Super Nintendo


Lufia II:
Rise of The Sinistrals
Lufia (Europa)
Estpolis Denki II (Japão)
F I C H A T É C N I C A
Developer Neverland
Publisher Taito (JP), Natsume (EUR), Nintendo (EUA)
Estilo Role Playing Game
Datas de Lançamento 24/02/95 (JP), 08/96 (EUA/EUR), 1997 (OCE), 1998 (EUR, versão espanhola)
NOTA
9.3
Éde conhecimento geral a falta de traduções de RPGs advindos do Oriente para suprir a demanda de ocidentais viciados. Pois em se tratando da série Lufia o gamer pode ficar tranqüilo: está perante uma fortuita exceção, ou um par de exceções, isso porque Lufia I, por ter mostrado seu diferencial e vendido bem, deu confiança para que a Taito Corp. lançasse também em inglês a segunda versão do Role Playing Game, bastante aprimorado, por sinal. O enredo de Lufia & The Fortress of Doom era tão louvável que os buracos não-preenchidos pela exuberante narrativa acabaram sendo explorados nesta continuação de luxo, uma prequel (cronologicamente anterior às facetas do personagem original). Toda essa movimentação no mercado de games de RPG nos Estados Unidos em apenas 3 anos (1993-95), numa época de vacas magras no setor!
STORYLINE
Até sua metade não passa de uma empreitada comum de um caçador de monstros chamado Maxim que começa suas andanças mundiais pelo mercado de Tia (e não da tia!), onde acaba por se envolver numa briga por ouro. Após se recuperar dos ferimentos (é claro que foi o vencedor), Maxim ouve boatos de uma criatura maligna rondando a cidade com uma chave misteriosa. Em seguida a um duro treinamento, Maxim sente-se preparado para encará-la. O resultado não é outro senão a vitória do herói, que obtém o item que ainda não sabe exatamente para que serve. Como o rapaz é sortudo, uma gatinha chamada Iris faz uma escala no ponto do duelo mortal e enfaixa as feridas do valentão. Com a cura efetuada, Iris resolve integrar a “equipe”, sendo a membro número 2 dos “andarilhos S.A.”. A duplinha segue de povoado em povoado arranjando novos amigos e confusões, até que o primeiro incidente verdadeiramente grave atinge o mundo dos personagens de forma retumbante e caberá a Maxim e (futuros) aliados, com poderes cada vez mais incríveis, debelar o mal. Esse é o bê-á-bá, mas se quiser saber das surpreendentes minúcias da trama você terá de debulhar a fita!

VISUAL
Gráficos de fim de vida de console são tradicionalmente milagrosos, tirando tudo do potencial do hardware e mais um pouco! Com Lufia 2 no SNES não é diferente. Apesar de não haver como conferir as feições dos bonecos durante as lutas, os sprites estão sensivelmente mais abundantes que na versão antiga, embelezando os modelos animados. Os magic spells, como em qualquer obra do gênero, são os ataques mais chamativos. Palmas também para os fundos onde transcorre a pancadaria, já que no Lufia de 1993 eles eram bem pobres. E pensar que há RolePlays por aí com tela preta nos combates…
MÚSICA
Trilha sonora de alto nível, embora continue medíocre quando considerada a longo prazo: enjoa antes do recomendável. Tal defeito, tratado na análise do primeiro jogo, permanece em Lufia pela falta de criatividade dos trabalhadores do segmento, que insistem na tática de inserir as mesmas canções em todo e qualquer vilarejo, por pura teimosia. O ponto alto fica para os momentos tristes da narrativa, quando um tema sóbrio toma conta. A faixa dos chefes de fase é outra digna dos mais rasgados elogios.
SISTEMA DE JOGO
O número de opções in-battle acima do normal lembra Breath of Fire a alguns fãs. A estes é permitido usar itens, magia, ataques físicos e correr, normalmente, no entanto o que encanta é a quantidade de cada um desses tipos de ação a que o gamer pode recorrer. As magias, mantendo a tradição lufiana, não são incorporadas quando se atinge o nível “x” (como em Chrono Trigger), mas compradas. Cada lutador/mago só pode usar uma variante específica de ataque mágico e o preço costuma ser salgado. Felizmente, é magia que não acaba mais!
O game mescla RPG e pitadas de Estratégia em certos trechos, com direito a puzzles demorados que vão travar muitos jogadores. De vez em quando o prêmio para suas resoluções consiste em chaves, que, deu para perceber, desempenham um papel importante para a conclusão da aventura. Porém, legais mesmo são os quebra-cabeças facultativos que oferecem tesouros especiais caso superados.

Para espanto daqueles acostumados à fartura de side quests de produtoras concorrentes, L:RS apresenta somente uma, a reedição da tida como tediosa (mas cujo conceito é interessantíssimo) Ancient Cave. Mas é ao reclamar da exígua quantidade de “jobs lado B” que o gamer se engana, porque a Caverna Antiga é uma dungeon paralela que vale por muitas! A idéia é percorrer 99 andares subterrâneos que são corredores escuros repletos de baús com itens aleatórios, defendidos por uma horda de bichinhos pouco agradáveis. De nada adianta o acúmulo de benesses lá fora, visto que dentro da caverna seu personagem volta ao nível 1 e é obrigado a deixar as aquisições de lado! E, na outra mão, os inimigos só pioram conforme mais lances de escadas são descidos…
Como acréscimo ao replay value, há a possibilidade de decuplicar (você não leu errado: aumentar em 10 vezes!) seus pontos de experiência e dinheiro refazendo as principais tarefas. Se repetir o feito e terminar a saga uma segunda vez, haverá uma nova opção para recomeçar da vila em que está localizada a Ancient Cave, com 3 guerreiros prontos para percorrerem os 99 andares com você, fora outros aspectos customizados. Ou seja: são “desculpas e mais desculpas” para continuar jogando – e quem se importa?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não é por nada, mas esse último parágrafo é forte indício da solidez de Lufia II: Rise of The Sinistrals. Sem contar os três possíveis finais e o enredo intrincado, ainda sobram toneladas de spells, puzzles matadores e uma side quest monstruosa estimada em 10 horas de duração! Com credenciais assim, quem é louco de pular do barco?
Agradecimentos a PeTeRL90 do gamefaqs.com
Rafael de Araújo Aguiar
versão 4 – 2007; 2011; 2017; 2025.
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