, ocidentais, fomos agraciados com Ys I & II Chronicles Plus, a versão (até aqui!) definitiva, desembarcada na América e na Europa em 14/02/13. Demorou, mas valeu a pena – para jogá-lo, você deverá ser usuário da Steam ou GOG.com. Mas calma que ainda tem mais!

Ys I & II: Eternal Story não deve ser confundido nem com Ys Eternal (graças ao nome) nem com Ys I & II Complete (no qual é baseado, porém apenas baseado, expandindo muitos elementos e tornando-se um jogo completamente único). Ele está disponível apenas em solo japonês e é para PlayStation2. Existe desde 07/08/03. Que invejinha!

Para não ampliar em demasia essa lista, estou deixando de fora as adaptações para Nintendo DS e PSP (as de PSPortable podem confundir quem não futucar direito, de novo pelas repetições nos sufixos, embora sejam jogos novos e com conteúdo exclusivo por todo seu direito!). O mais justo é resenhar todos estes games aparte!

CURIOSIDADE 4: O título foi agraciado com os troféus de Melhor RPG e Melhor Trilha Sonora em 1990 pela revista EGM. A revista especializada PC Engine Fan, mesmo que se dedicasse exclusivamente ao aparelho e por isso pareça suspeito que enaltecesse tanto seu próprio produto, meritocraticamente ou não, elegeu, em 1992, o dueto Ys I + II o 3º maior jogo de todos os tempos, a 2ª melhor trilha da história dos videogames, a 5ª melhor experiência de gameplay e o 3º melhor no quesito desafio (que não avalia o que é mais difícil, mas o que mais oferece desafio sem ser injusto e sabe dosar na learning curve). Pode parecer fanatismo japonês, mas os caras foram até modestos se compararmos com a afurnação do resenhista do site americano RPGFan, que batizou este de “melhor jogo de todos os tempos”! Pode até não ser o melhor, mas sem dúvida é um dos mais influentes.

Lista de agradecimentos:

YusakuG, Genjuro Kibagami, bruplex, Emptyeye do gamefaqs;

mobygames.com;

RPGFan;

Wikipédia.

Por Rafael “Cila” Aguiar

versão 2.0 – criado em 2013, revisado e ampliado em 2022.

® 2002-2022 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!

5 respostas

  1. […] quiser saber com mais precisão como é o jogo de PC de 1989, recomendo a leitura do review de Ys: The Vanished Omens¹ (Master System). A única diferença é que Eternal – também chamado de Ys Complete em muitos meios – tem o […]

    Curtir

  2. […] 4 ocorre, temporalmente, um ano após a conclusão de Ys 1&2 (o que significa que seu enredo está situado antes de Ys 3, para constar). Adol e Dogi voltam a […]

    Curtir

  3. […] Ys Book I & II (Tgfx) […]

    Curtir

  4. […] Ys, como queira) se dá antes de Wanderers from Ys, mas algum tempo após os eventos desdobrados em Ys1&2. Vários habitantes dos vilarejos por onde Adol passa o reconhecem como o herói lendário que […]

    Curtir

  5. […] personagens. Sobre a nova quest de Adol, todavia, os fãs vêem semelhanças demais com o enredo de Ys I+II, denotando uma possível preguiça ou esterilidade dos roteiristas neste ponto. Como sempre, pelo […]

    Curtir

Deixe um comentário