FICHA TÉCNICA
Developer: Konami
Publisher: Konami
Estilo: RPG / Adventure (Metroidvania)
Data de Lançamento: 30/06/98 (JP)
NOTA
8.55
Coitadinhos dos usuários de Saturn. Apesar de ter uma memória RAM 2D muito mais capaz que a do PlayStation, por que será que o rival número 1 da Sega, em sua existência, sempre recebeu mais e melhores títulos side-scrolling, tais quais Abe’s Oddysee, Tomba e, claro, Castlevania: Symphony of The Night? Err… coitadinhos nada! Pelo menos o mês de junho de 1998 seria o mais inesquecível do console: o próprio Castlevania:SoTN daria as caras. Só no Japão – e com um nome deveras estranho para nós (Dracula X). Mas ainda assim o mesmo game que foi considerado o melhor Adventure de todos os tempos no console da Sony! Belmonts e demais caçadores de vampiros que se preparem…
ENREDO
Para os que não se ligam no enredo dessa obra-prima da Konami, DX começa onde o último Castlevania terminava: no confronto final entre Richter Belmont e, ele!, Lord Dracula (simplesmente Conde, para nós). Já controlando o personagem (mas detendo a imortalidade, que ironia!), o gamer tem a oportunidade de mandar a besta morceguenta para o Quinto dos Infernos. (Epa, pera lá, não é de lá que ele veio? Na verdade não: o Conde foi um humano como qualquer outro antes de ser mordido por um vampiro e se converter no mais temível e poderoso dentre eles – até uma amante humana e um filho híbrido ele teve mesmo na segunda e mais importante parte de sua vida –; de qualquer modo, para os incrédulos, o seriado da Netflix exibe como no Inferno Drácula não podia mais fazer das suas – era apenas uma espécie de purgatório idílico para remoer seus pecados ao lado da antiga amada, pois seu coração humano ainda vivia dentro da nefasta criatura que ele se tornara.) Então a narrativa pula 5 aninhos. Richter desapareceu sem deixar vestígios. Misteriosamente, o reino de Castlevania, que este último havia destruído (bom, trata-se de um castelo, mas é tão grande quanto um reino inteiro!), reaparece, do solo assomando até por cima das nuvens com suas torres góticas pouco hospitaleiras! Alucard, o filho ambiguamente benevolente de Dracula e de uma humana comum, acorda de uma soneca de 400 anos, sentindo uma atmosfera pesada, para descobrir e destruir a criatura responsável por reerguer o castelo.
COTEJO
O que muitos devem se perguntar é se há diferenças entre as versões PS e SAT. Para ser honesto, é uma vergonha que esse game não tenha sido a princípio concebido para o 32-bit do Sonic! Se tivesse sido, talvez os produtores soubessem se aproveitar AINDA mais do poderoso hardware da máquina e processar gráficos 2D sem paralelos na História. Entre as melhorias estariam, com certeza, uma imagem de alta resolução e muito mais quadros de animação para os personagens. Acabou sendo apenas uma conversão baseada no título original playstationiano, e, o que é mais, degradada. Parece que era impossível dar literalmente um CONTROL+C CONTROL+V nos códigos de programação; tudo funcionava com interfaces e linguagens consideravelmente diferentes, único dos pontos fracos do hardware do Saturno (é mais complicado programar jogos para a máquina)… Isso seria decisivo para o veredito final, na comparação (des)[h]onesta entre ambas as obras finalizadas. Vamos resumir dizendo que essa ordem de produção anti-natural, i.e., ao contrário, indo do periférico mais fraco para o mais forte, não foi uma boa idéia. Nada catastrófico, claro, era um senhor jogão e continua sendo, ainda muito acima da média da biblioteca 2D do sistema, mas tinha condições de ter-se elevado muito acima do castelo de Dracula, o que não se cumpriu.
A MORTE NUM SENTIDO ALEGÓRICO: ROUBARAM O QUE EU TINHA DE MELHOR!
E então, quais são essas mal-afamadas diferenças? Os efeitos de transparência e neblina de SoTN-PSX foram completamente limados de DX-SS. Pior: há momentos de slowdown aqui! Não em telas cheias do castelo invertido, mas até na seqüência inicial, antes de se deparar com a Morte que rouba sua equipagem –, contra aqueles lobos e zumbis guarda-costas do castelo de 1-hit-kill! É deprimente quando Alucard fica lento e moroso, bem como tudo o mais, num simples embate 1×1 com seu próprio Doppelgänger, que tinha tudo para primar pela ágil ferocidade da refrega! Vai entender! Loading times também estão maiores. Claro que não são coisas que comprometem o produto final num jogo ultra-clássico cheio de méritos, mas havia mil caminhos para que o segundo maior planeta (Saturno) evitasse essas pequenas gafes, certo, desenvolvedores? A mea culpa da Konami foi a seguinte: de fato, apenas um “time C” da empresa é que cuidou da conversão. O próprio criador da série e principal nome da encarnação exitosa de PlayStation disse que ele se envergonha desse projeto. Mas chega de descascar feijão em cima da obra, ou ninguém irá comprá-la, confundindo-a com a pior peça de hardware já lançada para Saturn, coisa que ela não é.
CONTRAFIGURAS PARA UMA PERDA: QUANTIDADE E SECRETS COMPENSAM PEQUENA QUEDA NA QUALIDADE
Para os que procuram o lado claro da coisa (num jogo de atmosfera trevosa), saiba que a versão SS tem também suas exclusividades. Primeiro, já se pode começar como Alucard, Richter ou Maria. Os jogadores de PSX sabem que só é possível jogar com Richter depois de finalizar o game no melhor final e ainda assim recorrendo a uma artimanha na tela de seleção de arquivo de jogo. E esta Maria, então, nem dava as caras, a não ser como NPC, evidentemente! Apesar de serem relativamente poderosos (sobretudo a maga Maria), infelizmente acaba não sendo boa idéia usar estes dois “neófitos”: não há como eles carregarem itens ou subirem de nível. Alucard, do contrário, é o que justifica a classificação deste título como um RPG ou Metroidvania, com uma ficha que vai se completando surpreendentemente conforme seu progresso. Os outros dois acabam se resumindo ao status de curiosidades pitorescas, bônus para aumentar o tempo de vida útil do produto ou para espantar o tédio. Há ainda 2 estágios inéditos. Enquanto que não têm nada de especial, acaba sendo especial em si ter níveis extras (áreas do castelo inteiras à disposição para explorar), principalmente sendo um fã da série – aqueles que jogam só por jogar, sem esperar recompensas, o que aliás é o propósito básico dos videogames – e caso se tenha um vizinho chato dono de um PS, em cima de quem contar vantagem!
Na animação não houve perdas, felizmente. Alucard, muito graças à inspiração do time developer do petardo de 1997, é claro, mas também ao fato de ser um espécime híbrido (humano caça-vampiro/vampiro edipiano!) é até hoje um dos mais completos personagens em duas dimensões já criados. Nenhuma continuação de Game Boy Advance sequer soube repetir a fórmula – i.e., repetir a fórmula e ir além. Todas são consideradas rendições inferiores do mesmo estilo metroidvania que teria atingido seu ápice no PlayStation1, correntemente há 24 anos. Alucard segue o protagonista mais carismático, versátil e aquele que melhor se integra num sistema de jogo pensado nos seus menores detalhes.
RÉQUIEM
A trilha sonora, então, é vibrante, épica, sinfônica (era de se esperar…) e, acima de tudo, CASTLEVANIANA até a medula!
VEREDITO: OBRIGATÓRIO PARA DONOS DO SATURN, E QUE SE DANE A FARTA CONCORRÊNCIA!
SoTN(DX) aparece num sem número de plataformas hoje em dia, incluindo os PlayStations e Xbox mais modernos, através de suas lojas virtuais de compra de remakes antigos. Porém, está na cara que se o objetivo é tirar poeira da máquina em questão, este Dracula X totalmente em japonês é presença obrigatória na sua biblioteca 32 bits.
Fica a pergunta, para quem ainda quiser pentelhar mais: se um jogador tem um PlayStation e um Saturn, qual deve ser contemplado com sua versão (Castlevania:SoTN ou Dracula X), se ele, o jogador, só tiver grana pra comprar um dos dois jogos? Aí sim se torna mais vantajoso procurar a versão de PS1, insubstituível (até na questão idiomática vs. versão SAT, pois jogar um semi-RPG em japonês pode trazer algum transtorno), haja vista que as versões baixáveis para plataformas de última geração também possuem seus errinhos inconvenientes, apesar dos conteúdos extras. Uma novela que começou no Sega Saturno e que mais de 20 anos depois insiste em reprisar!
Por Rafael “Cila” Aguiar
Agradecimentos a James Mielke do gamespot
VERSÃO 4.0
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