the king of fighters kyo (ps)

PlayStation

The King of Fighters Kyo

F I C H A     T É C N I C A

Developer Yumekobo

Publisher SNK

Estilo Action RPG

Datas de Lançamento 27/08/98 (JP); 09/09/99 (JP-SNK Best Collection); 28/06/07 (JP-PSOne Books)

NOTA

6.3

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Obviamente, detentores de um PSX amantes da franquia da SNK que gastariam de bom grado maior parte de suas energias com RolePlays.  (X) incógnita

Otítulo do jogo vem direto do prolífico mangá “The King of Fighters KYO”. Desapontadoramente, sua versão virtual e interativa não respeita o mesmo e intrincado enredo das revistinhas. E The King of Fighters Kyo, exclusivo de PlayStation (doravante apenas KOFK na matéria), é, conceitualmente, um spin-off da série de porrada de maior sucesso da SNK. Dessa vez há um foco ainda mais sobressalente no protagonista Kyo Kusanagi, o único personagem controlável do início ao fim, em todos os momentos.

A estória se dá 11 meses depois do torneio de 1996 (ganho por Kyo, como aliás foram o ‘94 e o ‘95, os primeiros existentes), cobrindo a fase final de preparação para o torneio de ‘97 além dele próprio, só que vivido de um prisma RPGístico ao invés de como lutas em tempo real. Encarnando Kyo, você deve peregrinar por várias terras (começando por seu lar, a vila japonesa Osaka, mas partindo para outros países e continentes como Coréia do Sul, México e Costa Oeste dos States) conhecendo gente e imergindo nas minúcias da storyline, todas mais ou menos conectadas ao ressurgimento do maligno clã Orochi, afora aparições pra lá de inoportunas do seu eterno arqui-inimigo Iori Yagami! Interage-se com muitos NPCs da série (todos os characters de KOF97, que podem eventualmente se tornar PCs, pois Kyo precisa de dois companheiros para formar seu time – vide mais informações abaixo), enquanto se resolve problemas em subquests e se ganha ou se perde nos combates especiais formulados para essa edição do jogo, vistos, por sinal, pelos olhos do próprio Kusanagi, isto é, em primeira pessoa.

Nada da ação desenfreada de outrora: a CPU e o gamer são intermediados por frios menus. Seleciona-se uma de diversas ações por turno, incluindo os típicos movimentos dos lutadores deste universo, tais quais os Desperation Moves. Mas, para simplificar, digamos que ou você ataca de uma vez ou começa a carregar um ataque mais elaborado. Mesmo que não seja um fighting ipsis literis, ainda assim algumas seqüências de botões (mostradas na tela) são requeridas para que tudo dê certo; para tanto, conta-se com determinado nível de habilidade e precisão mas também um naco de sorte, já que o resultado dos embates recai em probabilidades (estilo Jokenpo). Claro que se você tiver um joystick turbo a primeira parte dessa equação deixa de ser um obstáculo de relevo e o controlador poderá, então, se dedicar à parte da estratégia.

Melhor zera a trama aquele que conseguir explorar todas as possibilidades contidas no mapa e nos personagens secundários: intrometer-se na vida dos outros é a regra básica do homem bem-sucedido de KOFK. Dos 31 lutadores que você pode “pescar” para sua equipe – não necessariamente os mesmos integrantes do Hero Team de Kyo em KOF97, e é aí que reside a graça! –, quase nenhum entrará em acordo com o protagonista “de graça” ou logo à primeira vista: normalmente eles pedem (ou não pedem, mas apreciariam) um certo número de favores, que quando cumpridos solicitamente melhoram o humor deles em relação a Kyo. Ainda no compact disc está um battle mode para 2 jogadores e um sound test apimentado que inclui faixas cantadas pelos próprios seiyuu do CD (os dubladores japoneses dos personagens) e velhos hits da série-padrão.

“Assim que eu conseguir tirar essa franja da frente do meu olho vou quebrar a tua cara!”

A função básica de Iori no jogo é stalkear e perturbar aleatoriamente seus personagens. Ele os ataca quando você vira as costas e faz de tudo para enfraquecer suas amizades, o que pode colocar em xeque a cooperação e entrosamento nas lutas, alimentadas com tanto cuidado! Dependendo da gravidade dos eventos que se desenrolarem (se a gameplay não for a mais correta por parte do jogador), a única forma de consertar as coisas entre Kyo e algum fulano ou cicrana será dando reset e fazendo reload do seu save file. Em seguida, deve-se correr à “cena do crime” e impedir que Iori estrague tudo como da última vez. Perspectiva depressiva, eu sei, mas é assim que a engine funciona…

Fique de olho nessa tela para saber se está sendo um desastre ou jogando direitinho…

Navegar pelo mapa também não é nenhum primor. Descarte a liberdade de locomoção de épicos do gênero nos 32 bits como Final Fantasy e Xenogears. Seu boneco não se move por qualquer centímetro cúbico da tela, literalmente falando. Como está-se diante quase que de uma graphic novel, em que cenários e pessoas são construídos com vários e vários sprites, esse estilo de exploração não daria lá muito certo… Então, no lugar disso temos um mapa simplezinho e uma seta que representa a próxima escolha de Kyo. Depois de sua confirmação, ele entrará automaticamente no cenário e o enredo dará prosseguimento, “sozinho”.

Como insinuado acima, os backgrounds são exímias obras de arte e o nível do artwork dos personagens está bem mais elevado que o das edições KOF97 e mesmo ‘98. Na verdade, os characters têm a mesma aparência das FMVs de KOF Dream Match 99 para Dreamcast! Isso é sinônimo de alta-definição e fluidez nas animações, como se se estivesse de fato jogando um anime!

Outro dado que coletei sobre o jogo, que parece não ter a ver com o estado de preservação do disco do usuário em específico, é que infelizmente KOFK trava bastante, sem uma explicação aparente, ou possibilidade de prevenção. E o pior é que as travadas têm mais chances de ocorrer nos loadings imediatamente posteriores a batalhas suadas ou seleções no mapa, sem que se tenha tido a oportunidade de salvar o progresso. A solução? De novo, resetar e continuar de onde havia parado, na marra! Para quem não suporta esse tipo de frustração e desperdício com videogames, pode pensar duas vezes, em sendo fã fervoroso da SNK, já que pelo menos você não dá de cara com sujeitos desagradáveis e sem carisma como Benimaru e Goro, e pode até se juntar com os lendários Geese Howard e Billy Kane num time dos sonhos (e com justificativas históricas)! Ah, se somente Eiji Kisaragi (Dream Match 99; 2002) fizesse uma ponta!… Digamos que a SNK podia ter vindo com um proto-RPG bem melhor, mas – independentemente da qualidade interna da obra – parece que tratou-se de uma iniciativa isolada da empresa, a última de que temos notícia com os personagens de KOF num spin-off, então nunca tivemos a oportunidade de jogar uma versão melhorada. Triste que não tenha havido continuações desse curioso projeto!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

MobyGames

GameFAQs:

KBoon

Zemien TDW

Ex2

Neo-Geo.com:

wagesofsyn

Revista Gamers edição 35

versão 2 – 2013; 2026.

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