ronaldo v-football (gbc & ps)

REVIEW N° 1009 DO NEWGEN

Game Boy Color & PlayStation

Ronaldo V-Football

(PS)

Ronaldo V-Soccer

(GBC, Estados Unidos)

UEFA 2000

(GBC, Europa)

F I C H A    T É C N I C A

Developers: Power and Magic / Bit Managers

Publishers: Infogrames / GT Interactive

Estilo: Futebol

Datas de Lançamento:

GBC

11/99 (EUR); 06/01 (EUA), 2001 (relançamento europeu versão Ronaldo)

PS

09/06/00 (EUR)

NOTAS

5.85 (GBC) | 7.3 (PS)

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Ronaldetes; nostálgicos; gente que acreditou que ia ter Copa 2014 e foi recompensado por isso.   (X) incógnita

Vida útil estimada: 22h

O Gordo, ainda magro

Futebol é o esporte mais popular do mundo, exceto nos Estados Unidos, onde por sinal é chamado de “soccer”. Todas as softhouses, até as americanas, tentam fazer bons jogos no estilo, mas temos como que um duopólio, já há bastante tempo, de FIFA (EA Sports) e Winning Eleven/PES (Konami). Embora (geralmente) clássicos de primeira linha, os episódios de cada uma dessas séries pecam por excesso, seja de facilidade ou de dificuldade. FIFA no PS1 é uma mamata; convidativo para beginners, mas fica horrível com o tempo… já WE é recomendado apenas para veteranos.

Não é brincadeira, pessoal: já fiz mais de 30 gols numa partida de FIFA, não tem a menor graça! Que tal um simulador mais acurado, em que o ótimo time faz 3 e não 30 gols? Winning Eleven também não consegue proporcionar-lhe tanta diversão sem que se tenha percorrido uma longa estrada de dor e aprendizado, porque a CPU é apelona, o goleiro também…

Reedição da final da Copa de 98!

Foi então que me veio ao conhecimento Ronaldo V-Football, uma síntese de diferentes extremos que veio coroar o gênero futebolístico já prolífico do PlayStationOne no final da vida útil do console. Já aviso que se você não suporta comparações com FIFA 2002 e as peladas da Konami, melhor nem ler o resto da análise!

Certeza que isso aqui não aconteceu no jogo de verdade, não!

Neste jogo, dedicado a enriquecer um pouco mais o supercraque Ronaldo Luís Nazário de Lima, o Teflon (nunca gruda em nada por muito tempo, muda de opinião e imagem que é uma beleza para se preservar de desgastes), estão à disposição, no PlayStation (faço essa diferenciação porque na versão portátil o número e a distribuição das equipes são diferentes), 64 seleções (algumas com nomes reais, outras não, maioria com um misto das duas vertentes; por exemplo, apesar de haver licenças para a Argentina e a Espanha, não se acham Guardiola nem Redondo) e pelo menos 7 modos de jogo: Exhibition, Arcade Cup (um “endurance” com 16 times em que o jogador tem 3 chances de derrotar todos na seqüência, sem poder salvar entre as partidas), Resistance (você começa na quinta divisão e deve superar 8 times em cada uma até escalar rumo à primeira), Tournaments (torneios continentais, seja por pontos corridos ou em formato de copa, de forma que ao vencer em todas as partes do mundo o player habilita uma espécie de Copa das Confederações com um representante de cada região), V-Football Cup, a “Copa do Mundo” deste jogo, com 32 seleções de todas os continentes e o mesmo formato que conhecemos tão bem, além de uma última modalidade em que você estipula todas as regras da sua própria competição. Ademais, all-star teams são destravados conforme se vai ganhando as competições. De bandeja, também, 15 estádios, nenhum com o nome verdadeiro, mas todos certamente bastante inspirados pelos modelos do mundo real. Como é tradicional desde os tempos do Super Nintendo, escolhe-se entre dia e noite para horário de realização da partida, e entre tempo bom, chuvoso e nublado.

A versão portátil é um pouco diferente… São 70 seleções e cerca de 40 clubes! Os direitos de nome de TODOS foram respeitados, oba!

A gameplay é simplista, funcionando com os quatro botões frontais básicos para a maioria das operações, e passível de requintes com os botões superiores: Triângulo, segurado, corre, mas ninguém neste jogo é o Messi, então quem usar o recurso faz a bola ficar mais longe dos pés e aumenta a chance do desarme; X é passe curto ou a tentativa mais mansa de roubo de bola; Quadrado cruza ou dá balãozinho ou dá um carrinho com vontade sem a bola; O dispara para a meta e também aciona o carrinho; R1 e L1 permitem passes mais complexos, como o em-profundidade e o 1-2 (tabelinha), que é L1+X. São três as configurações de comando, eu só citei a primeira, padrão. Como de praxe, o controlador de cada atleta é também o técnico, escolhe entre numerosas formações e pode ligar e desligar muitas regras, como linha de impedimento, cartões e número de jogadores na barreira da falta.

As animações dos gols do Fenômeno são idênticas às da época do lançamento do CD: correndo com os braços estendidos em forma de avião.

O visual é aparentado ao de WE, só que um pouco pior; enquanto a gameplay está mais para a franquia da EA do que a da sua arqui-rival, só que aperfeiçoada. Começando a dissecação gráfica, os modelos dos jogadores, olhando de hoje, são horrendos; as faces parecem desfiguradas; o único detalhe marcante que permite dizer “esse é Fulano” é o cabelo personalizado (ou a ausência dele, no caso do Zidane); os músculos são blocos de polígonos de primeira geração; há atravessamento de polígonos, inclusive. O campo de jogo está ok, abaixo da beleza dos gramados de FIFA 2002, como seria natural. Elementos como chuva e neblina fazem seu trabalho, mas novamente não conseguem competir com o luxo dos jogos de futebol de primeira grandeza desta era dos games. Se seu negócio é fazer muitos gols e apreciar bons gráficos 32 bits, escolha FIFA 2002 no lugar.

Você pode ligar e desligar o radar na parte de baixo

Agora, quanto aos gráficos considerados pela perspectiva old school, eles são bárbaros. Para a época o realismo das jogadas mais enfeitadas era incrível. Como posso saber, se desconhecia o jogo quando era criança (ano 2000!)? Apurei por reviews contemporâneos do lançamento quente do jogo no mercado… Alguns caras elogiam o fato de que quando tentamos emendar um chapéu e o adversário recupera a bola nosso jogador continua olhando na direção da bola enquanto segue com o movimento corporal (lei da inércia), afastando-se involuntariamente do lance, isto é, age de forma realista comparado às animações poligonais toscas do período. Também se reportam lindos lances de defesas de mão trocada de goleiros, a meu ver coisa inédita na geração 32-bit!

Mas o maior atrativo na minha opinião é a dose perfeita de dificuldade; nada impossível como *cof, cof* Winning Eleven ou canja de galinha como o *cof, cof* FIFinha. O maior erro da série da Electronic Arts é a inutilidade do goleiro, que parece correr de medo das bolas quando chutam forte em direção ao gol. Em WE o maior problema é chegar perto do perímetro do gol adversário. Depois, quando o adversário recupera a posse, dá chutões que o fazem perder avanços de 40m, e nunca é fácil reaver o domínio. Eu estava mesmo desejoso de uma interface mais livre para movimentação no gramado porém nem tão ridícula e com goleiros infames como os de FIFA!

Mudando a perspectiva, parece até outro jogo. São 5 as câmeras, e tem zoom pra dar e vender!

Dá para correr, mas não tão à vontade quanto em FIFA. Contudo, só de dar para correr com a bola já fica melhor que no conceito de WE, em que você é punido com o desarme ao menor vacilo. Aos que me perguntam “então por que você não joga FIFA no mais difícil e WE no mais fácil?”, respondo que não é tão simples assim. Pouco adianta mudar o nível dos atletas de linha, no FIFA o goleiro continua sempre o mesmo ‘dumbass’. Quem sabe chegar na cara do gol nos FIFAs 3D mais antigos sabe fazer gols a rodo, isto é um fato. No WE o goleiro parece uma muralha intransponível, e os zagueiros inimigos brotam, ao que tudo indica, do nada! Seja como for, o equilíbrio de Ronaldo V- é salutar: com um pouco de tique-taque, dá para furar o esquema defensivo e aplicar alguns gols, mas, claro, o chute pode ir pra fora e o goleiro pode salvar tentos certos…

Não sei vocês, mas me amarro em ler essas escalações antigas pra ver quem eu reconheço…

O comportamento indicado para não levar cartões não é novidade no gênero: dê carrinhos, mas nunca pelas costas. Mesmo que você desligue cartões amarelos e vermelhos, de pouco adianta não seguir este conselho, afinal os free kicks continuarão acontecendo. Free kicks ou, pior, pênaltis (curiosamente estou redigindo essa resenha logo depois do pênalti roubado para o Brasil na abertura da Copa 2014… Alô, menino Frederico nariz de Pinóquio!); levar o primeiro gol é sempre preocupante, já que jogos de futebol nos videogames acabam bem depressa… Quanto à inteligência artificial, ela poderá ceder uma falta ou outra, mas dar penais de presente é uma postura quase impossível de constatar na CPU. A física elaborada de RVF já permite que carrinhos em alta velocidade que não pegam em cheio na bola façam a redonda resvalar para um dos lados, saindo da posse do adversário mas seguindo neutra, sem vir necessariamente para juntinho de seus pés.

Olha quem tá com a bola!

Não precisa ser o José Mourinho para mexer no menu tático. Gente pouco familiarizada com o melhor esporte de todos pode simplesmente regular a barrinha do “total defense / defense / neutral / attack / total attacks” baseada nas estatísticas do adversário. Contra a Arábia Saudita, coloque “ataque total”; use uma postura mais defensivista contra a Itália.

Os replays são recheados – nunca vi um futebolzinho virtual com tanta reprise de jogadas!

Ah, a Itália! Por alguma razão ela é a grande pedra no sapato dos usuários deste jogo. Ah, claro, Ronaldo estava na Inter de Milão quando seu jogo saiu, isso explica tudo! Bom, na verdade suponho que o Brasil tenha ficado superior inclusive à Bota, só que, como sempre escolho o Brasil, hehe, não pude testar a hipótese contra a CPU. Tranque o time se não estiver conseguindo nada contra os manjadores de fettuccine: ao menos a chance de um 0 a 0 aumenta, e o melhor nem sempre ganha quando a partida vai para a prorrogação ou os P.K.!

Não tem cursores na cobrança de escanteio!

Se você gosta de confrontos caseiros ou clubísticos, lamento informar que no PS1 o máximo que você consegue são duelos internacionais entre Brasil, Argentina, França e assim vai. Na verdade, todos os times da Copa de 2002 estão presentes, exceto o Senegal, surpresa daquela competição. Agora, se seu negócio é fazer duelos particulares estilo Real Madrid X Milan, é melhor comprar FIFA 2002 mesmo. Ora, vamos, não chore: em V-Football você pode escolher o estádio da partida, diferente do épico bretão da EA Sports!

No Game Boy, tem uma galeria de fotos bacana!

Algo que eu sempre lamento em jogos de futebol é que não dá para aumentar os minutos conforme seu gosto. RVF não escapa ao defeito: não dá para ter confrontos de mais de 10 minutos (5min cada tempo). Não que eu quisesse atuar fielmente por 90 minutos, mas uns 20 ou 30 para reagir contra seleções filhas-das-putas já estava bom: nada pior do que estar perdendo de virada para a Itália por 3 a 2 e o juiz apitar o fim de jogo quando você está no ataque… Mas eis uma novidade interessante: em vez do final ser estipulado pela passagem dos minutos, pode ser pelo número de gols, se você quiser. Só se joga até uma das equipes marcar um, dois ou três gols, por exemplo (imagina um triple golden goal match!). Isso acrescenta um certo “realismo urbanóide” ao assunto, deixando o game mais com a cara do futebol amador que praticamos no dia-a-dia!

Não é jogo pirata, tem Português mesmo!

Observe que o jogo – tanto nos subtítulos quanto nas narrações – tem 4 idiomas, Inglês, Holandês (onde Ronaldo também jogou), Francês (onde Ronaldo teve um ataque epiléptico) e… Brazilian, Brasileiro!… é, é o que vem escrito… Ops, que gafe!

Este é o melhor produto da casa Infogrames no mundo do futiba. Esquecendo-se de seu fiasco Puma Street Soccer e relembrando os méritos do razoável UEFA Striker, esta foi definitivamente a melhor tacada da empresa direcionada a este nicho, posto que alia jogabilidade agradável e vício futebolístico (tamanhas são as opções, capazes de divertir por muito tempo qualquer PVC da vida). Jogos apadrinhados por nomes famosos costumam ser uma droga, mas esta é a exceção que confirma a regra. Eu disse que “o Teflon” não associa a imagem dele a nada tão ruim – se fosse o caso, acho que ele teria mandado incinerar todas as cópias e eu sequer teria ouvido falar de Ronaldo V-Football!

NOTA: Sobre o Ronaldo V de GBC, do qual não deu para falar muito, afirmo que é melhor que seus principais concorrentes, International SuperStar Soccer 99 e FIFA 2000. Medíocre, mas um investimento que vale a pena levando-se em conta o nível dos games do gênero no portátil.

O cara já era tão idolatrado quanto hoje e ainda nem tinha uma Copa do Mundo nas costas!

Rafael de Araújo Aguiar é funcionário público na área da educação e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

GAMEFAQS:

Saga de Gemeos (“Hi hi hi… ha ha ha! Moooorrra Seiya!!”)

Bass_X0

MOBYGAMES:

C-Shot

Luis Silva

MERISTATION:

José Javier Méndez

JEUXVIDEO.COM (LES DEUX VERSIONS):

Mélo

la rédaction

PLAYERONE MAGAZINE:

Carlito, no banco de reservas (ele que me mandou dizer!)

versão 2 – 2014; 2026.

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