sonic blast (gg/ms)

Game Gear / Master System

Sonic Blast

G-Sonic (JP)

FICHA TÉCNICA

Developer: Aspect

Publishers: Sega (GG), Tec Toy (MS)

Estilo: Ação > Plataforma 2D

DATAS DE LANÇAMENTO:

Game Gear – 12/12/96 (EUA, EUR), 13/12/96 (JP)

Master System – 1997 (Brasil)

3DS – 18/04/12 (JP), 14/06/12 (AUS, EUR), 20/06/13 (EUA)

(*) Também presente em compilações de PlayStation 2, GameCube, Xbox e PC.

NOTAS

5.1 (Game Gear)

4.6 (Master System)

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Os colecionadores de suvenires do porco-espinho.  (  ) incógnita

Um pequeno histórico do Game Gear: depois de 6 anos de existência “oficial”, a Sega finalmente decretou sua descontinuação, isto é, a interrupção definitiva de sua produção, até porque a concorrência já vinha asfixiando suas vendas há tempos. Estamos falando do período de 1990-96, em que subsistiu alguma rivalidade Sega X Nintendo também no mercado dos portáteis, embora o Game Boy fosse o campeão de audiência disparado e contasse com muito mais títulos e apoio de softhouses. O mais estranho é que o Game Gear, por si só, nunca mereceu perder de goleada, como de fato perdeu: iluminação interna, paleta de cores e processamento gráfico poderosos, tela maior… O Game Gear oferecia características que só foram incorporadas pelo Game Boy vários anos depois. Enquanto o Game Boy Pocket e o Game Boy Light surgiram em 1996 e o Game Boy Color em 1998, desde 1990 o Sega Game Gear oferecia a experiência de jogar um videogame sem ligar nada na tomada, num quarto escuro, e em cores, o que decididamente não era pouco. Admitamos, contudo, que se tratava de um periférico pesado e desajeitado, um autêntico trambolho, além de conseqüentemente consumir quantidades incríveis de bateria (ou seja, pilhas). As desvantagens acabaram pesando (he, he!) de forma decisiva para arbitrar o confronto. Podia sobrar hardware, mas faltava praticidade. A Sega sabia que sua plataforma estava condenada, mas quis se despedir honrosamente contemplando seus usuários com mais um Sonic, com outra aparição exclusiva de seu mascote, no último natal do aparelho… apenas para falhar miseravelmente.

À primeira vista, Sonic Blast atende às expectativas de quem espera um Plataforma digno. O protagonista tem carisma e muitos dons. Além da já consagrada spin dash, traz um novo movimento: o pulo duplo (o que em Sonic 3 era apenas um escudo luminoso, torna-se com efeito a faculdade de prorrogar o tempo no ar e alcançar novas alturas, o que, se se analisar o curto diâmetro da tela, é uma medida corretiva exemplar nos controles). Portanto, qualquer novo desafio que represente Dr. Ivo Robotnik, poderá ser encarado, literalmente, à altura. Os níveis reinvestem nos loop-de-loops, plataformas móveis, abismos e molas, e nos manjados animais robotizados. Lá estão, outrossim, as argolas salvadoras! Mas já na primeira das 5 zonas, Green Hill, o gamer compreenderá a defasagem entre esse Sonic e os Sonics clássicos de Master ou Mega, ou mesmo entre Sonic Blast e os Sonics de qualidade lançados anteriormente para o próprio Game Gear, como Sonic Triple Trouble ou Sonic & Tails 2 no Japão. O personagem está lento, mais lento que em Sonic 1, quando sua velocidade nem era lá essas coisas… Talvez a idade tenha chegado para o herói, ou seu apetite insaciável por chilidogs comece a cobrar o preço!

Uma tentativa para adicionar variedade é a inclusão de Knuckles como segundo personagem selecionável, mas essa também não consta como medida exatamente original. O semi-vilão de Triple Trouble e Sonic The Hedgehog 3 é um bom remédio para os enjoados da mecânica de jogo mais fluida e destemperada do azulzinho. A spin dash – sair rolando como um projétil pelas superfícies – ainda está em seu repertório, mas escalar paredes e atingir locais inacessíveis a Sonic é realmente um atrativo todo especial, e convence os mais céticos. O baque na jogabilidade fica por conta da reformulação da habilidade de planar, presente em Sonic & Knuckles. O tempo de sobrevôo de Knuckles ficou reduzido a poucos segundos, ao invés de ir até ele chegar ao solo ou a uma parede. Após um breve instante, o co-herói cai como uma pedra. E nem é bem isso que irrita ou indigna o fã: as fases são de qualquer forma muito limitadas e claustrofóbicas para que se sinta falta da antiga efetividade do interessante recurso do echidna. Sobre a ausência de Tails, uma hipótese é que a Sega já cansou de utilizá-lo como um complemento besta em seus títulos, e sabia que nada poderia remediar a catástrofe que se tornou Blast. Na verdade, excluir a raposa significava fazer um animal a menos pagar mico!

O descuido com a apresentação dos níveis de jogo, o mais essencial num título, pode se justificar pela atenção desproporcional dedicada à imagem. Como estavam em voga, à época, os gráficos renderizados e surpreendentes de Donkey Kong Country, extraindo o máximo dos hardwares 16 bits, os desenvolvedores resolveram emular tamanha beleza. É inegável que Sonic e Knuckles estejam com uma cara boa no portátil, bem fofos na tela. Seus pêlos até brilham e esvoaçam ao vento! Os tênis vermelhos de Sonic deixam um rastro para trás, subentendendo que se move de forma célere pelos cenários. Mas não só vimos que na prática isso é mentira como ficamos revoltados com o fato de serem poucos os quadros de animação dos dois bonecos controláveis. Ademais, os elementos estáticos parecem mais turvos que o normal, já que o cartucho não tinha espaço para tanto detalhamento. Lava que se assemelha a lasanha queimada, flores pobremente coloridas e solos pouco convincentes. A quase totalidade dos inimigos é um amontoado de cores sem muito sentido e que não pode render muitos sustos ou respeito, apenas risos. Até o Robotnik parece mais inofensivo do que de costume!

O ciclo de vida do Game Gear se encerrou mais ou menos com o lançamento de SB/G-Sonic. O sistema começou modesto e se despediu de forma modesta. Lamentável, até. Não profanemos mais esse cadáver… Para quem tem um Master System que queira desempoeirar, a título de curiosidade, a Tec Toy até readaptou o jogo em 97, mas fica claro que não podia sair um suco gostoso de uma fruta murcha. Nenhuma culpa da representante da Sega no Brasil!

No Master System

Agradecimentos a discoinferno84, vinheim, Crythania, Scrounder, Saikyo_Mog e nintendolife.com.

Por Rafael de Araújo Aguiar

versão 2.0 – criado em 2012; atualizado em 2022.

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