dewprism (threads of fate) (ps)

REVIEW N° 989 DO NEWGEN

PlayStation

DewPrism

Threads of Fate (EUA)

F I C H A    T É C N I C A

Developer Square

Publishers SquareSoft / Square EA / Square Enix

Estilo Action RPG / Plataforma

Datas de Lançamento 14/10/99 (JP); 14/07/00 (EUA); 21/02/02 (JP-PSOne Books); 25/01/07 (JP-Legendary Hits); 23/06/10 (JP-PSOne Classics); 19/04/11 (EUA-PSOne Classics).

NOTA

7.8

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Pirralhos; RPGistas extremamente casuais.  (X) incógnita

Vida útil estimada: 21h

Linear de cabo a rabo, é fácil perceber que a gameplay de Threads Of Fate (nome americano que deixa DewPrism mais próximo de ser confundido com um folhetim mexicano do que nunca) veio sob encomenda para as crianças. O desafio é baixo e as opções de itens são escassas na comparação com outros RPGs. O sistema de relacionamentos PC-NPCs lembra bastante Harvest Moon por conta da possibilidade de vender ou presentear cidadãos do vilarejo natal do jogador com os mais díspares objetos.

[relic], o item mais importante do jogo, a Triforce desse mal-sucedido (não de acordo com os números, anyway) A-RPG…

Os chefes são ouro de tolo, haja vista seus padrões facilmente decifráveis de ataque. Os inimigos só infligem HP damage, o que significa que toda uma parte da mecânica RPGística atrelada a curas para status indesejáveis foi cortada do produto. Sinal maior da Square de que o público-alvo do título é o dos pimpolhos será impossível encontrar! Para os puristas, cheira mal ainda a aproximação do jogo ao estilo platformer, com sessões de pulo demais. Até o sistema de “continue” é reminiscente de clássicos como Mario: você coleciona moedas até uma quantidade em que elas são trocadas por vidas! Assim seu (único) personagem pode reviver no transcurso das (poucas) batalhas mais exigentes, anulando qualquer (potencial) empecilho. Se os destinatários de DewPrism são os baixinhos, decerto ele não é nenhum bicho-papão!

Mario 64?

Em Plataformas realmente insanos, por mais que haja acúmulo de vidas o controlador pode estar sujeito ao game over; não em DewPrism. E tampouco vai importar se existem poucos save points (a rigor, apenas 1, no sítio em que se começa a aventura), se você pode sempre continuar do ponto em que havia fracassado enquanto não desligar o aparelho. Na verdade, o ruim de haver checkpoints esparsos (ou apenas um checkpoint, geralmente afastado de onde se está, neste caso) é que na hora do entregador de pizza tocar a campainha ou a mãe dizer que “o almoço tá na mesa e se não correr perde a lasanha!” nada poderá consolar o desafortunado player! Agora em termos de qualidade do desafio, nem a última dungeon é capaz de desconcertar os mais experientes e rodados no mundo do entretenimento (e em obras da própria Squaresoft, por sinal). “‘Tis a pity!”, diria o arguto Shakespeare em um de seus memoráveis arcaísmos…

Zona de jogo 2D – parece o Toad ali atrás!

Sem falar que a jogabilidade em DewPrism frita os nervos em meio às lutas (em tempo real, será que esqueci de dizer?) e explorações de interfaces claustrofóbicas e previsíveis. A irresponsividade do bonequinho (ou da bonequinha) é vexatória para uma grande companhia como a Square. A demo de DewPrism em Legend of Mana conseguia, incrivelmente, apresentar resultados melhores e mais fluidos! Estaríamos diante de uma rushed-opus da magnífica publisher de Final Fantasy? É o que parece. De fato, o único resíduo de dificuldade encontrado no jogo deriva das falhas nos controles! Como se não bastasse, uma das habilidades mais corriqueiras do protagonista masculino da trama foi absolutamente inspirada pela engine de Brave Fencer Musashi, de um ano antes, o que compromete a originalidade de DP. Você vai incorporando os stats dos inimigos a sua estrutura (mudando inclusive de aparência), elevando assim o HP e o MP, ao invés de aperfeiçoá-los via pontos de experiência ao fim dos combates. Na prática, isso torna até mesmo o duelo final uma piada: quanto mais apanha, mais seu personagem pode adquirir resistência e mana, chupando as habilidades do boss! Para não dizer que DewPrism/Threads of Fate é só desgraça, ele antecipa alguns dos aspectos que tornariam séries como Kingdom Hearts sucessos incondicionais mediante o público. Só não soube equilibrar o sistema tão bem…

Para incrementar na área das discrepâncias, em que pese todo o esforço a fim de vender DewPrism como “um épico infantil”, ideal para substituir a Sessão da Tarde na rotina da criançada, devido a algumas situações de enredo, o humor empregado pode ser pouco óbvio para mentes abaixo dos 12 anos, por exemplo. Tentou-se ousar um pouco mais no quesito gráfico, mas desconfio que só o Nintendo 64 seria capaz de rodar dignamente a renderização simultânea de tantos polígonos. De qualquer forma, ficou provado, por linhas tortas, que Grandia 2 não precisava sair SÓ no PlayStation2, já que o hardware do 32-bit podia dar conta de construções tão pouco ambiciosas…  Seja como for, devido à monotonia dos cenários e falta de versatilidade nas expressões faciais dos modelos (pense num mangá sem emoção), não acho que a Square deveria incluir as realizações visuais de DewPrism em seu curriculum vitae. A exceção fica por conta das ricas animações dos oponentes.

A estória, os personagens, os monstros e os estereótipos respiram tanto o oxigênio dos anos 80 que eu batizaria a obra de “Retro Clichés of Fate” nos Estados Unidos, se pudesse!

Ao contrário de Koudelka, que é um Survival Horror tão bom e diferenciado que beira a qualidade de roteiro dos RPGs, DewPrism é um RPG que flerta tão acintosamente com o estilo Ação que tira todo o prazer contido nas linhas gerais do primeiro gênero. Quem comprou DewPrism porque viu na caixa que era um “RolePlay” acabou se dando mal! É, no máximo, um RPG Lite Version…

Gil nunca foi tão fácil de obter, acredite!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

mobygames.com

Gamers Pulse:

Zinc Alloy

RPG Fan:

Commodore Wheeler

RPGamer:

Andrew Long

thegia.com

gamefaqs.com:

Fein

Guard Master

versão 2 – 2014; 2025.

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