guitar hero (ps2)

PlayStation2

Guitar Hero

F I C H A T É C N I C A

Developer Harmonix Music Systems

Publisher RedOctane

Estilo Simulador Musical > Guitarra

Data de Lançamento 07/11/05 (EUA)

NOTA

9.1

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Neófitos ou experimentados a fim de desencanar.  (  ) incógnita

Surpreendentemente, esse não é o primeiro exemplar do gênero Simulação de Performance de Instrumento. Mas é o primeiro pilar realmente sólido no estilo. Revolução é a palavra que melhor descreve uma novidade de mercado tão impactante quanto os games com joysticks em forma de tapete de dança foram em sua época. Um passo além no quesito interatividade. Primeiro, vamos ao histórico da empresa desenvolvedora, a Harmonix: os próprios homens envolvidos neste projeto haviam trabalhado em artigos relativamente obscuros que serviram de experiência preliminar e prelúdio para GH, Frequency e Amplitude (ambos para o próprio Play2). Talvez o Adão do estilo, entretanto, seja o nipônico Guitar Freaks, da Konami. A diferença básica para Guitar Hero é que o primeiro não contava com um controle em forma de guitarra (ou, pelo menos, de forma padrão, isto é, vindo com o jogo, e em alto nível!). Surpreendentemente (e é a segunda vez que utilizo o advérbio no parágrafo), a Konami e a Harmonix já se associaram para produzir um jogo, Karaoke Revolution, outra brilhante incursão no gênero, que fazia do seu console doméstico um substituto à altura de aparelhos antes caros e exclusivos para a função de captar a voz humana e passar as letras pela tela, numa era de sofisticação mais rudimentar. Todas essas maravilhas foram possíveis graças, lá atrás, a pesquisas de profissionais ligados à Cambridge University.

O segredo do sucesso de GH é a jogabilidade. A guitarra não tem cordas, como seria de se esperar, mas cinco botões na extremidade do braço, como na primeira foto da matéria. Há uma pequena alavanca no corpo da guitarra para substituir as strings. Mesmo a alavanca de tremolo/vibrato não foi esquecida. O design é geralmente elogiado por guitarristas, apesar do tamanho reduzido (é uma guitarra em menor escala) e das demais mudanças obviamente serem mais apreciadas ainda por iniciantes não-familiarizados (porém motivados para começar)… A tela consiste em um braço de guitarra na parte inferior cujas casas vão deslizando de trás para frente, com notas em diferentes cores, representadas pelos 5 botões citados acima. Algumas notas são adornadas com linhas, o que significa que a tecla correspondente deve ser pressionada por mais tempo, igual acontecia com as setas frisadas em Dance Dance Revolution. Nada impede o jogador de experimentar o produto com o dual shock habitual, como se faz com a maioria dos jogos de PS2, mas seria uma temeridade que sugaria toda a diversão e aboliria inteiramente a proposta do game em si. É bom ressaltar que o controle, especialmente desenvolvido para o universo de Guitar Hero, é incompatível com outros games e engines, portanto experimentá-lo nos jogos de tocar música da Konami seria uma total perda de tempo, embora até se entenda o lado do jogador: o único controle-guitarra que a empresa japonesa tentou fabricar foi um fiasco!

Atenção às linhas…

Uma das características mais bem-pensadas é a forma apenas gradual com que a dificuldade ganha terreno nas performances de Guitar Hero. No modo carreira, serão 5 as modalidades, e em pouco tempo o jogador saberá como deve proceder e qual é o seu lugar: sendo um veterano do instrumento, poderá se aventurar de pronto nos modos mais complicados, mas se nunca segurou uma guitarra na vida não terá chances no nível 2 ou 3, tendo de se acostumar com as músicas mais simples primeiro, além de usar só 3 dos 5 botões, até ficar mais habilidoso. Do easy ao expert, podemos dizer que o clímax do desafio é encarar os solos.

Na opção quick play, escolhe-se livremente a faixa da preferência do usuário, desde que ele já tenha batalhado para destravá-la no career. O desempenho é medido em forma de pontos, e os recordes para cada faixa musical são salvos. Contudo, o multiplayer é o único que permite escolher o guitarrista (isto é, o personagem fictício, no jogo) e o modelo da guitarra (idem) antes da disputa. Até 2 aspirantes-a-guitarristas podem brincar, um contra o outro, desde que haja mais um controle na área, só que na realidade os duelistas se revezarão na performance, ao invés de tocarem juntos (o que seria, aliás, muito barulhento), havendo, de qualquer forma, uma distribuição justa da CPU no que se refere a trechos difíceis, solos e partes mais calmas. Se cada um pudesse tocar uma música inteira, aposto que um controle-guitarra bastaria…

Além dos comentados, há mais um modo que é apenas um tutorial ensinando o elementar, inclusive o uso do star power. O star power é adquirido quando se tocam corretamente as notas que possuem um formato estelar ao invés dos contornos redondos de praxe. Muitas dessas notas devem ser executadas se o jogador quiser preencher o medidor de star power que deverá aparecer na tela. Mesmo enchê-lo pela metade já tem sua utilidade: incline o braço da guitarra para cima, o que iluminará todas as notas e duplicará seus pontos. Como perder muitas notas em seqüência acarreta em game over, o star power ajuda, principalmente nos modos mais difíceis, a manter o gamer/guitarrista vivo, pois mais notas para tocar significam mais adornos de estrela e, portanto, o medidor enchendo mais rapidamente!

Ao aspecto mais deleitador, para os apreciadores do rock ‘n’ roll: quais são as músicas da seleção? Primeiro devemos avisar que são todas versões cover, isto é, imitações ou tentativas de reprodução fiéis ao máximo às originais, mas sem aquele toque de mágica que os próprios autores proporcionam a cada faixa e, principalmente, sem as vozes, impossíveis de reproduzir no mesmo patamar dos outros instrumentos, os não-orgânicos! Obviamente, o foco está nas guitarras. Portanto, a escolha das músicas tem muito a ver com o interesse apresentado pelos riffs, isto é, pelas linhas de guitarra que mais se repetem, em cada canção. Os fãs vão aprovar Bark at The Moon (Ozzy Osbourne) e You’ve Got Another Thing Comin’ (Judas Priest), por exemplo, que são dois medalhões do princípio dos 80. O mesmo não se pode dizer dos menos ecléticos, quando se depararem com novidades incluídas para agradar a garotada, como Fat Lip (Sum 41) e Take Me Out (da banda indie Franz Ferdinand). Certamente o solo final de Lati(n)do Para a Lua deve ser uma tarefa do modo expert! São 30 músicas famosas cujos copyrights foram obtidos, mas a sobremesa – ou Lado B – fica por conta das várias composições de bandas underground, cujos integrantes muitas vezes estão entre os próprios desenvolvedores! Há, por último, um pouco do synthpop do Freezepop, que, não sabemos por quê, estão em praticamente todo jogo da Harmonix, como se fossem mascotes da empresa. Ok, agora sabemos o porquê.

Não que o visual importe nesse tipo de jogo, mas só para constar: quem já tiver as seqüências decoradas e puder prestar atenção nos arredores ou todos que estiverem apenas assistindo alguém jogar notarão os cenários diversificados construídos para as performances, que incluem desde uma festa no porão até um show a céu aberto num grande palco. Os bonecos estão lá para fazer as poses típicas dos guitarristas. Às vezes sua atitude estereotipadamente enérgica enjoa os mais rodados.

Outros famosos que estão no jogo: David Bowie, Queen, Queens of The Stone Age, Megadeth e Pantera.

Vibração por parte da platéia indicará se você está indo bem ou mal. O star mode faz com que sua guitarra se destaque automaticamente de todos os outros sons, tanto os da banda quanto os do ambiente, e é um toque interessante, já que adiciona charme e não é tão constante. Os músicos e conhecedores técnicos do negócio vão amar mexer nas opções para customizar o volume de cada elemento do espetáculo a seu gosto.

Trata-se, em suma, de uma maneira excepcional de se divertir, caso faça o seu estilo. Haverá quem torça o nariz, irremediavelmente, para um simulador de guitarras que estiliza o processo de tocar uma guitarra de verdade. Eu mesmo, apesar de não deter conhecimento nem prática no departamento guitarrista, entendo esse game não como um substituto da arte musical em si, mas como um complemento bem-vindo para horas específicas, de lazer relaxado. Uma coisa não deve obliterar a outra, mas apenas servir de preparação ou de estímulo para se gostar cada vez mais do instrumento e das bandas que tanto o homenageiam!

Agradecimentos a Jeff Gerstmann.

Por Rafael de Araújo Aguiar

versão 3 – 2012, 2022, 2023.

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Uma resposta

  1. […] qualquer maneira, um melhoramento foi promovido: há um botão para se engajar no star power mode (vide review de Guitar Hero 1 para detalhes suplementares) localizado acima da barra de tremolo (antes sua única opção era empinar o instrumento de […]

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