michael jackson’s moonwalker (gen)

Genesis

Michael Jackson’s Moonwalker

F I C H A     T É C N I C A

Developer Ultimate Productions

Publisher Sega / Tec Toy

Estilo Ação > Plataforma 2D

Data de Lançamento 24/08/90

NOTA

7

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? Dançarinos do joystick. (X) incógnita

Michael Jackson’s Moonwalker é um dos jogos mais singulares da história dos videogames. A versão Genesis é só mais uma dentre tantas outras em plataformas da Sega, nos Arcades e em computadores pessoais, lançadas entre 89 e 1990. O jogo é inspirado no segmento “Smooth Criminal” do fora-desse-mundo e muito bacanudo filme do Michael Jackson com o Joe Pesci. A fórmula da gameplay é bem simplista, única e bizarra (no bom sentido).

Mr. Big (Pesci) e sua organização criminosa seqüestraram várias crianças e cabe a Michael devolver tudo à normalidade. Hmmm, resgatar crianças, hein? Brincadeira! Ironia das ironias, esse filme foi gravado muito antes das primeiras acusações de pedofilia contra o cantor, jamais comprovadas, até onde eu sei. O objetivo final do nefasto Mr. Big parece ser fazer a população mundial viciar em drogas para poder controlá-la como um rebanho de ovelhas, começando pelas crianças, o nosso futuro (trata-se também de uma bela paródia da indústria fonográfica, cheia de estrelas descontroladas e escravas do vício). O esquema é “deslizar” pelos cenários em side-scroll caçando as crianças cativas (todas parecidas com a Katie, do longa). Depois de encontrar todas as da fase, encarando no caminho uma limitada seleção de inimigos como gângsteres, zumbis, cachorros e aranhas, o personagem vestido elegantemente de branco precisa achar o portal de saída, onde desafia o chefe. É assim ad infinitum, ou melhor, até o penúltimo estágio.

A inteligência artificial deixa a desejar: os ataques consistem basicamente em colisões (que nem jogadores de futebol americano) ou em disparos de bala contra sua pessoa, mas os maus elementos são lentos para perceber sua presença. Quanto mais se progride, maior é o volume de adversários na tela, fazendo da ascensão do fator desafio algo gradual. Para se livrar dos bastardos que atrapalham seu caminho, Michael Jackson desfere golpes charmosos. Primeiro, temos seu chute coreográfico, que é uma marca registrada. Temos ainda uma espécie de tapão novelesco que dá para ver que foi animado por captura de movimentos do artista real. Ambos os golpes emitem uma espécie de pó brilhoso, talvez poeira das estrelas, que faz com que o raio de alcance do chute ou do tapa seja maior do que a física poderia explicar. Se o gamer estiver num aperto, pode acionar o ataque especial. Enquanto segura o botão destinado a ele, Michael dará seu giro 360, tornando-se invencível e machucando todos ao redor. Soltando a tecla, MJ termina o movimento tirando seu chapéu e acrescentando mais dano. Mas se o jogador optar por não soltar o botão do ataque especial, o protagonista não parará de dançar, desencadeando um efeito hipnótico sobre todos os rivais, que copiarão seus movimentos estilosos (até os cachorros!). Depois da realização dos passinhos, qualquer inimigo comum terá morrido. Se é divertido? E como! Não me lembro de um Plataforma tão original na seleção dos ataques, alguns deles nada violentos, o que acaba sendo um exemplo para quem quiser fugir da censura!

A última fase, como comentado en passant, é onde a mecânica se modifica sensivelmente. Engaja-se numa batalha intergalática contra Mr. Big: a nave do meliante é perseguida pelo herói e sua visão é em primeira pessoa, do cockpit do Michael’s Battle Plane. O visual é saudosista, típico das concepções futuristas oitentistas. Além do chefão final, há muitos capangas em navinhas que enchem o saco. O rosto de Mr. Big aparece num monitor no canto da tela, falando um bando de abobrinhas enquanto rola a cena da perseguição. Tem um jeito de tornar este que é o trecho mais complicado do jogo numa tarefa REALMENTE FÁCIL, mas o reviewer que vos fala não se atreverá a acabar com sua diversão de descobrir por si mesmo!

Um enredo suspeito e incriminador, diriam os tablóides ingleses!

MJM não chega a ser um clássico, mas não se pode negar que cumpre a missão de entreter ao máximo. Ocasionalmente aparece uma estrela cadente cruzando a tela. Tocá-la significa se transformar momentaneamente no Robo-Michael (para quem não viu o filme, é quase um Mega Zord, com efeitos metálicos e tudo!). A despeito da transformação ser sensacional e dos ataques ficarem realmente destrutivos (lasers que saem dos olhos e também mísseis que produzem faísca), o fato de não poder resgatar crianças enquanto perdura este estado o torna parcialmente inútil. O show corporal de MJ tampouco se esgota por aqui: ele pode deslizar por corrimões, fazer sua pose mais tradicional (segurar na virilha!) e até executar o Moonwalk, mas esses gestos são puro deleite estético, sem função construtiva na gameplay. Outra esquisitice só possível num game estrelado por esse cara tão peculiar e original é a aparição de Bubbles, o chimpanzé, que sobe no ombro de Michael quando ele resgata a última criança da fase. O macaquinho serve para apontar-lhe a direção da porta que leva ao chefe; se bem que às vezes ele mais confunde do que auxilia! De qualquer jeito, é sempre engraçado quando o mascote surge.

Ah, a música! Quase nenhum jogo no mundo pode contar com uma trilha tão luxuosa quanto Moonwalker, por motivos mais do que evidentes. Todos os cenários tocam músicas digitais baseadas nos sucessos do autor, incluindo Smooth Criminal, Beat It, Another Part of Me, Billie Jean e Bad, ou seja, trabalhos célebres da era Thriller/Bad. Ao que parece, um pequeno contingente dos cartuchos (as primeiras cópias lançadas) conta com a própria canção Thriller no lugar de Another Part of Me; provavelmente por uma questão contratual (as letras de Thriller não são do músico), o hit foi removido a posteriori.  O filtro de qualidade 16-bit, que empobrece as músicas em relação às gravações de estúdio e lançadas em vinil ou CD (a propósito, venho aqui arrogantemente dizer que tenho o bolachão de Bad até hoje, catando poeira numa estante!), não é o suficiente para arrancar a fruição da experiência. Não se surpreenda ao se pegar cantando junto com a música enquanto manda alguns gângsteres para o inferno…

Star Wars mode on!

Claro que não se trata de uma obra absolutamente perfeita. Tirando MJ, por exemplo, não há muita beleza nos gráficos. Os níveis são iguais de cabo a rabo, a ponto de enjoarmos da vista na fase do cemitério, com zumbis e mais zumbis, as mesmas lápides, a mesma grama e o mesmo céu escurecido. O nightclub, primeira fase, é o mais recompensador esteticamente, todos os outros pecando por serem genéricos demais. “I’m bad, I’m bad, really, really bad!”, exclamam os gráficos…

Não há muitas seções do jogo em que um pulo malfeito possa causar morte instantânea; o normal é apenas executar pequenas acrobacias sobre mesas e pedras para ver o caminho para a direita liberado. Provavelmente o público principal do jogo deveria ser o infantil, então não faria sentido apelar na dificuldade.

Um cantor old school num videogame old school: a combinação perfeita!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos…

Lista de agradecimentos

Captain_N77 do gamefaqs.com

mobygames.com

versão 2 – 2013; 2025.

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