REVIEW N° 1005 DO NEWGEN
RECOMENDADO APENAS PARA MAIORES DE 18 ANOS.
PC

Chain: The Lost Footprints
F I C H A T É C N I C A
Developer ZyX
Publishers ZyX / G-Collections
Estilos Adventure, Espionagem, Hentai
Datas de Lançamento 29/06/01 (JP); 07/07/02 (EUA)
NOTA
6.3
Este jogo é pra…
(X) passar longe (X) dar uma jogadinha de leve (X) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? H-games hardcore players que não ligam quando o jogo não tem mais do que um final. Em outros termos, isso é quase como dizer: prato cheio aos voyeurs. (X) incógnita
Vida útil estimada: 5h40



Quando pus as mãos em Chain, mal sabia o que esperar. Um jogo da ZyX, de quem eu nunca tinha ouvido falar, divulgado no Ocidente pela G-Collections, cujos offerings nunca até então me haviam comovido. Chain é um bishoujo game (jogo de “lindas garotinhas”, um sub-gênero de story-telling japonês!), uma estória protagonizada pelo detetive particular Takeshi Shinonome que vive normalmente de servicinhos inglórios como descobrir se o marido anda traindo a esposa (e será que preciso informar que no passado o cara foi jubilado enquanto se formava em ginecologia?) mas que finalmente fisga um crime grande: uma cadeia (daí o título) de assassinatos (“pegadas apagadas”, aliás, como subtítulo é um tanto cacofônico em português, ainda assim um bom trocadilho!) vai se descortinando diante de seus perspicazes e perscrutadores olhos…



Muito embora a G-Collections afirme o contrário já na embalagem do produto, Chain NÃO oferece “múltiplos finais” ou qualquer ramificação interativa no roteiro. Nenhuma escolha individual de menu pode mudar sua sorte significativamente. O replay value é nulo, diferente de outros hentai games e graphic novels… Você vê, faz e escuta tudo o que a engine propõe. Em certos momentos da investigação Takeshi procederá a inquéritos com testemunhas de um crime, porém o máximo que você controla é a ordem das pessoas perguntadas e das próprias questões: no final, tem de entrevistar todo mundo e as conclusões se desencadeiam por si mesmas, então tanto faz. Muito mais um anime do que um jogo!


Mas Chain tem um poderoso antídoto para essa ausência de atividade e de replayability. Bom, na verdade, dois. Um deles funciona melhor, e vamos deixar para o próximo parágrafo. Por enquanto nos interessa a LONGEVIDADE da estória. Já que não faz sentido vivenciá-la duas vezes, menos mal, a princípio, que ela tenha um comprimento razoável, para justificar o preço pago, correto? Primeiramente, é possível escolher até a velocidade da sobreposição dos áudios e dos textos in-game, cortando ou estendendo alguns minutos da experiência, mas qualquer que seja a customização do player não é viável atingir o desfecho em menos de 15 horas contínuas. Acontece que para o estilo pretendido, essas horas podem demorar a passar. A marcha lenta da narrativa pode tentar a paciência e os olhos do controlador. A verdade é que o prólogo, antes dos assassinatos começarem, parece desnecessário, com muitos diálogos inúteis e despretensiosos. Se pelo menos o character design (me refiro à parte psicológica, não aos atributos físicos – se bem que, você vai ver, todas as mulheres são idênticas demais… gostosas, mas idênticas…) fosse bárbaro e instigante, não sentiríamos tanto assim na carne toda a enrolação. Mas a novela se arrasta como uma Malhação um pouco mais suja e noir. Os personagens são superficiais, sérios demais, não se desenvolve afeição por eles. Noir films (uma tendência da Hollywood de décadas atrás e também do cinema francês, daí o termo, “preto”, “escuro”, “sombrio”) são mesmo meio reservados e arrastados, mas a diferença é que duram de 1h30 a 2h30. Quando o formato empregado vige por QUINZE horas, torna-se um pouco maçante…


Aí vem o segundo salva-vidas de Chain, que pretende quebrar a monotonia: as cenas hentai. E de fato são de boa qualidade. É necessário entretanto relativizar seu impacto, haja vista que algumas contam apenas com o áudio em tempo real, enquanto imagens congeladas vão excitando os atentos espectadores, em lenta sucessão, como num slide show. Há uma ou outra dessas cenas picantes que são 100% animadas, contudo. O uso de violência física pode incomodar alguns. Na realidade, podemos dividir os takes de sexo em duas categorias: os de Takeshi e os do assassino misterioso da estória. As primeiras investidas são mais ligadas ao lado da paquera e da conquista, isto é, estamos lidando aqui com um detetive incontinente e garanhão que interrompe demais o seu trabalho em busca de “entretenimento a dois”. Esses atos são pacíficos, apaixonados e sadiamente (em vez de sadicamente) eróticos. Já os feitos repulsivos do homicida-estuprador que está sendo perseguido e cuja identidade ainda desconhecemos consistem em obscenidades inomináveis, com muito sangue e berros desesperados das vítimas. Considerando que o enredo realmente se arrasta um pouquinho além da conta, as hentai scenes (10 ao todo) ocupam pouco espaço da jogatina. Como não há múltiplos finais, AO CONTRÁRIO DA PALAVRA MENTIROSA DA PUBLISHER AMERICANA, o protagonista vai traçar todas as mulheres possíveis do início ao fim da saga, necessariamente, queira você ou não… É claro que você quer, né, sacana; mas o que eu quero dizer é que em outros jogos do gênero havia a possibilidade de escolhas que mudavam o destino do herói, de forma que ele ficava apenas com fulana ou cicrana; em Chain, não é necessário jogar uma segunda vez para experimentar o exotismo das mulheres que estava faltando levar para a cama, simplesmente porque não ficou faltando nenhuma! Urgh… Os malefícios de ser um “comedor contumaz” existem!… O irônico é que Takeshi tem uma enorme facilidade de se ver num quarto de frente para uma donzela, ambos sem roupa, mas daí em diante dificilmente verá a moça outra vez. As paqueras vão se sucedendo e sendo esquecidas conforme um novo crime aparece e cada personagem vai para o seu canto. Não importa quão boa foi uma noite de Takeshi, no dia seguinte ele ainda é um solteirão convicto. A “última mulher” de Takeshi, a “mulher da zeração” (isso é comum num bishoujo game), é sempre predeterminada, e alguns gamers ficarão insatisfeitos com isso, achando que outras mereciam o posto de “favorita”. Mas assim é a oca vida de um hedonista!


A trilha sonora de Chain possui 19 músicas, quase todas encaixadas no gênero jazz.
Como de praxe no filão pornô, a maioria massiva dos diálogos é dublada por atores reais, menos o próprio Takeshi, que é para enfatizar o caráter de “em primeira pessoa” do jogo, e o fato de ser um jogo (peça interativa), mesmo que no frigir dos ovos você saiba que nem há tanta interação assim… Outro ponto de estranheza de Chain: noir filmes costumam se calcar na personalidade forte do protagonista, geralmente um homem de meia-idade com uma voz atraente e um modo perspicaz de falar. Isso, obviamente, Chain ficará devendo. Mesmo que em hentai games de first-person view essa prática não seja tão rara, como neste caso temos um approach tão ocidental e cinematográfico na forma de contar a estória, achamos que devia ter sido outra a abordagem. Quanto a todos os demais personagens da rede de intrigas, a dublagem japonesa – perfeita – continua figurando na versão – legendada – ocidental, o que é um bônus, já que os dubladores norte-americanos são sempre horrorosos!


NOTA 1: Você, da região americana, terá de fazer o download dum patch a fim de remover os mosaicos quadriculados das áreas genitais nas cenas de sexo, se desejar ver tudo às claras (obviamente a censura está desligada nas fotos ostensivas dessa matéria!).


NOTA 2: Chain contém uma forte mensagem anti-drogas (devemos concluir que álcool e cigarro, hobbies do protagonista, não o são!), mostrando ao usuário (nenhum trocadilho, hehe) as conseqüências nefastas de se envolver com narcóticos, seja como comprador ocasional, amigo de quem usa, revendedor ou traficante – tem até uma cena na discoteca, em que uma garota é dopada com um ‘remedinho’ dissolvido na sua bebida e acaba pagando um bola-gato no banheiro para um estranho… Constrangedor! Famílias são destruídas, relações amorosas naufragam, futuros são carcomidos e vidas são desperdiçadas graças às drogas, é o que o roteiro de Chain parece querer dizer com tanto afã. Então, baixinhos e baixinhas, altinhos e altinhas, NÃO USEM DROGAS!! Apenas façam sexo ou onanismo e sejam tarados por traços de mangá, para continuar enriquecendo essas companhias que lançam H-games!
“Aperitivo” final:






Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo não-praticante e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos
Lista de agradecimentos
GAMEFAQS:
Neo_Sarevok
setzerkun
Johnny Cairo
Ecchifan
MAT_13
HONESTGAMERS.COM:
Jason Venter
ANIMETRIC.COM:
Rowena Lim Lei
versão 2 – 2014; 2025.
® 2002-2025 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!
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