baldur’s gate (pc)

PC

Baldur’s Gate

F I C H A    T É C N I C A

Developer BioWare

Publisher Interplay

Estilos Role Playing Game, Hack ‘n’ slash

Data de Lançamento 30/11/98

NOTA

8.8

Este jogo é pra…

(  ) passar longe  (  ) dar uma jogadinha de leve  (X) dar uma boa jogada  (  ) jogar freneticamente  (X) chamar a rua toda pra jogar  (X) um tipo específico de jogador. Qual? AD&D freaks!  (  ) incógnita

Não poucos foram os que se mostraram desconfiados com as intenções da BioWare Corp. de adaptar a engine de AD&D a um RPG eletrônico em tempo real. Mas se esses não se retrataram depois do lançamento da obra, devem ter dormido com formigas na boca. A segunda edição de Advanced Dungeons and Dragons foi capturada em sua essência e o que temos é a semi-perfeição em formato de jogo para computador, olhando com o olhar tecnológico do período.

São seis raças, oito classes e oito especialidades mágicas. O avanço estatístico dos heróis é absolutamente fiel ao livro de regras original. O carisma do líder do bando é devidamente valorizado, assim como as repercussões morais das atitudes de cada um. O atributo da velocidade das armas, feitiços e habilidades especiais não foi deixado de lado, bem como a tensão entre indivíduos de raças imemorialmente rivais. Não só isso mas o design dos monstros e os itens são emulações fiéis da fonte de inspiração. Se podemos elencar diferenças mínimas, temos uma maior permissividade no uso de spells diferentes por especialidades de magos (evitando assim que eles fiquem excessivamente fracos nos primeiros níveis), ademais de certo ajuste no que paladinos e rangers podem ou não fazer. Só sendo muito chato e ortodoxo para não ficar contente com essa transposição.

BG se ambienta no popular Forgotten Realms, na Sword Coast, mundo fantástico muito popular entre os AD&Ders. Embora um jogo coletivo, o enredo revolve em torno de um só protagonista em especial, até na internet. Trata-se de alguém nascido e crescido na cidadela de Candlekeep, onde a maioria é de monges. Entender precisamente o que os opositores dos monges querem é o principal objetivo do jogo. Digamos que o enredo não está dado de antemão, e o RPGista é que deve aprender a descortiná-lo aos bocados. A liberdade de expressão dos membros da party central só não é absoluta porque a narrativa está dividida em capítulos.

Não pensem os mais esquentadinhos e em polvorosa que o jogo exagera nas tomadas de textos e falas digitalizadas, pois o hack ‘n’ slash, ou seja, as brigas, são muito mais abundantes. Os NPCs que não forem do seu bando falarão apenas o essencial para indicar suas próximas pistas na saga. Há aproximadamente 12 guerreiros que podem se unir a você, no máximo 6 por vez (incluindo o protagonista fixo). Pitadas de personalidade foram acrescidas a esses modelos, para que eles não parecessem só penduricalhos, moldes sem alma que o seguem até o inferno, dependendo apenas de sua própria vontade. Cada um deles, ser humano ou não (lembre-se de que estamos num ambiente medievo-fantástico!), tem sua própria “agenda” de eventos, que pode colidir com seus interesses mais imediatos. Permutas entre os membros serão crônicas. Não fique surpreso se houver uma rebelião manifesta e você for atacado! Nesse aspecto, BG é parecidíssimo com os personagens recrutáveis de Ultima VII e de Jagged Alliance.

Ainda há uma alternativa para quem não gosta de guerreiros prontos oferecidos como num mercado de pulgas ao PC (playable character, o controlável). Bastaria iniciar um multiplayer game e encará-lo sozinho. Para falar a verdade, Baldur’s é uma espécie de pioneiro nos RPGs de PC multijogador, possibilitando partidas via modem ou LAN. Seguindo os parâmetros do single-player, o máximo de 6 jogadores diferentes podem se agrupar, mas haverá um host/líder que configura quem poderá pausar, falar com NPCs, gastar o ouro do grupo ou executar qualquer outra ação fora dos combates que afete direta ou indiretamente o percurso do time. Dadas essas restrições, não se trata de uma reprise da experiência com Diablo, que é muito mais idiossincrático em seu modo de interação online. Cada macro-área do mapa tem de ser explorada em conjunto, mas dentro desses limites a meia-dúzia pode se dispersar como bem entender, tendo acesso a todas as conversações empreendidas por quem está autorizado a tal, além de conferir as transações realizadas, num menu que abre em cima de sua gameplay.

Como mencionado acima, a história se concentra no líder/host e caso ele morra é o fim de jogo para todos os outros 5 também. Quem não gosta de ser o Robin da história, ou arranje uma forma de ser o Bruce Wayne ou desista de Baldur’s em sua vertente multijogador! Para quem gosta de jogar AD&D pessoalmente, não o vejo como um grande obstáculo, já que aprender a “trabalhar em equipe” é uma das principais exigências – e aprendizados – da experiência do Jogo de Interpretação de Papéis, muito mais, garanto eu, que qualquer atividade-teste numa multinacional, até porque se vocês 6 estão num server, significa que todos apreciam o mesmo tipo de jogo, o que já é um excelente começo…

Baldur’s Gate, ao contrário de vários co-irmãos do período, não se baseia na construção progressiva de quadrados na tela. Os backgrounds são totalmente renderizados em real time e cada macro-ambiente tem uma cara própria. Outra raridade presente é a diferenciação tátil-visual de relevo, que em perspectivas isométricas quase não existe/existia em 1998. Os gráficos dos personagens são pequenos, em contrapartida, e a resolução de tela está limitada a 640×480, fazendo da tarefa de manter seu diminuto herói sob sua vigilância por 100% do tempo algo difícil! O jogo não conta com efeitos de luz nem com a beleza estética que se esperaria de magias de AD&D devido ao trabalho de renderizar um ambiente sem tile-by-tile mechanics, isto é, os famosos quadrinhos, com a parte inexplorada do mapa em negro, como seria em Warcraft ou Diablo. Essa defasagem pode ser explicada pelo atraso de 1 ano no lançamento do jogo, o que o tornou anacrônico mesmo para o fim do século XX.

Há várias formas de controlar o andar do seu personagem, que não está limitado ao mouse. Na verdade é bem possível negligenciar totalmente essa parte e apenas assisti-lo se deslocando, adotando um dos scripts de IA do jogo ou criando o seu próprio (exige conhecimento técnico).

Pequenos inconvenientes pontuam a usualmente excelente interface: o clima não faz muito sentido, com dias prolongados de chuva e neve; a fonte usada nos textos é incômoda para ler; as habilidades de orientação em labirinto não funcionam direito se você não possui uma expansão que corrija o atributo e será quase impossível explorar dungeons no modo IA.

Embora tenha faltado uma maior polidez e um ou outro retoque, Baldur’s Gate marcou época nos computadores e inspirou uma legião de clones na posteridade.

Rafael de Araújo Aguiar é sociólogo e um tanto apaixonado pela forma velha de se programar jogos…

Lista de agradecimentos

Desslock do gamespot

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versão 2 – 2013; 2025.

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Uma resposta

  1. Avatar de ITALO HENRIQUE ALVES
    ITALO HENRIQUE ALVES

    Um Clássico é sempre um clássico!

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