the x-files (ps & pc)

PlayStation

The X-Files

FICHA TÉCNICA

Developer HyperBole Studios

Publishers Sony Europe / Fox Interactive

Estilo Adventure > Point-and-click > First-Person

Datas de Lançamento:

PS

30/09/99 (EUA-EUR)

PC

22/06/98 (EUA), 29/09/98 (EUR)

NOTA

6.3

Este jogo é pra…

(X) passar longe  (X) dar uma jogadinha de leve  (  ) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (  ) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? THE TRUTH IS OUT THERE!  (X) incógnita

Preciso mesmo introduzir Arquivo X ao ledo leitor? Todos nós sabemos do que se trata, e se você não é dessa época nem nunca se inteirou a respeito… desculpe, jovem, mas aborte seu futuro promissor agora mesmo e MORRA! Conversão do PC, The X-Files aterrissou no PlayStation em 1999, portanto perto já do ocaso da mais magnânima série americana que um dia existiu! Parece que o preço do jogo não demorou muito para cair a níveis ínfimos, o que indica que ele não foi lá um grande sucesso comercial… Entendo tanto ceticismo: séries e filmes não costumam dar bons jogos quando são licenciados para esse formato. Além do mais, é um jogo de aponte-e-clique, gênero que despontou quando CD-ROMs viraram mania e saiu de circulação tão pronto quanto o 3DO foi desmascarado como grande farsa, e não o console destruidor que garantia ser! Ok, jogos nesse estilo não são nada rápidos, não têm aquele feeling dum Goldeneye ou Halo; mas não consigo imaginar forma melhor de encaixar as investigações, mistérios e suspenses de X-Files num modelo interativo! Os fãs de Fox Mulder e Dana Scully – a ponto de considerá-los membros da família – sabem que atmosfera é 90% quando se trata da criação de Chris Carter. E mesmo que demore um tempinho (2 dos 4 CDs, mais precisamente), ela, a atmosfera, pode ser encontrada na mesma dosagem dos episódios para a TV…

GOSTOSA!

CALMA, CALMA, TAVA SÓ BRINCANDO!

O jogo roda todo em FMVs, com atores reais, e fotografias. Nada de congelamentos de imagem ou lentidões perfeitamente factíveis para jogos desse período… A própria abertura rainha-do-cult do seriado está mimetizada no primeiro disco! Se podemos criticar a funcionalidade do gênero point-and-click num console caseiro em algum ponto, a parte fraca fica por conta dos exíguos momentos de tiroteio: seqüências de ação em tempo real em que é preciso manipular uma mira, sendo o direcional do PSOne muito menos indicado que um mouse. No entanto, esses trechos de gameplay são tão mínimos que o incômodo não chega a preocupar.

EITA!

Você opera até o micro para descobrir informações na rede do FBI!

Muitos fragmentos da trilha original foram adaptados, e há novas composições, embora elas não atinjam o mesmo nível de excelência. Em Arquivo X, as ações dos personagens são acompanhadas por fundos musicais que alternam sensações de medo e ansiedade, baixinhos e quase imperceptíveis; com euforia e tragédia, quando os clímaxes se consumam, aumentando o volume. Qualidade orquestral. Como era de se esperar, devido à reutilização de temas conhecidos, Mark Snow se encontra nos créditos, e outro dos sonoplastas da série, Paul Hiaumet, aparece não só como designer de áudio como projetista da própria área de programação e layout. Mas os fãs não sabem quão denso foi o envolvimento dos componentes originais de X-Files até se darem conta de que David Duchovney e Gillian Anderson, afora outros, estão lá, atuando nos full motion videos! Não houve uma fidelidade total ao seriado, já que alguns atores foram trocados, mas Walter Skinner, por exemplo, um dos secundários mais importantes, além do Smoke Man (Canceroso) e dos três Lone Gunmen (os nerds), também estão na aventura de PC/PlayStation! A 20th Century Fox investiu pesado na obra… Pena que não tenha dado o retorno almejado!

Que saudades desse Nokia!

Uma das partes Goldeneye do jogo

Para os ávidos por saberem quem você controla na narrativa, saiba que não é nenhum dos dois protagonistas: trata-se do personagem Craig Willmore, que ganhou um novo rosto nesse roteiro. Escolheram um sujeito de voz relativamente parecida (seu nome real é Jordan Lee Williams), embora ele não seja um ator tão primoroso. Outro personagem reciclado mas ainda assim convincente é Mark Cook (destacamos aqui a performance do ator quando Mark fica louco perto do final da aventura!).

O que era pra fazer mesmo? Consulte seu “Notepad”.

A storyline se encaixa mais ou menos entre os enredos da quinta e da sexta temporadas, um momento precioso da série porque há a inclusão de quase todos os personagens secundários mais memoráveis, que já apareceram na série e ainda estão vivos (o que é complicado, numa série em que a morte vive a espreitar todos os personagens!). Até o Mr. X, dado como morto, ressurge das cinzas! Duchovney e Anderson, os eternos Mulder & Scully, penetram num depósito abandonado em Seattle. Quando Fox está prestes a descobrir uma pista importante, é atacado. Scully também é pega de surpresa, e ao que tudo indica leva um tiro. Ocorre um daqueles brilhos intensos, azulados, característicos de uma abdução [!!]. Os dois estão oficialmente desaparecidos e alguém no FBI precisa reencontrá-los, ou nunca mais teremos agentes tão competentes cuidando da gaveta de casos mais cabeluda da instituição… Craig Willmore é escalado. Walter Skinner, o diretor-assistente do FBI, dá as diretrizes da sua missão. As aparições familiares, como já deu para notar pelo review, serão responsáveis pelas maiores ajudas e sustos facultados ao seu personagem. Ter alguém em quem confiar é fundamental, mas quem não levantar o sobrolho diante de algumas condutas alheias poderá se dar muito mal…

A primeira metade da trama envolve muitos traficantes e radiação, com um fenômeno paranormal aqui e outro ali, mas quando as conspirações alienígenas engatam de verdade, lá pela metade da saga… sai de baixo! Os roteiristas decidiram não só incluir um conto qualquer sobre ETs como dotá-lo de elementos que o encaixam no principal arco de estórias da série original, isto é, o agente Craig vai se deparar até com uma entidade alienígena parasita de um humano infectado pelo óleo negro, que vem a ser um perigoso serial killer. O jogo saiu primeiro para PC, como mencionado, e demorou algum tempo até ganhar representação no videogame da Sony: a data da estória, em que pese se passar na contemporaneidade, é 1996, enquanto que o lançamento do produto se deu em 1999.

Ele é O bicho, mais sacana que o Ben do Lost!

Quase sempre nos diálogos será possível escolher entre 3 a 5 respostas, o que determinará sua sorte: conquistar o respeito dos NPCs ou ser instantaneamente odiado. São dois os finais, mas eles não diferem tanto: dependendo de quão habilidoso foi o player na condução do story-telling, algumas linhas do texto conclusivo mudam, e isso é tudo. Como de praxe nesse quase-extinto gênero, telas de game over serão assíduas, pois as mortes instantâneas são uma das únicas maneiras de prolongar o desafio e a experiência com o título, que não tem muito sentido em ser rejogado depois da descoberta dos dois finais. A variedade de mortes é fenomenal: sendo baleado, estripado como um peixe num restaurante japonês, caindo de grandes alturas, etc., etc.!

E ainda sobra espaço para um pouco de romance…

Vai algemar seu chefe, tem certeza?

Esse é você!

Graças ao ótimo som, o game consegue deixar o expectador-controlador na beira do assento. Muita cautela no último disco de jogo, no navio destruído, cheio de aparições fantasmagóricas, perseguições e cadáveres mutilados! Estamos diante de um dos pontos altos do PlayStation no quesito “horror” ao lado de gemas como Silent Hill.

Nunca é demais inserir mais uma foto dessa gatona –MILF– chamada Gillian Anderson!

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos

Lista de agradecimentos

Comfortably Numb, gava, Jules Rules, KasketDarkfyre, Millers C do GameFAQs

versão 2 – 2013; 2025.

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