REVIEW #1006 DO 0LDBUTG8LD
CONTEÚDO CONTRA-INDICADO PARA MENORES DE 18 ANOS
A MATÉRIA A SEGUIR PODE POSSUIR CONTEÚDO VISUAL SENSÍVEL PARA ALGUNS INTERNAUTAS, MESMO CUMPRIDO O REQUISITO ETÁRIO PARA A SUA LEITURA.
PC & PC98


Fatal Relations
Kindan no Ketsuzoku (Japão)
F I C H A T É C N I C A
Developer C’s Ware
Publisher Himeya
Estilos “Old school” Hentai Adventure / Visual novel > Escatologia
DATAS dE LANÇAMENTO:
PC98
22/11/93 (JP)
PC
31/12/98 (EUA)
NOTA
5.2
Este jogo é pra…
(X) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Os REIS da safadeza; quem perdeu a virgindade com a prima. (XX) incógnita
Vida útil estimada: 15 a 25h
As próximas 8 imagens são da versão PC-98:

– Caro protagonista de videogame, eu acho que ela é uma menor!
– E eu deveria me importar? Sou japonês!…
Um dos meus personagens favoritos do universo Street Fighter sempre foi o Ken. Ele era o loirão fodástico e mais irreverente que complementava idealmente o estilo mais solene do moreno Ryu. Mas as coisas foram ladeira abaixo a partir de Street Fighter 2: Ultimate Fighters Omega Edition, quando Ken Masters inventou de trajar um kimono roseta. As lutas antes viris foram adquirindo tons homoeróticos demais para meu sangue másculo, e o nome “Ken” só foi caindo mais e mais em desgraça. O robe cor-de-rosa não me saía da cabeça toda vez que pensava no lutador de karatê americano. E não-raro, graças ao enfraquecimento marcial produzido pela vestimenta, víamos Zangief dando um abraço de boas-vindas russo na boneca indefesa. Todo esse parágrafo foi uma grande brincadeira. Eu adoro rosa. Mas era necessário como recurso narrativo para fazermos a transição ao mundo tresloucado e campeão absoluto de perpetuar estereótipos que é Relações Fatais.
Por mais que o heteronormativo conservador e inseguro creia que Ken Masters queimou um pouco de sua reputação com a nova paleta de cores de SF2, nenhuma aparição de um personagem de mesmo nome – vestido de rosa ou não, idealizado pela Capcom ou não – num game beirou a catástrofe testemunhada em Fatal Relations, hentai game a estrelar um outro Ken, que veremos a seguir por que não presta.

Essa é sua madrasta ou step-mother, a “sogrona”, ou cafetina do harém! O que não significa que ela esteja descartada como participante…
Todo mundo tem um parafuso a menos nesse game exceto nosso espada de cabelos pretos e franja ocultando os olhos, à la Kyusaku Natsume de All Purpose Cultural Catgirl Nuku Nuku. Mas não temam: se ainda não está regulando mal, ele vai regular, já, já! O Ken que nos interessa neste review começou a viver o sonho de todo rapagão em idade reprodutora: morar num ninho de amor ou harém, exclusivamente com gatas de todos os tipos loucas para dar. Ou seja: ser uma puta com pinto, praticamente um escravo/objeto sexual cuja única função é atender os caprichos das “vaginadas” do lar. O sobrenome desse sortudo mas constrangedor Ken é Ohsato. Devemos dizer que só recentemente a vida começou a sorriu para este guri de 18 aninhos recém-completados: filho único de pais que morrem tragicamente num acidente de trânsito, ele é adotado pela chefona da multinacional onde seu pai trabalhava, Reiko Hayami. Terá sido um ato gratuito de filantropia poucas vezes visto? Mrs. Hayami tem 5 beldades, isto é, filhas, que devem dividir o espaço com Ohsato. Claro que FATALMENTE haverá alguns probleminhas na jornada plena de testosterona e secreções, do contrário o título estaria fadado ao primeiro de abril. Digamos que as relações multilaterais em que Ken vai se engajar (ou das quais vai ser a vítima passivo-agressiva, mais propriamente) a partir do ponto em que você assumir o controle (restrito, de voyeur) vão se mostrar tão amalucadas e complexas que às vezes, mesmo com todos os ganhos, o protagonista iria preferir nunca ter sido adotado por uma família tão excitada, desregulada e vulcânica…

FR funciona como qualquer Adventure japonês para computadores. Lê-se muitos textos, contempla-se muitas imagens não-animadas e escolhe-se entre comandos de menu tais quais “look”, “talk”, etc. A trama se passa de cabo a rabo (!) num casarão, então se perder não será problema. Escassas cutscenes (mais para apresentações de PowerPoint) poderão ser liberadas conforme a decisão corrente do jogador, embora no fim das contas ele tenha de passar pelos mesmos eventos a fim de finalizar a aventura, que é quase nula em autonomia. Os momentos mais picantes (no sentido LATO!) são, devido à natureza erótica do jogo, os diálogos e “posteriores trabalhos físicos de atrito” com cada uma das donzelas da casa.

Ken não foge tanto do estereótipo do “hentai hero”: inocente, inteligente e sobretudo “inexperiente” nas coisas da vida que preferimos compartilhar mais no Clube do Bolinha que em qualquer outro lugar (se bem que hoje em dia a internet virou um grande clube da intimidade). O objetivo de Ken – e não o seu, que é com certeza o contrário de tudo isso que eu citei, a não ser talvez por ser inexperiente na cama, também! – é sobreviver ao contato hostil com o “continente negro” (as mulheres segundo aquele cabaço do Freud) em seu próprio habitat. Algo me diz que Ken não é tudo isso – um Brad Pitt ou Tom Cruise (essas são minhas referências de masculinidade; estou ou não estou ficando velho? –, mas se as minas não param de dar em cima dele deve ser porque foram atentadas pelo próprio Satanás e não vão sossegar até que o fogo do inferno apague! Parece que eu estou querendo achar pêlo pubiano em ovo descrevendo a situação de Ken como problemática; não culpo o leitor que pensa assim. Admito que é difícil acreditar nesse papinho de “inocência” e vitimização, mas vamos fingir que isso não exige nenhum esforço mental absurdo de nossa parte – nós, os mente-suja! – e continuar lendo, sem refutar a premissa…

Pouco a pouco nosso herói virginal púbere vai revelando sua verdadeira natureza sacana, sucumbindo a todos os pecados da carne. Ao cruzar pela primeira vez com Myuki (no sentido menos carregado do termo), ele exclama, para si: “Ela é linda. Nunca gostei de garotas tão jovens antes. Mas agora eu gosto.” A genealogia de uma pedofilia…

De qual cor do cabelo eles gostam mais?
Falando das garotas, gostaria de introduzi-las em maiores detalhes (nas fotos vocês verão até os pêlos pubescentes, então o que é a alma diante disso?) na ordem decrescente de idade (que é basicamente um indício de hierarquia, principalmente em FR): a mais velha de todas as irmãs é Reika. Ela passa de início a imagem de frívola e distante, mais para mãe severa das outras garotas que irmã em si. Posso imaginar o que você está pensando nesse exato momento: vem aí um caminhão de clichês pornográficos. Então se o que você espera de Fatal Relations é estereótipo em cima de estereótipo, pode manter o cavalinho na chuva, porque acertou em cheio! Continuando, Reika é mesmo a friazinha do grupo, mas que se torna lava de vulcão quando Ken/você aparece na vida dela e ganha intimidade (num piscar de olhos, já que estamos num h-game e não há tempo a perder). A primeira vez que encontrá-la em seu meio natural (o quarto e dormitório da criatura insidiosa), Reika vai cobri-lo de insultos antes de expulsá-lo do recinto, mostrando quem manda e que ela é, na verdade, a raivosinha da turma!

– Devo ligar o ar-condicionado?
– Não, tá bom assim!
Depois, na pirâmide etária, vem Shizune, a mais doce das meninas. O tipo-ideal angélico, dos vestidos com estampas de flores, desarmada de segundas intenções, sorriso quase perpétuo e coisas do gênero. Ela será gentil e cativante com Ken, mas o que a define não é toda essa meiguice e sim o fato de ser meio doentinha, instável por dentro. É para mascarar sua saúde frágil que ela jamais eleva o tom de voz com ninguém e parece a mais permissiva das irmãs. A propósito, se você já esteve jogando FR antes de acessar este review, com certeza reparou que todas as garotas, depois de visitadas, comentam o quanto você é bisbilhoteiro e afoito. Aparentemente – e pelo bem do jogo –, Ken, além de incapaz de conter a solicitude, que o impele a visitar cada uma de suas irmãs adotivas de quarto em quarto o dia todo, também se mostra inábil na tentativa de disfarçar o quanto vai comendo as meninas (calma!) já com os olhos, antes de qualquer coisa. Aliás, ele não consegue nem dissimular suas impressões mais inconfessáveis sobre as novíssimas companheiras. Estou dizendo isso neste parágrafo porque Shizune revela que Ken murmura inadvertidamente seus pensamentos mais particulares pensando que ninguém o está escutando. Então, quando aparece o texto (em Inglês, para nós, traduzindo as incognoscíveis falas dubladas em japonês) que corresponde à consciência de Ken se manifestando logo após ser bombardeado com impressões mil sobre as ninfetas, não é somente a nós, os jogadores, que o personagem está transmitindo suas conclusões, mas às próprias garotas, porque ele é bobão demais para perceber que, nesta casa, as paredes têm ouvidos! Se ele confessa que tal guria tem um corpão, é como se ele o estivesse admitindo na cara dela mesma. Síndrome de falar em voz alta sozinho em casa e de se arrepender depois, quando percebe que estava usando um tom alto demais e que havia alguém nas redondezas? É, mais ou menos isso, embora eu prefira chamar de “a arte de se dar mal”… Esse Ken não é nada másters, cof, cof… Você vai se sentir o Scott Summers compartilhando sem querer todos os seus tesouros e sujeiras psíquicas com a atual cônjuge, seja ela a Jean Grey ou a Emma Frost, duas femmes fatales que por uma estranha coincidência sabem ler mentes como ninguém…

O papo pós-sexo é o mais agradável…
Mas, seguindo em frente que atrás vem gente (opa!), temos a irmã do meio, Yuko, a inteligentinha (não estranhe se esse review terminar mais colorido que um episódio de Sailor Moon). Ela adora estudar e detesta seres simplórios e rústicos. Essa é mais uma que gasta muita saliva pra te xingar, embora com adjetivos assaz refinados. Ela vai terminar frases que você mal começou (presume-se que por ser tão inteligente que pode predizer seus discursos, como o Amanuma de Yu Yu Hakusho, aquele fedelho recrutado por Sensui que consegue ganhar de perfect no trivia game antes da pergunta aparecer na tela, que coisa mais DÃÃ!!) e fechar a porta na sua cara, óbvio, porque você interrompeu suas leituras!! Isso até você se provar para ela, ram-ram! Com certeza não é colocando o bilau pra fora e medindo com uma régua, certo? Até poderia ser, só pra mostrar o quanto essa nerd é hipócrita, mas é diferente: é com um teste que envolve matemática e filosofia, entre outras disciplinas. O bacana(l) é que você não vai ver game overs em Fatal Relations: se Ken for burro que nem a porta de madeira do quarto de Yuko, ainda assim poderá repetir o teste quantas vezes for preciso, até gabaritar e conquistar a eróculos da casa (desculpem o neologismo, não resisti). Pode apostar que depois do 10 no exame, ela vai fazer 180 graus com as pernas sem nem pensar √4 vezes!
As 11 imagens abaixo pertencem à versão Windows:

A próxima na lista é Aya, a esportistinha. Recapitulando parcialmente os padrões e tendências até aqui, temos a pavio-curto, a meiguinha doentinha, a térmite-de-livro e, finalmente, a ginasta par excellence. O palpite é de que este game está tentando atingir uma espécie de nirvana dos estereótipos, porque a decantação deles é de impressionar! Pois é, a Aya que não é a Brea odeia fracos matusquelas, coincidentemente Ken (Quem? Você!). O imaturo protagonista não deixa por menos e redargue que ela é uma tomboy (mulher-macho), mais parecida com um irmão que irmã.

Que bom, assim vai ser tudo mais rápido!
Por último, e não menos importante – a completude dos estereótipos! A quinta ninfa. Na verdade uma em que principalmente o código penal de inumeráveis países estaria bem interessado, mas pelo visto podemos excetuar o Japão. Os familiarizados com hentai já estavam achando estranho que até agora nada de… crianças! Pense numa garota nova. Pense noutra mais nova ainda. Agora pare de imaginar porque você não é bom nisso, já que a Miyuki, a novinha da fita, é ainda mais pirralha do que você tava pensando… Miyuki é a irmã mais jovem e, surpreendentemente, uma das mais avançadinhas. Sua personalidade é um caldeirão ilógico. Pode revelar seu lado mais enérgico e brincalhão típico da idade, mas no segundo seguinte, contradizendo-se, xinga o pobre Ken até dizer chega (mas não é pra isso que as irmãs caçulas servem?), até que o incesto imperante em FR faz com que ela demonstre sinais de paixonite aguda antes, na comparação, que as outras companhias fraternais de Ken o façam. Miyuki é sem dúvida mais inteligente e controlada que as outras, pelo menos quando quer. O problema é que toda mulher com a faca na mão também gosta de bancar a manipuladora, e adivinha quem é que sofre com isso? Resumindo, tenho de dar o crédito: ela é a menos desenvolvida fisicamente, e contudo é a mais desenvolvida psicologicamente dos characters do game…

Se você for fã dessas coisas, pode até dar uma furunfada com a Sayori, que é a empregada da casa, também!
Ao levar a efeito a difícil decisão de jogar Fatal Relations, o punhetinha-de-plantão logo se aperceberá que a lista que eu montei acima não era exaustiva. Outras duas personagens “comestíveis” da trama são Sayori, a empregadinha sadomasoquista, e a libidinosa chefe da família em pessoa, Mrs. Hayami, sua mãe adotiva! Sério, uma serva e uma MILF?!? Não bastassem os outros 5 estereótipos na forma das irmãs adotivas, temos aqui mais dois deles, os mais crassos possíveis. Defina esforço (ou malícia sem criatividade) dos programadores…

Sayori não podia fugir totalmente de características de mais alguém; no caso, da meiga doentinha. A única que não é da “família”, tirante o próprio recém-chegado Ken, relegada a ser uma quase-escrava das outras 6 ninfomaníacas, ela se acostumou de tal forma a Mrs. Hayami tirando vantagem as suas custas que até aprendeu a receber humilhações com o devido prazer! Ela continua, apesar de tudo, ingênua, e gostaria de sair da presente situação, se um dia puder; essa sofridinha, projeto de gata-borralheira, precisa urgentemente de um príncipe ou Don Juan na sua vida. … “Olá, Ken!” … Acompanhando mais alguns dos diálogos insanos de FR, o gamer se dará conta de que Mrs. Hayami controla à rédea curta muito mais do que somente o destino de sua empregada doméstica… Como a matriarca e businesswoman por trás da Hayami Corporation, ela é a figura central dos “esquemas”. Como líder e bem-sucedida que é, a mais coroa na estória do jogo sabe ser calma, compreensiva e perspicaz. Nalguns momentos mesmo parecerá que ela tem o dom divinatório de ler seus pensamentos (Deve ser o gene da intuição, e ele foi transmitido – e está devidamente ativo – na filha do meio Yuko, lembra? Como se precisasse desse dom, já que a boca do tolinho Ken é um túmulo violado desde dentro que vive se entregando!…). Porém, ela sabe também como ser selvagem e tirânica, muito mais que Reika e Miyuki, por exemplo. Só posso dar mais detalhes acerca das maquinações da dona da casa na seção de SPOILER, que você lerá por sua conta e risco…

A atípica trilha sonora se encontra em algum ponto entre um episódio de Scooby-Doo (a série antigona, por favor!) e uma apresentação estilosa de B.B. King! Algumas canções combinam com transas proibidas, outras com gente querendo se matar…
Falando um pouco mais da área de jogo, tome nota de que não serão mais do que seis quartos de dormir, no segundo andar, para todos os “filhos” (Ken incluso), um corredor, uma escadaria, a sala de estar e o quarto de Mrs. Hayami, estes dois últimos no térreo. Quando Ken, na estória, pergunta à solícita Sayori por que é que uma propriedade tão grande só tem sete quartos, com oito pessoas vivendo ali, ela explica que cada quarto é tão grande que poderia ser considerado uma casa em si mesmo, fora que ela não é digna de ter um! Bem, o arquiteto dessa construção deve ser um gênio sem precedentes! Aos que desconfiam do caráter “claustrofóbico” da jogabilidade, eu diria que isso não é um contra: ao concentrar personagens e ações, vai direto ao ponto e evita uma trama maçante e prenha de superfluidades. Além disso, se se sentir oprimido e com “muito calor”, Ken sempre poderá ficar mais à vontade, e em boa companhia…

É o que eu disse: ela não é patricinha como as outras…
Que tipo de coisa, além das que eu já disse, as fedelhas estão inclinadas a fazer com Ken Ohsato, sofredor-hedonista nato não-inferior a Sayori? Aya, para começar, vai desafiá-lo a uma competição de queda-de-braço e, quando você perceber, vai estar com o esfíncter relaxado, recebendo um sexo oral no ânus! Shizune tem um desmaio e precisa ser molestada (!) a fim de readquirir consciência. Nada de relevo tenho a aprofundar quanto à inteligentinha e à raivosinha, mas a caçula pervertida merece sim novas considerações à parte. Gente de respeito e que foge de tabus como o diabo da cruz não deve se aproximar (afinal, o que você está fazendo aqui este tempo todo, lendo subliteratura subversiva?). O jogo não se importa com o fato de que – e aliás faz de tudo para escancará-lo – a moçoila em questão não tem ainda 18 anos, idade a partir da qual uma relação sexual passa a ser considerada consensual de facto. Em outros termos, uma garota de 14 anos que transa com alguém mais velho (maior de idade) estaria apenas sendo levada ao coito, pela força (palavras também seduzem, não se engane). Existe outro nome que resume o conceito melhor: estupro.¹ Para a lei, não importa se a “baixinha” até curtiu e promoveu a experiência ou gostaria de repeti-la: ela ainda não tem idade para julgar o que é o melhor para si própria. Talvez seja diferente em realidades distantes como Índia ou Filipinas (difícil acreditar; o mais provável é que a lei nesses lugares é tão rígida quanto em qualquer outro, mas o complicado é que se a cumpra…), mas acho que em Honolulu (Havaí) as grávidas de 7 meses pra cima são até encorajadas a transar, então por que o choque? Por favor, não entendam este fragmento como uma apologia a essas práticas obscenas. Enfim: Fatal Relations não liga para o mundo real e suas restrições. E até onde sabemos um jogo +18 pode sim conter elementos de pedofilia desde que os gráficos sejam em desenho animado, meramente simbólicos ou figurativos, sem que ninguém menor de idade tenha participado da confecção da obra em momento algum. A interface gráfica insiste em demonstrar o quão precoce sua “transa fraternal” é. Pelo menos uma vez na vida os japoneses não sucumbiram àquela tara por peitos irrealmente enormes adornando ninfetas que, no mais, lembram apenas crianças normais. Ah sim, quanto à cabeça, ela ainda é ligeiramente super deformed (estilo mundialmente consagrado na estética extreme das Meninas Super Poderosas).
¹ Na legislação brasileira, isso ainda é debatível: considera-se ilícita apenas a relação entre dois jovens que têm mais de 5 anos de diferença entre si. Ken tem 18 anos, o que torna sua diferença para a caçula 4 anos de idade. Além disso algumas súmulas do STF consideram um ser humano de 14 anos muito mais capacitado para escolhas sexuais que um de 13 (o que não isentaria em absoluto o réu, apenas atenuaria sua pena), por diversos fatores ligados à maturação individual, que deixaremos de lado aqui, visto que 1) se trata de ficção; 2) não é um artigo de direito.

Acredite se quiser, esse filme PULP FRICTION realmente existe!
——–SPOILER para cardíacos!——–
Mas o que está rolando neste casarão (que não é a Mansão da Playboy, mas só uma outra 300x mais insólita!), afinal?
Você conhece as expressões “cu doce” ou “coquetismo”? Toda a complexidade estereotípica das gatas descrita por mim acima até o ponto do doentio (admito) é puro disfarce para uma guerra entre as hermanas pela sua piroca. Todas estão apaixonadas por Ken e farão de tudo para fisgar sua atenção. Isso envolve a novinha tentando machucar a esportistinha e a inteligentinha, muito sexo lésbico e incestuoso que não tem mais a paupérrima escusa do “sou filho adotado” e a raivosinha fazendo um clister (lavagem intestinal) na doentinha!

The roof is on fire… but not only the roof!
Conformada com a impossibilidade de tê-lo só para si, a doentinha vai tentar o suicídio, fracassando. Ken, o garoto ingênuo da apresentação, se verá convertido num gorila predador-dizimador de bocetas, e vai fazer sexo com as irmãs adotivas na mesma freqüência com que irmãos do mundo real invadem um o quarto do outro para protestar “cadê o meu carregador? Devolve!”. É isso: um psicanalista, cheio daquelas baboseiras, resumiria dizendo que o problema neurotizante de Ken é que ele regressou à fase oral e quer ter todos os seus impulsos instantaneamente satisfeitos em seu novo lar (o que vulgarmente se batizou de narcisismo primário). Mas como as garotas estão verdadeiramente caidaças e desesperadas por ser correspondidas, elas se tornam pouco a pouco subservientes a este egoísmo ilimitado de bebê. Eu diria que elas ficam tão gulosas por certas coisas quanto os produtores estiveram loucos para usar uma certa transparência em .bmp no lugar de um pênis 2D iconograficamente fiel no que respeita às performances do personagem principal (mais detalhes no próximo subtítulo).
Eventualmente Ken Ohsato vai despertar de sua paranóia, recobrar a sensatez e procurar Sayori para que ambos fujam desse hospício em forma de domicílio amazona! A essa altura a boadrasta (hehe) vai interromper seus planos com uma shotgun em punho. A partir daí ela vai amarrar os dois amantes no porão para uma “festa privê”. Este é o clímax do enredo! Ela explica que está por trás de todas as loucuras eróticas da casa, motivada pela traumática fuga do seu marido com a empregada anterior. Ela não entra em detalhes sobre como ela deixou todos os habitantes da casa superexcitáveis uns em relação aos outros, mas deve ter colocado alguma coisa estranha no chá da tarde da galera… A vilã afirma que precisa da “semente de Ken” (hm) e por isso não o assassinará, mas que Sayori já cumpriu seus propósitos e não é mais necessária. Procedendo a aspas literais, para que eu mesmo não seja confundido com a asquerosa autora da declaração: “Eu quero também que você foda com a Sayori pelo cu e depois cague nela”. Como é o único jeito de manter Sayori viva, Ken começa as penetrações traseiras mas, ó!, consegue libertá-la da corda antes de expô-la à vexatória humilhação fecal! Agradecemos.

SHIT!
Louca de pedra com a rebeldia dos reféns, a madame saca mais uma vez a escopeta e acabaria por matar o alvo central de suas obsessões insalubres, o próprio Ken, se não fosse pelo sacrifício da doentinha – que de qualquer modo não ia durar muito –, que invadiu o porão só para se jogar na frente do amado Ken na hora certa. Do nada, tudo começa a pegar fogo, e as chamas engolem a tudo e a todos, inclusive a vilã: e é a complexa novinha que aparece, segurando sua mãe, se sacrificando para garantir que a psicopata morra no incêndio. Que desfecho! É o fim da família mais odiosa da era judaico-cristã, superando Sodoma e Gomorra juntas em crimes contra as leis divinas! Ken & Sayori são o epicentro feliz da saga: escapam ilesos e vão iniciar uma nova vida…
———————–Fim do SPOILER———————–
ALGUMA CONTRA-INDICAÇÃO, DOUTOR?
Para aqueles dentre o público imensamente estarrecido com todas essas sandices afrodisíacas ou nem-tão-afrodisíacas que consigam ver o lado atraente de toda essa escatologia e queiram experimentar in loco, mas que têm medo de esbarrar em genitálias masculinas, isto é, elementos broxantes segundo alguns, podem ficar descansados, uma vez que a parte externa do sistema reprodutor de Ken é invisível. Não quis dizer pequena, invisível mesmo! Quando ele fica nu e pronto para a guerra, tudo o que você vai ver, da parte do comedor, é uma linha branca que serve de contorno para o membro. Estranhezas da lei nipônica de “censura”, tão leniente nuns pontos (vide circo de bizarrices acima) e imperativa em outros…

EPÍLOGO (COITO INTERROMPIDO)
Relações Fatais é longo em face de outras orgias de ejaculação precoce do clickfest como Time Stripper Mako ou X-Change, mas é tão linear quanto a Terra Plana: não tem curvas, bifurcações, ramificações de enredo. As que pretende apresentar são meros artifícios. Essa opção da equipe de programação redunda num h-game ou eroge muito fácil sem absolutamente nenhum replay value. Embora eu tenda a associar o replay de um jogo erótico à first play: se você jogou uma vez pra “aquilo”, deve querer repetir a experiência de quando em quando… Sim, ao menos “nisso” (o excesso de representações gráficas hardcore) FR é uma experiência aparentemente bem-sucedida.
Ah sim: sobre a alegada “completude” e “universalidade” das práticas parafílicas (modalidades de sexo consideradas patológicas) de Fatal Relations, é mentira, afinal não tem zoofilia, sexo com aliens nem robôs… Devem ser os únicos “fetiches” que ficaram de fora nessa graphic novel.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE (eu juro): As marcações coloridas não têm relação alguma com a cor do cabelo das ninfetas a que se referem. Foram elegidas cores a esmo. Não se trata de daltonismo de minha parte!
CURIOSIDADE: Fatal Relations foi comercializado desde o início (isto é, 1993) em CD, e não em disquete, como seria mais razoável, levando em conta que ocupa 11MB… Onze reviews meus ocupam mais espaço, poxa vida! Ok, e quando você paga um preço proporcional à mídia (de storage de 650MB), com 98% de espaço vazio, sente-se imensamente lesado!
Lista de agradecimentos
gamefaqs:
Crack Addict
Grammatical King
naga87
purgatorio
Bentendo
Iluna
mass murdering mog
ryan 724
The Manx
mobygames:
אולג 小奥
Syed GJ
animetric.com:
Rowena Lim Lei
somethingawful.com:
Zack Parsons
Por Rafael de Araújo Aguiar
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