castlevania: the adventure (gb)

Game Boy

Castlevania: The Adventure

FICHA TÉCNICA

Developer: Konami

Publisher: Konami

Estilo: Ação > Plataforma 2D > Hardcore

Data de Lançamento: 12/89

NOTA

5.2

Este jogo é pra…

( ) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar ( ) um tipo específico de jogador. Qual? ______ ( ) incógnita

Conheça Christopher, um Belmont “diferente”. De passos hesitantes e em câmera lenta, lânguido em todos os movimentos, como se afetado por uma enorme carga. O peso deve derivar da responsabilidade de estrelar o primeiro Castlevania de Game Boy! Mas isso não serve de muleta para a apresentação defeituosa.

O título é como os Castlevania de NES com que as crianças que nasceram nos anos 80 cresceram (eu sou uma delas!)

À primeira vista, parecia ao consumidor um Castlevania no mesmo patamar de qualidade dos demais. A falta de cores não importava em nada aos olhos dos fãs. Quanto ao som e à jogabilidade, confiávamos o suficiente nos dotes da Konami em elaborar narrativas góticas 2D cujos protagonistas invariavelmente portam chicotes mágicos. Pelo menos até o momento em que saiu CVA, essa confiança nunca havia sido quebrada.

A contagem regressiva para terminar cada fase começa em 12 minutos mais alguns segundos no topo da tela, e você precisará de quase todo esse tempo corrido para completá-las, sem contar as inúmeras mortes – e nada de bateria interna ou passwords!

A música é reminiscente da trilha de outras versões, mas devido ao pouco poderio do hardware as faixas são como que um aglomerado de notas, ficaram átonas demais! E dão uma sensação depressiva, não como a depressão “excitante” e atmosférica dos primogênitos, que inspirava o jogador e fazia-o sentir-se de fato no castelo do Conde. Dessa vez, é apenas uma forma de desanimar o jogador…

O que há de comovente é rapidamente sugado, como gordura por um lipoaspirador, pela tediosa e frustrante mecânica. Mover Christopher para a esquerda e a direita – e ocasionalmente para cima e para baixo – enquanto empunha o único chicote do mundo capaz de combater criaturas das trevas deveria ser mais divertido. Será que o power-up, que deixa o chicote de Belmont mais parecido com a flor de fogo de Super Mario, com a capacidade de lançar projéteis, salva mais do que as aparências? Difícil, quando se esqueceram de incluir até mesmo as glamurosas armas auxiliares/secundárias. (Nada de água benta, bumerangues-crucifixos, cronômetros para congelar o tempo… Heresia!) Ainda estão lá os castiçais nas paredes e os coraçõezinhos que rendem pontos, por mero respeito à tradição.

Até aí, tudo bem. Podemos perdoar as falhas, a anamnese e as pequenas omissões dos produtores. Ao que se atribui então o termo “mecânica tediosa” empregado acima? Christopher Belmont, infelizmente, é devagar demais. Parece um residente de asilo que foi convocado imperativamente pelo seu sangue para combater o renascimento centenário do Conde Vlad Drácula extemporaneamente. Isso quer dizer que ele não poderia deixar de ir, mesmo contra sua vontade, e a de suas dedicadas enfermeiras, e em que pese seus problemas vasculares crônicos e incuráveis! Escadas foram substituídas por cordas nessa edição, poupando os joelhos e demais articulações do envelhecido herói… Achei um toque interessante, primeiro porque poupa espaço na tela do GB, e segundo porque as escadinhas dos Castlevania de Nintendinho já estressavam o suficiente, com a facilidade que tinham para fazer o protagonista empacar ou ser encurralado!

Dica: sempre pule da extrema beirada das plataformas, ou jamais alcançará o outro lado!

A dificuldade é estrondosa, uma marca registrada dos joguinhos de mata-Drácula. Mas nada justifica os parcos 4 níveis desenhados para entretê-lo(?). Morrer, morrer, morrer. É a ação mais comum em Castlevania. Agarre-se com unhas e dentes a cada novo progresso de um metro (digo, 1cm na tela, provavelmente) que conseguir desempenhar, porque é assim que se zera este pocket classic da Konami! Tudo isso contando com um personagem controlável muito mais lento do que deveria, cujos saltos são sinônimo de imprecisão (e o que mais se exige são pulos com exatidão milimétrica). Conselho tardio aos desenvolvedores: se era para tornar um jogo difícil, que os jogadores pudessem ter uma chance honesta de lutar…

Não é irônico que muitos dos layouts elogiadíssimos e geniais de Super Castlevania 4, dentre outros clássicos dos 90, tenham sido baseados no design deste Castlevania primitivo e tão odiado ou simplesmente ignorado? Tem até passagens alternativas, o que não se verificava no episódio original. Lembrando que The Adventure, justamente, fecha a década de 80 desta franquia, tendo vindo num intervalo de poucos dias em relação à entrada do enaltecido e versatilíssimo Castlevania 3, a saideira nos 8 bits, no mercado. O de 1989 foi um Natal e tanto para nintendistas-konamistas!

Castlevania: The Adventure é um side-scrolling medianamente competente. Pecaminoso na hora das seqüências de pulos, sobretudo no nível 3, na sala dos espinhos emergentes e na dos espinhos perseguidores! Reencontros históricos ocorrerão, com direito ao velho Conde (porém, como ele é imortal não sofre de artrite, feito nosso pobre Belmont) e suas múltiplas faces e formas físicas, que tanto arrepiam os mais sujeitos a crendices.

No final, o que impede uma estaca de madeira de acertar o coração do jogo, e que estimula os aventureiros, é saber que a música do ending vale o esforço! Só uma correção providencial: não devia ser <THE> Adventure, mas <Just One More> Adventure…

Rafael de Araújo Aguiar

Agradecimentos a Marc Golding, Aussie2B, Phediuk, Raiden, Tarrun, discoinferno84 e Retro

versão 2

© 2013-2021 rafazardly

Uma resposta

  1. […] os jogos que já revisamos – se não estiver linkado, ainda não foi “upado” no novo blog.)Castlevania: The Adventure (Dracula Densetsu no Japão) (GB)Mario Party (N64)Mega Man 2 (NES/PS/Android)Mega Man 4 […]

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