REVIEW N° 993 DO NEWGEN
PlayStation

OverBlood 2
F I C H A T É C N I C A
Developer River Hill
Publishers River Hill / Evolution Games
Estilos Action Adventure / Plataforma 3D / Puzzle > Cyber-punk
Datas de Lançamento 23/07/98 (JP); 03/06/99 (JP-PlayStation The Best); 13/04/01 (EUR)
NOTA
6.58
Este jogo é pra…
(X) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Aquele a fim de um híbrido entre Zelda no N64 e Final Fantasy VII sem medo de ser feliz, em que pesem gráficos, som e “n” coisas desastrosas do CD… (X) incógnita
Vida útil estimada: 33h20


Dezembro de 2115. Cidade de East Edge, novo centro do mundo. O natal bate à porta. Não há muitos motivos para celebrar. Há uns 75 natais já não há… Depois do “dia da catástrofe”, a Terra seria um inferno borbulhante inabitável para os seres humanos não fosse pelas máquinas hiper-potentes de refrigeração da atmosfera (pense em ares-condicionados gigantes e na “catarização” do clima dos outros países). O protagonista Acarno (que diabo de nome é esse?) chega ao aeroporto para participar de uma corrida de Junk Blade. Ele parece um jovem promissor e pretende fazer a carreira como piloto, daqui em diante. No mesmo vôo estava um homem grisalho chamado Velter Curtis e uma policial federal, Chris Rernbecker (uma aspirante a Redfield? RE-fans, beware!). Saindo juntos porém sem se conhecer, é então que Acarno sente que Velter corre risco de vida e ensaia uma ajuda desesperada ao sujeito, só que tarde demais. Velter joga uma cápsula para Acarno em seu último ato, que ele sem saber o que é ainda protegerá com a própria vida. E a policial mulher? Ela será um NPC/PC no decorrer da aventura (parcialmente controlável).

Gráficos também lembram Einhänder, adivinha de que empresa?
Novo look, novos controles, novo “muita coisa” em OB2, conforme veremos. O que podemos dizer logo de cara? Que em vez de parecido com Bio Hazard, a série OverBlood adquiriu verossimilhanças com outra franquia ainda mais exitosa, e particularmente o episódio Final Fantasy VII! Mas antes de você dar aquela animada, saiba que a “similitude” é mais conceitual-estética que propriamente “real” ou que interfira na gameplay e na diversão. Um exemplo é que, bem como em OB1, inúmeras áreas são totalmente poligonais, mas, dessa vez, OB2 deixa o visual muito aparentado a Parasite Eve e o próprio FF7 graças aos cenários pré-renderizados de vez em quando. Mas não pára nesta (até aqui) coincidência casual: a ambientação é quase que um furto de programação do primeiro FF de PSOne, vide a própria arquitetura dos edifícios e os modelos 3D dos personagens, totalmente reinventados em relação a OverBlood 1 a fim de copiar o estilo dos SDs da Square. E, veja só, o personagem principal ganhou o mesmo corte de cabelo e jaquetinha de Cloud Strife!! Como se não bastasse, a trilha sonora cheira a Nobuo Uematsu (não estou criticando)!

O cara atrás do balcão é Raz Karcy, o protagonista do primeiro OverBlood!
O roteiro do jogo é tão fabulosamente inócuo quanto a tentativa de emular o sucesso de FF7. Diga adeus às boas idéias sci-fi e ao sentido de suspense do original: diálogos intermináveis e insuprimíveis entre personagens com péssima dublagem e a ausência completa de subtítulos, a ponto de eu não saber se foi mais uma mancada ou uma dádiva a circunstância de eu não compreender o que os interlocutores relatam em algumas passagens; murmúrios e resmungos complicados de discernir, e estou falando de alguém com bons ouvidos para o inglês (o jogo, de tão ruim, quase não sai para anglófonos, por sinal), modéstia à parte! Quando um enredo é ruim, torna-se intolerável o fato de interromperem a gameplay por 10 minutos com “ceninhas toscas”; se bem que a gameplay também não é nenhuma maravilha, vamos lá…


Acarno será um explorador contumaz neste título. Qualquer pedrinha removível deverá ser revirada em todas as salas para se achar a totalidade dos itens. E na verdade até as pedras bem solidamente grudadas no solo: quase todos os cenários são destrutíveis, e escondem segredos por baixo. Se OB1 foi lembrado pelos desenvolvedores nalgum ponto, foi na falta crônica de duelos. O foco está de novo em platforming sessions, obtenção de chaves, cartões magnéticos, novas armas e proteções.

Navios voadores, outro conceito meio batido importado de RPGs japoneses…
Preste atenção AGORA: para ajudá-lo a progredir, uma das habilidades de Acarno é operar um HOOKSHOT. Para quem não sabe, trata-se de um gancho retrátil ideal para atingir grandes alturas ou distâncias. Em segundo lugar vêm as BOMBAS (em combinação com vários ESCUDOS e CALÇADOS SUPRESSORES MOMENTÂNEOS DA GRAVIDADE // hoverboots!!! // e até TÚNICAS PARA NADAR MELHOR…) – e, para dizer que não é PLÁGIO NA CARA DURA DE ZELDA: OCARINA OF TIME, pelo menos as bombas podem liquefazer a água (hmm…)! São dois discos, cada um representando 1 capítulo da estória. A partir do segundo é que outros personagens amigos de Acarno passam também a ser manipuláveis. Há um walkie-talkie no inventário capaz de fazer a substituição num instante.

Gordão moralista!
Tudo isso até soa reconfortante para quem não se importa com licenciamentos e originalidade de idéias, mas a execução é pobre. A gameplay é lenta de morrer. Num primeiro contato com o jogo, seu PlayStation receberá uns tapinhas, pois é provável que esteja funcionamento mal… Não, não, espera, era só o ritmo normal do jogo mesmo! Parece que Acarno está se locomovendo debaixo d’água! Mas pega-se o jeito… ou se morre tentando (por isso o “lenta de morrer” acima)! Resident Evil 2, já um tanto vagaroso, chega a ser um deus da velocidade diante de OverBlood 2! Lembrar Cloud Strife não é o problema com Acarno. Mas quanto a ele e tudo o demais no setor imagético, os poucos gamers pacientes com o “slowdown eterno” que continuarem segurando o joystick após a primeira meia hora vão ter de pingar algum colírio para não doer a vista. Os personagens não parecem contar com mais do que uns 25 polígonos. Figurantes possuem a mesma definição dos personagens primários do elenco. Perca a esperança de encontrar qualquer detalhamento facial, salvo em FMVs. Virtua Fighter I será devidamente lembrado diante das massas de LEGOS gouraud-shaded animadas sem qualquer senso de coordenação, afora a desproporcionalidade de tronco e membros. Acarno pulando parece um passo de balé, sem sacanagem! Inescusável para 1998. E infame, já que os europeus o jogaram pela primeira vez em pleno 2001!

Fãs do original, que já era um pedaço de software limitado, mas charmoso, stay away! Vai ser a melhor maneira de não conspurcar a saga OverBlood em vossas cabeças! O jogo é massivo, bem maior que o primeiro, mas sua lentidão e falta de interesse estragam a experiência “ambiciosa” (uma vez baseada nas interfaces de dois grandes sucessos do RolePlay mundiais).

“Ai, que horrível, isso sangra meus olhos! Desliga, vai!”
Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos
Lista de agradecimentos
mobygames.com:
Blood
gamefaqs.com:
Synesthesian
quebecgamers.com:
Bryan Lajoie
gamespot:
James Mielke
versão 2 – 2014; 2026.
Deixe um comentário