pílulas de reviews rafazardly #70
o que é uma pílula? vários micro-reviews tematicamente relacionados numa só página ou um review único de menos de 800 palavras!
obs: nós não seguimos o acordo ortográfico lusitano de 2009!
Por Rafael “Cila” Aguiar
Dreamcast

Power Stone 2
F I C H A T É C N I C A
Developer Capcom
Publishers Eidos / Capcom
Estilo Luta > 3D
Datas de Lançamento 27/04/00 (JP); 23/08/00 (EUA); 24/08/00 (EUR)
NOTA
8.7
Este jogo é pra…
( ) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada (X) jogar freneticamente (X) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? O fighter casual. ( ) incógnita
Começando sem cerimônias, invadindo a sala-de-estar alheia, já sentando no sofá e colocando os pés sobre a mesa, Power Stone 2 é o melhor multiplayer de Dreamcast. É, provavelmente, o melhor multiplayer em qualquer console da Sega – melhor que o pedaço de “arte orgiástica” Saturn Bomberman, ainda que possibilite só metade de seus jogadores. É mais divertido que Marvel VS Capcom (1), um senhor jogo. É mais divertido que o próprio Power Stone 1 (duas vezes mais divertido, com efeito).


Power Stone 2 oferece um fest de porrada, finalmente, entre 4 jogadores, mantendo a premissa do original. O esquema de jogo parecia ter sido feito sob encomenda para essa quantidade de players, mas PS1 tinha, inexplicavelmente, partidas somente para 1 ou 2 jogadores. Pense num Super Smash Bros. com uma dimensão a mais, em que os personagens podem vir para frente e ir para trás no cenário. Outros incrementos entre as versões: no número de levels (embora o jogo comece com apenas 5 e você tenha de destravá-los pouco a pouco), no elenco, nos itens, nos modos e até retoques superficiais na mecânica de jogo.


As lutas podem ser “cada um por si” ou em “tag teams” quando o número máximo de personagens está na tela. No último caso, é factível reviver seu parceiro se ele morrer cedo demais na batalha, desde que se corra até ele e se aperte B sobre seu corpo antes da contagem chegar a 10 segundos. Além dos itens tradicionais, é possível pilotar veículos como minitanques de guerra! Os estágios mudam intensamente durante a ação: um dos meus favoritos é a plataforma flutuante, uma espaçosa arena com canhões e águias interativos. Isso a princípio. Em seguida, minutos depois, a plataforma colapsa e todos lutam em queda livre por alguns momentos; até que a “terceira aparência” do estágio tem lugar (no solo). Sensacional! Como maioria das fases apresenta esse tipo de transição, podemos considerar que há muito mais ambientes do que os oficialmente disponíveis. Alguém que saiba usar os elementos do cenário a seu favor pode até não ser tão bom de briga quanto um amigo, mas acabar levando vantagem.


Os 8 de PS1 + alguns newcomers
Outro modo de jogo é o Mel’s Shop, uma espécie de laboratório de química em que o jogador mistura itens coletados no game corrente para criar utensílios completamente inéditos. Pode-se criar artefatos dignos de Da Vinci, como, também, lixos piores que carne de fast food decomposta; mas até esses últimos são engraçados de usar no multiplayer! Ainda dentro do shop dá para experimentar alguns minigames e transferir o “minibook Power Stone” para o VMU do Dreamcast.


O principal aperfeiçoamento gráfico do jogo de meses antes para este update é nos efeitos de transparência, evidentes nas quedas d’água e quando personagens se aproximam de paredes e objetos, que em games comuns deixariam a visão oblíqua para o controlador. Acontece que em PS2 a câmera nunca é problema: as estruturas do estágio se tornam temporariamente transparentes para que a jogabilidade não seja afetada e todos os corpos continuem perfeitamente visíveis. Os efeitos de luz seguem extraordinários, com a chama das magias de fogo e candelabros sendo o ponto alto, afora as Power Fusions, que transformam a tela num caleidoscópio por alguns instantes (cuidado os epilépticos!).


Os efeitos sonoros são um caso à parte. Quem assistiu muito Looney Tunes ou Bob Esponja na vida sabe bem o tipo de fonema desencadeado depois que alguém é atingido por um martelo (PLOFT! POW!) ou bombardeado por canhões ou automáticas (KABOOM! RATATATÁ!). As vozes (os lutadores – e o narrador particularmente – falam muito) são medianas, mas quando alguém obtém as 3 gemas e acessa o Power Mode o “efeito Darth Vader” no vocal da pessoa deixa as coisas bem interessantes… A trilha sonora combina com o ritmo do quebra-pau, diferentemente do jazz fora do lugar em Marvel VS Capcom 2! As músicas são orquestradas e parecem ter saído do último blockbuster de cinema. Para citar duas faixas em especial, a do faraó e da última fase, elas são como o tema imortal de Tubarão, só que remixado numa verve menos perturbadora.


Mesmo sem que você customize novas ferramentas (itens), as prefixadas já são numerosas o bastante: todas os de PS1 mais coisas como chicletes, guarda-chuvas e molotovs, cada uma com uma UTILIDADE (não estão lá somente para decoração)! Com tantos destaques em relação à encarnação antiga da Capcom, ficou faltando citar o co-op story mode, em que você mais um amigo compartilharão a tarefa de descortinar os endings pessoais e destravar montanhas de segredos…


Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos
Lista de agradecimentos
XGlite015, Gruel do gamefaqs.com
mobygames.com
versão 2 – 2013; 2025.
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