PlayStation

Resident Evil: Survivor
BioHazard: Gun Survivor (Japão)
F I C H A T É C N I C A
Developer TOSE
Publishers Capcom / Eidos
Estilo Ação > First-Person Shooter > Survival Horror
Datas de Lançamento 27/01/00 (JP); 31/03/00 (EUR); 30/08/00 (EUA); 22/03/01 (JP-CapKore)
NOTA
5
Este jogo é pra…
(X) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? O fã incondicional de Bio Hazard ou de jogos de tiro! (X) incógnita
ACapcom causou sensação com sua série de Survival Horror, não se pode negar. Depois de um começo já avassalador em 1996, no próprio PlayStation, a matança de zumbis se alastraria por um sem-número de plataformas, a ponto de seguidores de Mario, Sonic e dos RPGs da Square terem podido usufruir-lhe igualmente. É óbvio que estou falando do sangrento e consagrado Resident Evil. Todos já sabiam. Mas o que poucos dentre esses sabem é que a franquia foi inicialmente idealizada como um First-Person Shooter, e que, depois do terceiro capítulo de jogabilidade em terceira pessoa, o tremendo sucesso da sigla RE facultou o nascimento de um spin-off realizando esse antigo fetiche de fãs e produtores: Resident como um jogo de tiro visto pelos olhos do personagem principal. Survivor (2000) é de longe o episódio mais desconhecido da saga-zumbi no PS1.


A proposta da série muda, nesta rendição, muito mais do que a aparência: não é mera questão de perspectiva, mas o conceito de salvar balas e se concentrar na exploração de cômodos semidesertos foi todo virado, em prol de um festim de balas e ação em estado bruto. Além do mais, o projeto foi concebido para ser compatível com a light gun do PlayStation (produzida pela Namco) em todas as suas instâncias, mas à causa de distúrbios na sociedade ianque (massacres em shoppings e escolas? hm…) a Capcom mudou de idéia, pelo menos para a turma ocidental. Seja como for, jogado pelo controle regular ou com pistolinha, no caso dos nipônicos, esse game possui uma péssima reputação na mídia, que o considera uma desgraça técnica. Que Survivor peca – e bastante – em relação a seus irmãos Resident Evil mais velhos e caçulas, não tenho a menor dúvida. Mas querer tachá-lo de “injogável” é um pouco demais. Na verdade, adeptos irrestritos de tiro em 1ª pessoa e os fanáticos pelo story-telling de RE embarcarão com gratidão nessa viagem experimental, violenta e sombria…


O enredo é canon, ou seja, oficial, então os desprezadores de buracos no enredo vão se certificar de adquiri-lo. Embora não seja o cume do interessante, decerto que revelações secundárias sobre a Umbrella Corp. e personagens da S.T.A.R.S. serão estímulo o suficiente para manter o traseiro do gamer curioso grudado à cadeira por algumas horas que sejam. O protagonista, no entanto, é um desconhecido Ark Thompson, paciente de amnésia, que tem de descobrir sua identidade e paradeiro enquanto cuida dos “pitorescos habitantes” de uma ilha infernal…


Uma barra de status na parte de baixo da tela mantém o controlador informado acerca da arma em uso, da munição e do life, sem a necessidade de pausar e navegar por menus, como em outros Resident. Mas, quando houver a necessidade de acessar as opções, pelo menos o layout é o mesmo da série-padrão, familiar o bastante para qualquer marinheiro de segunda viagem. Estudar o mapa, ler documentos encontrados nas fases e uma ou outra (clássica) mistura de ervas medicinais são prerrogativas existentes fora da ação em tempo real. São 8 armas no game: shotgun, rocket launcher, grenade launcher e por aí vai, mas sentimos falta de uma machine gun para cuidar de inimigos irritantemente lépidos como os cães.


Você não será capaz de revisitar áreas detrás de algumas portas. Trocando em miúdos, a fim de completar tudo na aventura será preciso rejogar infindas vezes. Cada conclusão da estória com êxito merece um ranking de acordo com fatores como quantidade de itens de cura utilizados, tempo demorado e dificuldade escolhida. Só quem chegar ao rank “S” terá acesso a segredinhos extras…


Ark não pode recarregar o pente da arma a menos que ele esteja vazio. Esse reload é lento e pode ser vital – digo, mortal – no transcurso de batalhas ferrenhas. O “herói” vai virar lanchinho de undeads se não se cuidar, mas a pior parte é que nem depende tanto assim de você esse “se cuidar”! Se bem que a pouca liberdade no carregamento do pente é o defeito mais inocente do título.


Há falhas graves de fato esperando pelos jogadores em RE:Survivor. Os controles farão de tudo para atrapalhar, verdade seja dita. A mira se desloca pela tela de forma muito vagarosa. Mas pífio mesmo é o sistema de detecção de colisão, ou a falta de um sistema: acertar em qualquer parte do corpo de qualquer criatura sempre dá no mesmo e representa o mesmo impacto. Um head shot vale tanto quanto um leg shot, o que tira toda a graça do conceito e é uma ruptura ou heresia (depende do seu grau de insatisfação com a medida) quanto à tradição residenteviliana de degolas e decepamentos em jogos prévios.


O “lock-on”, que deveria facilitar as coisas, só angustia os menos habilidosos: para criaturas lerdas, a mira automática trava que é uma beleza, mas e quando é para acompanhar o ritmo daqueles malditos cachorros? O cursor da mira, como dito acima, não consegue. Na prática, quem utilizar o lock-on target está sujeito a desperdiçar uma vastidão de balas nas paredes. Muitos se sentirão frustrados por não poderem olhar para baixo e para cima, igualmente. O enfoque vertical da visão de Ark só muda enquanto o auto-targeting permitir ou ao coletar-se itens. Lamentável também que não possamos brincar um pouco com cadáveres e atirar ainda mais neles!


Os gráficos estão no mesmo patamar de Resident Evil 2&3 e os modelos mais empregados são os do segundo game, conquanto um dos inimigos mais marcantes será um jacaré gigante (hilário, visualmente, mas cuidado porque ele pode te engolir!).
A nascente série Survivor (Gun Survivor, no Japão, onde chegou mais perto do sucesso) fez escola no PlayStation2, com seqüências como Dead Aim, Survivor 2: Code:Veronica e Dino Stalker (misturando RE com Dino Crisis). Nenhuma foi um top-notch shooter à Halo ou Quake (exceto, talvez, o 4) mas tinham muitos pontos fortes não-negligenciáveis por tarados por trivia da série e zumbifilia. (O grande dilema, no que concerne a Survivor 1, de que tratamos aqui, reside na falta de conciliação gameplay-storyline, para o público americano: quem quiser entender o enredo – em inglês – terá de abdicar do hardware da pistola, enquanto que se o anseio por usar uma arma de brinquedo for maior, infelizmente o gamer terá de procurar a versão japonesa e lidar com kanji, provavelmente sem entender bulhufas, com o agravante de que a lentidão para mover o cursor na tela deverá continuar a irritá-los…)


P.S.: RE:Survivor é perfeito para ser emulado de um Dreamcast por causa de sua pistola com d-pad embutido, para poder se locomover e atirar ao mesmo tempo caso não esteja usando o joystick convencional!
P.S.2: O jogo é tão curto que nem conta com save feature nas máquinas de escrever que já viraram um ícone da série…
Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos
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versão 2 – 2014; 2026.
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