CONTEÚDO CONTRA-INDICADO PARA MENORES DE 18 ANOS
CD-I Philips / PC

Voyeur

FICHA TÉCNICA
Developer: Philips Media
Publisher: Philips Media
Estilo: Thriller Erótico Interativo (!) > Política / Homossexualidade
Data de Lançamento: 1993
NOTA
4.6
Este jogo é pra…
(X) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Onanistas. ( ) incógnita
O advento do compact disc como mídia de jogos trouxe algumas esquisitices (para ser elogioso!) ao mercado americano no começo dos anos 90. Voyeur é um aglomerado de FMVs (full motion videos que contradizem o próprio nome, pois ocupam um pedacinho da tela, com resolução baixíssima mesmo para o tamanho dos televisores de tubo da época, de forma que as tiras pretas horizontais já foram removidas nestas imagens do jogo) que permite intervenções pontuais por parte do jogador. O game é claramente, desde a capa, proibido ou “não-recomendável” para menores de 18 anos. Sem o manual de instruções já é difícil passar da primeira tela, que exibe uma espécie de “trava de segurança”. Para quem conseguir superar esse primeiro problema da jogabilidade, um clipe provocante começa a rodar. A vista é duma janela (vi algo assim no cinema…): uma garota sexy, só de roupas íntimas, algema um homem à cama. Mais tarde se descobrirá que ela é uma secretária e ele um segurança, ambos funcionários pagos pelo mesmo chefe – mas será que isso realmente tem algum valor? Para os mais pervertidos, o banho de água fria: nada de nudez efetiva ou cenas de sexo, apenas insinuações e o torturante “quase”: a cena descrita acima, por exemplo, é desfeita pelo barulho do telefone tocando e a dama voltando a se vestir e saindo, com o pobre homem ainda atado…

Raramente os lábios estão em sincronia com as vozes…
Não que um jogo dessa temática precisasse de enredo, como qualquer outro filme pornô ou de suspense de quinta, em que tudo não passa de desculpa esfarrapada para a “ação”, mas ele existe: Reed Hawke, um CEO e “candidato a candidato a presidente da República dos EUA”, está sendo espionado em seu próprio lar por algum maluco que de alguma forma consegue manipular câmeras apontadas para os aposentos do dito-cujo sem jamais ser descoberto! Além de Hawke, sua família e convidados estrelarão os vídeos. Ícones como olhos e orelhas serão exibidos quando o jogador pode estar perdendo algo importante. Mais do que largar o controle e assistir, é essencial bancar o “diretor de imagens”, e escolher a qual cômodo dar preferência no instante atual. A premissa é muito similar à de Night Trap (Sega CD), outro clássico da ruindade que eu ousei resenhar!

Ao conseguir evidência suficiente que comprometa Hawke, que definitivamente não é um cara limpo, a polícia pode ser notificada. A prisão do homem presidenciável é seu “happy ending”. Robert Culp é o ator do mundo real que gravou as cenas com Reed Hawke e seu trabalho foi feito decentemente; porém, performances de personagens secundárias são o mais das vezes risíveis!

Trata-se de um título para solteirões com distúrbios mentais e que ao mesmo tempo não gostem dos jogos nem dos porns de “nova geração”, preferindo algo mais discreto e “clássico” (ou seja, absolutamente ninguém). Lembre-se que Voyeur, acima de tudo, é um meio-jogo ou ¼ de um: é mais importante observar do que controlar. Aos aspirantes a Hitchcock que se empolgaram por dirigir essa orgia sanguinária (pois também inclui assassinatos!) muito menos glamurosa que uma Janela Indiscreta(sim, lembrei do filme!), cabe ressaltar ainda que o jogo demora aproximadamente 1h e não há saves, mas uma característica interessante pode estender a gameplay: há 5 finalizações possíveis, já que a “pessoa da família” que quer ferrar Hawke e que ele tentará conseqüentemente assassinar muda a cada vez que se liga o jogo.

Agradecimentos ao Videogame Critic; e Philip Jong do Adventure Classic Gaming.
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2.0 – criado em 2013; atualizado em 2022.
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