
PlayStation / Super NES
+ PC, PlayStation 3, PS Vita, PSP, Wii, WiiU e WonderSwan




Clock Tower
Clock Tower: The First Fear (PlayStation)
Clock Tower for WonderSwan (…)
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FICHA TÉCNICA
Developer Human Entertainment, Naxat Soft (WS)
Publishers Human, SunSoft (Virtual Console e PSOne Classics), Media Kite (PC, relançamento), Bandai (WS)
Estilos Action Adventure / Point-and-click > Survival Horror
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DATAS DE LANÇAMENTO:
SNES – 14/09/95 (JP), 30/09/97 (JP, relançamento)
PS – 17/07/97 (JP), 09/11/11 (JP, PSOne Classics)
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PC – 28/03/97 (JP), 20/08/99 (JP, Ultra 2000 Series)
PS VITA (PSN) – 28/08/12 (JP)
PS3 (PSN) – 09/11/11 (JP)
PSP (PSN) – 09/11/11 (JP)
WII (Virtual Console) – 03/08/10 (JP)
WIIU (Virtual Console) – 06/11/13 (JP)
WS – 09/12/99 (JP)
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NOTAS
9 (SNES)
8 (PS)(*)
7.1 (PC)
6.1 (WS)
(*) As versões das variantes de Virtual Console e PlayStation Network são rigorosamente idênticas à de PSOne.
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Este jogo é pra…
( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? O silenthillzeiro em busca de um tipo mais impactante de medo. (X) incógnita
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Vida útil estimada: de 12h a 45h.

Clock Tower é um Action Adventure sub-catalogável como Survival Horror a despeito de sua precocidade, produzido e divulgado pela desconhecida Human Entertainment. Como Alone in The Dark – o pai dos videogames de terror – não saiu para as velhas mídias (cartuchos), este é o único SH que eu conheço de Super Famicom. Acredite ou não – já que desde 1995 muita coisa mudou, sobretudo nos “efeitos especiais” –, mas Clock Tower ainda é um dos games mais assustadores já feitos. E consegue-se essa proeza sem nem recorrer a muita carnificina nem sangue… Basta ver que o jogo foi aprovado para um console da Nintendo sem passar por qualquer tipo de censura… Tirando suas continuações para PlayStation (voltaremos ao assunto no último parágrafo), Clock Tower não conheceu oficialmente o caminho do Ocidente, mesmo que este episódio original tenha sido RELANÇADO O N Z E VEZES (!!!) no Japão (incluindo serviços de internet de consoles de nova geração, que redescobriram o cult classic, vd. acima). De qualquer forma, Clock Tower 1 é jogável para o público americanizado, hoje, via emulador, com menus e diálogos traduzidos e tudo o mais.


O NOME DELA É JENNIFER
Para a colegial Jennifer Simpson, 14 anos, a tragédia não é uma estranha. Sua mãe morreu em seu parto; 4 anos depois seu pai, um físico, desapareceu misteriosamente sem deixar traços após sair para ir ao trabalho. Criada no Orfanato Granite desde então, ela e três amigas-quase-irmãs (a tímida Laura, a serelepe Ann e a machona Lotte) foram todas adotadas de uma vez pela mesma pessoa, um rico recluso que atende pelo nome de Simon Barrows e mora num velho casarão na Noruega. Essa mansão de cores sóbrias e imponente pelo tamanho é conhecida entre seus vizinhos como a “Torre do Relógio”, daí o nome do game. A diretora do orfanato, Ms. Mary, acompanha as crianças (púberes) até seu destino. As cinco mulheres mal imaginam que tipo de destino horrendo as aguarda nesta estância isolada sob um céu escuro…



Depois de uma ligeira introdução contada por imagens estáticas e texto (ou uma FMV bem simplezinha, no caso do PC e PSX, bem como dos ports de última geração), você percebe que as outras crianças não estão mais na sala. A luz foi cortada, e pode não ter sido um simples trote…



Após curtas explorações pelos cômodos, fica claro que um maníaco está colecionando corpos de donzelas virgens… Você pode ser a próxima, Jennifer!



Mas se engana quem acha que terá kilos de textos em que chafurdar, que o psicológico dos personagens é densamente explicitado… Fato é que o roteiro é bem reduzido e muitas questões podem permanecer irrespondidas… Mas isso não impede o game de ser altamente atmosférico e aproveitável. Clock Tower representa um belo chute no traseiro de jogos de terror mais moderninhos. O chute dói muito mais quando a concorrência do futuro olha para o passado e pensa: o que eu fiz de errado, se um jogo originalmente de Super NES conseguiu me superar?! Não vou colocar CT num pedestal e venerá-lo cegamente, não obstante. O scripting é ótimo, mas não é nada espetacular ou que pudesse interessar diretores de cinema. E por mais que a atmosfera seja absorvente, começa a cansar em pouco tempo, mais propriamente quando se finaliza pela primeira vez. A estória é curta (no modelo escolhido, nem poderia ser muito diferente…) e apresenta 9 finais alternativos,¹ mas a verdade é que a diferença entre um e outro é banal. Scissorman, o estranho antagonista, já terá sido desvendado o suficiente e não meterá mais o mesmo medo de antes. Tudo isso não exclui que Clock Tower ainda é o game mais assustador dos 16 bits e, quiçá, para quem não tem medo de zumbis ou cidades envoltas na névoa, dos 32 bits também!
¹ Numa das fontes consta que são 10, mas não pude comprovar pessoalmente!



Clock Tower é como os survival horror sempre deveriam ter sido. Resident Evil tem seus momentos “boo!”, ou seja, sustos ocasionais produzidos por zumbis quebradores de vidraças de janelas e congêneres, mas nada que faça alguém desmaiar ou ter uma crise de pânico (ok, CT também não chega a tanto). Silent Hill, admite-se, chega a ser perturbador, mas não assustador no sentido de Clock Tower, porque o feeling é mais o de um “gótico onipresente”. O que torna CT tão peculiar e o rei do quesito até a virada do milênio é que, diferente dos outros clássicos, nele você não controla alguém com capacidade de correr (bem ou mal) por aí segurando uma arma. Tampouco seu personagem controlável em CT tem HP pra dar e vender ou um extenso know-how no assunto (um policial da S.T.A.R.S., por exemplo). Aqui você é apenas a órfã Jennifer, uma pré-adolescente. Uma garotinha desamparada! Você não pode usar armas, nem mesmo brancas, nem se curar com ervas ou suturas. O único jeito de se livrar do vilão é correndo e se escondendo. O Homem-Tesoura é um perseguidor implacável e vai brotar nos contextos mais improváveis. Em tese, Jennifer pode usar o cenário a seu favor a fim de matá-lo, mas isso não impede que, misteriosamente, o cara reapareça no próximo cômodo, como se nada tivesse acontecido!



Jennifer tem duas pernas, dois braços e suas faculdades mentais em dia, para quem achou estranho o fato de ela não poder “correr”. A rigor, pode-se correr, mas a um alto custo. O avatar permanente de Jennifer no rodapé da tela indicará sua condição física, para não dizer da psicológica (ela nunca estará feliz, mas pode estar assustada, assustadíssima ou em verdadeiro pânico). Quanto mais energia ela gastar (e correr gasta muita energia), menos apta estará a se defender do “Tesourão” quando chegar a hora. De quando em quando você terá de repousar sem nada fazer para recuperar a stamina da heroína. O problema é que vai esperar um tempão e a condição dela ainda não terá melhorado tudo que pode. E quando Jennifer não corre ela só pode andar… num ritmo realmente de lesma. Isso num “filme” de terror é o que ninguém gostaria para um mocinho (no caso mocinha)… A foto abaixo mostra uma circunstância bastante especial: Jennifer se encontra encurralada pelo serial killer e só tem uma chance de escapar – é acionando seu “botão do pânico”, agindo escorada na adrenalina do momento. Apertando a tecla no instante indicado, a personagem poderá segurar a tesoura do Edward macabro na hora certa e retardá-lo em seu stalking!

Aparte toda essa metade de hide & seek que classifica Clock Tower como “ação”, ele é basicamente uma aventura de point & click, como tantos hits antigões de PC. A diferença é que morrer fica tão fácil quanto no mais vagabundo dos livrinhos de RPG! Além de se preocupar em movimentar o corpo de Jennifer, o cursor branco na tela deve ser sua maior prioridade. Para quem acha que conciliar essas duas funções pode ser confuso, ainda mais num joystick de SNES ou PSX, se engana, porque a interface é a mais simples possível. A dificuldade do jogo estará muito mais na quantidade de pormenores que devem ser observados nos tantos cômodos da casa e nas investidas do maldito corta-tudo-por-dinheiro que nos controles. O que tira um pouco o ânimo do explorador reincidente, como já dissemos, é que mesmo o final “SS” (o melhor de todos), além de complicadíssimo de obter, é quase igual os outros.



Os gráficos de CT foram uma escolha bastante feliz da Human. O character model da protagonista é a típica menina aterrorizada e com aparência de indefesa que esperávamos para ilustrar o conceito do jogo, a antípoda de uma Milla Jovovich da vida. O antagonista, por seu turno, não é aterrador pelo seu tamanho (já que ele tem metade da sua altura!), mas pela sua conduta doentia e asquerosa, sem falar no tesouraço de jardim que carrega! Destaque para os momentos mais “gore” da narrativa, de que fazemos o spoiling nas nossas imagens: Jenny descobrirá os corpos de suas amigas pendendo de forcas ou estendidos no chão das formas mais cruas e cruéis imagináveis… Gulp!



Quem simpatizar com Clock Tower 1, tendo em vista que é um Adventure tão curto, deve correr atrás (mais rápido que a Jennifer, por favor) também de Clock Tower 2 (que infelizmente é chamado simplesmente de Clock Tower no Ocidente, confundindo cabeças) e Clock Tower 3: Ghost Head (Clock Tower II nos States), estes exclusivos de PlayStationOne. Essas são as continuações literais, pois você segue no papel de Jennifer. A versão em CD realmente não muda muita coisa, na verdade nada que mereça ser mencionado em review, a não ser os efeitos sonoros mais convincentes e a inclusão de uma arma para autodefesa, uma adaga, bem como a de um cômodo da casa, cuja visita é no entanto opcional. E, para o absolutamente maluco pela franquia CT, afora um QUARTO Clock Tower de PS2 (chamado de Clock Tower 3, MESMO no Japão, que salada!!), tem um raríssimo Clock Tower preto-e-branco no WonderSwan, o “Game Boy da Bandai”, portátil que deve ser importado do Oriente pelo ávido colecionador! Então, como dizem por aí, “shut down the lights and lock the door”, desligue a luz e feche a porta, porque a diversão (?) só está começando…




Vermelho é sinal de perigo máximo: deixe Jennifer sempre com seu avatar em fundo azul!
E, Jennifer, você precisa ser forte, então engula o choro e siga em frente!…

Como era previsível, o port para WS é cru e lento! E o mais engraçado: por razões além do óbvio, não tem como o medidor de “vida” ser o mesmo que da versão cromática! Bom, parece que, para remediar os contras, adicionaram alguns novos ou ao menos um novo final. Isso poderia explicar a discrepância que encontrei em minhas fontes: seriam 9 ou 10 endings, afinal (sem contar as mortes de Jennifer ou dead ends, neste game)?
CURIOSIDADE 1: Mas por que Jennifer? Nem sempre há um motivo para um nome de personagem. Mas neste jogo há: esse é o mesmo nome da atriz Jennifer Connelly, que interpreta a protagonista de Phenomena (1985), thriller italiano que inspirou a obra interativa. Estava na cara que não podia ser um blockbuster gringo à la Scream!

CURIOSIDADE 2: Para celebrar os 20 anos do lançamento do jogo (de Super Famicom), bem como para descolar umas verdinhas, é lógico, uma trilha sonora foi lançada em CD, intitulada CLOCK TOWER 20th Anniversary Sound Collection. As faixas incluem composições do Clock Tower primogênito de SNES (e do remaster de PS e Windows 95), bem como das citadas continuações Clock Tower 2 e 3.

Lista de agradecimentos
1up-games.com/
sanjuro
en.wikipedia.org/
GameFAQs:
Bass_X0
Combat Crustacean
KFHEWUI
Kieff_Kalina
noidentity
Shotgunnova
Ofisil
Tachibana Ukyo
Tropicon
honestgamers.com/
Sho
mobygames.com/
Apogee IV
Little Yoda
Lucas Baty
E o extinto site planet-wonderswan.de (reviewer Sebastian), através do archive.org!
Por Rafael de Araújo Aguiar
versão 2 – criado em 2014, atualizado em 2022.
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