
review 0ldbutg8ld #1091
Por Rafael “Cila” Aguiar
Genesis (Mega Drive) (plataforma original)
& também: 3DS / Android / Arcade / BlackBerry / iOS / Macintosh / PC / PlayStation3 / Switch / tvOS / Wii / Windows Mobile / Xbox 360
Sonic The Hedgehog 2™
Sonic The Hedgehog 2 by SEGA (BlackBerry)
Sonic The Hedgehog 2 Classic (Android)
3D Sonic the Hedgehog 2 (3DS)
Sega Ages: Sonic the Hedgehog 2 (Switch)








| F I C H A T É C N I C A | |
| Developers Sonic Team (GEN/SWI), Sega (AND), Sega & Backbone Entertainment (PC/X360), Backbone (PS3), M2 (3DS), Electronic Arts (BB), EA Mobile (WinM) | |
| Publishers Sega, Samsung (Coréia do Sul), Tec Toy (Brasil), EA (BB/WinM) | |
| Estilo Ação > 2D platform | |
| DATAS DE LANÇAMENTO | |
| GEN – 21/11/92 (Ásia), 24/12/92 (EUA-EUR), 1994 (AUS/BR) | |
| 3DS – 22/07/15 (JP), 10/08/15 (AUS/EUA/EUR) | |
| AND – 12/12/13 (EUA) | |
| ARC – ??? | |
| BB – 22/10/09 (EUA) | |
| iOS – 20/04/10 (EUA) | |
| MAC – 01/02/19 (EUA) (Steam) | |
| PC – 26/01/11 (EUA) (Steam) | |
| PS3 – 19/04/11 (EUA), 20/04/11 (AUS/EUR), 28/07/11 (JP) (PlayStation Network) | |
| SWI – 13/02/20 (JP), 20/02/20 (EUA/EUR) (Nintendo eShop) | |
| tvOS – ??? | |
| WII – 11/06/07 (EUA), 19/06/07 (JP), 06/07/07 (EUR) (Virtual Console) | |
| WinM – 29/10/09 (EUA) | |
| X360 – 12/09/07 (mundial) (Xbox Live Arcade), 12/11/15 (EUA) (Xbox Store)(compatibilidade com os usuários de Xbox One) |
Também incluído nas compilações:
| Oculus Arcade com outros 20 games de ARC e GEN (Oculos Go) |
| Sega 3D Fukkoku Archives 3: Final Stage com outros 9 jogos (3DS) |
| Sega Classics com outros 24 games de GEN (Amazon Fire TV) |
| Sega Genesis Classic Collection com outros 32 games (PS2/PSP) |
| Sega Genesis Classic Collection: Gold Edition com outros 44 games(PC) |
| SEGA Genesis Mini (console dedicado vintage) |
| Sega Smash Pack 2 com outros 7 games(PC) |
| Sonic Classic Collection (DS), com a tetralogia Hedgehog: S1,S2,S3&Knuckles |
| Sonic Classics (GEN), com Mean Bean Machine e Sonic 1. |
| Sonic Jam (SAT), mesmos jogos da Sonic Classic Collection acima. |
| Sonic Mega Collection com outros 10 games de GEN (GC) |
| Sonic Mega Collection Plus com outros 16 games de GEN e GG (PC/PS2/X) |
| Sonic’s Ultimate Genesis Collection com mais 49 games da Sega (PS3/X360) |
| Telstar Double Value Games: Sonic the Hedgehog 2 / Bubsy (GEN) |
| NOTAS |
sem nota (AND)
sem nota (ARC)
7.82 (3DS)
8 (BB)
8.65 (GEN)
7.55 (iOS)
sem nota (MAC)
8 (PC)
7.3 (PS3)
sem nota (SWI)
sem nota (tvOS)
6.8 (WII)
7.7 (X360)
| MINHA NOTA – ver meus critérios de avaliação aqui |
(Somente para a versão GEN.)
GRÁFICOS 10 (x1)
SOM 10 (x3)
GAMEPLAY 3 (x6)
MÉDIA FINAL 7
| E S T E J O G O É P R A . . . | |
| (X) passar longe | (X) dar uma jogadinha de leve |
| (X) dar uma boa jogada | ( ) jogar freneticamente |
| ( ) chamar a rua toda pra jogar | (X) uma incógnita |
| (X) um tipo específico de jogador. Quem… Sente que a gameplay clássica de Sonic The Hedgehog é música para seus ouvidos (pun intended); Gosta de jogos desafiadores sem save feature; Prefere mais linearidade e menos power-ups (como em Sonic 3); Tem um console moderno e gos- ria de jogar multiplayer online ou bater metas para ganhar troféus ou pontos (PSN, Xbox Live Arcade). | Quem jogar este também poderá gostar de: (Em vermelho, os jogos que já revisamos – se não estiver linkado, ainda não foi “upado” no blog.) Sonic 3D Blast (SAT) Sonic Advance (GBA) Sonic Adventure (DC) Sonic CD (SCD) Sonic Spinball (GEN) Sonic The Hedgehog (GEN) Sonic The Hedgehog 3 + Sonic & Knuckles (GEN) Super Mario World (SNES) |
| FAIXA DE VIDA ÚTIL ESTIMADA | De 10 a 25h. |
Um game tão famoso que dispensa apresentações ou parágrafos introdutórios: este é Sonic 2. Para saber mais sobre o histórico da franquia Sonic The Hedgehog e o impacto desta primeira continuação na “guerra fria dos consoles caseiros”, leia um pouco da análise de Sonic 1.
Que este é considerado um clássico, todo gamer que não passou 30 anos na lua já sabe; mas essa reputação é merecida ou “puro hype”? É o que iremos descobrir juntos…

PC
GAMEPLAY
“Seja o mesmo, mas não seja sempre o mesmo…”
O controle do porco-espinho azul pelos níveis não mudou substancialmente, a não ser pelo acréscimo da habilidade spin dash e de seu novo amigo e personagem controlável alternativo (como ajudante de Sonic ou como jogador-solo na própria aventura principal; ou ainda como rival humano – continue lendo para saber mais) Tails (Miles no Japão) Prower (um trocadilho com miles per hour). O spin dash nada mais é do que a rotação que o jogador obtinha em Sonic 1 e ainda obtém em Sonic 2 ao segurar para baixo no direcional enquanto em movimento, adquirindo velocidade e podendo quebrar estruturas e detonar adversários, com a diferença de que agora é possível iniciar o movimento mesmo estando parado. (Segure para baixo, mantenha pressionado também o botão de ação – que aciona o pulo se Sonic estiver de pé – e Sonic vai começar a acelerar como um carro de Fórmula 1 antes da largada… então, para sair rolando desabaladamente é só soltar o direcional.) Quer dizer que agora é mais fácil fazer aqueles loops e subir rampas íngremes sem ter de pegar impulso, uma ferramenta muito útil considerando o level design mais “assanhado” desta continuação.

GEN
O número de zonas aumentou, o número de atos (seções de uma zona) diminuiu (dentro de cada zona) mas aumentou (comparando com o total de atos de Sonic The Hedgehog 1). O objetivo continua sendo o mesmo: atravessar o percurso em menos de 10 minutos e eventualmente derrotar o Dr. Robotnik. As fases-bônus continuam existindo, mas o conceito foi sensivelmente repaginado. O sistema de vida de Sonic/Tails segue inabalável: quando está sem nenhum item que o proteja ou com 0 rings (anéis ou argolas), o personagem controlável está vulnerável a ataques e pode morrer a qualquer toque dos badniks ou de elementos hostis do cenário. Mas enquanto tiver anéis ou escudos protetores, ou o pozinho da invencibilidade temporária consigo, o gamer terá sempre uma segunda, terceira, quarta chance de se dar bem na partida… Vidas continuam sendo raras para quem sai correndo sem pensar e não gosta de explorar os arredores, redundando em game overs bem sônicos (na velocidade do som, entendeu?). O negócio é finalizar as fases com o máximo de anéis que der, e coisas boas tenderão a acontecer…¹ Devemos acrescentar que mortes instantâneas continuam existindo, e elas independem do seu número de argolas: queda em abismos, afogamento, virar sanduíche de porco-espinho/raposa (as situações desagradáveis em que Sonic/Tails pode ser prensado entre duas estruturas sólidas!).
¹ SPOILER ALERT! Termine um ato com 100+ rings para obter um continue!

X
Decadência precoce de um mascote
Muito do inconveniente dessa fórmula mais difícil até de explicar que de entender na prática vem de certa limitação já presente no original. Alterações cosméticas, na minha opinião (embora eu seja minoria aqui), não ajudaram em nada e deterioraram ainda mais a gameplay. O primeiro exemplo que eu dou, e que ninguém parece ter notado, é que removeram o recurso de prolongar a visão vertical com “cima” e “baixo” no direcional: Sonic fazia a câmera “flagrar” o que tem mais acima e mais abaixo de si mesmo, prevenindo certas ocorrências daninhas. Com essa supressão em relação a gameplay de Sonic 1, saltos às cegas são muito mais comuns.

3DS
Quanto ao assecla tampinha de Sonic (carismático, sem dúvida), ele mais atrapalha do que ajuda se você optar por jogar de 1P no modo principal. Ele será controlado pela CPU e agirá mais como uma sombra ou macaco do Sonic. Mas sombras não podem acionar elevadores ou plataformas por engano nem engatilhar ataques de inimigos antes que Sonic dê um salto calculado prevendo a melhor trajetória, enquanto Tails pode… e essas intervenções desajeitadas da raposinha acabam incomodando bastante! Parece bobo, mas de grão em grão, seu “ajudante” o fará perder muitas argolas – e, mais cedo ou mais tarde, a paciência também! Menos mal que haja a opção de desabilitá-lo no menu de opções (mais sobre isso no parágrafo seguinte), ou – o que dá no mesmo – escantear Sonic e jogar só com Tails.

Aperte A, B ou C com o cursor sobre “PLAYER SELECT” para alterar o(s) personagem(ns) controlável(is).
O menu de Opções está “escondido” na tela-título, e enquanto você não tiver a curiosidade de apertar para baixo para levar o cursor além da escolha “2 PLAYER VS.”, ignorará a existência desta tela! Não falo isso por acaso ou para pegar no pé, já que uma coisa semelhante me aconteceu com Tartarugas Ninja 4 (SNES): eu passei anos tendo a fita sem saber que havia opções multiplayer logo abaixo das opções de menu iniciais costumeiras, tudo por mau layout!
Outra questão (vai anotando, essa é a terceira) é: mais um add-on, que poderia ser um chamariz de replay value, que é jogar como Tails-solo, perde quase todo o sentido quando reparamos que a raposinha bicaudal tem a MESMA GAMEPLAY do Sonic exceto por 2 pequenas exceções¹ e, aliás, perde a faculdade do vôo que ele apresenta enquanto é só o NPC do Sonic humano! Ou seja, deram com os burros n’água e, como vocês sabem, porcos-espinhos e raposas não respiram debaixo d’água! Não riu?! Ok, vou tentar uma melhor na próxima…
¹ Incrível como após ler mais de 20 resenhas gringas não encontrei uma só menção dessas exceções – vai ver eu estou apenas delirando… Notei que Tails tem um salto um pouco mais amplo e tem mais agilidade justamente nos segmentos mais aborrecidos, debaixo d’água, o que o torna perfeito para o marinheiro de primeira viagem – só que o normal é alguém pegar o cartucho e sair jogando sem customizar quem ele controla, então essa tentativa de “diminuir a dificuldade” pode ser descoberta tarde demais pelo consumidor…

SWI
Neste ponto da resenha, já deve ter caído a ficha: tudo cheira a um enorme desperdício dos programadores e a potencial não-aproveitado! Dica en passant: o Sonic Team consertou essa falha grave (a de ter personagens selecionáveis extras “inúteis”) em Sonic & Knuckles, o VERDADEIRO Sonic 4 (ou, como eu gosto de dizer, Sonic 3: Part 2). A propósito, ESQUEÇA o Sonic The Hedgehog 4 dos consoles modernos…
Continuando com a lista de reclamações de velho ranzinza, temos a quarta, que bem podia valer por 2 ou 3: os bonus levels estão muito piores. A jogabilidade é desajeitada (só os gráficos são, ou eram, bonitos), o acesso às fases foi dificultado e o prêmio talvez não pague o esforço a fim de obtê-lo! Primeiro que Sonic volta à fase de jogo, após atuar no bônus, sem nenhum ring, o que é péssimo para quem tinha mais de 100 anéis e pulou dentro das estrelinhas do checkpoint para jogar o bonus level (mais informações abaixo). Nunca um simples “bônus” (parte teoricamente facultativa de um jogo) deu tanta dor de cabeça para um platformer! Acontece que, a despeito da possibilidade de acessar várias vezes o bônus no mesmo ato, as fases – são corridas numa interface que simula três dimensões, half-pipes de cores berrantes, Sonic e Tails sendo vistos de costas – são tão chatinhas que o “desafio anti-gravitacional” do fim do ato de Sonic 1 dará até saudades… Seu objetivo será coletar anéis (de novo?!) nesse “mundo paralelo” e desviar das bombas (cada bomba que toca no protagonista arranca 10 anéis). Existem “3 rounds” em cada fase bônus e cada novo round exige um número absurdamente maior de argolas. Se falhar em qualquer um, você é transportado de volta à zona habitual, de bolsos vazios. Se vencer, uma esmeralda do caos é sua. Seis esmeraldas do caos valem rigorosamente porcaria nenhuma: só fará diferença ter 7 delas (chegaremos lá!). E cuidado redobrado quando Tails estiver com você e não for controlado pelo player 2 (situação em que ter um amigo de carne e osso pode ser muito útil – bem como nos confrontos contra Robotnik): ele só vai emular seus movimentos, mas com atraso; se você pulou de uma bomba, o provável é que ele seja atingido pela mesma bomba, e não vai ter nenhum anel para auxiliar a bater a meta do minigame.
Sem abandonar de todo o assunto dos níveis bônus, alguns checkpoints (o portal de entrada para eles) são até mesmo difíceis de encontrar, mais escondidos do que o necessário – ou simplesmente você faz um percurso tão frenético pela fase que passa desapercebido pelo ato sem encontrar um só! E se Sonic bater no mastro com uma bolinha estrelada (este é o checkpoint, foto acima) e estiver muito rápido, perderá a chance de pular dentro da roda de estrelas vermelhas que se formará no ar e logo desaparecerá, impossibilitando que se acesse o bônus… Sem falar que, se for na mesma situação da foto (43 argolas), nada irá acontecer além de marcar-se um checkpoint caso você morra, pois o ticket de entrada ao bônus são 50 aneizinhos…

iOS
(tela na horizontal ou “full screen”)
Maior nem sempre é melhor
Toda essa reformulação na forma de entrada nos estágios especiais foi, suponho, produto da alteração no layout das zonas (fases) que – na sua maioria absoluta – possuem só 2 atos, sendo que o segundo termina no chefe. Os programadores devem ter raciocinado: as oportunidades do jogador colecionar as esmeraldas seriam ainda mais escassas se só o final do primeiro ato disponibilizasse um portal. Mas foi uma péssima decisão mexer em time que estava ganhando (a estrutura da zona com 3 atos, como era antigamente). Essa foi a quinta crítica? Já perdi a conta!
Os chefes são muito, muito fáceis ou extremamente irritantes de tão difíceis (só os dois últimos, na verdade), sem qualquer evolução matizada. Confesso, entretanto, que Robotnik utiliza algumas das geringonças mais inventivas de toda sua história nos videogames, além de os métodos de atingir sua nave serem um tanto divertidos: nas Aquatic Ruins, deve-se esperar que as estátuas-totens na extremidade da tela “cuspam” flechas no lado oposto; você as usará como degrau para alcançar a nave do vilão, que sobrevoa muito alto… No cassino, talvez a batalha mais empolgante de todas, Sonic é a própria bola de pinball!

GEN
Os tipos de armadilhas empregadas especialmente nas últimas fases são clichês – e, ao mesmo tempo, são clichês muitas vezes impossíveis de evitar por mais que o jogador os antecipe, aspecto hediondo da gameplay que me desanima muito. Eu tinha falsas memórias (Se toda memória é falsa, ou se nenhuma memória é falsa, porque memórias são afinal invenções do indivíduo recriando acontecimentos irremediavelmente perdidos do passado… eu vou deixar para discutir com vocês a qualquer momento no meu blog mais “sério”, o Seclusão Anagógica!) de Sonic 2 como um GRANDE CLÁSSICO DA MINHA INFÂNCIA, mas jogando novamente percebi que, pelo visto, eu me divertia descompromissadamente nas primeiras zonas, mas não tinha o objetivo de progredir de verdade quando chegava nas últimas, porque elas mal mereciam minha curiosidade! Sonic 1 de Master System, pelo contrário, conseguia ser muito mais atraente neste quesito, e olha que é um jogo pra lá de debatível!
Eu tenho problemas com jogos antigos que ainda punem o jogador unilateralmente demais com telas de game over – Sonic 2 faz parte dessa turma não muito seleta. Em Super Mario World você não se preocupa com o número de vidas, mas com o desafio que as fases proporcionam e em bolar estratégias para superar os obstáculos que aparecem pela frente, ou como procurar passagens secretas em fases que você sabe possuírem segredos mas em que ainda não os achou… Sonic 2 torna o jogador hipocondríaco quanto a espinhos, abismos e inimigos com padrões de ataque chatos e monótonos – mas que brotam na tela sempre no pior momento possível, como no fim de uma ladeira, só pra sacanear! Você tem poucas vidas, há muitas fases pela frente e num “bad hair day” um simples trecho complicadinho pode acabar zerando seu contador, gerando doses inimagináveis de frustração. Faltou uma suavização no sistema de sobrevivência ou pelo menos um save system, como em Sonic 3. Decepcionante, talvez mais decepcionante pela dissipação dos meus sonhos nostálgicos sobre esse jogo – sonhos que deveriam ter ficado para sempre sem desmentidos!

X
Tecnicismos…
Slowdowns? Sonic The Hedgehog 1 já não era o jogo que vinha para erradicar o “mal do século” dos gamers nos anos 80?! Afora a propaganda enganosa do primogênito, Sonic 2 não se sai melhor no quesito, e enfrentamos DE NOVO momentos de intensa lentidão. Está testado e comprovado: quanto mais anéis você tem, mais lenta fica a ação assim que Sonic leva uma cacetada… Achei que o Mega Drive tinha BLAST PROCESSING!… Ah, deixa pra lá…
Um dos problemas associados à franquia como um todo, até quando ela promete o que cumpre, é a falta de interatividade real de Sonic com os cenários – ou melhor dizendo, do jogador com os controles. Sonic faz 360 nos loop-de-loops com invejável esmero, desliza por tubos e slides estreitos com inegável competência, é propalado por mecanismos inventados pelos melhores autistas que conseguiram um emprego na Sega (tipo um circuito interligado de molas que beira a insânia da criatividade, câmaras a vácuo futuristas, saca-rolhas gigantes, ou nomes que os valham…), isso e aquilo, tudo é lindo e muito salivante mesmo, mas a que preço? Essas seções, que são as mais deleitosas de se assistir, não são jogáveis! Parece incrível ter de chamar atenção para esse “detalhe” num review de jogo! E não estou falando de uma dessas superproduções com orçamento hollywoodiano da era cinematográfica dos games. Pior do que só assistir Sonic ultrapassando todas as barreiras impostas pelo reino animal sem poder participar, não obstante, é viver e jogar os segmentos morosos de plataformas semoventes, em que 5 segundos (o tempo que a gôndola de Hill Top leva para transportá-lo de um recanto a outro) parecem uma eternidade na comparação!

X
Para quem pede algo mais de um platform 2D (mais do que a típica linearidade esquerda-direita, calcular o pulo, pular na cabeça do baddie, passar de fase), explorar passagens secretas e rotas paralelas é bem divertido, mas esse modus operandi mal sobrevive a uma segunda gameplay completa (eu experimentei detonar uma vez com Sonic e sua SOMBRA INÚTIL e uma segunda vez com Tails, e na segunda vez as zonas já pareciam um tanto mais maçantes). Faltam puzzles ou seções mais viçosas que suguem e aficionem de verdade. Se você procura esse algo a mais, volto a indicar Sonic & Knuckles…

GEN
Para que colecionar as malditas esmeraldas afinal?
Sim, aos que ainda estão em dúvida: a transformação do blue blur num porco-espinho dourado e luminoso, o grande fetiche dos jogadores contumazes deste título, além de se parecer muito, é DE FATO inspirado no conceito do supersaiyajin de Dragon Ball Z (assim como a zona final, Death Egg, é uma homenagem ou paródia da Estrela da Morte de Star Wars)! Esta transformação é a merecida recompensa após se submeter ao suplício de coletar TODAS AS SETE esmeraldas das bonus stages… OBS1: O truque da transformação em Super SONIC, como o sufixo já diz, NÃO funciona com Tails-solo. OBS2: Sonic não se tornará seu alter-ego super-poderoso o tempo inteiro a partir da reunião das esmeraldas – é necessário um procedimento, um gatilho, para acionar seus “poderes ocultos”.

GEN
Isso é alcançado após acumular 50 anéis e apertar o botão de pulo. Super Sonic, além do visual espalhafatoso, é ultra-rápido (nota bene: ninguém disse que o cara, no seu “normal”, era lento!), tem um salto de longitude fenomenal e é simplesmente invencível (embora ainda possa morrer de todas as mortes que não dependam do mero acúmulo de argolas: precipícios, água, prensagens, tempo-limite…), bastando resvalar nos adversários para obliterá-los… O problema é que cada segundo como Super Sonic consome um anel. Não quer dizer que você só possa usar a transformação 50 segundos por ato, já que fica bem mais fácil continuar acumulando anéis uma vez dotado dessas habilidades fantásticas… Se bem que 50 segundos transformado em Super Sonic parecerão mais do que o suficiente para cruzar alguns atos… Só cuidado com os segmentos de Plataforma meticulosos: como o cara fica parecendo roqueiro cheirado, ele pode não “frear” a tempo e pula mais do que o necessário, esbanjando estâmina à toa… Na fase do avião, p.ex., a transformação nem sequer é recomendável, e o pior é que você corre o risco virar Super Sonic sem querer porque tem de usar o botão de pulo de qualquer maneira… Mas não é só o SS a recompensa pela árdua tarefa de “zerar” as fases bônus: este é o pré-requisito nº 1 para se obter o melhor final…

GEN
MULTIPLAYER: Co-op ou Versus?
Para tentar dar mais vida útil a seu produto, a Sega inseriu outras modalidades em relação ao Sonic The Hedgehog original. A mais vistosa é o multiplayer um-contra-o-outro, em que você e um amigo correm um contra o outro (dã!) em atos de 3 zonas, réplicas perfeitas da aventura principal, em tela dividida, ou então medem forças no infame half-pipe das bonus stages, com o objetivo do jogo-solo um pouco modificado: ser, dos dois, aquele que coleta mais anéis. Infelizmente são poucos cenários para estender tanto assim o multiplayer… Além disso, a pior parte é que na split-screen das corridas os gráficos são completamente ACHATADOS, para não se perder campo de visão em relação ao modo de um jogador, que usa a tela da TV inteira. E o resultado fica horroroso, confira com os próprios olhos!
Mas o multiplayer competitivo é, assumidamente, só um dos lados da moeda: se Sonic estiver com Tails na aventura principal, um segundo controlador poderá jogar como Tails para ajudar o primeiro jogador a frustrar os planos de Robotnik. A parte ruim é que Tails não tem uma autonomia real, sendo obrigado a seguir Sonic, ou seja, sumindo da tela toda vez que não puder acompanhar o ritmo do amigo impetuoso. Nesses casos, cortesia da CPU, Tails voltará, alguns segundos depois, à companhia do porco-espinho, voando (e por que o jogador não pode voar também, p****?). Em Sonic 3 e S&K, Tails, controlado por um jogador humano (finalmente!), pode inclusive segurar Sonic pelos braços e transportá-lo consigo para as alturas, usando suas caudas como hélice de helicóptero (raposacóptero).

GEN 
PC 
X
LONGEVIDADE? Sim, de certa forma…
São 11 zonas contra 6 de S1. Parece um jogo quase 2x maior. Literalmente duas vezes maior!, já que agora são 7 esmeraldas (antes eram 6) e temos até multiplayer, você bradará! Mas não é bem assim: essa estatística é enganosa. Antes tínhamos 18 estágios per se, i.e., 6 zonas divididas em 3 atos. Agora, as 9 zonas iniciais formam só 18 atos, ou seja, a MESMA COISA. Ah, ok, tudo bem – a Metropolis Zone tem TRÊS atos, e depois ainda tem uma perseguição no céu atrás de Robotnik e um confronto com dois chefes seguidos, o Silver ou Metal Sonic e o próprio Robotnik (cara insistente!) no seu Megazord todo-poderoso. Satisfeitos agora, mortais?! Nunca um Sonic The Hedgehog teve tantas fases…
GRÁFICOS
Aqui a estrela de Sonic The Hedgehog 2 começa a brilhar, e percebemos por que é cultuado como clássico até os dias atuais. Os segmentos bidimensionais não envelheceram um só vintém! Ninguém seria doido de comparar a franquia The Hedgehog à série Mario World no Super NES, que visualmente come poeira. As fases são lindas, seja nos fundos repletos de parallax scrolling ou nos elementos de cores vibrantes no mesmo plano do personagem (além de cada zona consistir num ecossistema completamente personalizado). Os personagens estão animados de forma excepcional, possuindo não só um bom número de quadros como personalidade e carisma, deixando-se o boneco parado ou não! Mesmo que o recycling de sprites tenha sido maior que o desejado em relação ao design dos inimigos que se repetem em Sonic 1 e 2, o mesmo elogio aos gráficos vale para este pedaço, pois as criaturas estão grandes e detalhadas. Robotnik, por sinal, parece mais ameaçador do que realmente é em seus dispositivos tecnológicos…
No Xbox o visual está muito menos pixelizado
Destaque especial para a animação da “água roxa” da zona 2 (não caia lá!) e o lindo espelho d’água translúcida que coabita com ruínas de mármore (um verdadeiro mundo romano) em duas das zonas do jogo.
SOM
Sonic 2 tem uma trilha cavala e apelona! Coisa de profissa da seara musical. Inevitável sentir uma atmosfera diferente logo na Emerald Hill (o clássico ato 1 com ambiência vibrante). Mas o que se vê a partir daí beira a covardia – o jogador não estava preparado para ouvir também um álbum de música, além de jogar um Plataforma! Que ignorância tamanha demonstração de poder, que luxúria!… O tema algo campestre algo bucólico misturado com um quê de lambada da Aquatic Ruin (e acredite, a transição é perfeita e não soa uma composição estranha!) vai ser o elo de continuidade ideal em relação à Marble Zone, a sensação das sensações do Sonic original. Já ouviu música de cassino? Não?! Nem sei se existe, mas se tem de tocar alguma música dentro dum cassino, que seja o tema da Casino Night de S2! O reprisado tema do Dr. Robotnik também é um portento só!

GEN
Meus destaques individuais (além dos já citados) vão para as faixas: Chemical Plant, Mystic Cave e a “arabesca” Oil Ocean. Todo o crédito possível à mente genial de Masato Nakamura!¹ Mas nada melhor do que tirar suas próprias conclusões a respeito da banda sonora ao invés de acreditar em minha palavra sem restrições:
¹ Eu transcrevi o nome do cara como Masatu no review de STH1. Eu sei que é só a ocidentalização do nome japonês, mas desculpem se errei!
CONCLUSÃO
É até penoso concluir assim, abruptamente, depois de elogiar tanto os gráficos e o áudio, mas fazer o quê? Jogar Sonic 2 me deixa pau da vida. Pau da vida por me fazer lembrar que ele é pior do que no reino encantado que só existia dentro da minha cabeça! Pelo preço da versão Virtual Console, por exemplo, o gamer seguista estaria muito mais bem-servido comprando Streets of Rage. Pau da vida, rage, sacou?! Eu disse que voltaria com um trocadilho melhor, e cumpri minha palavra…

X
CONVERSÕES (Hidden Zone!)
No Xbox Live Arcade, Sonic 2 recebeu um “pente-fino” gráfico (veja as imagens na matéria). O charme dessa versão é poder competir online. Além das partidas aleatórias com gente do mundo todo, tem um leaderboard bem supimpa, com os mais craques listados no topo. Sobre o assunto delicado do lag nos servidores, vai depender fundamentalmente da qualidade da conexão do player que hospeda a partida, o que pode variar de “imperceptível” a “drama de lesmas” (sobre o lag da PSN, para usuários do PS3, só li críticas atrozes!). Ponto negativo para a questão do achatamento da tela no split-screen, que NÃO foi consertado. Alguns acham que perderia a essência mexer nessa parte, pois, nas corridas, é importante verificar em que ponto da fase está seu rival a fim de planejar sua própria conduta. Mas o fato é que não se aproveitaram da vantagem de cada competidor na modalidade online ter seu próprio monitor.

Para quem não é muito de sociabilidade e prefere mesmo a main adventure, essas rendições de Sonic 2 nos consoles modernos têm checklists de objetivos cujo cumprimento rende troféus simbólicos ou simplesmente pontos. No Xbox, jogar umas partidas básicas no multiplayer e zerar no pior final do 1P mode rende 120 pontos, por exemplo. Os outros 80 pontos são atribuídos após a conquista das cobiçadas esmeraldas. Não esqueça que agora você pode salvar seu progresso, então essa missão foi consideravelmente mais humanizada!

X
Na edição 3DS, além do esplendoroso embelezamento gráfico, o gamer ganha um “Ring Keeper Mode”, que é considerado um friendly 1P mode: começa-se cada ato com 10 anéis e cada hit sofrido faz perder só metade dos anéis em sua possessão.

Android
Debug mode: estes bichinhos estranhos eram da versão beta!
iOS
(tela na vertical)
As versões mobile (qualquer celular com iOS ou Android,e até um BlackBerry ou o celular da Microsoft, hoje fora de linha) oferecem 10 novos níveis no ambiente chamado Hidden Palace Zone (mais detalhes nas CURIOSIDADES), um boss attack mode, além do framerate aperfeiçoado e da remasterização da trilha sonora (não sendo músico, eu não notei praticamente nenhuma diferença). Tem também o Knuckles como terceiro personagem jogável, com suas habilidades exclusivas de gliding e climbing (ler o review de Sonic The Hedgehog 3 + Sonic & Knuckles se estiver confuso!). Além disso, Tails, quando controlado no modo solo, poderá voar – ouviram minhas preces!
Tudo o que sabemos da versão fliperama é que inexistem checkpoints, ou seja, o game é brutalmente mais difícil! Sabemos ainda menos da versão tvOS.

BONUS STAGES
CURIOSIDADE 1: ZONA DELETADA E CROSSOVER?
[Colete 30 anéis!]
Quando se encerrou o desenvolvimento de Sonic 2, Sonic CD já estava em produção. Ao contrário do que muitos pensam, Sonic CD é, com todo o direito, o “verdadeiro” Sonic 3 (que salada essa “cronologia da série Sonic clássica”!); além de ser na mídia disco (para o periférico Sega CD acoplável ao Mega Drive), esta continuação oferece o interessante conceito da viagem temporal. Talvez a Sega of Japan tenha ideado um jogo único envolvendo todos os elementos da gameplay de S2+SCD, mas devido ao cronograma apertado – e, dizem, “diferenças criativas na equipe” –, teve de lançar Sonic 2 num formato mais incompleto que o desejado.
[Se você coletou 30 anéis, prossiga… Colete agora 70 anéis!]
Fãs especulam que uma das músicas utilizadas para o split-screen mode, por não ter relação atmosférica alguma com o cenário da corrida (a da Mystic Cave),¹ deveria ter sido utilizada para o “passado” da futurista Metropolis (uma suposta Wood Zone) se Sonic The Hedgehog 2 e Sonic CD houvessem saído como um jogo único – justo Metropolis zone, esta fase chatíssimaque figura na versão comercial de Sonic 2 (que inclusive se chamava Cyber City Zone na beta version)!
¹ A música é essa: https://www.youtube.com/watch?v=KhZzANSpUNk. Realmente não tem muito a ver com a caverna! No fim das contas essa é a track do Hidden Palace na versão mobile (fotos abaixo), mas a teoria dos fãs permanece em suspenso.
CURIOSIDADE 2: ZONA “BRASILEIRINHA”
[Se tiver coletado 70 anéis ou mais, siga à reta final, e tente coletar 130 anéis!]
Se o leitor sentiu falta da seção “Enredo” (o que acho muito difícil em se tratando da série The Hedgehog clássica), liberto 2 coelhos recentemente mecanizados pelo Robotnik com um pulo no switch da válvula só: eis aí o enredo oficial, como transcrito pela Tec Toy, e de brinde o design da parte de trás da caixa do jogo conforme comercializado no Brasil pela própria empresa.


SONIC HAS PASSED!

Lista de agradecimentos pela cessão de informações e imagens
gamefaqs:
CHRISMC64
Derek Zoolander
Doodleheimer
HisDudeness
nominturddaddy
Ryan Harrison
waterforprez
gamespot:
Frank Provo
mobygames:
16-bit_gaming_wizard
Bahz
Ben K
Kartanym
Macintrash
Maxim Murin
Mister-k81
NapalmMan
OmegaPC777
Oyn
quizzley7
リカルド・フィリペ
nintendolife.com:
Jonathan Town
powersonic.com.br/
psnstores.com:
Ben
® 2002-2020 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!
Siga nossas novidades também no twitter: @0ldbutg8ld




















Deixe um comentário