neon genesis evangelion (n64)

Nintendo 64

Neon Genesis Evangelion

F I C H A    T É C N I C A

Developer Bec

Publisher Bandai

Estilo Ação > Miscelânea

Data de Lançamento 25/06/99 (JP)

NOTA

6.8

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Otakus.  (X) incógnita

Mais do que óbvio que esse game é baseado no consagrado anime Neon Genesis Evangelion, da Gainax. Você se envolverá nos acontecimentos dos 26 episódios regulares da trama mais os dois primeiros longas-metragens.

O fator predominante na gameplay é o de combates 1-on-1 entre mechas, não sem incursões bizarras por um minigame com cara de Bust A Move e outro no melhor estilo shooter, afora um terceiro meio Track & Field 2000 (apertar um mesmo botão até ele arrebentar!) e surpresinhas mil… Quem souber japonês não vai encontrar dificuldades para se adaptar aos sempre rotativos controles destas diferentes mecânicas, uma vez que os comandos são detalhados no menu de pause. Acerca dos modos, temos o story mode, o training (onde se pode lutar com alguns Angels e você escolhe a arma especial que usará), o simulation (aqui escolhe-se o Angel a combater) e alguns “ovos de páscoa” ou brindes abertos após completar o story. Entre os conteúdos secretos, uma galeria de imagens com basicamente tudo que é estrelado no jogo, missões de treino especiais (como as do desenho animado), a habilidade de escolher entre qualquer um dos 5 pilotos de EVA, etc. NOTA: a opção de deletar os dados salvos num arquivo se chama “3rd Impact”. Fãs da série saberão o que significa e isso deixa a coisa mais personalizada e bem-humorada, mas pessoas sem intimidade com a série poderão apagar seu progresso por acidente e ingenuidade…

Maioria do tempo você assumirá o papel do jovem e problemático Shinji Ikari (o “protagonista” da série, embora NGE não tenha um protagonista oficial), mas de vez em quando entrará também na pele da bela Asuka Langley. Ayanami Rei aparece bastante como NPC.

Os gráficos do jogo estão quase na linha da perfeição para o ano de 1999. O que mais surpreende, no entanto, é a chance de acompanhar muitas seqüências do anime no cartucho, com áudio e vídeo intocados! Um bom naco da trilha e dos efeitos sonoros de Neon Genesis marca presença, abarcando, por exemplo, o amável “The End of Evangelion Theme” e a magnificente e pomposa “Cruel Angel’s Thesis”, com flauta e acompanhamento no piano. A animação de abertura, sozinha, deixa o hype dos fãs lá em cima, numa impactante mistura de full motion com modelos 3D, algo que parece estar além do seu tempo considerando a mídia e as limitações do hardware. Sabemos o que a Electronic Arts fez com Lord of The Rings em 2003, mas essa apresentação visual e sonora impecável foi algo sem precedentes no final do século XX no quesito “conversão de uma franquia em videogame”. O momento da aparição do Anjo Sachiel é algo para ficar nos anais do Nintendo 64 como uma de suas realizações mais memoráveis…

Mas o primeiro indício de que nem tudo vai bem vem na forma de controles em slowmotion (câmera lenta). Esses robôs gigantescos pareciam mais ágeis pela TV (bem, eu sei que eles estão na TV agora, mas você entendeu…)! Os macro-duelos no ambiente urbano não são de empolgar… O EVA do inseguro Shinji repousa à esquerda, Sachiel está do outro lado. E nas cenas interativas toda a excitação criada pelos FMVs parece desaguar de modo vão… Você tenta “engatar a marcha” desse seu “protótipo lento de Mega Zord”, mas ele range nas juntas e é difícil tirá-lo da inércia do repouso absoluto. Você tenta erguer seu campo AT antes de Sachiel se movimentar para tirar o primeiro sangue (óleo?) da luta… Um arremesso aqui, um agarrão ali, de parte a parte, o duelo se mostra equilibrado, mas algo monótono. Um soco de mão mole, uma esquiva, outro soco. Assim vai. Pior do que a expectativa!

Quando você começava a pensar que foi enganado e que a experiência in-game avacalha por inteiro com o privilégio de ter esse item de colecionador, NGE volta a exibir uma cutscene paralisante. Toda a angústia e sofrimento valeram a pena. O EVA-01 levou uma surra, mas seu cordão umbilical se rompeu e um minuto de tirar o fôlego com as reações do robô, tanto quanto na abertura, vai manter sua vista pregada na tela. O EVA ruge, range os dentes, pula no pescoço de Sachiel com ferocidade ímpar. O adversário parece agora só uma bolinha de tênis, um pequeno galho que você arremessa para seu cão num passeio no parque. E suas mandíbulas não são nada gentis… Os arranha-céus da cidade chacoalham, não podendo conservar o torpor. O solo fende em vários pontos. Uma tempestade de areia e detritos esconde a ação por uns instantes, elevando o suspense. No clímax… The game resumes – o jogo volta ao normal. Soquinho, soquinho, agarrão, arremesso, esquiva, soquinho…

Bipolar demais, não acha? Alguma salvação pode ser encontrada posto que um estágio costuma ser bem diferente do outro e as batalhas de mechs respondem apenas por 1/3 do game (4 das 12 cenas). Os minigames são simples mas incrivelmente sintonizados com o espírito do anime. Como dito lá em cima, banca-se até o clone de Dance Dance Revolution por alguns minutos, através de passinhos de dança sincopados; para em seguida pular-se para um First-Person Shooter resfolegante: variedade é sempre bom!

Como um bem de consumo – mais um numa vasta coleção – de um ávido seguidor da série Neon Genesis Evangelion, não posso deixar de recomendar esta adaptação para o N64. Para os outros, sem familiaridade com animes, fico na dúvida se dou o aval ou não, porque a gameplay é discutível, embora os gráficos e os sons façam qualquer um se sentir na primeira fila dum auditório, com um retroprojetor à frente e um bom filme prestes a começar…

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

Mykas0, midwinter, Someguy1212 do gamefaqs.com

mobygames.com

versão 3 – 2013; 2015; 2025.

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