PlayStation


Clock Tower 2
Clock Tower (EUA, EUR)
FICHA TÉCNICA
Developer: Human Entertainment
Publishers: Human Entertainment (JP), ASCII (EUA, EUR), SunSoft (JP, PSN)
Estilo: Action Adventure / Point-and-click > Survival Horror
DATAS DE LANÇAMENTO:
13/12/96 (JP); 01/10/97 (EUA); 02/98 (EUR); 19/03/98 (JP, PlayStation The Best); 22/02/12 (JP, PSOne Classics)
NOTA
7.7
Este jogo é pra…
( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar ( ) um tipo específico de jogador. Qual? O silenthillzeiro em busca de um tipo mais impactante de medo. (X) incógnita
Vida útil estimada: 16h10
Começando de onde havia terminado… review de Clock Tower 1, que inclui a primeira parte dessa estória…
A matança ocorrida na mansão de Barrows foi rotulada pela mídia sensacionalista de “Assassinatos da Torre do Relógio”. A repercussão foi tão furiosa quanto irresponsável e fonte de mais e mais lendas urbanas que se tornaram a modernização dos contos de bicho-papão para adolescentes noruegueses inseguros, e até pessoas de fora…
Um ano se passa desde que Jennifer, a “estrela” do caso, efetua sua dramática fuga com vida, tendo deixado para trás o “maníaco da tesoura”… Jenny, se nos permitem a intimidade, tem agora 15 anos. Eis que a série de homicídios com um padrão volta a acontecer. As tripas são sempre expostas pelo autor. As vítimas são quase sempre do sexo feminino, e são sempre muito jovens. Por enquanto a polícia atribui os feitos a um lunático qualquer que teria se inspirado pelo frenesi dos jornais (ah, nada mais real do que uma ficção!), mas as autoridades só estão iniciando as investigações… Poderia o Scissorman quase-imortal do primeiro game ter sobrevivido e se recuperado? Se sim, poderá ele consumar sua vingança sobre a garota que quase o extirpou desse mundo, a solitária sobrevivente do massacre de 1995 Jennifer Simpson?

Dando prosseguimento ao enredo gerador de calafrios do cult classic de Super Famicom, mas que também saiu para o PlayStation no Japão, Clock Tower 2 finalmente apresenta a série para o Ocidente, espalhando-se pelo mundo exatamente como as notícias sobre o Homem-da-Tesoura conseguiram extrapolar as fronteiras norueguesas… Como era a primeira vez que muitos ocidentais ouviam falar no roteiro e na franquia, CT2 é – idiotamente, na minha opinião, como toda a salada em torno dos Final Fantasy de números trocados do Super NES e Super Famicom – conhecido como Clock Tower, sem prefixo, por aqui, o que pode contribuir para desorientações na hora de efetuar a compra até os dias atuais (e na verdade me faz baixar Clock Tower 2 quando queria baixar a ISSO de CT1). Mesmo pegando o bonde andando, ainda é perfeitamente factível embarcar nos acontecimentos, pois os textos e diálogos são tantos que os buracos na mente dos neófitos são logo preenchidos. Até porque, no mais, a fórmula segue praticamente inalterada: agora na pele de múltiplos personagens, sua missão ainda é afundar no reino do ocultismo, tentando ao mesmo tempo desmascarar um novo-velho vilão e sair vivo dos macabros encontros, desta vez em mais locais do que um casarão com quedas súbitas da luz elétrica…

A gameplay desdobrar-se-á em 3 de 4 possíveis scenarios, começando necessariamente pelo campus da Universidade de Oslo. O passado do Scissorman será desvendado, e para isso o jogador terá de atravessar o oceano, até um castelo medieval na Inglaterra. Revezando-se principalmente entre a cascuda Jennifer e sua guardiã Helen, você é o rato, e quem quer que seja que adora tesouras de jardinagem hiperbólicas é o gato! As grapich novels de PC serão instantaneamente lembradas quando se visualizar a setinha na tela (operacionalizável inclusive pelo mouse de PlayStation, vendido separadamente). Mas nunca antes numa graphic novel (talvez exceto D, Enemy Zero…) o gamer esteve sujeito a se deparar com um serial killer a cada passada pela tangente de armários, chaminés e até buracos ocultos nas paredes disfarçados por estratégicos quadros… O arqui-rival ser um tampinha enormemente flexível só ajuda a deixar essa ambientação paranóica mais verídica! O posicionamento do stalker é totalmente aleatório: só porque um móvel oco estava vazio quando você investigou pela primeira vez, não significa que precise ser assim da segunda… E como você acha que uma pessoa “normal” pode se livrar dum homicida desses? Armas de fogo, quiçá? Com habilidades ninja, quem sabe? Nem pensar. Convocando uma colônia de insetos com poderes psíquicos? Jogo errado, colega! Você apenas corre e se esconde. Outra descrição factível para o estilo de CT2 seria hide-and-seek à vera!

Corcunda de Notre Dame encontra Jason encontra Freddy Krueger: assim eu defino Scissorman!
Uma boa notícia nesse mar de apreensão: nosso querido “Tesourinha” só aparece à noite. Enquanto exploram as localidades sob a luz solar, Jennifer e Helen percorrem o mapa de Oslo (a capital da Noruega) num tipo de exploração bem RPGística. O leque de personagens secundários é largo, e o montante de conversações maior ainda. Escolhas pessoais nesses momentos “pacíficos” podem influenciar a jogabilidade decisivamente mais tarde e encaminhar o jogador para um dos 10 (DEZ!) finais possíveis, metade para cada uma das heroínas. Uma dessas escolhas se reflete no segundo cenário, que pode mudar 100%. A idéia de quase que obrigar os donos do CD a replays é maravilhosa, mas a progressão da narrativa é tão lenta nesses momentos de conversa jogada fora com NPCs que a idéia de investigar cada desdobramento possível torna-se rapidamente maçante e temerária.

Falta algo na apresentação visual. Como um título de primeira geração de PSOne, temos prós e contras em CT2. Transportar o anterior side-scrolling pseudo-2D (havia profundidade, mas em sprites, em CT1) para uma engine integralmente poligonal substituiu os charmosos artworks desenhados à mão do SNES/remake de PS e PC por modelos toscos e quadradões, sem expressão facial e de animação risível, habitando ambientes inanimados e estéreis. Nem ao menos tiveram a idéia de usar fundos pré-renderizados, como Final Fantasy VII, que disfarça as limitações do PlayStation como pode. Mesmo assim, a tridimensionalidade num ponto tecnológico tão precoce dos videogames não representou só perdas: finalmente temos ângulos de câmera mais dinâmicos e cinematográficos, sem falar na aplicação de close-ups dramáticos.

Boa pergunta!
As cutscenes mais importantes, maciçamente as do terceiro capítulo, são pontuadas pelo acréscimo de vozes aos diálogos, algo impossível apenas um ano antes, nos 16-bit. A qualidade é que deixa, e deixa muito, a desejar. O resultado é quase tão bufão quanto Resident Evil 1 o fôra. A comparação cabe ainda mais por serem 2 survival horrors virtualmente contemporâneos. A experiência de estar lidando com um horror B movie é inegável! Bizarramente, a versão japonesa (com o 2 já no título) oferece dubbing tanto japonês quanto americano! E os voice-overs foram totalmente substituídos por novas gravações na versão ianque, que, afinal, demorou uns 10 meses pra sair! Mas aqui vai o mais estranho: os atores foram os MESMOS que dublaram em Inglês na versão nipônica, só que o trabalho ficou BEM MELHOR! A bronca deve ter surtido efeito… Com exceções pontuais (como Beth – ou “A Feia”, como prefiro chamá-la), todo mundo acabou ficando mais respeitável em seus respectivos papéis. Tudo o que aconteceu no departamento sonoro de Clock Tower 2 torna-se um tanto mais incompreensível quando notamos que a Human mudou drasticamente de direção em Clock Tower 3: Ghost Head: mesmo na versão americana, as vozes se limitam ao cast de seiyuu (dubladores japoneses) do original. Tem gente na Human mais esquisita que o Homem-da-Tesoura, pelo visto…

Com apenas 3 cenários obrigatórios por sessão de jogo, CT2 ainda se notabiliza pela brevidade já encontrável em CT1, mas, como seu primogênito, conserta as coisas ao oferecer duas mãos cheias de finais. Dez endings ou quase-endings, já que nos 2 piores casos você nem mesmo chega ao último cenário. Para quem desconfiava, pelo teor do texto acima, que deixou subentendida a participação de mais personagens selecionáveis, tem sim mais protagonistas dividindo os holofotes: o inspetor-assistente Gotts e o repórter Nolan que se esforça para não parecer um pedófilo! Completar todos os caminhos com os 4, se serve de incentivo, abre secrets tais quais novas roupas para cada um deles. Como uma reedição mais longa e complicada (embora tecnicamente inferior) que a primeira versão, um dos pais do survival horror, Clock Tower 2 cumpre seu papel. Nada de equipamentos vistosos nem zumbis comedores de carne; mas aquela sensação de pânico quando se escuta a aproximação do insano perseguidor, o sentimento de urgência na lida com apetrechos como a alavanca que regula o elevador (meio de fuga) e a inevitável péssima surpresa: quando a porta do elevador se abre, descobre-se lá dentro aquele de quem tanto queríamos fugir!…
Quantas temporadas mais Jennifer terá que batalhar por sua vida? Tã-dã!…
Lista de agradecimentos
GameFAQs:
Tachibana Ukyo
Combat Crustacean
Mr. T
Sinister187
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – criado em 2014, atualizado em 2022.
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