análises fragmentárias de sonhos

Eu tanto sonho com Dedé porque é o pai do meu ideal do eu, o pai que eu nunca tive;

Não sonho tanto com sua esposa Rosângela;

Sonho com a Tamires (mais que com a Camila), minha prima, porque:

– ela é uma irmã mais nova, o que eu queria ter (por ser irmã e não irmão, por ser mais nova que eu, e não mais velha)

Sonho com os primos dela Leandro, Higor e Gustavo porque:

– são os irmão E primos que nunca tive. Assim como Dedé é meu tio e gostaria que tivesse sido meu pai, ele é o tio deles, portanto nada mais são do que substitutos para mim mesmo. Gustavo como o irmão mais velho que eu gostaria de ter tido é o que mais aparece nessas reminiscências, e Leandro, o caçula, o que menos aparece (ele seria eu mesmo, então o sonho se escusa, o Higor fazendo as vezes de irmão mais novo de forma condensada quando necessário).

Por que eu sonho tanto com o Beto bicha e o Saulo preto da época da sociologia:

– porque hoje a causa LGBT está na moda, e na época eu não tinha maturidade ou sensibilidade para entender o que é magoar os outros dizendo bobagens “inofensivas” – o que eles próprios fizeram comigo, por sinal, mas em outro contexto. Beto, a minha vítima, sou eu enquanto vítima do Saulo, que apesar de ser calouro da minha turma representa aqui a hubris dos meus veteranos, sendo o melhor amigo de um dos mais tagarelas dentre eles e portanto o calouro ideal para mascarar essa identidade simbólica. Como “descolado”, ele também me representa, embora eu tenha me descolado dos meus colegas de curso num sentido muito mais tenso e rígido do que gostaria, enquanto ele não se descolou socialmente falando, mas é sem sombra de dúvida um cara desprendido. O contrário de mim e meu ideal do eu de 2007-2010.

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