clock tower: ghost head (psx, ps3, psp)

PlayStation

+ PS3 e PSP

Clock Tower: Ghost Head

Clock Tower II: The Struggle Within (EUA)

Clock Tower 3 (nome popular)

Clock Tower, the spin-off (nome popular após CT3 sair para PS2)

FICHA TÉCNICA

Developer: Human Entertainment

Publishers: Human Entertainment, Agetec (EUA), SunSoft (PSOne Classics)

Estilo: Action Adventure / Point-and-click > Survival Horror

Datas de Lançamento: 12/03/98 (JP); 31/10/99 (EUA); 09/05/12 (JP, PSOne Classics)

NOTA

5.5

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Psiquiatras que curtem ironia; apreciadores de enredos japoneses bizarros; o fã de Arquivo X que não entendeu nada da última temporada (porque aqui irá entender menos ainda).  (X) incógnita

Vida útil estimada: 16h30

Onde estão as marcas registradas da série? A Torre do Relógio, o serial killer Scissorman, a doce e valente (e azarada) Jennifer? Não é surpresa que, mudando do vinho pra água, esta instância de Clock Tower tenha decidido (isto é, no Japão) vir sem um numeral, diferenciando-se apenas com um subtítulo, demonstrando-se assim como um spin-off. O enredo e os personagens são reapresentados do zero. Esqueça, também, as tão tenebrosas quanto românticas florestas da Noruega, porque você estará muito longe delas enquanto jogar Ghost Head/Struggle Within. Black metallers choram (e borram o corpse paint)!

Ao invés de toda uma trama macabra na Europa setentrional, viramos a fita para o Japão, a terra dos videogames, onde nossa nova protagonista é a também escolar (como Jennifer) Yuu Midoushima. Ela não é órfã nem nada do tipo. Sensível, meiga e introspectiva (três sinônimos para TÍMIDA), Yuu no entanto guarda um terrível segredo a sete chaves – uma violenta personalidade masculina chamada Shou que pode emergir de dentro dela em situações de intenso estresse. Talvez o gamer se pergunte: Yuu sofre clinicamente de dupla personalidade, ou ela está de alguma maneira possuída por um espírito malevolente que eventualmente pode ser expulso? O jogo não fornece essa resposta mas, acredite, não fará a menor diferença… Altamente supersticiosa, Yuu anda pra cima e pra baixo com um amuleto da sorte que parece ter algum poder de trancar ou retardar o aparecimento de Shou, permitindo-lhe na medida do possível levar uma vida normal. De todo modo, caso o lacre seja quebrado, não vai demorar para o controlador perceber a mudança: o brilho dos olhos muda e o corpo de Yuu, agora Shou, é envolto numa aura azul. Grosseira, cruel, anti-ética até as estribeiras, a segunda personalidade de Midoushima é como que o reverso da moeda da timidez encantadora de Yuu. Só esperamos que a colegial não seja uma vestibulanda, porque isso significa que Shou vai ser convocado todo dia, afinal haja stress!…

O inovador nesse imbróglio é que Shou não é propriamente o VILÃO da saga, como deve ter parecido para muitos! Ele, tanto quanto ELA, é controlável, e muda completamente o conceito da gameplay da série Clock Tower: o psicopata não hesita em disparar armas de fogo, ao contrário da pobre Yuu, que, quando muito, pode se defender com um esfregão, quando encurralada. Aliás, amiúde será encurralada; só que a caça virará caçador se de repente Shou desperta no meio de uma fuga…

O leque de ambientes jogáveis é variegado, mas predominam salas de laboratórios e corredores de hospitais, ou seja, salas bem assépticas, o que contrasta fortemente com o sangue, fácil de sair das personagens de Ghost Head. Se Shou não é o vilão, quem então é o ente maligno?, se pergunta o gamer. É incrível a capacidade dessa garota-com-um-garoto-morando-dentro de atrair coisas ruins para sua vida… Na primeira fase uma priminha com uma faca será o antagonista! É Chinatsu, a assassin brat da risada maníaca e hedionda…

Mas isso é antes dos zumbis entrarem de penetra na festa! Montes deles. Zumbis verdes! E o sistema de jogo nunca privilegiou tanto a pancada quanto nestas fases: cada extintor de incêndio será usado para seu próprio bem e integridade aqui, mas não da forma convencional – já levou uma cilindrada na cabeça para saber como é que é?! Depois disso, saiba que o último chefe, Saidou, é um SADISTA SAIDINHO SAÍDO da ala psiquiátrica de um hospital, se me permitem um (triplo) trocadilho tão horrível quanto o cast de vilões…

Como os fãs das antigas repararam, CT jogou sua proposta original no lixo em prol de uma média com a galera de Resident Evil, ou seja, o survival horror mais mainstream. Azar da comunidade gamer, pois a qualidade da série foi uma curva descendente desde o começo promissor no Super Nintendo! Nem se deixe enganar pela falsa promessa de 13 finais paralelos (um recorde na franquia): dessa vez, só 1 é “verdadeiro”, e os demais são apenas “telas de game over refinadas”, ou seja, culminam com a morte de Yuu/Shou (DEAD ENDS da série). Será que valeria a pena caçar essa curio da ruindade/mediocridade? De qualquer jeito, daria para fazer tudo isso numa só gameplay, o que destrói a proposta de replayability dos CT mais antigos.

O pouco-intimidador last boss… Não seria o mestre do Tanjiro (Demon Slayer)?

Consolo? O voice acting – ao menos o nipônico – é mais do que convincente. A diferença das vozes de sacarina de Yuu e de rouquidão mordaz de Shou, pela mesma dubladora ou seiyuu, é fabulosa e palpitante. A personalidade fria e o léxico informal de Shou, regados por um tom cínico, são talvez a única dádiva maior do CD.

Lista de agradecimentos

GameFAQs:

hitorinotorri

Skaar

Tachibana Ukyo

The Black Prince

Por Rafael de Araújo Aguiar

versão 2 – criado em 2014, atualizado em 2022.

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